O contra-protesto chinês
Publicado por JN em Abril 28, 2008

Steve Nease, «Oakville Beaver»
«(…) No doubt sponsoring this summer’s Beijing Olympics once seemed like a good idea to Coca-Cola and a gaggle of other big companies such as General Electric, Johnson & Johnson, Kodak, McDonald’s and Samsung. The marketing benefits of the Olympics are believed to be huge, which is why Coca-Cola has been doing it continuously for 80 years.
Yet by branding the Beijing games the «genocide Olympics», after the Chinese government turned a blind eye to the Sudanese government’s atrocities in Darfur, human-rights activists are threatening to lay waste to the $1 billion or so that sponsors have paid — and turn what they hoped would be an association with a joyous celebration of sport into a tricky exercise in reputational damage limitation. Firms that criticise China publicly over human rights risk antagonising not just its government, but also its people — a billion-odd potential customers. Recent protests in China against Carrefour, a French retailer, in response to pro-Tibet demonstrations in France, highlight the dangers.» [The Economist]
Os acontecimentos provocados pelo activismo global sobre o Tibete estão a levar ao rubro o nacionalismo chinês. Entre acusações a governos, instituições de aproveitamento político, muitos chineses acusam o resto do mundo de dar o respectivo crédito e admiração ao esforço chinês na realização dos Jogos Olímpicos de Pequim. O último país a sentir a fúria nacionalista chinesa foi a França e isto logo depois do caso em que um activista tentou retirar a chama a uma atleta chinesa numa cadeira de rodas, Jin Jing, um dos momentos que mais irritou os chineses (se não o mais) durante o percurso mundial da Chama Olímpica. De imediato foi pedido um boicote aos produtos franceses na China. Um dos primeiros alvos dos protestos foi a cadeia de supermercados francesa Carrefour. O presidente da Carrefour, Jose Luis Duran, viu-se «obrigado» a dizer que a sua cadeia apoia os jogos e o governo chinês, no mesmo dia em que o sr. Duran deu a sua entrevista, agradeceu e enalteceu a cadeia de supermercados.

Chappatte, «The International Herald Tribune»
É uma campanha impressionante pela imagem da China no mundo; governo e comunidades chinesas em total sintonia para obterem a maior cobertura mediática possível e passar assim a mensagem pretendida. E ao contrário dos que vivem na China, estas comunidades tem acesso a todo o tipo de informação sobre o que se passa no seu país. Mas mesmo assim, o sentimento patriótico é mais forte, fazendo-os protestar contra as opiniões ocidentais, que acusam de «tendenciosas», e defender a imagem do seu país. E para mostrar que estão dispostos a tudo, o mais recente caso é o processo que um professor primário e uma esteticista colocaram à CNN no valor de 1.3 mil milhões de dólares (um dólar por pessoa na China) por «atentado contra a dignidade e reputação do povo chinês».
Alguém subestimou a capacidade de mobilização do governo — e do povo — chinês. E também é verdade que ninguém, a começar pelos governos ocidentais por muitas ameaças de boicote ou afirmações de que não estarão presentes na cerimónia de abertura, está particularmente interessado em incomodar o maior mercado mundial e a economia de maior crescimento no mundo. Mas são agora as próprias autoridades chinesas que tentam acalmar os ânimos do seu povo; afinal sendo «a China a locomotiva da economia mundial» é natural que atrai mais as atenções do resto do mundo e, por vezes, terá que aceitar algumas críticas.

Tab, «The Calgary Sun»

