Notas ao café…

1979, o ano da rotura

Publicado em notas ao café por JN, em Julho 15, 2009

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O que têm em comum o Ayatollah Khomeini, Margaret Thatcher, o Papa João Paulo II e Deng Xiaoping? A resposta está no ano de 1979.

Christian Caryl, num artigo na Foreign Policy, escreve que não é 1968 o ano de todas as roturas, ou mesmo 1989, o ano da queda do Muro de Berlim. Para Caryl, quem quiser entender o mundo actual — o fanatismo religioso, a globalização, a política económica do laissez-faire — tem que perceber o que se passou em 1979. Neste ano começou um novo capítulo na política internacional, na história intelectual, com um novo leque de actores que irão mudar para sempre o curso da História.

Foi em 1979 que o Ayatollah Ruhollah Khomeini tomou o poder no Irão, depondo o Xá Mohammad Reza Pahlavi, e mostrou ao mundo a «Revolução Islâmica». A URSS invade o Afeganistão, provoca a revolta do mundo Islâmico e o surgir de vários grupos extremistas; inicia também o seu declínio — começa aqui o fim do império soviético. Na Inglaterra Margaret Thatcher é eleita primeira-ministra; é o ressurgimento dos conservadores na Grã-Bretanha que não só mudaram as regras da política no Ocidente mas também a nova era dos mercados impulsionados pela globalização. Karol Józef Wojtyła, o Papa João Paulo II, visita a Polónia no Verão desse ano e, em Varsóvia, num discurso para meio milhão de pessoas destaca e elogia o trabalho do «Solidariedade». Abre assim o caminho para a revolução pacífica de 1989.  Sem o discurso do Cardeal Wojtyla, o cenário teria sido diferente. É também em 1979 que um improvável visionário chamado Deng Xiaoping faz a China dar os primeiros passos para a sua longa marcha em direcção ao gigante económico que é hoje.

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