Notas ao café…

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George Carlin (1937-2008)

Publicado por JN em Junho 25, 2008

«I think it’s the duty of the comedian to find out where the line is drawn and cross it deliberately. — George Carlin,

The last vote that George Carlin said he cast in a presidential race was for George McGovern in 1972.
When Richard Nixon, who Carlin described as a member of a sub-species of humanity, overwhelmingly defeated McGovern, the comedian gave up on the political process.

«Now, there’s one thing you might have noticed I don’t complain about: politicians,» he explained in a routine that challenged all the premises of today’s half-a-loaf reformers. «Everybody complains about politicians. Everybody says they suck. Well, where do people think these politicians come from? They don’t fall out of the sky. They don’t pass through a membrane from another reality. They come from American parents and American families, American homes, American schools, American churches, American businesses and American universities, and they are elected by American citizens. This is the best we can do folks. This is what we have to offer. It’s what our system produces: Garbage in, garbage out. If you have selfish, ignorant citizens, you’re going to get selfish, ignorant leaders. Term limits ain’t going to do any good; you’re just going to end up with a brand new bunch of selfish, ignorant Americans. So, maybe, maybe, maybe, it’s not the politicians who suck. Maybe something else sucks around here… like, the public. Yeah, the public sucks. There’s a nice campaign slogan for somebody: ‘The Public Sucks. Fuck Hope.’»

[The Nation]


Joe Heller, «The Green Bay Press-Gazette»

George Carlin, o autor de «Seven Words You Can Never Say on Television», sketch que o levaria à prisão e a uma revisão do Tribunal Supremo americano sobre linguagem ofensiva na televisão, sabia o valor da palavra. E tudo era sempre muito bem escrito por este «anarquista» dos tempos modernos. Um homem que quebrou todas as regras e que recusou sempre limites.


Bob Englehart, «Hartford Courant»

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O alfinete de segurança

Publicado por JN em Abril 11, 2008

Foi inventado a 10 de Abril de 1849 por um inventor nova-iorquino, Walter Hunt. Provavelmente uma das mais simples invenções da História, que o sr. Hunt vendeu por 400 dólares - ele não deveria saber o que tinha ali. Mas por muito simples que fosse, tornou-se um dos maiores aliados de gerações de mães. Com as novas fraldas caiu em desuso, mas «bebés» da minha idade conheceram-no e conviveram durante muito tempo com ele.

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Martin Luther King, 40 anos depois

Publicado por JN em Abril 4, 2008

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Martin Luther King

Há 40 anos, a 4 de Abril de 1968, Martin Luther King, lutador pelos direitos civis nos Estados Unidos, foi assassinado na cidade de Memphis. O Wahington Post mostra alguns excertos dos editoriais do Post desse dia. Roger Wilkins, também no Post, escreve sobre as suas memórias do dia seguinte.

O discurso de 1963 «I Have a Dream» pode ser lido aqui e visto aqui.

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Os 50 anos do Símbolo da Paz

Publicado por JN em Janeiro 7, 2008

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«I was in despair. Deep despair. I drew myself: the representative of an individual in despair, with hands palm outstretched outwards and downwards in the manner of Goyaís peasant before the firing squad. I formalised the drawing into a line and put a circle round it.»

Gerald Holtom, criador do Símbolo da Paz

O símbolo da Paz vai fazer 50 anos. Foi criado para a Campaign for Nuclear Disarmament (CDN) e originalmente o seu uso era exclusivo dos que apoiavam esta organização. O símbolo foi projectado em 21 de Fevereiro de 1958 por Gerald Holtom, um designer comercial e artista inglês. Holtam foi contratado pela CDN para projectar um símbolo para ser utilizado numa manifestação à Catedral de Canterburry em protesto contra o «Atomic Weapons Research Establishment» em Aldermaston na Inglaterra. Mais tarde, nos anos 60, transformou-se no símbolo para os movimentos contra a guerra no Vietname e passou a ser utilizado pela contracultura da época. Apareceu nas paredes de Praga durante a invasão soviética, no Muro de Berlim, em Sarajevo, nas campas de prisioneiros políticos na Argentina durante o regime militar e em Timor Leste. Hoje é um dos símbolos mais difundidos do mundo.

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Terry Mosher (Aislin), «The Montreal Gazette»

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25 de Dezembro de 1914

Publicado por JN em Dezembro 26, 2007

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A 25 de Dezembro de 1914 durante a guerra das trincheiras realizou-se um jogo de futebol entre «inimigos». Muito já foi escrito sobre este acontecimento e por muitos considerado um mito. Muitos anos depois o diário de um soldado inglês foi encontrado. Nele, o sargento George Beck, relata os acontecimentos desse dia; «…the most memorable Christmas I’ve ever spent or likely to spend: since about teatime yesterday I don’t think there’s been a shot fired on either side up to now. (…) They also gave us a few songs so we had quite a social party…Some of our chaps went over to their lines. I think they’ve all come back bar one from E Co. They no doubt kept him as a souvenir. (…) After breakfast we had a game of football at the back of our trenches!»

A realidade talvez seja sempre um pouco diferente e o que se passou em 1914, além de não ter sido um fenómeno isolado nunca mais se repetiu. No entanto a lição fica para a História. Uma lição de paz e que tudo até poderia ser sempre melhor. Mas a História é sempre a mesma e pouco se aprende.

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Torga

Publicado por JN em Agosto 15, 2007

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria…
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga, «Súplica»

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Bandeira, «Diário de Notícias»

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Um 6 de Agosto

Publicado por JN em Agosto 6, 2007

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Hiroshima, Japão. Centro da explosão da primeira bomba atómica. Um soldado japonês caminha no local onde antes existia um quartel do exército japonês. Foi a 6 Agosto de 1945 que foi lançada a primeira bomba atómica sobre o Japão. Três dias depois uma segunda será lançada sobre a cidade de Nagasaki. A 15 de Agosto o Japão rende-se. (Foto: WayneMiller/Magnum Photos).

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Kitchen Debate

Publicado por JN em Julho 24, 2007

«We have all these things in our new flats»

Nikita Khrushchev

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Foto:Elliott Erwitt /Magnum Photos (1959)

A 24 de Julho de 1959, no auge da Guerra Fria e durante a American National Exhibit em Moscovo, o vice-presidente americano Richard Nixon e o líder soviético Nikita Khrushchev tiveram uma acalorada discussão sobre os méritos do capitalismo versus os do comunismo. Os dois líderes compararam as tecnologias das duas potências e chegaram mesmo a comparar utensílios caseiros como televisões a cores. Os dois líderes depressa passaram para o campo das ideologias e para a qualidade de vida do cidadão comum em ambos os países.

Este debate, que os vários assessores de ambos tentaram que fosse privado, teve lugar na cozinha de uma casa modelo americana construída de propósito para a exposição. Mas o evento ficou gravado e acima de tudo não escapou ao fotógrafo da Magnum, Elliott Erwitt. O debate ficaria conhecido para a História como The Kitchen Debate. Aqui pode-se encontrar uma transcrição da conversa entre Nixon e Khrushchev.

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One small step…

Publicado por JN em Julho 21, 2007

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Há 38 anos atrás as primeiras páginas de todos os jornais do mundo eram como esta do London Herald. A 20 de Agosto de 1969 o primeiro homem pisava solo lunar. Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins entravam para a História.

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Pegada de Buzz Aldrin (NASA/Reuters)

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Flower Child

Publicado por JN em Junho 21, 2007

«Forget about witnessing. Say to yourself that photography is a little everyday job. Stick to your curiosity.»

Marc Riboud

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Foto: Marc Riboud (Magnum Photos)

A 21 de Outubro de 1967 milhares de manifestantes juntam-se em frente do Pentágono, em Washington D.C., para protestar contra a guerra no Vietname. Riboud, que trabalhava para a «Magnum», seguiu uma determinada jovem que parecia querer colocar uma flor na arma de um soldado da Guarda Nacional. A jovem chama-se Jan Rose Kasmir e tem 17 anos.

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Foto: Marc Riboud (Magnum Photos)

Trinta anos depois, um jornal francês, juntamente com Riboud, decidiu encontrar Jan Kasmir e foram encontrar a Sra. Kasmir, em Fevereiro de 2004, num outro protesto, agora em Londres e contra a guerra no Iraque. Sobre a cena da foto de Riboud, a Sra. Kasmir afirmou: «All of a sudden, I realized ‘them’ was that soldier in front of me - a human being I could just as easily have been going out on a date with. It wasn’t a war machine, it was just a bunch of guys with orders. Right then, it went from being a fun, hip trip to a painful reality.»

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Foto: Marc Riboud (Jan Kasmir em 2004 num protesto em Londres contra a guerra do Iraque)

Aqui pode-se encontrar uma interessante entrevista a Riboud, hoje com 84 anos.

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Earthrise

Publicado por JN em Junho 19, 2007

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«Earthrise» (nascimento da Terra) é o nome dado à imagem AS8-14-2383HR da NASA tirada pelo astronauta William Anders da Apollo 8, a 24 de Dezembro de 1968. A Apollo 8 foi a primeira missão a colocar seres humanos em órbita da Lua. Sete meses depois o primeiro homem chegaria à Lua. [link]

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Prof. Einstein and The Tramp

Publicado por JN em Junho 14, 2007


Charlie Chaplin e Albert Einstein durante a estreia do filme «City Lights» de Chaplin em 1931.

Poucos cientistas, principalmente físicos e matemáticos, podem afirmar ter tido o tratamento de verdadeiras estrelas, embora o seu trabalho assim o merecesse. No entanto Einstein poderia afirmar isso. Na sua visita a Hollywood, nos anos trinta, Einstein causou uma verdadeira loucura mediática. Um dos muitos que se renderam ao charme do físico foi Charlie Chaplin que convidou Einstein para a estreia do seu filme «City Lights». Conta-se que enquanto circulavam pelas ruas da cidade e os transeuntes aplaudiam os dois grandes senhores que Chaplin se teria virado para Einstein e dito: «As pessoas aplaudem-no porque nenhuma delas o entende e aplaudem-me a mim porque todos me compreendem».

«When a man sits with a pretty girl for an hour, it seems like a minute. But let him sit on a hot stove for a minute and it’s longer than any hour. That’s relativity.» A. Einstein

Einstein terá também pedido a Chaplin que lhe possibilitasse um encontro com a actriz Paulette Goddard, na altura casada com Chaplin, possuidora de um «shayna punim ou um belo rosto, de um altíssimo nível», segundo o próprio Einstein.

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Paulette Goddard no Filme «Modern Times» («Tempos Modernos») (1936)

O encontro ocorreu em Nova Iorque no Oyster Bar; «Ela estava radiante e maravilhosa. Quando me pareceu que apenas um minuto tinha se passado, consultei o relógio e descobri que, na realidade, tinham-se passado 57 minutos completos, os quais arredondei para uma hora. Ao voltar para casa, liguei uma chapa de fazer waffles e deixei-a aquecer. Em seguida, sentei-me sobre ela. Eu estava usando calças e uma camisa branca, comprida, por fora das calças. Quando me pareceu que mais de uma hora tinha passado, levantei-me e consultei o relógio e descobri que, na verdade, menos de um segundo tinha se passado. Para manter consistência das unidades na descrição dos dois eventos, arredondei para um minuto, chamando depois um médico».

E isto é relatividade. O estado mental do observador desempenha um papel crucial na percepção do tempo (conclusão de Einstein).

(Fonte: «Effects of External Sensory Input on Time Dilation.», A. Einstein, Institute for Advanced Study, Princeton)

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A independência da solidão

Publicado por JN em Junho 5, 2007

«O que me importa unicamente é o que tenho de fazer, não o que pensam os outros. Esta regra, igualmente árdua na vida imediata como na intelectual, pode servir para a distinção total entre a grandeza e a baixeza. E é tanto mais dura quanto sempre se encontrarão pessoas que acreditam saber melhor do que tu qual é o teu dever. É fácil viver no mundo de conformidade com a opinião das gentes; é fácil viver de acordo consigo próprio na solidão; mas o grande homem é aquele que, no meio da turba, mantém, com perfeita serenidade, a independência da solidão.»

Ralph Waldo Emerson, in «Essays»

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«Tank Man». Foto de Jeff Widener (The Associated Press)

A 5 de Junho de 1989, durante as manifestações na Praça Tiananmen, em Pequim, um homem solitário pára uma coluna de tanques, até ser puxado pela multidão. Este homem nunca foi identificado e ficou para a História como o «Homem tanque» ou «Rebelde desconhecido», mas a fotografia do incidente tornou-se um ícone do séc. XX e ficou para a História como um símbolo de luta e de não rendição. Jeff Widener ganharia o Prémio Pulitzer em 1990.

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95 anos atrás…

Publicado por JN em Abril 16, 2007

…os jornais tinham esta primeira página… O RMS Titanic batia num icebergue a 14 de Abril de 1912 e afundaria no dia seguinte, 15 de Abril de 1912…

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Ain’t hip…

Publicado por JN em Abril 12, 2007

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Johnny Hart

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Johnny Hart

Publicado por JN em Abril 12, 2007

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Mark Streeter, «The Savannah Morning News»

Morreu Johnny Hart o criador da série «BC». Publicado em mais de mil jornais em todo o mundo, «BC» centrava-se em personagens humorísticas tiradas do tempo primitivo, em que dinossauros conviviam com homens das cavernas, mas com histórias e situações que remetiam para a realidade norte-americana. Johnny Hart serviu-se da banda desenhada para abordar temas polémicos como o da religião, o que lhe valeu recusas de publicação das suas histórias por parte de alguma imprensa americana.

Johnny Hart faleceu no sábado, em casa, enquanto desenhava…

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John Deering, «The Arkansas Democrat-Gazette»

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Cardow, «The Ottawa Citizen»

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Monkey Trial e o desígnio inteligente

Publicado por JN em Março 17, 2007

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Julgamento de John Thomas Scopes (1925), professor em Dayton no Tennessee, (EUA) por ir contra Butler Act, que proibia o ensino da Teoria da Evolução nesse mesmo estado. Na fotografia vê-se ao centro William Jennings Bryan, um presbiteriano devoto, que era a voz da acusação. O advogado de defesa foi Clarence Seward Darrow. O julgamento de Scopes viria a ser conhecido por «Scopes Monkey Trial» (Foto: «The New York Times»).

Acima de tudo o julgamento de Scopes é um duelo entre o velho e o novo mundo; entre duas formas de pensar: uma preocupado com a preservação de certos valores e outra que se questionava sobre esses mesmos valores e tentava encontrar outros… Quem dominaria a cultura na América, os tradicionalistas ou os modernistas? No meio encontrava-se o infeliz professor Scopes que cometeu o grave erro de falar das teorias de Darwin…

Scopes viria a ser condenado recorrendo da sentença em 1927 no Tribunal Supremo do Tennessee. Este considerou a Butler Act constitucional mas revogou a sentença de Scopes. A Butler Act só seria retirada da lei do Tennessee em 1967.

Quase um século depois, depois de todos os avanços que se verificaram na ciência, a cadeira da Sala Oval da Casa Branca é ocupada por um homem que confessa publicamente que não acredita na Teoria da Evolução… Os apoiantes do Criacionismo florescem na América conservadora ganhando terreno; um exemplo vem do estado do Kansas; como o Supremo Tribunal decidira que o criacionismo não podia entrar para os currículos académicos como ciência, em 1999 um Conselho de Educação conservador elaborou uma nova estratégia, já que o criacionismo não conseguia bases científicas para se afirmar como matéria curricular surgiram com a teoria do «Desígnio Inteligente»; o mundo natural é tão complexo e tão bem ordenado que tem que haver uma causa inteligente para que isso aconteça…

O Conselho de Educação pediu a uma comissão de educadores recomendações que a actualização dos parâmetros científicos do ensino, e, para separar definitivamente ciência e religião, que dessem uma definição de ciência. Foram apresentadas duas propostas antagónicas uma, apoiada pela maioria, propõe a manutenção dos actuais padrões, que abraçam a teoria da evolução, e que define ciência como «uma actividade humana de procura sistemática de explicações naturais para o que se observa no mundo à nossa volta». Para a outra, dos defensores do «Desígnio Inteligente», ciência é «um método sistemático de investigação contínua que usa a observação, experimentação, mensuração, construção de teorias, teste de ideias e argumentos lógicos que levem a melhores explicações dos fenómenos naturais». O Conselho aceitou as duas propostas…

Actualmente a Teoria da Evolução não é disciplina obrigatória, mas sim de opção naquele estado…Para fazer desaparecer a teoria da evolução, as escolas vão ser desencorajadas a ensinar botânica, anatomia e fisiologia. Segundo os parâmetros vigentes, os alunos do 8º ao 12º anos devem aprender seis pontos sobre os organismos vivos, incluindo a biologia básica dos animais e das plantas. As novas propostas reduzem a dois pontos, o conhecimento geral de como os organismos são classificados e as principais diferenças estruturais entre os organismos…

Em Portugal o movimento Criacionista também dá os primeiros passos com um Museu que contesta a teoria da evolução que vai nascer em Mafra…

E assim vai indo o mundo, às arrecuas… Afinal o julgamento de Galileu ainda não acabou, nem o julgamento das ideias, aquilo que realmente assusta muitos…

«Inherit the Wind» é uma peça de teatro de Jerome Lawrence e Robert Edwin Lee que estreou na Broadway em Janeiro de 1955. Foi adaptada ao cinema em 1960 por Stanley Kramer. É baseada no julgamento de John Thomas Scopes. William Jennings Bryan tem aqui o nome de Matthew Harrison Brady, Clarence Darrow é «substituído» por Henry Drummond - interpretado por Spencer Tracy - e John Thomas Scopes por Bertram Cates…

Mas deixemos o Sr. Drummond falar…

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O mineiro

Publicado por JN em Janeiro 25, 2007

Para o meu avô, também ele mineiro entre 1930 a 1955 nas minas de carvão do Pejão…

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The Miner (1925)
George Luks (1867-1933)

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Sympathy for the Devil

Publicado por JN em Janeiro 21, 2007

No «Rock and Roll Circus» dos Rolling Stones em 1968… John Lennon parecia estar a curtir

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La Vie en Rose

Publicado por JN em Janeiro 19, 2007

Durante o programa «La Joie de Vivre» (1954), Edith Piaf canta «La Vie en Rose»… E porque há momentos que nem o tempo consegue apagar…

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Bogart…

Publicado por JN em Janeiro 14, 2007

…um milhão de cigarros e de whiskys depois, morreu… Faz hoje 50 anos…mas ficou o mito…«Here’s looking at you, kid».

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Humphrey Bogart (1899-1957)
Fotografia de Yousuf Karsh (1946)

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Play it again, Sam

Publicado por JN em Janeiro 8, 2007

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No site onde estão as 100 frases mais famosas do cinema, «Frankly, my dear, I don’t give a damn» do filme «E Tudo o Vento Levou», de 1939, ocupa o primeiro lugar, seguida de «I’m going to make him an offer he can’t refuse» (pessoalmente é a minha favorita) do filme «O Padrinho». Mas há uma, igualmente famosa, que não é possível encontrar: «Play it again, Sam»… No entanto seis das frases que lá estão pertencem a «Casablanca», mas não «Play it again, Sam».

É sem dúvida uma das frases mais conhecidas do mundo do cinema e atribuída, como seria de esperar, ao filme «Casablanca»…O problema é que nunca foi pronunciada durante o filme. É atribuída a Ilsa (Ingrid Bergman) quando ela pede ao pianista Sam (Dooley Wilson) para tocar a música que para ela representa o romance vivido com Rick (Humphrey Bogart) em Paris; o que Ilsa de facto diz é «Play it, Sam. Play “As Time Goes By”.»

Quando Rick faz o mesmo pedido a Sam diz, de uma forma pouco simpática diga-se, «You played it for her, you can play it for me.» No entanto, a maior parte das pessoas, e podem ter visto o filme várias vezes, irá garantir que Ilsa ou Rick disseram «Play it again, Sam»…

A frase viria a ser pronunciada, mais tarde, no filme «Uma Noite em Casablanca» dos irmãos Marx em 1946. É também o nome de um filme de Woody Allen, de 1972, onde Allen após o divórcio, tanta voltar à vida social ajudado pelo fantasma de Humphrey Bogart…É um outro filme a ver…

Mas Sam tocou, para Ilsa e Rick, «As Time Goes By», e como deve ser; a preto e branco

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every breath you take…

Publicado por JN em Janeiro 4, 2007

E do ano de 1983 chegam os ecos dos The Police…

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Where have all the flowers gone?

Publicado por JN em Janeiro 4, 2007

Marlene Dietrich a cantar «Where have all the flowers gone?», de Pete Seeger, em Londres, no já longínquo ano de 1972… há coisas eternas; Marlene é uma delas…

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James Brown (1933-2006)…

Publicado por JN em Dezembro 27, 2006

Um homem que canta para outros públicos agora…Heaven just got a little more funkier

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A festa dos rapazes

Publicado por JN em Dezembro 26, 2006

O Inverno é para a natureza o tempo do repouso; para quem com a natureza trabalha, o povo rural, sê-lo-á também. Em Trás-os-Montes, quando o Inverno chega, as colheitas já terminaram, e aí estão as matanças e as festas do pão, do vinho, do fumeiro. Festas do pão, como em Parada de Infanções, em honra de Santo Estêvão, com o «charolo», espécie de andor todo coberto de roscas de pão, que é benzido na igreja e integrado no ritual litúrgico, leiloado no adro, peça por peça, e comido preceitualmente por todos. O ritual da bênção e distribuição do pão por todo o povo faz parte essencial da festa de Santo Estêvão. Colocado em cestos numa grande mesa para a refeição comunitária, o pão é o seu prato nobre.

O culto de Santo Estêvão encontra-se associado às festas dos rapazes, integradas no ciclo de festividades do Solstício do Inverno que aqui se desenrolam, no período que decorre do dia 24 de Dezembro ao dia 6 de Janeiro, e que no passado pagão terão sido dedicadas ao culto do Sol. Com o advento do cristianismo, foram adoptadas pela Igreja que lhes conferiu um carácter cristão, na tentativa do aproveitamento dos ritos tão fortemente enraizados no povo que o seu aniquilamento se afigurava missão impossível.

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Os preparativos da festa dos rapazes começam bem cedo: a negociação com o gaiteiro, o pedido de empréstimo da casa para os diferentes momentos de convívio, a compra da vitela, as rondas à noite ao som da gaita-de-foles anunciam a festa logo desde o início de Dezembro. A iniciativa da sua realização, bem como toda a sua organização cabe aos dois mordomos escolhidos no ano anterior. No dia da festa, a alvorada dá-se de madrugada, com duas rondas pela aldeia ao toque da gaita-de-foles dos tambores e dos cânticos. Nesta região transmontana, intervém um traje especial de mascarados no ciclo das festas de Natal - chocalheiros, zangarões, mascarões e caretos - que actuam como meros mendigantes ao serviço da igreja, percorrendo as localidades a recolher escudos ou outros tributos. Os mascarados para além das mascaras de folheta pintada, usam fatos, na maioria das vezes, feitos de colchas de fabrico caseiro, decorado de trama de lã vermelha, composta de casaco com capuz.

Assim, um grupo constituído exclusivamente por rapazes com pelo menos 16 anos, depois da missa do Natal, envergando as máscaras e os respectivos trajes, percorrem as casa vizinhas, uma por uma. Com o fim da peregrinação às casas, os rapazes ocupam posições estratégicas por forma a amedrontar as pessoas, nomeadamente mulheres e crianças com o objectivo de as forçar, tácita ou explicitamente, a concentrarem-se no largo da aldeia, onde tem lugar o colóquio e as loas.

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Esta últimas consistem na apresentação das boas festas, por um mascarado que sobe a um palco rudimentar preparado para o efeito, enquanto os outros mascarados, comentam um a um, em tom sarcástico os acontecimentos mais importantes ocorridos ao longo do ano:

Pessoal que me ouvis,
bem sabeis o que isto é;
tenho um caso p’ra contar
que diz respeito ao Manuel Zé.

Que diz respeito ao Manuel Zé,
rapaz de muita alegria;
o que havia de fazer
à sua irmã Maria.

À sua irmã Maria,
isto ninguém o adivinha;
ele já andava maluco
com ela e com a sobrinha.

Ele ia para as hortas
fartinho de trabalhar;
elas iam para a taberna
só para se emborrachar

No final das loas, os rapazes vão almoçar. À noite, os rapazes realizam a ceia. É o momento em que mais se faz sentir a força da coesão e da fraternidade, que só um convívio desta natureza pode gerar. No fim da refeição, a nomeação dos novos mordomos é feita no jantar do dia 26 e a transposição simbólica dos poderes é dada pela troca dos chapéus, os quais apresentam como sinal distintivo uma fita vermelha com as pontas pendentes sobre as costas. Os mordomos velhos elegem os novos. Experimentam os chapéus na cabeça de todos os rapazes presentes, perguntando se serve ou não. Após a resposta, ouve-se o grito de proclamação: «Vivam os mordomos novos». E a festa acaba com um baile onde finalmente intervêm as raparigas. E assim, existe e existirá a continuidade desta festa no ano seguinte porque ninguém quer passar pela desonra de deixar morrer nas suas mãos esta tradição milenar.

Tudo isto estará relacionado com certos cerimoniais próprios dos ritos de passagem das sociedades arcaicas: a passagem de uma a outra fase da vida, da adolescência à juventude ou à maturidade como acontecimentos que deve ser assinalado na vida de uma pessoa ou de uma comunidade, rituais só para rapazes desempenharem, tal como nas antigas sociedades secretas masculinas nas quais os jovens antes de nelas se introduzirem deviam submeter-se a determinadas provas, mascarando-se em seguida e executando danças violentas para afastar a presença das mulheres.

Não se concebe aqui o Natal sem missa, nem presépio, nem o beijar ao menino; mas também, a festa não será completa sem a balbúrdia provocada pelos caretos, as loas, as rondas, a corrida à rosca, o som da gaita e o bombo. Festa do Natal e, denominada pelo culto ao Santo Estêvão, a Festa dos Rapazes - dois eventos festivos em um só tempo e espaço de realização, que inevitavelmente se tocam sem qualquer espécie de atrito e se interligam. Sagrado e profano, cristão e pagão, as duas caras da mesma medalha aqui nestas terras do Nordeste…

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Kind of blue…

Publicado por JN em Dezembro 21, 2006

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Miles Davis (1926-1991)

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April skies

Publicado por JN em Dezembro 18, 2006

Nos anos 80, quando não se sabia como catalogar algum tipo de música, logo lhe chamavam música alternativa ou rock alternativo. Geralmente eram bandas ainda muito influenciadas pelo punk rock dos anos 70 ou que pertenciam ao chamado movimento underground - bandas pouco ou nada conhecidas que actuavam fora dos principais circuitos musicais e que, quando isso acontecia, eram editadas por pequenas editoras…
Hoje, qualquer grupo musical, mainstream ou não, mata por estes títulos…
Tempos em que não existiam a Internet, os telemóveis e a «pirataria» era feita em algo chamado K7…
Esta chama-se «April Skies», do álbum «Darklands», de uns rapazes escoceses chamado The Jesus and Mary Chain…no final dos anos 90 separaram-se…

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Os irmãos Wright

Publicado por JN em Dezembro 17, 2006

Os irmãos Wright, Orville Wright (1871-194 8) e Wilbur Wright (1867-1912), são reconhecidos por terem projectado e construído o primeiro avião funcional e por terem realizado o primeiro voo controlado num aparelho mais pesado que o ar. E é assim que a 17 de Dezembro de 1903 , em Kitty Hawk na Carolina do Norte, o Wright Flyer inicia a era da aviação ao fazer o seu primeiro voo (foto registrada com data).

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Wright Flyer

Como em tudo, e na História ainda mais, existe polémicas quanto ao facto dos irmãos Wright terem sido ou não os pais da aviação. Um dos casos mais conhecidos é o do brasileiro Alberto Santos-Dumont, considerado por muitos (principalmente no Brasil) como o criador do primeiro aparelho voador «mais pesado que o ar», o 14-Bis, construído na França, que fez o seu primeiro voo a 23 de Outubro de 1906, quase três anos depois do voo do Wright Flyer.

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14-Bis

No centro desta polémica, está o facto do Wright Flyer ter sido impulsionado por catapulta mecânica para levantar voo, enquanto que o 14-Bis era dotado de um motor a gasolina.

Com ou sem polémica, naquele dia 17 de Dezembro de 1903 fez-se história, e nos dias seguintes os jornais por esse mundo fora tinham como notícia de primeira página o sucedido. A figura mostra o «London Herald» do dia seguinte ao voo do Wright Flyer.

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Into my arms

Publicado por JN em Dezembro 15, 2006

Depois de 1987 e os The Cure…1997 e Nick Cave…

And I don’t believe in the existence of angels
But looking at you I wonder if that’s true
But if I did I would summon them together
And ask them to watch over you

And I believe in some kind of path
That we can walk down, me and you

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