Springsteen, 60 anos depois

Se John Steinbeck escreveu sobre a outra América, não será menos verdade que Bruce Springsteen a cantou. “The Boss”, a voz americana por excelência, tornou-se 60 anos mais novo ontem e, como deveria ser, a meio de uma digressão, “Working on a Dream”, onde reúne as suas ilusões e esperanças para seu país após ter sido um dos mais activos opositores da era de George W. Bush.
Bruce Springsteen, in «The River»
Birds on the Wires
“Reading a newspaper, I saw a picture of birds on the electric wires. I cut out the photo and decided to make a song, using the exact location of the birds as notes (no Photoshop edit). I knew it wasn’t the most original idea in the universe. I was just curious to hear what melody the birds were creating.”
Jarbas Agnelli
More news from nowhere
«Desaparecido o fervor de uma monomania, falta uma ideia central para dar significado aos momentos interiores esparsos. Em suma, quanto mais o espírito está absorvido por um humor dominante, mais a paisagem interior se enriquece e varia. É preciso procurar uma só coisa, para encontrar muitas.»
Cesare Pavese, in «Ofício de Viver»
Don’t it make you feel so sad, don’t the blood rush to your feet
To think that everything you do today, tomorrow is obsolete?
O caos e a harmonia
O pianista Eric Lewis explora o poder expressivo do piano com um tema da sua autoria, numa actuação durante a sessão dos Prémios TED 2009.
Love Story & Viva La Vida
O pianista Jon Schmidt compôs este tema para a sua filha de sete anos. Uma fusão de «Love Story», de Taylor Swift, com o ritmo de «Viva La Vida» dos Coldplay. No violoncelo está Steven Sharp Nelson.
É isso aí
«Buscar é antecipar uma realidade ainda inexistente, preparar o seu aparecimento, a sua apresentação. Não compreende o que é o amor quem, como é habitual, se fixa somente no que desperta e desfecha um amor. Se o amor por uma mulher nasce pela sua beleza, não é a complacência nessa beleza o que constitui o amor, o estar amando. Uma vez desperto e nascido, o amor consiste em emitir constantemente como uma atmosfera favorável, como uma luz leal, benévola, em que envolvemos o ser amado – de modo que todas as outras qualidades e perfeições que nele haja poderão revelar-se, manifestar-se e nós as reconheceremos. [...] O amor, portanto, prepara, predispõe as possíveis perfeições do amado. Por isso nos enriquece fazendo-nos ver o que sem ele não veríamos. Sobretudo, o amor do homem pela mulher é como uma tentativa de transmigração, de ir para lá de nós mesmos; inspira-nos tendências migratórias.»
Ortega y Gasset, in «O Que é a Filosofia?»
Please allow me to introduce myself
I’m a man of wealth and taste
I’ve been around for a long, long year
Stole many a man’s soul and faith
(…)
Pleased to meet you
Hope you guess my name
But what’s puzzling you
Is the nature of my game

Monte Wolverton, «Cagle Cartoons, Inc.»
The Rolling Stones, in «Sympathy for the Devil»
O sonho de Susan Boyle

Aislin, «The Montreal Gazette»
Susan Boyle, uma escocesa de 47 anos, está desempregada e vive sozinha com o seu gato, que confessou que nunca tinha sido beijada e cuja vida dava um autêntico drama, é actual sensação britânica com mais de 16 milhões de visitas no YouTube.
A Sra. Boyle um dia decidiu viver o seu sonho — ser como Ellen Paige Elaine Paige — e participou no concurso de televisão «Britain’s Got Talent». Teve que suportar um certo cinismo do público e do júri e no fim, com uma mistura de talento e virtude que merece de todos o reconhecimento e em «I Dreamed a Dream» do musical «Les Miserables», a Sra. Boyle revelou-se…
Estrada para o inferno

O’Farrell, «The Illawarra Mercury»
Mirek Topolanek, o primeiro-ministro checo e actual presidente da UE, depois de ter recebido uma moção de censura do parlamento do seu país (em muito por não saber muito bem o que fazer durante a actual crise) o que levou à queda do seu governo, afirmaria que o plano de Obama é «uma estrada para o inferno».
Parece que os comentários do Sr. Topolanek foram inspirados num concerto dos AC/DC que se realizou em Praga, no qual a banda tocou o seu tema de culto «Highway to Hell».
Entretanto, para suavizar um pouco a situação, o ainda primeiro-ministro checo assina uma coluna no jornal londrino Times onde ele (abandonando o hard rock) diz que o que pretendia dizer é que a Europa simplesmente não precisa dos mesmo incentivos financeiros que os EUA:
I expected that this strong expression would not go unnoticed. But I did not expect that this legitimate warning, which comes to me as naturally as telling a friend walking next to me on an uneven path that he may stumble, would be rejected in principle and interpreted by some as criticism of the US Administration.
I believe that I do not need to explain that my country has been a long-standing partner of the US. And I also believe that as a conservative politician I do not need to explain that the welfare states of Europe act as «automatic stabilisers», sustaining consumer spending even in a slump. This means that Europe does not need such a large fiscal stimulus compared with the US, which does not have such a system of social support.
E ao ler sobre o que actualmente se passa, o Sr. Topolanek até nem está assim tão errado, e não falo da política de Barack Obama…
One Life
Com o seu novo álbum, «Give Me That Slow Knowing Smile», Lisa Ekdahl traz também um novo som…
Danny Boy
Oh Danny boy, the pipes, the pipes are calling
From glen to glen, and down the mountain side
The summer’s gone, and all the flowers are dying…
O clássico do folclore irlandês, «Danny Boy», composta início do século XX por Frederic E. Weatherly, aqui cantada como nunca foi. Desta vez, este clássico consegue reunir três dos melhores cantores dos Muppets; Animal, Beaker e o Chefe Sueco. Quando a música vem da alma, o resultado é sempre brilhante…
Last Gang in Town

Foto: Damon Winter/The New York Times
Os U2 deram um concerto (quase) surpresa no topo da BBC Broadcasting House, no centro de Londres. Cerca de 5 mil pessoas a este pequeno concerto da banda que serviu para promover o novo álbum «No Line On The Horizon». Sobre os U2, escreve Jon Pareles no New York Times:
After the run-through the four band members headed to a grimy loading zone behind the auditorium for a photo session. The photographer had them walk down a ramp; Bono, who often calls himself a «Method actor,» wanted to know what kind of walk. A short discussion settled it. The band started a proud, seasoned swagger as Bono announced, «Last gang in town!»
It wasn’t exactly a joke. U2 has entered the fourth decade of a career that began in 1978, when its members were teenage schoolmates in Dublin; they are now in their late 40s. And U2 may well be the last of the megabands: long-running, internationally recognized rockers whose every album, from «Boy» in 1980 to «How to Dismantle an Atomic Bomb» in 2004, has sold millions of copies worldwide. In an era when CD sales have plummeted, Top 40 radio favors hip-hop and teen-pop, albums are fractured by MP3 players’ shuffle mode and the old idea of a rock mainstream seems more and more like a mirage, U2 still, unabashedly, wants to release a blockbuster.
Pela cidade

City in a Bottle
Angel Boligan
«Instalámo-nos, portanto, na cidade. Aí toda a vida é suportável para as pessoas infelizes. Um homem pode viver cem anos na cidade, sem dar por que morreu e apodreceu há muito. Falta tempo para o exame de consciência. As ocupações, os negócios, os contactos sociais, a saúde, as doenças e a educação das crianças preenchem-nos o tempo. Tão depressa se tem de receber visitas e retribui-las, como se tem de ir a um espectáculo, a uma exposição ou a uma conferência.
De facto, na cidade aparece a todo o momento uma celebridade, duas ou três ao mesmo tempo que não se pode deixar de perder. Tão depressa se tem de seguir um regime, tratar disto ou daquilo, como se tem de falar com os professores, os explicadores, as governantas. A vida torna-se assim completamente vazia.»
Leon Tolstoi, in «Sonata a Kreutzer»
Roger Waters, in «Mother» [In The Flesh]
Her Morning Elegance
«Her Morning Elegance» do álbum «The Opposite Side of the Sea», que será lançado em Março deste ano, de Oren Lavie deu origem a este interessante vídeo.
Palestinian Dream

Angel Boligan, «El Universal»
O vocalista dos U2, Bono, apelou pela Palestina no concerto realizado no Lincoln Memorial, para comemorar a posse de Obama:
«Let freedom ring. On this spot where we’re standing 46 years ago Dr. King had a dream. On Tuesday, that dream comes to pass,» before launching into ‘Pride (In The Name Of Love)’, U2’s tribute to Dr. Martin Luther King Jr.
«This is not just an American dream,» he said, adding that it was «also an Irish dream, a European dream, an African dream… an Israeli dream… and also a Palestinian dream.»
Os palestinianos também têm sonhos. É verdade, como todos. Talvez a atitude dos U2 não tenha sido tão ousada (e falhou no dramatismo) como a de Bjork quando gritou pelo Tibete num concerto na China, mas foi o suficiente para deixar o novo presidente pouco à vontade.
Eartha Kitt (1927-2008)
Eartha Kitt em «C’est Si Bon», gravado ao vivo em 1962.

Tim Jackson, «Chicago Defender»
Stand by Me
Do documentário «Playing For Change: Peace Through Music», de Mark Johnson e Jonathan Walls, aparece esta «Stand by Me», um clássico de Ben E. King, interpretado por músicos de todo o mundo.
People Have A Way
People have this way of knowing everything
They take one short look and then move on
If you ever wanted anything
Then you have to disagree
Matt Pond, in «People Have A Way»
Money

Erdogan Karayel
A mark, a yen, a buck or a pound,
a buck or a pound, a buck or a pound,
Is all that makes the world go around,
[«Money» do filme «Cabaret», com Liza Minnelli e Joel Grey]
Joe Metro
Now we headed downtown to trade our labor for cash
I thank the navigator once and walk fast
I walk past the next round of cats to jump on it
Locked in deep thought, we ride around in silence
And cross Resolve Bridge
[Blue Scholars, in «Joe Metro»]
Miriam Makeba

Jonathan Shapiro (Zapiro), «Mail & Guardian»
Miriam Makeba, uma mulher da música e um símbolo do movimento anti-apartheid, faleceu no domingo com a idade de 76 anos. A Sra. Makeba foi forçada a um exílio de 30 anos por ter falado contra o apartheid durante uma tournée nos EUA.
Foi politicamente activa até ao fim da sua vida. Na noite da sua morte, actuou num concerto, em Itália, para o jornalista Roberto Saviano que recebeu ameaças de morte por ter escrito sobre a máfia.
Sobre Miriam Makeba, escreve Nelson Mandela:
Her haunting melodies gave voice to the pain of exile and dislocation which she felt for 31 long years. At the same time, her music inspired a powerful sense of hope in all of us. She was South Africa’s first lady of song and so richly deserved the title of Mama Afrika. She was a mother to our struggle and to the young nation of ours.
Miriam Makeba em 1979, na Holanda, a interpretar o seu maior sucesso internacional, «Pata Pata» — a criança que aparece na parte final do vídeo é sua neta, Zenzi:
A voz do silêncio…
«A pessoa que sou é única, limitada a um nascer e a um morrer, presente a si mesma e que só à sua face é verdadeira, é autêntica, decide em verdade a autenticidade de tudo quanto realizar. Assim a sua solidão, que persiste sempre talvez como pano de fundo em toda a comunicação, em toda a comunhão, não é ‘isolamento’. Porque o isolamento implica um corte com os outros; a solidão implica apenas que toda a voz que a exprima não é puramente uma voz da rua, mas uma voz que ressoa no silêncio final, uma voz que fala do mais fundo de si, que está certa entre os homens como em face do homem só. O isolamento corta com os homens: a solidão não corta com o homem. A voz da solidão difere da voz fácil da fraternidade fácil em ser mais profunda e em estar prevenida.»
Vergílio Ferreira, in «Espaço do Invisivel I»
Bono no NY Times

Com o habitual (e elegante) humor, escreve-se no Radar:
Like Vanity Fair editor Graydon Carter before him, New York Times editorial page editor Andrew Rosenthal sees something special in a certain teensy Gaelic man who refuses to remove his sunglasses. That’s right, the Timesman announced last night his first acquisition for the paper’s Op-Ed pages for 2009: Bono. Yep, Bono. The activist-creator of Zoo TV will pen between six and ten pieces for the Grey Lady next year, Rosenthal told students Wednesday night at Columbia’s School of Journalism.
Será interessante ler o que escreve o irlandês que nunca tira os óculos de sol, líder dos U2 e activista, alguém que já reuniu com todos, desde a ditadores ao Papa.
The Ghost Of Tom Joad
«I’ll be all around in the dark – I’ll be everywhere. Wherever you can look – wherever there’s a fight, so hungry people can eat, I’ll be there. Wherever there’s a cop beatin’ up a guy, I’ll be there. I’ll be there in the way guys yell when they’re mad. I’ll be there in the way kids laugh when they’re hungry and they know supper’s ready, and when people are eatin’ the stuff they raise and livin’ in the houses they built – I’ll be there, too.»
Tom Joad (The Grapes of Wrath)
Ben Harper & Eddie Vedder – «Indifference»

Andy Singer, «No Exit»
I’ll swallow poison, until I grow immune
I will scream my lungs out till it fills this room
How much difference
How much difference does it make



