O robot Honda ASIMO dirige a Orquestra Sinfónica de Detroit. A sua actuação fez parte de um projecto para relembrar a importância da educação musical. Talvez este fosse o seu electric dream.
Porque até é Dia do Ambiente… «For What It’s Worth», um tema anti-guerra dos Buffalo Springfield, transformado numa canção anti-caça, interpretada pelos «Woodland Animals» dos «The Muppet Show».
The greater and more influential an artist, the harder she or he can be to see. Can this be true of Bob Dylan, who turns 65 today? It is hard to imagine the history of the last four and a half decades in popular music without him, so pervasive has his impact been – and not just in the west (dozens of countries around the world, from Russia to Japan and Chile to [South] Vietnam, had «their» Bob Dylan in the 1960s).
In the last three years, the sense of his prolific omnipresence in the culture has if anything increased, as technology, marketing, film (especially Martin Scorsese’s superb documentary No Direction Home), books (including Dylan’s astounding first volume of autobiography, Chronicles) and the artist’s own relentless touring schedule make his work freshly available to old fans and new generations alike.
(…) When the elusive is accommodated as part of a new and commercially powerful orthodoxy – promising endless tantalisation and sales as the brand finds new vehicles of distribution – the excitement of discovery can be accompanied by a more melancholy sense: that of a loss of edge, of sharpness, of the subversive definition that originally made Dylan’s work an active presence in the lives of millions. This can lead to the second answer to the question of why he is hard to see: that there is a real or true Dylan accessible to the privileged (and usually hardcore) follower, which has either been forgotten by the artist himself or is routinely overlain by a cultural system that creates efflorescence without depth. Dylan is not yours (or even his) but ours, is the cry.
Housing bubble
what’s the trouble
it was worth 250
but appraised for double
Um senhor chamado Dave Girtsman decidiu compor um tema que retrata a crise imobiliária nos EUA, mãe da possível recessão mundial. Este senhor foi durante dois anos avaliador imobiliário na Califórnia, ou seja, está dentro do assunto.
RJD2 alia-se neste vídeo a Bill Shannon. Shannon que nasceu com uma doença degenerativa, desenvolveu uma forma de se exprimir através da dança. O vídeo foi realizado por Joey Garfield.
Muitos anos me separam do dia em que no meio de cartas, postais, velhas fotografias encontrei algumas cartas que começavam todas da mesma maneira. Cartas que um rapaz escrevia a uma rapariga, que morava no outro lado da rua, a quem ele chamava «Menina», cartas que, apesar da distância, eram colocadas no correio.
Muito anos me separam do dia em que a minha avó, mãe da «Menina», me disse que há certas coisas devem apenas ser guardadas.
Hoje não se devem escrever muitas cartas de amor; hoje temos e-mail, mensagens electrónicas, programas de chat. Mas o princípio será o mesmo; alguém que num determinado momento mandou uma mensagem com esperança. Há quem também escreva post’s num qualquer blog…
«Sou um mero espectador da vida, que não tenta explicá-la. Não afirmo nem nego. Há muito que fujo de julgar os homens, e, a cada hora que passa, a vida me parece ou muito complicada e misteriosa ou muito simples e profunda. Não aprendo até morrer - desaprendo até morrer. Não sei nada, não sei nada, e saio deste mundo com a convicção de que não é a razão nem a verdade que nos guiam: só a paixão e a quimera nos levam a resoluções definitivas.
O papel dos doidos é de primeira importância neste triste planeta, embora depois os outros tentem corrigi-lo e canalizá-lo… Também entendo que é tão difícil asseverar a exactidão dum facto como julgar um homem com justiça.
Todos os dias mudamos de opinião. Todos os dias somos empurrados para léguas de distância por uma coisa frenética, que nos leva não sei para onde. Sucede sempre que, passados meses sobre o que escrevo - eu próprio duvido e hesito. Sinto que não me pertenço…
É por isso que não condeno nem explico nada, e fujo até de descer dentro de mim próprio, para não reconhecer com espanto que sou absurdo - para não ter de discriminar até que ponto creio ou não creio, e de verificar o que me pertence e o que pertence aos mortos. De resto isto de ter opiniões não é fácil. Sempre que me dei a esse luxo, fui forçado a reconhecer que eram falsas ou erróneas.»
Um momento de pausa, numa mina de carvão em Changzhi na província de Shanxi, na China, para um mineiro. Numa das mais perigosas e mortais profissões deste país - em 2007 morreram mais de três mil pessoas em acidentes em minas de carvão na China - este mineiro tira uma longa e pensativa passa num cigarro. Em breve voltará ao trabalho. O olhar e o rosto dizem o resto. (Foto: Reuters)
They will lay you low
They’ll break your horns and slash you with steel
I say it so it must be so
Now I’m down on my luck and I’m black and blue
Gonna give you another chance
I’m all alone, I’m expecting you
To lead me off in a cheerful dance
I got a brand new suit and a brand new wife
I can live on rice and beans
Some people never worked a day in their life
Don’t know what work even means
I’m drifting and drifting,
Just like a ship out on the sea.
I’m drifting and drifting,
Just like a ship out on the sea.
Well I ain’t got nobody
In this world to care for me.
A beleza da Terra vista da Lua até pode ser algo incomparável, mas na Lua tudo é silêncio. Na Terra nem tudo é agradável, bonito, apetecível, desejado, a vida pode não ser sempre o que se quer, pode ser difícil, podemos passar despercebidos, sem ser levados a sério, sozinhos e tudo que a vida e o mundo não deviam ser. Mas, nem que seja por vezes, há o contrário a isto tudo o que fará sempre a diferença. E temos o som, e este traz a música, e música traz momentos únicos.
Um destes momentos foi-nos dado por Vanessa da Mata e Ben Harper. Alguém me dizia que provavelmente ninguém se aperceberá da genialidade por trás desta música, «encaixarem» duas línguas completamente diferentes assim não será fácil. Mas «encaixaram»…
Tudo o que quer me dar / Everything you want to give me
É demais / It’s too much
É pesado / It’s heavy
Não há paz / There’s no peace
Everybody’s out on the run tonight
but there’s no place left to hide
Together Wendy we’ll live with the sadness
I’ll love you with all the madness in my soul
Someday girl I don’t know when
we’re gonna get to that place
Where we really want to go
and we’ll walk in the sun
But till then tramps like us
baby we were born to run
I never saw the mornin’ ’til I stayed up all night
I never saw the sunshine ’til you turned out the light
I never saw my hometown until I stayed away too long
I never heard the melody until I needed the song
I never saw the white line ’til I was leavin’ you behind
I never knew I needed you until I was caught up in a bind now
I never spoke “I love you” ’til I cursed you in vain
I never felt my heart strings until I nearly went insane
I never saw the east coast until I moved to the west
I never saw the moonlight until it shone off of your breast
I never saw your heart until someone tried to steal, tried to steal it away
I never saw your tears until they rolled down your face
As coisas que pelas quais passamos na vida, sem ver.
«It was the best of times, it was the worst of times; it ws the age of wisdom, it was the age of foolishness; it was the epoch of belief, it was the epoch of incredulity; it was the season of Light, it was the season of Darkness; it was the spring of hope, it was the winter of despair; we had everything before us, we had nothing before us; we were all going directly to Heaven, we were all going the other way.»
Charles Dickens, in «A Tale of Two Cities»
Dizia Bacon que «O silêncio é a virtude dos loucos»; só mesmo um louco para viver no silêncio. Talvez - e volto sempre a ela e ao seu olhar reprovador de quem sabia o que eu nunca irei descobrir - a minha avó tivesse razão; ela sempre disse que no dia que decidisse falar já não ia haver ninguém para ouvir. E ela tinha sempre razão. E aí voltava-me para um outro mestre do silêncio, meu avô - começo e acabo sempre com eles -, mas ele apenas disse que temos que continuar. Continuar com o quê deixou-me a mim para descobrir. Continuo perdido mas há ainda estrada para andar. O resto são meros pormenores que agora não interessam.
«No fundo, a sabedoria do destino é a nossa própria. Porque a acompanhamos com uma consciência incessante daquilo que, no fundo, nos é permitido fazer. Podemos estar sujeitos a algumas tentações mas nunca nos enganamos. Agimos sempre no sentido do destino. As duas coisas formam uma só.
Quem se engana é porque ainda não compreende o seu destino. Quer dizer, não compreende qual a resultante de todo o seu passado - o qual lhe indica o futuro. Mas quer o compreenda ou não, indica-lho à mesma. Cada vida é aquilo que devia ser.»
Cesare Pavese, in «O Ofício de Viver»
It’s a Wonderful Life (1946)
Quando era criança (e falo mesmo criança) tinha medo de escuro e da noite. A minha avó dizia-me que não precisava de ter medo, um anjo - o meu anjo da guarda - vigiava o meu sono e nada de mal me poderia acontecer. Lembro-me que me sentia importante; afinal tinha um anjo inteirinho só para mim. O anjo da guarda que me foi atribuído devia ser um profissional - não era de certeza novo no serviço, não como o pobre Clarence Odbody - porque nunca nenhum mal me aconteceu - tirando os pequenos pormenores dos joelhos e cotovelos esfolados, um rebentar do lábio inferior que ainda se nota, um braço que partiu duas vezes e outras que já se vão perdendo no tempo.
Continuo a não apreciar o escuro, mas é no escuro que caminho, com ou sem anjo da guarda, e sem me importar muito.
«Antes, a questão era descobrir se a vida precisava de ter algum significado para ser vivida. Agora, ao contrário, ficou evidente que ela será vivida melhor se não tiver significado.»
Albert Camus
Há dias em que gostava de ser original, fazer algo diferente. Podia deixar de ser de esquerda como tantos outros, mas isso não seria original; podia vestir roupas claras, mas também não seria original. Podia escrever um «post original» mas não saberia dizer se o era ou não; iria compará-lo ao quê? A originalidade é sem duvida a coisa mais difícil desta vida. Até nisto não sou original.
Dizia a minha avó (enquanto o meu avô ria) que eu nunca iria saber o que quero. Como sempre a minha avó tinha razão, ou quase. Mas, e escrevo com um sorriso de triunfo, ela aqui também não foi original. Mas como dizia o meu avô (e já sem rir), quem espera alcança pouco ou nada, mas quem procura sem saber o quê até pode encontrar, seja lá o que for. E nisto ele até foi original (alguma coisa pelo menos). Se calhar é uma questão de ir mordendo os anzóis que a vida nos lança. E deixei de ser original outra vez. E foi aqui que deixei de me preocupar com isso. Camus tem razão.
«Não precisas de pressa ou de ter medo, vais perder», dizia-me o velho Meireles do alto da sua sabedoria. Colocou-me as luvas, olhou para mim e voltou a dizer, «não há que ter medo, vais perder e quem sabe que perde não precisa de ter medo de lutar, o que falta saber é como vais perder». Tinha uns 16 anos, meia barba, uns 55 kg, quis aprender a dar murros em sacos e de repente, um dia, colocam-me num ringue de boxe, para um simples treino, e dizem-me para não ter medo porque vou perder. Ao entrar escutei ao longe «não tenhas pressa, aí o tempo só conta no fim». Confesso que não percebi. E senti a sensação dos rins ficarem colados um ao outro.
Sobrevivi, perdi mas não caí e até passei a ser olhado de modo diferente pelos meus colegas de treino, eu o gajo d’óculos com ar de intelectual precoce. Acho que era isto que queria dizer como vais perder. Cheguei a casa, com o andar de corpo dorido, e a minha avó olhou-me como o último dos perdidos - alguém sem a mínima possibilidade de salvação - e o meu avô, para grande surpresa minha, riu alto e em bom som. Não foi preciso contar nada, bastava olhar para mim; «Quando um homem se faz à estrada, rapaz, perde tantas vezes que quando ganha nem se apercebe».
Mais de 20 anos depois e há muito feito à estrada, já há muito de luvas arrumadas, continuo a subir a ringues todos os dias, sem grande esperança de vitória, sem ligar muito ao tempo que demorará cada combate - algo que se aprende com a idade - porque o tempo só conta no fim. Onde isto me vai levar não sei. Talvez um dia ganhe e, como dizia o meu avô, nem me aperceba.
É época de exames mais uma vez. Eu lembro-me e confesso que tenho saudades - que todos os estudantes me perdoem por tamanha heresia -; saudades das longas noites em volta de coisas que não interessavam, de sebentas gastas e mais que riscadas, das conversas entre cerveja e sandes quando o estudo já era demais (nunca era mas pronto). Acho que a saudade é principalmente de uma certa camaradagem, qual náufragos no alto-mar, tipos (sim, na velha Faculdade de Engenharia éramos quase todos «tipos», um mundo muito masculino à época) perdidos e sempre à procura de um rumo que não passasse por muito estudo para fazer uma qualquer cadeira que pouco interessava (assim o pensávamos).
Mas havia um de nós que tinha um pretexto extra, na forma de alguém de traços bem femininos e cabelo longo. Era o terceiro ano, e o D. que nunca se levantava cedo, nunca tinha nada em ordem, que perguntava constantemente o que se passava nas aulas, naquele ano decidiu ser chefe de grupo de estudo e para surpresa de todos, sabia tudo e mais alguma coisa. Naquele ano o calmeirão do D. brilhou, mas como disse, ele tinha um bom motivo.
Now i don’t claim to be an «A» student,
But I’m trying to be.
So maybe by being an «A» student baby
I can win your love for me.
E se calhar isto não é só nos exames; aplica-se em tudo na vida. É sempre necessário um bom incentivo e aí nada nos pára.
«The most important thing to remember about drunks is that drunks are far more intelligent than non-drunks. They spend a lot of time talking in pubs, unlike workaholics who concentrate on their careers and ambitions, who never develop their higher spiritual values, who never explore the insides of their head like a drunk does.»
Shane MacGowan
Dizia a minha avó - era eu um rapazito ainda de calções - que só os bonzinhos vão par o céu… Bonzinho acho que sempre fui - pelo menos tentei viver segundo certos princípios que o meu avô tentou me ensinar -, mas para grande infelicidade da minha avó saí tudo menos um homem religioso embora uma certa noção de espiritualidade, que nunca consegui explicar, assalte-me de vez em quando… Será Deus?
Não faço a mínima ideia se existe um Deus, um paraíso, uma vida após morte, nem estou particularmente preocupado com isso. Mas a existir, e trinta e muitos anos depois, sei que a minha doce avó estava enganada - e ela que me perdoe se existir o tal outro lado -; o céu não é dos bonzinhos, dos estereotipados, dos banais, religiosos ou não, dos que fazem sempre aquilo que alguém espera… O céu é dos outros, daqueles que serão sempre diferentes, dos inconformados, dos poetas, dos loucos, dos ignorados, esquecidos, os desalojados do amor… e todos aqueles esquecido pela vida, por Deus, pelo que quiserem…
O céu, e depois desta vida, tem que ser uma bebedeira generalizada - eterna -, terá tons escuros, livros, álcool, cigarros… Sim, o céu cheira a cinzeiro do dia anterior, carregado de cigarros mal fumados, terá nódoas, desarrumação, gente a rir…
E terá Nick Cave a cantar Shane MacGowan; este dormirá a um canto…
Now the song is nearly over
We may never find out what it means
Still there’s a light I hold before me
You’re the measure of my dreams
The measure of my dreams
«A pessoa que sou é única, limitada a um nascer e a um morrer, presente a si mesma e que só à sua face é verdadeira, é autêntica, decide em verdade a autenticidade de tudo quanto realizar. Assim a sua solidão, que persiste sempre talvez como pano de fundo em toda a comunicação, em toda a comunhão, não é ‘isolamento’. Porque o isolamento implica um corte com os outros; a solidão implica apenas que toda a voz que a exprima não é puramente uma voz da rua, mas uma voz que ressoa no silêncio final, uma voz que fala do mais fundo de si, que está certa entre os homens como em face do homem só. O isolamento corta com os homens: a solidão não corta com o homem. A voz da solidão difere da voz fácil da fraternidade fácil em ser mais profunda e em estar prevenida.»
«Às vezes um abraço é tudo o que precisamos». É desta forma que se apresenta o filme «Campanha de Abraços Gratuitos», que ganhou o prémio de vídeo «Mais Inspirador». Juan, 27 anos, «tem como missão andar pela rua a abraçar estranhos para lhes fazer brilhar a vida».
A iniciativa foi filmada e acabou por ser um sucesso no YouTube: já foi vista por mais de 12 milhões de pessoas, que deixaram 22686 mensagens de resposta…É um dos vencedores dos «Youtube Video Awards»…