Notas ao café…

Astérix & Obélix, 50 anos

Publicado em memórias ao café, notas ao café por JN, em Outubro 24, 2009

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O quadro de Delacroix, La liberté guidant le peuple, é uma boa forma de dar início às festividades dos 50 anos da dupla Axterix e Obélix e da aldeia de gauleses eternamente irredutíveis.

O homem certo

Publicado em memórias ao café, notas ao café por JN, em Agosto 21, 2009

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The Road to Peace, With Violence
Arcadio, «Cagle Cartoons»

A 19 de Agosto de 2003 Sérgio Vieira de Mello e outros 21 funcionários da ONU foram mortos num ataque à sede desta instituição em Bagdade. Foi um dos primeiros ataques de uma longa série de ataques que caracterizaram a guerra no Iraque. Sérgio Vieira de Mello passou a maior parte de sua vida como diplomata no Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, servindo em missões humanitárias e de manutenção da paz. Bangladesh, Cambodja, Líbano, Bósnia e Herzegovina, Kosovo, Ruanda, Timor-Leste, e por fim, no Iraque. Dele, Kofi Annan, afirmou que “a pessoa certa para resolver qualquer problema” e era a personificação do que a ONU poderia e deveria ser.

O sexto aniversário da sua morte é agora um momento, também , para comemoração e tributo às 21 pessoas que perderam a sua vida. No Washington Post, Laurent Vieira de Mello, filho de Vieira da Mello, escreve sobre o seu pai e sobre todos aqueles que arriscam a própria vida na manutenção da paz:

[...] In recognition of their commitment, my family sought to have Aug. 19 — the date my father and his fellow workers died while helping destitute people — designated as World Humanitarian Day. After discussions with our foundation, Brazil, France, Japan, Sweden and Switzerland sponsored a U.N. resolution that was adopted by the General Assembly on Dec. 11, 2008. So for the first time, today is officially an occasion to reflect on the situation for humanitarians deployed in the field.

Sadly, already poor conditions for humanitarian workers in many places are deteriorating. Since 2006, attacks on aid workers have increased sharply, the Overseas Development Institute reports. The Darfur region in Sudan, Afghanistan and Somalia are the most dangerous places, accounting for more than 60 percent of violence against aid workers.

Last year was the worst in 12 years, with 260 humanitarian aid workers killed, kidnapped or seriously injured in violent attacks, according to the institute. This toll exceeds the number of victims among U.N. peacekeeping troops.

The Baghdad bomb attack that killed my father dramatically underscored a fact that humanitarian workers had dealt with since the early 1990s: The U.N. flag had ceased to be bulletproof. It no longer protected U.N. humanitarian workers as well as the staffs of nongovernmental organizations. [...]

O homem de Kennedy e Johnson

Publicado em memórias ao café, notas ao café por JN, em Julho 7, 2009

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Robert S. McNamara e o Presidente J.F. Kennedy

Robert S. McNamara foi Secretário da Defesa dos presidentes John F. Kennedy e Lyndon B. Johnson, entre 1961 e 1968. Seria depois Presidente do Banco Mundial entre 1968 e 1981. Foi o mais influente, poderoso e controverso Secretário da Defesa na História americana. Morreu ontem com a idade de 93 anos.

Será principalmente lembrado pelo seu papel na guerra do Vietname e pelo alargamento da influência militar americana no mundo da Guerra Fria. Nos últimos anos da sua vida, no entanto, tornou-se porta-voz do desarmamento nuclear. A Foreign Policy, em 2005, fez uma reportagem sobre McNamara e as suas posições anti-nucleares que se tornou indispensável neste tópico:

[...] Among the costs of maintaining nuclear weapons is the risk—to me an unacceptable risk—of use of the weapons either by accident or as a result of misjudgment or miscalculation in times of crisis. The Cuban Missile Crisis demonstrated that the United States and the Soviet Union—and indeed the rest of the world—came within a hair’s breadth of nuclear disaster in October 1962.

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RJ Matson, «St. Louis Post-Dispatch»

Ecos do passado

Publicado em memórias ao café, notas ao café por JN, em Julho 2, 2009

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A 1 de Julho de 1979 a Sony lançava o primeiro leitor de música portátil, o Walkman. Com ele a música saiu à rua. Viria a morrer com o surgir do mp3.

Pina Bausch (1940-2009)

Publicado em memórias ao café, notas ao café por JN, em Junho 30, 2009

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O número 23

Publicado em fotografia ao café, memórias ao café por JN, em Junho 7, 2009

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O General Dwight D. Eisenhower, comandante das forças aliadas na Europa, fala com para-quedistas do 502º Regimento, da 101ª Divisão Aerotransportada, no Greenham Common Airfield, Ingalterra, às 20:30 horas do dia 5 de Junho de 1944. Perante estes homens deu a ordem do dia:  «Full victory-nothing else».

Um em cada sete dos homens que saltaram sobre a Normandia morreriam antes de atingir o solo e maioria dos homens na foto morreria nas primeiras horas da invasão. Dos 792 que compunham a 502, apenas 129 sobreviveram. O homem a quem Eisenhower se dirige, com o número 23, é o Tenente Wallace C. Strobel. Sobreviveu ao ataque sem um único ferimento. Viria a falecer em 1999.

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Milt Priggee

Tudo começou com um beijo

Publicado em fotografia ao café, memórias ao café por JN, em Março 29, 2009

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A foto da Associated Press que mostra o beijo entre o líder soviético Leonid Brezhnev e Erich Honecker, presidente da República Democrática da Alemanha, na celebração do 30º aniversário deste país em 1979. A foto que já por si é um ícone do século XX, em 1990 daria origem a um outro, este da autoria do russo Dmitri Vrubel e no Muro de Berlim.

Depois da queda do Muro de Berlim em 1989, mais de uma centena de artistas (uns mais anónimos que outros), foram para Berlim e transformaram o cinzento do muro em telas para as suas obras de arte. A parte oriental do muro, que tinha estado intocável até então, foi coberta com mais de cem obras. Estas eram um reflexo da História turbulenta da Alemanha e muitas tinham nelas o slogan da paz e esperança. Entre elas encontrava-se a de Vrubel, «Der Bruderkuss», baseada na foto da Associated Press.

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A obra emblemática de Vrubel, uma das mais famosas do muro, já não poderá ser mais vista. Devido à restauração que as autoridades alemãs estão a fazer ao muro e à deterioração da pintura, o «Der Bruderkuss» foi apagado do muro.

90 anos depois…

Publicado em memórias ao café, notas ao café por JN, em Novembro 12, 2008

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Cardow, «The Ottawa Citizen»

A Europa está a celebrar os 90 anos o fim da Primeira Guerra Mundial com cerimónias de homenagem aos 20 milhões de mortos causados por este conflito mundial e, também, uma forma de homenagear a união (com elevados custos) do continente. Na Inglaterra, França e outras nações «vitoriosas», cresce cada vez mais o interesse por este conflito que mudou definitivamente o percurso do século XX.

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Foto tirada a 11 de Novembro de 1918. Neste dia no vagão do general Ferdinand Foch — comandante das forças aliadas — foi assinado o tratado do armistício [link].

Uma carta de derrota

Publicado em memórias ao café, notas ao café, palavras ao café por JN, em Novembro 4, 2008

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«Os homens são atormentados pelo pecado original dos seus instintos anti-sociais, que permanecem mais ou menos uniformes através dos tempos. A tendência para a corrupção está implantada na natureza humana desde o princípio. Alguns homens têm força suficiente para resistir a essa tendência, outros não a têm. Tem havido corrupção sob todo o sistema de governo. A corrupção sob o sistema democrático não é pior, nos casos individuais, do que a corrupção sob a autocracia. Há meramente mais, pela simples razão de que onde o governo é popular, mais gente tem oportunidade para agir corruptamente à custa do Estado do que nos países onde o governo é autocrático. Nos estados autocraticamente organizados, o espólio do governo é compartilhado entre poucos. Nos estados democráticos há muito mais pretendentes, que só podem ser satisfeitos com uma quantidade muito maior de espólio que seria necessário para satisfazer os poucos aristocratas.»

Aldous Huxley, in «Sobre a Democracia e Outros Estudos»

Em 1972, Richard Nixon foi protagonista de uma das mais esmagadoras vitórias para a presidência do EUA. Corria contra George McGovern que sempre fora contra a guerra do Vietname. Como se pode ver por este mapa do Real Clear Politics, McGovern apenas ganhou num Estado; Nixon arrasou-o.

E Richard Nixon ficaria para a História por muitos motivos; o mais conhecido foi o de ter sido o autor de uma das cartas mais simples, curtas e famosas da História americana — a carta da sua demissão, em 9 de Agosto de 1974. Até na vitória sem contestação pode haver lugar para a derrota…

1983, o início

Publicado em memórias ao café, notas ao café por JN, em Outubro 25, 2008


Emad Hajjaj, «Cagle Cartoons»

Vinte e quatro anos atrás – a 24 de Outubro de 1983 -, um camião carregado de explosivos irrompeu pelo portão de segurança do posto onde estava estacionado o corpo de Marines dos EUA em Beirute, no Líbano. Como resultado da enorme explosão – o camião transportava 24 toneladas de TNT – morreram 241 militares americanos.

A missão americana de «manutenção de paz» – como tantas outras depois – falhou porque os EUA nunca perceberam que tentar manter a paz num país onde tal não existe é algo praticamente impossível. Antes pelo contrário, a «missão de paz» americana ao colocar-se ao lado do então presidente Amin Gemayel, um dos grandes responsáveis pela guerra civil naquele país, só piorou a situação.

As repercussões deste ataque ainda se sentem nos dias de hoje. Para grupos radicais, o camião carregado de explosivos marca o início de um novo tipo de guerra; estes grupos descobriram a arma que lhes permitiu atacar super-potências, como os EUA. O ataque é mãe dos futuros ataques terroristas, desde o World Trade Center, Madrid, Londres aos ataques suicidas no Iraque e Afeganistão.


Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»

A final dos 200 metros de 1968

Publicado em memórias ao café, notas ao café por JN, em Agosto 8, 2008

Final dos 200 m dos Jogos Olímpicos do México em 1968. Uma das finais mais interessantes de que há memória. Após uma má partida, o americano Tommie Smith parece ignorar sua contusão na coxa, reage e vence a prova. Bate também o recorde mundial da distância com o tempo de 19.83 s. Em segundo lugar ficar o australiano Peter Norman – que tem um final espectacular – ultrapassando um outro americano, John Carlos, que partia como favorito. Na cerimónia de entrega das medalhas, algo irá acontecer que fará com que esta final fique para a História. No momento em que soam as primeiras notas do hino dos EUA, os dois americanos baixam a cabeça e erguem um punho cerrado, devidamente vestido por uma luva preta. O gesto do movimento Black Power era feito diante de todos, sem que ninguém o pudesse impedir.

O mundo estava a mudar e a juventude representava essa mesma mudança e o desejo da mesma. Manifestações explodiam por toda parte. Em Paris, estudantes barricavam-se nas ruas e enfrentavam a polícia. Na Checoslováquia o governo tentou afastar-se do domínio de Moscovo na que ficou conhecida como a Primavera de Praga. Mesmo no México aconteceram manifestações. Na capital do país, 10 dias antes dos Jogos, 10 mil estudantes ocuparam a Plaza de las Tres Culturas para protestar contra a ocupação de duas universidades públicas por parte dos militares.

Muitos eram os contrários a tais mudanças. A União Soviética invadiu Praga e acabou com as esperanças de autonomia do governo checoslovaco. Martin Luther King foi assassinado. As autoridades mexicanas entraram em choque com os estudantes, o que resultou num número não-oficial de 300 mortos. No desporto também não foi diferente; John Carlos e Tommie Smith foram expulsos da delegação americana, mas mantiveram suas medalhas. Peter Norman, que em solidariedade com os seus colegas utilizava um emblema do Black Power, foi completamente ostracizado pela delegação e imprensa australiana.

Desde 1968 que a Chama Olímpica tem outro sentido, que ultrapassa o lado desportivo.


Angel Boligan, «El universal»

Estelle Getty

Publicado em memórias ao café por JN, em Julho 24, 2008

Estelle Getty, a Sophia Petrillo da série «The Golden Girls», faleceu. As quatro talentosas senhoras desta série proporcionaram-me bons momentos no qual o humor corrosivo de Sophia tinha um papel principal.

17 de Julho, 1936

Publicado em memórias ao café por JN, em Julho 17, 2008


Robert Capa / Magnum Photos

Soldados Republicanos (provenientes da União dos Irmãos Proletários) partem para a frente de batalha em Aragão, Espanha. Na carruagem pode-se ler que estes homens preferem morrer a viver sobre a tirania.

A 17 de Julho de 1936 começava a Guerra Civil Espanhola.

George Carlin (1937-2008)

Publicado em memórias ao café, notas ao café por JN, em Junho 25, 2008

«I think it’s the duty of the comedian to find out where the line is drawn and cross it deliberately. — George Carlin,

The last vote that George Carlin said he cast in a presidential race was for George McGovern in 1972.
When Richard Nixon, who Carlin described as a member of a sub-species of humanity, overwhelmingly defeated McGovern, the comedian gave up on the political process.

«Now, there’s one thing you might have noticed I don’t complain about: politicians,» he explained in a routine that challenged all the premises of today’s half-a-loaf reformers. «Everybody complains about politicians. Everybody says they suck. Well, where do people think these politicians come from? They don’t fall out of the sky. They don’t pass through a membrane from another reality. They come from American parents and American families, American homes, American schools, American churches, American businesses and American universities, and they are elected by American citizens. This is the best we can do folks. This is what we have to offer. It’s what our system produces: Garbage in, garbage out. If you have selfish, ignorant citizens, you’re going to get selfish, ignorant leaders. Term limits ain’t going to do any good; you’re just going to end up with a brand new bunch of selfish, ignorant Americans. So, maybe, maybe, maybe, it’s not the politicians who suck. Maybe something else sucks around here… like, the public. Yeah, the public sucks. There’s a nice campaign slogan for somebody: ‘The Public Sucks. Fuck Hope.’»

[The Nation]


Joe Heller, «The Green Bay Press-Gazette»

George Carlin, o autor de «Seven Words You Can Never Say on Television», sketch que o levaria à prisão e a uma revisão do Tribunal Supremo americano sobre linguagem ofensiva na televisão, sabia o valor da palavra. E tudo era sempre muito bem escrito por este «anarquista» dos tempos modernos. Um homem que quebrou todas as regras e que recusou sempre limites.


Bob Englehart, «Hartford Courant»

O alfinete de segurança

Publicado em memórias ao café, notas ao café por JN, em Abril 11, 2008

Foi inventado a 10 de Abril de 1849 por um inventor nova-iorquino, Walter Hunt. Provavelmente uma das mais simples invenções da História, que o sr. Hunt vendeu por 400 dólares – ele não deveria saber o que tinha ali. Mas por muito simples que fosse, tornou-se um dos maiores aliados de gerações de mães. Com as novas fraldas caiu em desuso, mas «bebés» da minha idade conheceram-no e conviveram durante muito tempo com ele.

Martin Luther King, 40 anos depois

Publicado em memórias ao café, notas ao café por JN, em Abril 4, 2008

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Martin Luther King

Há 40 anos, a 4 de Abril de 1968, Martin Luther King, lutador pelos direitos civis nos Estados Unidos, foi assassinado na cidade de Memphis. O Wahington Post mostra alguns excertos dos editoriais do Post desse dia. Roger Wilkins, também no Post, escreve sobre as suas memórias do dia seguinte.

O discurso de 1963 «I Have a Dream» pode ser lido aqui e visto aqui.

Os 50 anos do Símbolo da Paz

Publicado em memórias ao café, notas ao café por JN, em Janeiro 7, 2008

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«I was in despair. Deep despair. I drew myself: the representative of an individual in despair, with hands palm outstretched outwards and downwards in the manner of Goyaís peasant before the firing squad. I formalised the drawing into a line and put a circle round it.»

Gerald Holtom, criador do Símbolo da Paz

O símbolo da Paz vai fazer 50 anos. Foi criado para a Campaign for Nuclear Disarmament (CDN) e originalmente o seu uso era exclusivo dos que apoiavam esta organização. O símbolo foi projectado em 21 de Fevereiro de 1958 por Gerald Holtom, um designer comercial e artista inglês. Holtam foi contratado pela CDN para projectar um símbolo para ser utilizado numa manifestação à Catedral de Canterburry em protesto contra o «Atomic Weapons Research Establishment» em Aldermaston na Inglaterra. Mais tarde, nos anos 60, transformou-se no símbolo para os movimentos contra a guerra no Vietname e passou a ser utilizado pela contracultura da época. Apareceu nas paredes de Praga durante a invasão soviética, no Muro de Berlim, em Sarajevo, nas campas de prisioneiros políticos na Argentina durante o regime militar e em Timor Leste. Hoje é um dos símbolos mais difundidos do mundo.

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Terry Mosher (Aislin), «The Montreal Gazette»

25 de Dezembro de 1914

Publicado em memórias ao café, notas ao café por JN, em Dezembro 26, 2007

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A 25 de Dezembro de 1914 durante a guerra das trincheiras realizou-se um jogo de futebol entre «inimigos». Muito já foi escrito sobre este acontecimento e por muitos considerado um mito. Muitos anos depois o diário de um soldado inglês foi encontrado. Nele, o sargento George Beck, relata os acontecimentos desse dia; «…the most memorable Christmas I’ve ever spent or likely to spend: since about teatime yesterday I don’t think there’s been a shot fired on either side up to now. (…) They also gave us a few songs so we had quite a social party…Some of our chaps went over to their lines. I think they’ve all come back bar one from E Co. They no doubt kept him as a souvenir. (…) After breakfast we had a game of football at the back of our trenches!»

A realidade talvez seja sempre um pouco diferente e o que se passou em 1914, além de não ter sido um fenómeno isolado nunca mais se repetiu. No entanto a lição fica para a História. Uma lição de paz e que tudo até poderia ser sempre melhor. Mas a História é sempre a mesma e pouco se aprende.

Torga

Publicado em memórias ao café, poemas ao café por JN, em Agosto 15, 2007

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria…
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga, «Súplica»

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Bandeira, «Diário de Notícias»

Um 6 de Agosto

Publicado em fotografia ao café, memórias ao café por JN, em Agosto 6, 2007

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Hiroshima, Japão. Centro da explosão da primeira bomba atómica. Um soldado japonês caminha no local onde antes existia um quartel do exército japonês. Foi a 6 Agosto de 1945 que foi lançada a primeira bomba atómica sobre o Japão. Três dias depois uma segunda será lançada sobre a cidade de Nagasaki. A 15 de Agosto o Japão rende-se. (Foto: WayneMiller/Magnum Photos).

Kitchen Debate

Publicado em fotografia ao café, memórias ao café por JN, em Julho 24, 2007

«We have all these things in our new flats»

Nikita Khrushchev

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Foto:Elliott Erwitt /Magnum Photos (1959)

A 24 de Julho de 1959, no auge da Guerra Fria e durante a American National Exhibit em Moscovo, o vice-presidente americano Richard Nixon e o líder soviético Nikita Khrushchev tiveram uma acalorada discussão sobre os méritos do capitalismo versus os do comunismo. Os dois líderes compararam as tecnologias das duas potências e chegaram mesmo a comparar utensílios caseiros como televisões a cores. Os dois líderes depressa passaram para o campo das ideologias e para a qualidade de vida do cidadão comum em ambos os países.

Este debate, que os vários assessores de ambos tentaram que fosse privado, teve lugar na cozinha de uma casa modelo americana construída de propósito para a exposição. Mas o evento ficou gravado e acima de tudo não escapou ao fotógrafo da Magnum, Elliott Erwitt. O debate ficaria conhecido para a História como The Kitchen Debate. Aqui pode-se encontrar uma transcrição da conversa entre Nixon e Khrushchev.

One small step…

Publicado em memórias ao café por JN, em Julho 21, 2007

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Há 38 anos atrás as primeiras páginas de todos os jornais do mundo eram como esta do London Herald. A 20 de Agosto de 1969 o primeiro homem pisava solo lunar. Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins entravam para a História.

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Pegada de Buzz Aldrin (NASA/Reuters)

Flower Child

Publicado em fotografia ao café, memórias ao café por JN, em Junho 21, 2007

«Forget about witnessing. Say to yourself that photography is a little everyday job. Stick to your curiosity.»

Marc Riboud

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Foto: Marc Riboud (Magnum Photos)

A 21 de Outubro de 1967 milhares de manifestantes juntam-se em frente do Pentágono, em Washington D.C., para protestar contra a guerra no Vietname. Riboud, que trabalhava para a «Magnum», seguiu uma determinada jovem que parecia querer colocar uma flor na arma de um soldado da Guarda Nacional. A jovem chama-se Jan Rose Kasmir e tem 17 anos.

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Foto: Marc Riboud (Magnum Photos)

Trinta anos depois, um jornal francês, juntamente com Riboud, decidiu encontrar Jan Kasmir e foram encontrar a Sra. Kasmir, em Fevereiro de 2004, num outro protesto, agora em Londres e contra a guerra no Iraque. Sobre a cena da foto de Riboud, a Sra. Kasmir afirmou: «All of a sudden, I realized ‘them’ was that soldier in front of me – a human being I could just as easily have been going out on a date with. It wasn’t a war machine, it was just a bunch of guys with orders. Right then, it went from being a fun, hip trip to a painful reality.»

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Foto: Marc Riboud (Jan Kasmir em 2004 num protesto em Londres contra a guerra do Iraque)

Aqui pode-se encontrar uma interessante entrevista a Riboud, hoje com 84 anos.

Earthrise

Publicado em fotografia ao café, memórias ao café por JN, em Junho 19, 2007

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«Earthrise» (nascimento da Terra) é o nome dado à imagem AS8-14-2383HR da NASA tirada pelo astronauta William Anders da Apollo 8, a 24 de Dezembro de 1968. A Apollo 8 foi a primeira missão a colocar seres humanos em órbita da Lua. Sete meses depois o primeiro homem chegaria à Lua. [link]

Prof. Einstein and The Tramp

Publicado em memórias ao café por JN, em Junho 14, 2007


Charlie Chaplin e Albert Einstein durante a estreia do filme «City Lights» de Chaplin em 1931.

Poucos cientistas, principalmente físicos e matemáticos, podem afirmar ter tido o tratamento de verdadeiras estrelas, embora o seu trabalho assim o merecesse. No entanto Einstein poderia afirmar isso. Na sua visita a Hollywood, nos anos trinta, Einstein causou uma verdadeira loucura mediática. Um dos muitos que se renderam ao charme do físico foi Charlie Chaplin que convidou Einstein para a estreia do seu filme «City Lights». Conta-se que enquanto circulavam pelas ruas da cidade e os transeuntes aplaudiam os dois grandes senhores que Chaplin se teria virado para Einstein e dito: «As pessoas aplaudem-no porque nenhuma delas o entende e aplaudem-me a mim porque todos me compreendem».

«When a man sits with a pretty girl for an hour, it seems like a minute. But let him sit on a hot stove for a minute and it’s longer than any hour. That’s relativity.» A. Einstein

Einstein terá também pedido a Chaplin que lhe possibilitasse um encontro com a actriz Paulette Goddard, na altura casada com Chaplin, possuidora de um «shayna punim ou um belo rosto, de um altíssimo nível», segundo o próprio Einstein.

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Paulette Goddard no Filme «Modern Times» («Tempos Modernos») (1936)

O encontro ocorreu em Nova Iorque no Oyster Bar; «Ela estava radiante e maravilhosa. Quando me pareceu que apenas um minuto tinha se passado, consultei o relógio e descobri que, na realidade, tinham-se passado 57 minutos completos, os quais arredondei para uma hora. Ao voltar para casa, liguei uma chapa de fazer waffles e deixei-a aquecer. Em seguida, sentei-me sobre ela. Eu estava usando calças e uma camisa branca, comprida, por fora das calças. Quando me pareceu que mais de uma hora tinha passado, levantei-me e consultei o relógio e descobri que, na verdade, menos de um segundo tinha se passado. Para manter consistência das unidades na descrição dos dois eventos, arredondei para um minuto, chamando depois um médico».

E isto é relatividade. O estado mental do observador desempenha um papel crucial na percepção do tempo (conclusão de Einstein).

(Fonte: «Effects of External Sensory Input on Time Dilation.», A. Einstein, Institute for Advanced Study, Princeton)

A independência da solidão

Publicado em fotografia ao café, memórias ao café, palavras ao café por JN, em Junho 5, 2007

«O que me importa unicamente é o que tenho de fazer, não o que pensam os outros. Esta regra, igualmente árdua na vida imediata como na intelectual, pode servir para a distinção total entre a grandeza e a baixeza. E é tanto mais dura quanto sempre se encontrarão pessoas que acreditam saber melhor do que tu qual é o teu dever. É fácil viver no mundo de conformidade com a opinião das gentes; é fácil viver de acordo consigo próprio na solidão; mas o grande homem é aquele que, no meio da turba, mantém, com perfeita serenidade, a independência da solidão.»

Ralph Waldo Emerson, in «Essays»

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«Tank Man». Foto de Jeff Widener (The Associated Press)

A 5 de Junho de 1989, durante as manifestações na Praça Tiananmen, em Pequim, um homem solitário pára uma coluna de tanques, até ser puxado pela multidão. Este homem nunca foi identificado e ficou para a História como o «Homem tanque» ou «Rebelde desconhecido», mas a fotografia do incidente tornou-se um ícone do séc. XX e ficou para a História como um símbolo de luta e de não rendição. Jeff Widener ganharia o Prémio Pulitzer em 1990.

95 anos atrás…

Publicado em memórias ao café por JN, em Abril 16, 2007

…os jornais tinham esta primeira página… O RMS Titanic batia num icebergue a 14 de Abril de 1912 e afundaria no dia seguinte, 15 de Abril de 1912…

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Ain’t hip…

Publicado em memórias ao café por JN, em Abril 12, 2007

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Johnny Hart

Johnny Hart

Publicado em cartoonistas, memórias ao café por JN, em Abril 12, 2007

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Mark Streeter, «The Savannah Morning News»

Morreu Johnny Hart o criador da série «BC». Publicado em mais de mil jornais em todo o mundo, «BC» centrava-se em personagens humorísticas tiradas do tempo primitivo, em que dinossauros conviviam com homens das cavernas, mas com histórias e situações que remetiam para a realidade norte-americana. Johnny Hart serviu-se da banda desenhada para abordar temas polémicos como o da religião, o que lhe valeu recusas de publicação das suas histórias por parte de alguma imprensa americana.

Johnny Hart faleceu no sábado, em casa, enquanto desenhava…

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John Deering, «The Arkansas Democrat-Gazette»

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Cardow, «The Ottawa Citizen»

Monkey Trial e o desígnio inteligente

Publicado em cinema ao café, memórias ao café por JN, em Março 17, 2007

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Julgamento de John Thomas Scopes (1925), professor em Dayton no Tennessee, (EUA) por ir contra Butler Act, que proibia o ensino da Teoria da Evolução nesse mesmo estado. Na fotografia vê-se ao centro William Jennings Bryan, um presbiteriano devoto, que era a voz da acusação. O advogado de defesa foi Clarence Seward Darrow. O julgamento de Scopes viria a ser conhecido por «Scopes Monkey Trial» (Foto: «The New York Times»).

Acima de tudo o julgamento de Scopes é um duelo entre o velho e o novo mundo; entre duas formas de pensar: uma preocupado com a preservação de certos valores e outra que se questionava sobre esses mesmos valores e tentava encontrar outros… Quem dominaria a cultura na América, os tradicionalistas ou os modernistas? No meio encontrava-se o infeliz professor Scopes que cometeu o grave erro de falar das teorias de Darwin…

Scopes viria a ser condenado recorrendo da sentença em 1927 no Tribunal Supremo do Tennessee. Este considerou a Butler Act constitucional mas revogou a sentença de Scopes. A Butler Act só seria retirada da lei do Tennessee em 1967.

Quase um século depois, depois de todos os avanços que se verificaram na ciência, a cadeira da Sala Oval da Casa Branca é ocupada por um homem que confessa publicamente que não acredita na Teoria da Evolução… Os apoiantes do Criacionismo florescem na América conservadora ganhando terreno; um exemplo vem do estado do Kansas; como o Supremo Tribunal decidira que o criacionismo não podia entrar para os currículos académicos como ciência, em 1999 um Conselho de Educação conservador elaborou uma nova estratégia, já que o criacionismo não conseguia bases científicas para se afirmar como matéria curricular surgiram com a teoria do «Desígnio Inteligente»; o mundo natural é tão complexo e tão bem ordenado que tem que haver uma causa inteligente para que isso aconteça…

O Conselho de Educação pediu a uma comissão de educadores recomendações que a actualização dos parâmetros científicos do ensino, e, para separar definitivamente ciência e religião, que dessem uma definição de ciência. Foram apresentadas duas propostas antagónicas uma, apoiada pela maioria, propõe a manutenção dos actuais padrões, que abraçam a teoria da evolução, e que define ciência como «uma actividade humana de procura sistemática de explicações naturais para o que se observa no mundo à nossa volta». Para a outra, dos defensores do «Desígnio Inteligente», ciência é «um método sistemático de investigação contínua que usa a observação, experimentação, mensuração, construção de teorias, teste de ideias e argumentos lógicos que levem a melhores explicações dos fenómenos naturais». O Conselho aceitou as duas propostas…

Actualmente a Teoria da Evolução não é disciplina obrigatória, mas sim de opção naquele estado…Para fazer desaparecer a teoria da evolução, as escolas vão ser desencorajadas a ensinar botânica, anatomia e fisiologia. Segundo os parâmetros vigentes, os alunos do 8º ao 12º anos devem aprender seis pontos sobre os organismos vivos, incluindo a biologia básica dos animais e das plantas. As novas propostas reduzem a dois pontos, o conhecimento geral de como os organismos são classificados e as principais diferenças estruturais entre os organismos…

Em Portugal o movimento Criacionista também dá os primeiros passos com um Museu que contesta a teoria da evolução que vai nascer em Mafra…

E assim vai indo o mundo, às arrecuas… Afinal o julgamento de Galileu ainda não acabou, nem o julgamento das ideias, aquilo que realmente assusta muitos…

«Inherit the Wind» é uma peça de teatro de Jerome Lawrence e Robert Edwin Lee que estreou na Broadway em Janeiro de 1955. Foi adaptada ao cinema em 1960 por Stanley Kramer. É baseada no julgamento de John Thomas Scopes. William Jennings Bryan tem aqui o nome de Matthew Harrison Brady, Clarence Darrow é «substituído» por Henry Drummond – interpretado por Spencer Tracy – e John Thomas Scopes por Bertram Cates…

Mas deixemos o Sr. Drummond falar…