Cassini & Saturno

Saturno, os seus anéis e algumas das suas luas são fotografadas pela sonda Cassini, a 12 de Agosto de 2009, a uma distância de cerca de 847 mil km do planeta. A foto foi tirada um dia e meio após o equinócio de Saturno, quando o Sol brilha directamente por cima do equador do planeta. (Foto: NASA/JPL/Space Science Institute).
O “responsável”

Pavel Constantin, «Politicalcartoons.com»
Helmut Kohl, Margaret Thatcher, Ronald Reagan, George H.W. Bush, João Paulo II são muitos dos nomes a quem muitos atribuem a queda do Muro. Christian Caryl na Foreign Policy, dedica-se a desmontar os mitos da queda deste muro. Nenhum destes nomes terá tanta importância, ou mesmo alguma, no que se passou. Boa parte deles não pretendia sequer desestabilizar a região e tudo faria para isso. Para Caryl, embora os historiadores continuem a procurar o “responsável”, o muro cai pela vontade das ruas de Berlim, Praga e Bucareste:
[...] Neither did the fact that Eastern European communists owed all their debt to Western bankers prove a great liability, as some have alleged. That might have been the case if the United States and its allies had been willing to exert financial leverage to specific policy ends. In fact, the story of 1989 is very much one of Western political caution. From Helmut Kohl to Margaret Thatcher to George H.W. Bush, Western leaders were reluctant to do anything that could be interpreted as “destabilizing” the region.
In reality it was the crowds on the streets in Berlin, Prague, and Bucharest that fused inchoate anger at the regimes into an immediate and urgent challenge to the apparatchiks’ power and legitimacy.
The sudden surge in popular discontent, coupled with such other factors as the rise of Mikhail Gorbachev and his refusal to use Soviet troops to suppress protests; the moribund economies of the Warsaw Pact states; the gradual loss of belief in Marxist ideology among populations and functionaries alike; and a much greater flow of information about the West to the countries of the East all contributed to the events of 1989. Yet in their quest for a simple explanation, historians continue to look for The One.

“Berlin Wall”
Peray, «The Nation»
Chen Jian e Jeffrey A. Engel vão um pouco mais atrás. Nesse mesmo ano de 1989, em Maio, Deng Xiaoping encontra-se com Mikhail Gorbachev. Nenhum dos dois líderes imaginava que os acontecimentos em Tiananmen teriam, segundo Jian e Engel, eco em Berlim.
O outro lado

Paresh Nath, «The Khaleej Times»
Fernando Peinado, no El País, escreve sobre o desencanto que os povos de leste sentem, vinte anos depois da queda do Muro. A passagem do comunismo para o capitalismo e a democracia está a ser uma mudança de vida difícil de assimilar. Talvez por isso, as gerações mais velhas nos antigos países comunistas, aqueles que viveram a maior parte de sua vida sob o antigo regime, sejam os que mais rejeitem esta transformação, segundo uma sondagem do Instituto Pew, e se sintam mais pobres do que eram antes:
[...] La encuesta revela que, en general, los ciudadanos del antiguo bloque comunista europeo han perdido parte de su entusiasmo inicial por las ideas del capitalismo y la democracia. El cambio más pronunciado se ha producido en Ucrania: sólo el 30% de los ucranios aprueba un sistema multipartidista, frente al 72% que lo hacía en 1991, cuando se efectuó un sondeo similar.
La generación más joven, los residentes en las ciudades y los que disponen de mayor grado de educación tienden a aprobar la transformación. En Rusia, por ejemplo, la mayoría de los menores de 50 años de edad aceptan el paso a un sistema con pluralidad de partidos y la economía de mercado. Pero los que superan esa edad son mucho menos optimistas; entre el grupo de edad de 65 años o más, sólo el 27% expresa una visión positiva. Este patrón se repite en todos los países analizados -con la excepción de Alemania del Este, en la que la satisfacción con los cambios es generalizada- y refleja la misma divergencia que se observaba entre la población en 1991.
Una de las causas que explica la desafección de los ciudadanos de estos países con los cambios experimentados es que creen que son más pobres que hace 20 años. El consenso es que la gente corriente se ha beneficiado menos del cambio que los políticos y grandes empresarios. Sólo los polacos (47%) y los checos (45%) opinan que su situación económica es mejor ahora que cuando vivían bajo el modelo comunista. Los húngaros (72%), los ucranios (62%) o los búlgaros (62%) creen que la economía de mercado les ha hecho más pobres.
“Guerra Fria” latina

Taylor Jones, «El Nuevo Dia»
A tensão entre a Venezuela e a Colômbia aumentaram com o aviso do Presidente Hugo Chávez ao venezuelanos para se preparem para a guerra. O Sr. Chávez ordenou o envio de 15 mil militares para fronteira entre os dois países e no seu programa semanal, na última quinta-feira, o Presidente venezuelano apoiando-se no princípio que a preparação da guerra é a melhor forma de evitar, disse que não se podia perder mais tempo: “No perdamos un día en nuestra principal misión: Prepararnos para la guerra y ayudar al pueblo a prepararse para la guerra, porque es responsabilidad de todos.”
O presidente venezuelano opõe-se a um acordo assinado no final de Outubro entre Bogotá e Washington, que dá aos militares americanos acesso a sete bases colombianas, e avisa o Presidente Obama não fazer a asneira de atacar a Venezuela através da Colômbia. Alvaro Uribe já apelou à ONU e à Organização dos Estados Americanos depois das “ameças de guerra” de Hugo Chávez. Mas as tensões na fronteira entre os dois países já são antigas e em muito resultam da violência entre grupos armados que disputam o controlo do tráfico de combustível desde a Venezuela até à Colômbia, como escreve Maye Primera no El País.
Com o aniversário da queda do Muro de Berlim e do fim da “Guerra Fria”, o mundo vê nascer uma outra, como escreve a Reuters. Com o escalar da tensão na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia, as autoridades do Peru apelam a todo os governo sul-americanos que reduzam os gastos com material militar, na criação de uma força de segurança regional. Responsáveis peruanos afirmaram que o Presidente Lula da Silva está receptivo à iniciativa e que se encontrará com os líderes da Colômbia e do Paraguai. Os países do continente sul-americano, em 2008, gastaram 60 mil milhões de dólares em material militar, o que mereceu fortes críticas por parte de Óscar Arias, Presidente da Costa Rica.

Simanca Osmani, «Cagle Cartoons»
Akhromeyev revisitado

Paresh Nath, «The Khaleej Times»
Segundo o McClatchy Newspapers, o presidente Obama irá decidir por aumentar o contingente militar americano no Afeganistão em 30 mil militares, algo que se espera só anuncie após consulta com membros da NATO. Onde os militares americanos irão buscar este número de soldados, é a simples questão que Dahr Jamail e Sarah Lazare colocam no TomDispatch.com.
No Afeganistão, desde Alexandre o Grande, a História tem o hábito de se repetir. Victor Sebestyen, jornalista e autor do livro “Revolução 1989 – A Queda do Império Soviético”, assina um artigo no New York Times. Neste, Sebestyen faz a transcrição da derrota de um general no Afeganistão, um que pediu mais militares ao seu governo para não perder a guerra. O general em questão não é o actual comandante das forças da NATO, Stanley McChrystal, mas sim Sergei Akhromeyev, o comandante das forças soviéticas em 1986:
[...] There are many in Washington now calling on President Obama to cut his losses and find an exit strategy from Afghanistan. Even if he agreed, it may not be an easy business. When Mikhail Gorbachev became Soviet leader in March 1985 he called Afghanistan “our bleeding wound.” He declared that ending the war was his top priority. But he could not do it without losing face.
[...] Withdrawal was a long, drawn-out agony. By the time the last troops left in February 1989, around 15,000 Soviet soldiers and 800,000 Afghans had died. “We must say that our people have not given their lives in vain,” Mr. Gorbachev told the Politburo. But even his masterful public relations skills could not mask the humiliation of defeat. Indeed, it marked the beginning of the end for the Soviet empire in Europe, as revolution swept through Eastern Europe in 1989, and of the Soviet Union itself two years later.
In 1988, Robert Gates, then the deputy director of the C.I.A., made a wager with Michael Armacost, then undersecretary of state. He bet $25 that the Soviet Army wouldn’t leave Afghanistan. The Soviets retreated in humiliation soon after. Mr. Gates, we can assume, paid up. But is there a gambling man out there who would lay money on the United States Army withdrawing in similarly humbling fashion? And would the defense secretary accept the bet?

Jianping Fan, «Politicalcartoons.com»
Defender um arsenal

Steve Greenberg
O Paquistão é um país que possui armas nucleares há cerca de duas décadas. Ataques a esquadras da polícia em Peshawar e Lahore e, assim que a ofensiva do exército contra os Taliban começou, um general do exército morto nas ruas da capital, Islamabad. O ataque demonstrou que a rota do general era conhecida, o que indica que os Taliban têm contactos e aliados no interior das forças de segurança. Na New Yorker, Seymour M. Hersh, coloca a pergunta óbvia; estarão estas armas a salvo?:
[...] Pakistan has been a nuclear power for two decades, and has an estimated eighty to a hundred warheads, scattered in facilities around the country. The success of the latest attacks raised an obvious question: Are the bombs safe? Asked this question the day after the Rawalpindi raid, Secretary of State Hillary Clinton said, “We have confidence in the Pakistani government and the military’s control over nuclear weapons.” Clinton—whose own visit to Pakistan, two weeks later, would be disrupted by more terrorist bombs—added that, despite the attacks by the Taliban, “we see no evidence that they are going to take over the state.”
Clinton’s words sounded reassuring, and several current and former officials also said in interviews that the Pakistan Army was in full control of the nuclear arsenal. But the Taliban overrunning Islamabad is not the only, or even the greatest, concern. The principal fear is mutiny—that extremists inside the Pakistani military might stage a coup, take control of some nuclear assets, or even divert a warhead.
On April 29th, President Obama was asked at a news conference whether he could reassure the American people that Pakistan’s nuclear arsenal could be kept away from terrorists. Obama’s answer remains the clearest delineation of the Administration’s public posture. He was, he said, “gravely concerned” about the fragility of the civilian government of President Asif Ali Zardari. “Their biggest threat right now comes internally,” Obama said. “We have huge . . . national-security interests in making sure that Pakistan is stable and that you don’t end up having a nuclear-armed militant state.” The United States, he said, could “make sure that Pakistan’s nuclear arsenal is secure—primarily, initially, because the Pakistan Army, I think, recognizes the hazards of those weapons’ falling into the wrong hands.”
Fort Hood
Escreve Max Cleland no New York Times:
“Every day I was in Vietnam, I thought about home. And, every day I’ve been home, I’ve thought about Vietnam.” So said one of the millions of soldiers who fought there as I did. Change the name of the battlefield and it could have been said by one of the American servicemen coming home from Iraq or Afghanistan today. Wars are not over when the shooting stops. They live on in the lives of those who fight them. That is the curse of the soldier. He never forgets.
While the authorities say they cannot yet tell us why an Army psychiatrist would go on a shooting rampage at Fort Hood in Texas, we do know the sorts of stories he had been dealing with as he tried to help those returning from Iraq and Afghanistan readjust to life outside the war zone. A soldier’s mind can be just as dangerous to himself, and to those around him, as wars fought on traditional battlefields.

Bob Gorrell, «Creators Syndicate Inc.»
O cartoonista Bob Gorrel parece interrogar-se sobre o porquê do massacre de Fort Hood, e muitas questões podem, de facto, ser colocadas. Milt Priggee e Deb Milbrath e, como Max Cleland, Dahr Jamail na Truthout dão, pelo menos em parte, a resposta:

Deb Milbrath

Milt Priggee
Abbas retira-se

Hasan Bleibel, «Al-Mustakbal»
O Presidente da Autoridade da Palestiniana, Mahmoud Abbas, disse esta semana que não irá recandidatar-se colocando assim mais incerteza ao processo de paz para o Médio Oriente. Considerado pelo ocidente um líder moderado e pró-ocidental, Hillary Clinton foi um dos líderes que tentou convencer o Sr. Abbas a a não o fazer, algo que terá sido em vão. O Sr. Abbas, segundo fontes, está frustrado com os maus resultados da administração Obama em forçar Israel a para com a construção de colonatos na Faixa de Gaza. Esta frustração aumentou, na semana passada, com o elogio da Sra. Clinton ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, por este ter dito que a construção seria adiada e/ou atrasada, mas não iria parar.
A Liga Árabe fez um apelo a Mahmoud Abbas para reconsiderar e o mesmo o terá feito Israel que, embora as autoridades deste país afirmem que é um assunto interno da Palestina, mostram preocupação pela retirada de Abbas. Além de não se recandidatar, Mahmoud Abbas ameaça dissolver a Autoridade da Palestiniana e declarar o processo de paz com Israel falhou.

Emad Hajjaj, «Al-Ghad Newspaper»
Como escreve Jeremy Bowen da BBC, Mahmoud Abbas tornou-se uma parte importante na estratégia de paz de Barack Obama e se este anunciasse que apoia um Estado palestino da forma como Abbas defende, com as fronteiras de 1967, capital em Jerusalém Oriental, justiça para os refugiados da Palestina e controle do espaço aéreo e fronteiriço, este podia ser persuadido a concorrer. Mas isso, com o governo de Benjamin Netanyahu, não parece ser provável. Por outro lado, algo que não poderá deixar de preocupar o Presidente Obama e Benjamin Netanyahu, o sucessor mais provável de Abbas é Marwan Barghouti, um líder carismático da nova geração de líderes da Fatah; o problema é que este está preso em Israel onde cumpre cinco penas perpétuas por assassinato.
Muitos dos problemas de Mahmoud Abbas, que também pesarão nas sua decisão, foram as suas tentativas de agir favoravelmente em relação ao presidente Obama, especialmente nos esforços para arquivr do relatório Goldstone sobre crimes de guerra na ofensiva de Gaza que não foram bem vistos por muitos palestinianos.
No entanto, e como escreve Saree Makdisi na Foreign Policy, Mahmoud Abbas já vai tarde. A sua actuação não foi boa para a causa da Palestina e a sua partida poderá significar um novo início para a paz. Para Makdisi a política de dois-estados seguida por Abbas foi um erro que apenas conseguiu qye mais território palestino fosse expropriado e que é altura de seguir com uma política de criação de um só estado, para judeus e palestinianos.

Paresh Nath, «The Khaleej Times»
Walesa define-se

30 de Agosto de 1980: Lech Walesa, o líder do Solidarność (Solidariedade), é levado em ombros por trabalhadores em greve do estaleiro Lenin, em Gdansk, um dia antes da assinatura de um acordo com o governo. A estratégia de Walesa sempre dependeu da organização popular como forma de pressionar o governo a negociar. (Foto: Jorma Puusa)
Lech Walesa numa entrevista à Spiegel online disse que a queda do Muro de Berlim deu boas fotografias mas tudo começou antes, nos estaleiros de Gdansk e, como começou logo por perceber Charles Hawley que o entrevistou, o Sr. Walesa não é homem que deixe os seus créditos por mãos alheias:
SPIEGEL ONLINE: Are you looking forward to travelling to Berlin on Monday for the 20th anniversary celebration of the fall of the Berlin Wall?
Walesa: It’s not important whether I’m looking forward to it or not. I am a politician who played an important role in the reunification of Germany and I was invited to take part in the celebration. It’s not like a piece of candy handed out to a sweet little boy.
Desobediência “ambiental”

Angel Boligan, «El Universal»
Al Gore, que concedeu recentemente uma entrevista à Der Spiegel onde discute a política ambiental de Barack Obama, as pressões de lobbys em Washington para a todo o custo atrasar reformas ambientais e as suas aspirações para a cimeira de Copenhaga, decidiu levar as atenções de Copenhaga para algo diferente, a desobediência civil. O antigo vice-presidente americano e Prémio Nobel, afirma que o aumento dos protestos contra a utilização de combustíveis fósseis estão a aumentar e irão continuar a aumentar, a menos que medidas drásticas sejam tomadas sobre os problemas do ambiente. Para o Sr. Gore, a desobediência civil terá um papel importante na resolução do problema ambiental e chega mesmo a sugerir que a dimensão do problema ambiental por si só justifica esta desobediência:
[...] “Civil disobedience has an honourable history, and when the urgency and moral clarity cross a certain threshold, then I think that civil disobedience is quite understandable, and it has a role to play,” he says. “And I expect that it will increase, no question about it.”
Copenhaga (já) sem acordo

RJ Matson, «St. Louis Post-Dispatch»
A um mês da Cimeira de Copenhaga sobre o clima, tudo ainda está por decidir. O projecto de lei americano para as reduções das emissões ainda está no Congresso e é pouco provável que o assunto esteja encerrado antes do final do ano, a pesar dos esforços do Presidente Obama. Como poucos serão os países que tomarão qualquer iniciativa sem uma clarificação por parte dos EUA quanto a metas a atingir é pouco provável que em Copenhaga qualquer tipo de acordo seja atingido e, numa cimeira em Washington, Barack Obama disse a responsáveis da UE que um acordo final não seria conseguido em Copenhaga.

Ed Stein
No EUobserver, Leigh Phillips dá voz ao pessimismo da União Europeia quanto à possibilidade de um acordo ser possível. No entanto, como escreve Phillips, responsáveis da UE pensam que u acordo pode ser conseguido entre três a seis meses mas a Suécia, que detém actualmente a presidência rotativa da UE, diz que pode demorar cerca de um ano:
[...] US climate legislation is slowing winding its way through Congress and will not be ready in time for the summit.
In recent days, European, UN and other international leaders have been adjusting their language about the likelihood of a deal in December, but this is the first official acknowledgement that a legally binding treaty is not going to happen.
Responding to the announcement by the EU, Antonio Hill, climate advisor for development NGO Oxfam International said: “We have been here before. Two years ago, rich nations promised to deliver a legally binding climate deal in Copenhagen. Now rich countries have admitted to back peddling in order to accommodate the US.”
“The world’s poorest countries who are already struggling to survive in a changing climate, need action, not more hollow promises. The EU says it can agree emission reduction targets in Copenhagen. These must be locked into a legally binding agreement – a second phase of the Kyoto protocol – with Canada, Australia and Japan.
“If the US can up the ante then all well and good. But at a minimum poor countries need a guarantee of action on at least some of the key elements of the Copenhagen agreement.”

Paresh Nath, «The Khaleej Times»
Red List
Mais de um terço das 47,677 espécies de plantas e animais monitorizadas este ano pela International Union for Conservation of Nature foram consideradas em risco. A última edição da “Red List” da IUCN, contempla 17,291 espécies em algum de perigo. Este facto representa um aumento em relação a 2008, mas com mais espécies a serem monitorizadas a cada ano, mais se encontram em perigo. Cerca de 875 espécies estão consideradas extintas e 66 extintas em estado selvagem A perda de habitat ou alterações do mesmo são os principais responsáveis. Uma das seis espécies que este ano forma consideradas extintas no seu habitat natural é o sapo de Kihansi (Nectophrynoides asperginis); a última vez que um foi visto no seu habitat natural na Tanzânia, foi em 2004. O zoo de Toledo, no Ohio, é o único lugar do mundo onde ainda se pode ver esta espécie. Cerca de um terço de todos os anfíbios monitorizados pela IUCN estão ameaçados de extinção, embora este número seja muito pequeno em comparação com os três quartos de plantas ameaçadas de extinção.

[Fonte: The Economist]
Terras húmidas
As terras húmidas do mundo, segundo um estudo recente, são uma fonte de gases com efeito de estufa. Pântanos, prados turfosos e outras áreas sazonalmente inundadas emitem cerca de 1.3 mil milhões de toneladas de CO2 por ano, como resultado da actividade humana de drenagem que expões estas zonas ao efeito oxidante atmosfera. Este número não inclui o efeito do fogo utilizado na secagem destes pântanos, o que poderia duplicar este número. É esta pelo menos a conclusão de um relatório publicado pela Wetlands International esta semana. As zonas drenadas representam 0.3 por cento da superfície terrestre, mas são responsáveis por 6 por cento das emissões de CO2 originadas pela actividade humana. A Indonésia é o país que mais emite, mas os países mais ricos também têm a sua quota de responsabilidade. No entanto, o relatório entra em alguma contradição com as conclusões do estudo sobre desflorestação publicado, também esta semana, na Nature Geoscience. Neste último, o valor convencional para as emissões provocadas pela desflorestação representam 20 por cento das emissões provocadas pelo homem, mas no relatório da Wetlands International estas representam apenas 12 por cento. Em conjunto, os dois estudos sugerem uma visão mais alargada e que os esforços não sejam só dirigidos na protecção das florestas mas, também, das áreas pantanosas.

[Fonte: The Economist]
20 anos depois

Peray, «The Nation»
Passaram-se 20 anos desde a queda do Muro de Berlim; começou a ser derrubado na noite de 9 de Novembro de 1989, depois de 28 anos de existência. Foi o grande símbolo da “Guerra Fria” e da divisão do mundo em dois blocos. Figura central da época foi Mijaíl Gorbachov, que liderou a União Soviética entre 1985 e 1991. O Sr. Gorbachov assina um artigo no El país:
Hoy en día, mientras dejamos a las espaldas las ruinas del viejo orden, podemos pensar en nosotros mismos como activos participantes en el proceso de creación de un mundo nuevo. Muchas verdades y postulados considerados indiscutibles (tanto en el Este como en el Oeste) han dejado de serlo. Entre ellos estaban la fe ciega en el todopoderoso mercado y, sobre todo, en su naturaleza democrática. Había una arraigada creencia de que el modelo occidental de democracia puede ser difundido mecánicamente a otras sociedades cuyas experiencias históricas y tradiciones culturales son diferentes. En la situación presente, incluso un concepto como el del progreso social, que parece ser compartido por todos, necesita una información más precisa y una redefinición.
Wojciech Jaruzelski, o último dirigente comunista da Polónia, concede uma entrevista à Euronews onde fala da queda dos regimes no leste Europeu, principalmente na Polónia, e da queda do Muro. A introdução da Lei marcial no país, em 12 de Dezembro de 1981, foi a sua decisão mais difícil.
No openDemocracy, alguns comentadores reflectem sobre o legado de 1989; um ano em que o Muro caiu, dos acontecimentos em Tiananmen, a retirada da União Soviética do Afeganistão, o regresso da democracia ao Brasil.

Peray, «The Nation»
A líder da Europa

Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»
No Washington Post, Angela Merkel é merecedora dos elogios de Anne Applebaum. Esta escreve que a Chanceler alemão é mais do que isso: a Sra. Merkel, e sem ninguém reparar, tornou-se líder da Europa e a mulher mais poderosa do mundo:
[...] Under her watch, Germany has continued to grow more powerful, more influential, more dominant than ever before. Yet not only has no one noticed, they applaud and ask for more. If a bull-necked Helmut Kohl or a flashy Gerhard Schroeder were running Germany, there would be rising anxiety and mumbling about the Fourth Reich — just as there was 20 years ago, at the time of German reunification, when Kohl was still in charge. But Merkel provokes no jealousy or competitiveness among the alpha males who run large countries, and she inspires no fear among the citizens of smaller ones.
On the contrary, Germany even has good relations with most of its neighbors to the east, many of which are inclined to distrust Germans as a matter of principle. This is partly because she is so willing to show up when asked, and offer mild-mannered words of friendship and apologies for World War II. After which she returns home and works to make Germany stronger and more dominant in the region. And everyone smiles.
[...] If, in the coming months, she wants a bigger, louder role outside Germany, Merkel can probably have that, too. I’m not sure, though, that “big and loud” is quite her style. It’s equally possible that she will take over European foreign policy — but so quietly and so politely that no one will notice.
Dirk Kurbjuweit, na Der Spiegel, comenta que a silenciosa Angela Merkel, apesar de ter sido reeleita há poucos dias como Chanceler, já pensa na forma como será recordada pela História. Segundo Kurbjuweit, a Sra. Merkel sonha em imitar o seu modelo, Catarina II da Rússia, chamada a “Grande”, mas os seus contemporâneos preferem chamar a sua chanceler de “mãe” (mutti), algo que não parece agradar particularmente à Sra. Merkel:
[...] Both women had to establish themselves in an unfamiliar world, the German princess in Russia, which bore little resemblance to Europe, and Merkel, who grew up in the East German system, in unified Germany. Both women engaged in power struggles with the male establishment, and both prevailed.
Catherine deposed her husband and assumed the throne; he died in the process. Merkel pushed aside former Chancellor Helmut Kohl and others in her rise to the top, although they managed to escape with their lives. Both women were prepared to change their identities for the sake of power. Sophie changed her name to Catherine, which was more appropriate for Russia, and converted from Protestantism to the Russian Orthodox faith. Merkel, for her part, converted from neo-liberalism to social democracy.
[...] Merkel’s supporters reason that the nickname helps older male chauvinists like Michael Glos come to terms with her dominance. For them, it seems intolerable to be dominated by a woman, unless she is the type of woman who naturally assumes this role: the mother. Politicians of Glos’s sort find some consolation in the thought that even men like Julius Caesar and Winston Churchill were dominated by a mom, at least as children.
GM mantém a Opel

Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»
A decisão da General Motors em desistir da venda da Opel ao consórcio liderado pela Magna, provocou algum embaraço e irritação ao governo germânico e alarme nos operários da Opel. Depois de meses de negociação, e com um acordo pronto para ser assinado, a GM mudou de ideias no último momento e anunciou esta terça-feira que iria manter as suas operações na Europa, a Opel e a Vauxhall, excepto a Saab na Suécia.
O ministro da Economia alemão, Rainer Brüderle, considerou o o comportamento da GM “completamente inaceitável”. Os sindicatos do sector apelam à greve na Opel, com receio que a mudança de planos da GM, ao contrário dos da Magna, possa incluir despedimentos. A GM provavelmente irá pedir ajuda financeira para o seu plano de reestruturação; o governo da Sra. Merkel tendo assegurado, por escrito, que a ajuda que a UE ofereceu à Magna era extensível a qualquer um que se propusesse salvar a a Opel, não poderá deixar de aceitar este pedido.
Myanmar status quo

Peray, «The Nation»
Na Reuters escreve-se que eleições livres e consideradas legitimas União de Myanmar (antiga Birmânia), não serão possíveis sem a presença e a participação da líder da oposição, Aung San Suu Kyi:
[...] Deputy Assistant Secretary Scot Marciel, returning from a landmark two-day visit to the army-ruled country, said the release of the National League for Democracy (NLD) leader and other political detainees was critical for the polls to be considered fair and credible.
“I think an election without Aung San Suu Kyi and the NLD, it would be very hard to see that as credible,” Marciel told reporters in Bangkok.
The NLD, denied the chance to rule after a landslide win in the last elections in 1990, has yet to confirm whether it will participate in the polls.
“In the end, it’s up to Aung San Suu Kyi and the NLD to make that call,” Marciel said.
Suu Kyi, a Nobel Peace Prize winner held captive for 14 of the last 20 years, was offered a rare chance to meet NLD committee members on Wednesday, but declined because its detained vice-chairman, Tin Oo, was excluded, state television reported.
Itália condena era Bush

Bill Day, «The Commercial Appeal»
Em Itália, um tribunal condenou mais de vinte agentes da CIA, à revelia, e dois dos serviços secretos italianos pelo rapto de um clérigo egípcio em Milão, em 2003. Abu Omar foi levado para uma prisão no Egipto, onde ficou durante quatro anos tendo sido alvo de actos de tortura. A extradição dos antigos agentes americanos vai ser pedida a Washington.
Na Newsweek, Mark Hosenball e Michael Isikoff escrevem que esta condenação, além de ser um marco, tem vários aspectos a considerar. Em primeiro, representa o primeiro julgamento por um tribunal estrangeiro que considera que onde elementos ligados à administração Bush cometeram actos ilegais na luta contra o “terrorismo global”. Mesmo que nunca venham a cumprir a pena a que forma condenados, como será de esperar, estarão impedidos de viajar para a Europa no futuro. Em segundo, esta decisão coloca de novo em primeiro plano a controversa política de George W. Bush e Dick Cheney — a prática de rapto enevio para prisões fora de território americano — que o Presidente Obama não quer “condenar”, numa forma de não dividir ainda mais a América.

John Cole, «The Scranton Times-Tribune»
No GlobalPost, Michael Moran escreve que a “Guerra ao Terror” de George W. Bush pode ter caído em desuso com a actual administração, mas a actual condenação do tribunal italiano mostrou que não foi esquecida nem o será tão depressa como muitos americanos queriam e, como Hosenball e Isikoff, esta coloca um dilema ao novo Presidente:
[...] For President Obama, who may privately welcome the verdict, the case merely sharpens the dilemma facing his administration as he moves on several fronts to reverse what he has described as the overzealous policies of his predecessor. One of his first moves as president was to outlaw the transfer of detainees to countries where they might be tortured. But the executive order fell short of banning rendition, and a “special task force” created to recommend policy changes has yet to weigh in.

David Horsey, «Seattle Post-Intelligencer»
“Justiça Limpa”

4 de Novembro, Buenos Aires: O General Reynaldo Bignone, Presidente (de facto) da Argentina entre 1 de Julho de 1982 a 10 de Dezembro de 1983 e ex-comandante do exército, escuta seu advogado na sala do tribunal onde é acusado de crimes contra os Direitos Humanos durante a ditadura do regime militar, de 1976 a 1983. Bignone, de 81 anos, é acusado de sequestro e tortura de 56 pessoas detidas em centros de detenção secretos na base militar de Campo de Mayo, nos arredores de Buenos Aires, durante o período conhecido por “Guerra Suja” contra os membros da esquerda argentina. Além de ser acusado de sequestro e tortura, Bignone é também acusado de ter raptado os filhos a muitos destes prisioneiros. Outros cinco oficiais militares reformados também estão a ser julgados neste processo que se julga que irá decorrer até Março de 2010 (foto: Juan Mabromata/AFP/Getty Images).
Violência de novo em Teerão

Effat Mohamad (Egipto)
Durante uma manifestação oficial para comemoração do 30 anos da invasão da embaixada dos EUA no Irão, grupos de opositores ao regime invadiram as ruas de Teerão, entrando em conflito com a polícia e manifestantes pró-governamentais, entoado cânticos de “morte ao ditador”. Algo semelhante já tinha ocorrido em manifestações oficias pró-Palestina, em Setembro. David Montero escreve que esta nova manifestação mostra que o movimento de oposição ao regime está longe de ter desaparecido.
Para assinalar o mesmo aniversário, o Presidente Obama afirmou que o Irão tem escolher entre focar-se no passado ou abrir olhar par um novo futuro que trará mais oportunidades para o povo iraniano:
[...] Iran must choose. We have heard for thirty years what the Iranian government is against; the question, now, is what kind of future it is for. The American people have great respect for the people of Iran and their rich history. The world continues to bear witness to their powerful calls for justice, and their courageous pursuit of universal rights. It is time for the Iranian government to decide whether it wants to focus on the past, or whether it will make the choices that will open the door to greater opportunity, prosperity, and justice for its people

Stavro, «Al Balad» (Beirute)
Joshua Kucera, no True/Slant, escreve sobre esta manifestação e de todos os vídeos que foram parar à Internet publicados pelo Tehran Bureau. Num deles, os manifestantes parecem apelar ao Presidente americano.

Frederick Deligne
Maya Schenwar, na Truhout, escreve sobre um projecto de lei do Congresso americano que poderá forçar o Presidente Obama a a agravar as sanções contrao Irão, algo que o Presidente não está interessado no momento e que poderá prejudicar as negociações entre os dois países:
[...] Critics of the Foreign Affairs Committee legislation say it will allow Iran’s government to foment nationalist sentiments while eschewing the democratic fervor that emerged during the summer’s post-election protests. An op-ed by Rep. Keith Ellison, published in The Hill a week before the Committee vote, argues that sanctions will only unite the Iranian government and people against the United States.
“Increasing sanctions enables the Iranian president the opportunity to change the subject – from his failed policies to the nationalistic pride symbolized by nuclear energy,” Ellison writes.
Opposition to the sanctions is already mounting on all sides within Iran. Iranian Nobel Peace Prize winner Shirin Ebadi has noted that sanctions would persecute Iran’s poor and encourage solidarity with the government.
Também na Truthout, Cynthia Boaz entrevista Shirin Ebadi, uma advogada e activista pelos Direitos Humanos no Irão e Prémio Nobel da Paz de 2003, sobre a situação das mulheres no Irão e da sua luta pela democracia:
Václav rende-se
Václav Klaus, o Presidente da República Checa e o última das dores de cabeça de todos os líderes europeus pró-Tratado, assinou finalmente o Tratado de Lisboa, embora tenha mostrado que continua contra o principio do mesmo, como escreve o Irish Times:
[...] He finally capitulated after EU leaders gave Prague an exemption from a rights charter that he said would expose it to property claims from millions of Germans who were expelled from Czechoslovakia after the second World War. “I signed the Lisbon Treaty today,” Mr Klaus said after the constitutional court announced a decision he deplored as misguided and “political”.
“I had expected the court ruling and I respect it, although I fundamentally disagree with its content and justification . . . With the Lisbon Treaty taking effect, the Czech Republic will cease to be a sovereign state, despite the political opinion of the constitutional court.”
Fredrik Reinfeldt, o primeiro-ministro sueco (país que tem a presidência rotativa da UE), disse que o Tratado já pode entrar em vigor no próximo mês e que uma cimeira para eleger o primeiro Presidente da UE deve ser feita o mais cedo possível. Dá-se início à corrida para o Presidente — e já há um duelo, mas o Sr. Blair parte já a perder.

Brian Adcock, «The Scotland»
Merecer ou não merecer…

Rob Rogers, «Pittsburgh Post-Gazette»
No Bill Moyers Jounal, Moyers começa a sua entrevista a James Galbraith, Professor de Economia na LBJ School of Public Affairs da Universidade do Texas, dizendo que os americanos estão irritados com os bancos, para tal bastaria escrever no Google “I hate banks” e verificar o resultado — acredito que não seja só na América.

Randy Bish, «Tribune-Review»
Na Time, Allan Sloan, que como Moyers aproveitou a reunião anual da Associação dos Banqueiros Americanos e os protestos em frente da mesma para pano de fundo, escreve sobre o que ainda está de errado com Wall Street; a banca recebeu milhões do dinheiro dos contribuintes e voltou aos vícios antigos, distribuindo bónus milionários enquanto muitos dos seus “salvadores” continuam em situação desesperada:
Are you furious? If not, you should be. The giant financial institutions that make up Wall Street have been bailed out, thanks to trillions of dollars of our money, and are on track to hand out record-breaking multibillion-dollar bonuses while millions of regular folks are hurting. [...]
Unemployment is marching toward 10%, and house foreclosures are still rising. If you’re a day late with your credit-card payment or overdrawn by a few bucks on your ATM card, the bank (which your tax money helped bail out) is still sticking you with obscene fees and charges. Hence the question that so many of us are asking: Where’s my bailout?
Welcome to Round 2 of Main Street vs. Wall Street. The divide is the worst I’ve seen in my 40 years of writing about finance. In a new TIME poll, 75% of the respondents say they believe Wall Street will revert to business as usual, 67% want the government to force pay cuts, and 59% want more government regulation.

Bob Englehart, «The Hartford Courant»
Justin Fox, também na Time, questiona-se se os gestores financeiros merecem o que ganham, e, se este valor será ou não uma necessidade económica como defendeu Brian Griffiths, do Goldman Sachs International. A conclusão a que Fox chega é (quase) nenhuma:
[...] So we’d probably be better off with a smaller, less-well-remunerated financial industry than the one we’ve had. Exactly how much smaller? “I’ve done what I could, but it’s not like I’ve found the right formula, that finance should be 6.65% of GDP,” jokes Philippon. As for Blankfein and Griffiths, they clearly need to come up with a better formula for defending their paychecks.

Clay Bennett, «Chattanooga Times Free Press»
O recado a Karzai

Cardow, «The Ottawa Citizen»
O Presidente Obama e os seus aliados não deixaram qualquer dúvida do que pretendem de Hamid Karzai, depois deste ter sido declarado vencedor por desistência do adversário. E na sua conferência de imprensa, o Sr. Karzai parece ter entendido o recado: afirmou que irá erradicar a corrupção que alastra no seu governo e que iria formar um governo para todos os afegão, numa tentativa de acabar com as divisões étnicas no país. Apelou inclusive ao que ele chamou os “seus irmão Taliban” para se juntarem a esta causa. Quanto ao seu opositor, Abdullah Abdullah, o Presidente lamenta que este tenha desistido das eleições, afirmando que teria sido melhor para o país e para o processo democrático se o Sr. Abdullah tivesse participado.

Jim Morin, «The Miami Herald»
Mas o ocidente, ao mesmo tempo, mostrou que ele será julgado nao pelas suas palavras mas sim pelas suas acções e que, em especial, o grau de compromisso do ocidente e o número de militares presentes no país irão agora depender dele.
Entretanto, os Taliban reclamam vitória pelo cancelamento das eleições já que este facto mostra que tiveram sucesso em perturbar e desacreditar internacionalmente o processo eleitoral, um símbolo e uma arma do poder estrangeiro no país, segundo eles.

Dick Locher, «Chicago Tribune»
Para Michael Boyle, no The Guardian – em sintonia com Matthias Gebauer na Der Spiegel -, a declaração de vitória de Hamid Karzai é um desastre para o esforço dos americanos e britânicos em encontrar um meio para terminar a sua quase eterna missão no Afeganistão; mais uma vez a comparação com o Vietname do Presidente Lyndon Baines Johnson surge:
The belated declaration of Hamid Karzai as the winner of Afghanistan’s election is a disaster for American and British efforts to find a way out of their never-ending mission there. An election that had been designed to bolster the legitimacy of the Afghan government has had precisely the opposite effect, producing a president elected only through widespread and systematic fraud. Worse still, a counter-insurgency strategy dependent on improving the legitimacy of the Afghan government has foundered as the US finds itself in a similar position to the one it faced in South Vietnam: supporting an illegitimate government with a diminishing ability to control its own territory, all the while trying to find a way not to lose the war. [...]
To avoid the Saigon trap, the US needs to seek ways to restore its leverage over the Karzai government. At present, the US is punching beneath its weight in Afghanistan – precisely because the mission is so important. Obama has called Afghanistan the “necessary war” and promised to redouble efforts to repair its governance and beat back the Taliban insurgency. But the perverse consequence of throwing his full support behind Nato efforts was to signal to the Afghan government that the US could not afford to lose, thus undercutting American leverage in the region where it is needed most. [...]

Steve Benson, «Arizona Republic»
40 anos depois

Joe Heller, «Green Bay Press-Gazette»
Leonard Kleinrock foi um dos homens que pôs os computadores a comunicar entre si. Em 1969 enviou o primeiro e-mail da História para o Instituto de Pesquisa de Stanford, na Califórnia. Nascia aquilo a que chamamos Internet e Kleinrock é considerado um dos pais da mesma. A AlterNet transcreve um artigo da Agence France Presse sobre a celebração dos 40 anos, onde Leonard Kleinrock esteve presente, deste “elemento democratizante”:
[...] “There is going to be an ongoing controversy about where we have been and where we are going,” said Arianna Huffington, co-founder of the popular news and blog website that bears her name.
“It is not just about the Internet; it is about our times. We are going to need desperately to tap into the better angels of our nature and make our lives not just about ourselves but about our communities and our world.”
Huffington was on hand to discuss the power the Internet gives to grass roots organizers on a panel with Kleinrock and Social Brain Foundation director Isaac Mao.
“The Internet is a democratizing element; everyone has an equivalent voice,” Kleinrock said. “There is no way back at this point. We can’t turn it off. The Internet Age is here.”
Kleinrock never imagined Facebook, Twitter, or YouTube that day four decades ago when his team gave birth to what is now taken for granted as the Internet.
[...] Kleinrock, who is now 75, sees the Internet spreading into everything.
“The next step is to move it into the real world,” Kleinrock said. “The Internet will be present everywhere. I will walk into a room and it will know I am there. It will talk back to me.”
News Corp. e o mundo novo

RJ Matson, «St. Louis Post-Dispatch»
A News Corporation de Rupert Murdoch é um dos maiores grupos de media do mundo com 200 jornais; ao grupo pertencem entre outros o Sun e o Wall Street Journal,que será um dos poucos jornais do mundo que cobre pela maior parte dos seus produtos e serviços online. Devido aos problemas financeiros em que a maior parte da imprensa se enconta nos dias de hoje, Rupert Murdoch já afirmou que possivelmente o método do WSJ será alargado ao restante grupo. O grupo é também um dos mais controversos. James Murdoch, filho de Rupert Murdoch e o possível herdeiro do grupo, concede uma entrevista à Der Spiegel onde a relação dos media com a Internet não faltou. Para James Murdoch a transformação digital não é o futuro, é a realidade:
[...] SPIEGEL: On the Internet, you have, for the most part, been giving your content away so far. Your father recently announced that News Corp. would soon be demanding money for the Web sites of its newspapers. Why do you believe that you will be able to re-educate readers after all these years of free content?
Murdoch: No one has claimed that it will be easy. But we have a good chance for success because we believe our content is genuinely distinctive. However, digital journalism is more than just a Web site: there are app stores for the iPhone and the Blackberry; there are digital reading devices, whose displays have been getting better and better. Perhaps the Kindle might still not be quite ready yet, but the technology is progressing quickly. Apple will be bringing out a reader. These all provide a unique opportunity to change our business model.
SPIEGEL: You yourself once said, though, that you don’t draw a distinction between bloggers and journalists. If that is the case, why should people be asked to pay for professional journalism?
Murdoch: It is not my place to distinguish between a card-carrying member of the Foreign Correspondents Club and someone who writes from home. Each customer decides what he or she would rather read. As an executive and investor, I attempt to obtain the best content and then to bundle it in a package — and that costs money. However, I would feel very uncomfortable if the journalism profession were left to hobby writers — that would mean it would be practiced only by the idle or the rich. The democratization of journalism via the Internet is a really good thing, but it should not lead to a situation where people are no longer paid for their creative achievements — regardless of whether they are a blogger or a journalist.

Milt Priggee
NY Times vs. Huffington Post

Chappatte, «Courrier International»
Um problema que se espalha um pouco por todo o mundo: a venda de jornais está em queda — Portugal não está em situação diferente, como se pode ler no Jornal de Negócios e no Público. Esta queda trás consigo menos publicidade e os problemas financeiros de muitos gigantes não foram de esperar, como foi o caso do New York Times. O mundo online terá a sua quota parte de responsabilidade; sejam da responsabilidade de jornais ou independentes, os sites dedicados às notícias atraem muitos leitores que assim dispensarão as edições em papel. Além dos sites de jornais, estes são ainda obrigados a enfrentar a concorrência de publicações online como o The Huffington Post, sites dedicados a notícias como o Google News (em várias línguas) ou o Yahoo! News que são basicamente agregadores de notícias.

Jeff Stahler, «The Columbus Dispatch»
É neste contexto, e num quase vazio legal, que uma guerra foi declarada ao The Huffington Post pelo NY Times, por concorrência desleal e uso ilegal dos conteúdos deste jornal, como escreve Douglas A. McIntyre no 24/7 Wall St.:
[...] The print publishers have begun to mumble more often that Google News, The Huffington Post, and The Daily Beast are taking unfair and illegal advantage of them by using the print media’s carefully reported stories as content to build their aggregation sites. The legal issues are engulfed in a fog. Fair Use laws slightly favor the aggregators, but that is only based on the very small amount of aggregation done in the press a decade ago. Wholesale aggregation of content that is expensive to produce and requires extraordinary skill and experience to report has never been seen on the current scale because it only began two or three years ago.
[...] The copyright and fair use laws may be too ill-defined for old media to make a strong case. Worse, the laws may protect and further the cause of the aggregators. There is clearly no substantial precedent to help old media companies or they would have taken advantage of it long ago.
The point at which old media may be forced to take legal action is coming soon, even if it does not have a strong case. The Huffington Post recently passed The Washington Post and LA Times in terms of the visitors each has to its website each month. Huffington’s revenue is rumored to be small, perhaps as little as $8 million this year. As that number grows, it will take more advertising share from its old media rivals.
Um novo começo

“The World Is Ruled and Governed by Opinion” é a visão, cínica, de Henry Peacham sobre o negócio do jornalismo (1641).
Escreve Daniel Oliveira sobre a nova era do jornal Público:
[...] Quando o “Público” nasceu foi uma excelente notícia: era um jornal que nascia da cabeça e de um projecto de jornalistas que só depois foram bater à porta de empresários para procurar financiamento. Dava centralidade ao internacional, contrariando a lógica provinciana da nossa imprensa. [...] Era rigoroso e eticamente exigente. Tudo isso, ao longo dos anos, se foi perdendo. Mas foi com José Manuel Fernandes que a degradação atingiu níveis insuportáveis.
[A] degradação do jornalismo em Portugal levou a uma degradação dos próprios leitores e da forma como olham para o papel da comunicação social. Se se ataca o governo é porque se está ao serviço do patrão. Se não se ataca é porque se está domesticado pelo poder. E não há mais possibilidades. Mesmo sabendo-se claramente de que família política era Vicente Jorge Silva (até veio a ser deputado), alguém se atreveria a dizer que ele, enquanto director, estava ao serviço de um partido? Foram homens como José Manuel Fernandes e João Marcelino que ajudaram a que muitos leitores fossem incapazes de olhar para os jornalistas com pessoas que, tendo as suas posições políticas, fossem autónomas de outros poderes. Por uma razão simples: nem um nem outro o são. Mas isso não é extensível a todos os jornalistas. Por isso nunca alinhei nas teorias da conspiração em relação ao “Público”. Porque sei que há muitos jornalistas que não aceitam encomendas. Outros, infelizmente, sim. E que, com todos os seus defeitos, desde o seu nascimento até hoje, independentemente dos directores (e até da sua vontade), a redacção do “Público” foi sempre aquela onde, entre os jornais diários, se respirou mais liberdade e autonomia dos jornalistas.
Abdullah desiste

Jim Morin, «The Miami Herald»
O candidato à presidência do Afeganistão Abdullah Abdullah desistiu da segunda volta, este domingo, acusando o governo do Presidente Hamid Karzai de não ter assegurado as condições para umas eleições justas. A retirada do Sr. Abdullah deixa no ar a dúvida sobre a legitimidade das próximas eleições e o futuro das mesmas. Ao mesmo tempo, um governo enfraquecido do Presidente Karzai é também um revez para a administração Obama, numa altura em que o presidente tem que decidir se envia ou não mais 40 mil militares para o país.
Segundo as autoridades encarregues de organizar a supervisionar as próximas eleições, esta irão realizar-se na data prevista, com os dois candidatos a aparecerem nos boletins de voto, mas com Hamid Karzai como único candidato. Desta forma, o actual Presidente afegão assegura um novo mandato.

John Sherffius, «Boulder Daily Camera»
No Informed Comment, Juan Cole escreve:
[...] Secretary of State Hillary Clinton implausibly maintained that Abdullah’s withdrawal will not affect the legitimacy of the Afghanistan presidential election.
Since President Obama had put off making a decision on his Afghanistan policy until he saw the results of the planned November 7 runoff, Abdullah’s decision puts Washington in an awkward position. Abdullah is said to be seeking to postpone the runoff until spring, 2010, which would much extend the period of instability. In contrast, Clinton seems to be crowning Karzai the winner by virtue of Abdullah’s withdrawal. But the Karzai presidency has been badly if not unalterably wounded by the ballot fraud practiced in August, and of which the retention of the same electoral commission would guarantee a repetition.
And here is what I take away from all this. The debate in Washington has been over a counter-insurgency campaign versus a limited counter-terrorism campaign. Counter-insurgency implies a certain amount of state-building. Counter-terrorism implies that state-building is impossible or very, very difficult. Clinton backs counter-insurgency, while Vice President Joe Biden supports counter-terrorism.
The reason Clinton is so eager to insist that Karzai’s election is legitimate despite its obvious illegitimacy is that Abdullah’s withdrawal puts paid to the idea that there is a plausible Afghan government partner for US counter-insurgency. There is not.

Robert Ariail, «The State»
It’s not our war. It is your war…

“Aid to Pakistan”
Stephane Peray, «The Nation» (Tailândia)
De visita ao Paquistão, a Secretária de Estado Hillary Clinton, encontra dificuldades na sua missão e em convencer boa parte dos paquistaneses que os EUA e o Paquistão têm um inimigo comum. Acima de tudo, a Sra. Clinton foi confrontada com um enorme sentimento anti-americano a que as mortes civis provocadas pelos militares ocidentais não será completamente alheio:
[...] Prominent women and tribesmen from the North West Frontier Province delivered the same hostile message that she’d heard the two preceding days from students and journalists: Pakistanis aren’t ready to endorse American friendship despite an eight-year-old anti-terrorism alliance between the countries and a multi-billion-dollar new U.S. aid package.
Clinton put her case directly to the public Friday in televised appearances in Islamabad, the Pakistani capital, fielding angry questions about the alleged activities of U.S. contractor Blackwater in Pakistan, the tough conditions that came with a $1.5 billion-a-year American aid package and alleged U.S. favoritism toward Pakistan’s archenemy, India.
One tribesman bluntly told her: “Your presence in the region is not good for peace.”
“We are fighting a war that is imposed on us. It’s not our war. It is your war,” journalist Asma Shirazi told Clinton during the women’s meeting. “You had one 9-11. We are having daily 9-11s in Pakistan.”
[...] Questions about U.S. drone attacks in Pakistan — conducted by the CIA — dogged Clinton’s visit, and it was the one issue on which she had no answer in her otherwise forthright response to criticism.
One furious woman in the audience equated those killed in the drone strikes with victims of terrorist bombings.
“There is a war going on” was the justification Clinton offered for the missile strikes on suspected militants, saying she couldn’t comment further as it was a military-to-military issue. [...]

Stephane Peray, «The Nation»

