Notas ao café…

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Eleições no Zimbabwe: a fraude em filme

Publicado por JN em Julho 5, 2008


Paul Zanetti, «Cagle Cartoon»

«A film that graphically shows how Robert Mugabe’s supporters rigged Zimbabwe’s election has been smuggled out of the country by a prison officer. It is believed to be the first footage of actual ballot-rigging and comes as Zimbabwe’s president faces growing international pressure.
Shepherd Yuda, 36, fled the country this week with his wife and children. He said that he hoped the film, which was made for the Guardian, would help draw further attention to the violence and corruption in Zimbabwe.» [The Guardian]

O que há muito se suspeitava, que as eleições no Zimbabwe seriam uma fraude, é agora comprovado num filme apresentado pelo jornal The Guardian. O que era «suspeita», é agora certeza.

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O relatório sobre os biocombustíveis

Publicado por JN em Julho 4, 2008


Jianping Fan, «Cagle Cartoons»

«Biofuels have forced global food prices up by 75% - far more than previously estimated - according to a confidential World Bank report obtained by the Guardian.
The damning unpublished assessment is based on the most detailed analysis of the crisis so far, carried out by an internationally-respected economist at global financial body.
The figure emphatically contradicts the US government’s claims that plant-derived fuels contribute less than 3% to food-price rises. It will add to pressure on governments in Washington and across Europe, which have turned to plant-derived fuels to reduce emissions of greenhouse gases and reduce their dependence on imported oil.
Senior development sources believe the report, completed in April, has not been published to avoid embarrassing President George Bush.
“It would put the World Bank in a political hot-spot with the White House,” said one yesterday.» [The Guardian]

Os biocombustíveis forçaram os preços dos alimentos a aumentar 75 por cento desde 2002, segundo um relatório confidencial do Banco Mundial, que os responsabiliza pela crise alimentar. O relatório diz que o aumento dos preços da energia e dos fertilizantes foi responsável por um acréscimo de apenas 15 por cento nos preços dos alimentos. Este documento, da autoria de Don Mitchell, economista sénior do Banco Mundial, contradiz a tese norte-americana de que os biocombustíveis contribuíram com menos de três por cento do aumento dos preços dos alimentos. Bush aponta o aumento da procura na Índia e China como causas do aumento dos preços. Mas o Banco Mundial não concorda; «O rápido crescimento dos rendimentos nos países desenvolvidos não originou grandes aumentos no consumo mundial de cereais e não foi um factor responsável pela grande subida dos preços». A aposta da União Europeia e dos Estados Unidos nos biocombustíveis teve, de longe, o maior impacto nos stocks alimentares e nos preços.


John Darkow, «Columbia Daily Tribune»

Segundo o Banco Mundial, o aumento dos preços dos alimentos colocou 100 milhões de pessoas em todo o mundo abaixo do limiar de pobreza. O relatório explica que a produção de biocombustíveis distorceu o mercado: os cereais destinados à alimentação passaram a ser usados para produzir combustível - mais de um terço do milho norte-americano é agora usado na produção de etanol - e os agricultores têm sido incentivados a dedicar solo agrícola para a produção de biocombustíveis. Além disso geraram especulação financeira no sector dos cereais.


Nick Anderson, «Houston Chronicle»

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MFL, a «ultramontana»

Publicado por JN em Julho 4, 2008

Manuela Ferreira Leite, a líder do PSD, deu a Constança Cunha e Sá uma das entrevistas mais aborrecidas de que já fui espectador. Não houve nada ali de menor interesses, nada de ideias novas; parecia alguém acabada de chegar, alguém que nunca teve qualquer tipo de responsabilidade política e/ou governativa. Mas mesmo assim, Manuela Ferreira Leite, não sai dos jornais devido a essa entrevista. É natural, em pleno séc. XXI não se espera que um «líder para o futuro» diga coisas como o casamento ser para procriação. Hoje estou certo que Manuela Ferreira Leite não queria ser líder nem precisava destas chatices todas; precisavam dela apenas.

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Viacom vs. Google

Publicado por JN em Julho 4, 2008

Por ordem de um tribunal norte-americano, a Google terá que divulgar os dados dos utilizadores do YouTube ao grupo de media Viacom. A determinação judicial faz parte da batalha legal entre Google a Viacom que processou o site por não conseguir tirar do ar material não autorizado. Assim, a proprietária da MTV e da Paramount Pictures poderá saber que vídeo está a ser visto por um dado utilizador e ter acesso à morada de IP deste. The Electronic Frontier Foundation, que defende os direitos dos conteúdos digitais, já disse que a decisão do tribunal representa um golpe nos direitos de privacidade.

Embora o processo esteja a decorrer nos EUA, esta determinação poderá desencadear um precedente e ser aplicada aos utilizadores do YouTube em outros países. Para Simon Davies, o que se está a passar é da responsabilidade da Google por sempre se ter recusado a mudar as suas políticas de armazenamento de dados:

Their arrogance and refusal to listen to friendly advice has resulted in the privacy of tens of millions being placed under threat. [...] Governments and organisations are realising that companies like Google have a warehouse full of data. And while that data is stored it is under threat of being used and putting privacy in danger.


Michael Kountouris. «Politicalcartoons.com»

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História, uma comparação permanente

Publicado por JN em Julho 3, 2008

«Não tenhamos receio das analogias. A História é uma comparação permanente. E aqueles que a não conhecem estão condenados a repeti-la»

Baptista-Bastos, «Diário de Notícias»


John Sherffius, «Boulder Camera

«The military trainers who came to Guantánamo Bay in December 2002 based an entire interrogation class on a chart showing the effects of “coercive management techniques” for possible use on prisoners, including “sleep deprivation,” “prolonged constraint,” and “exposure.”
What the trainers did not say, and may not have known, was that their chart had been copied verbatim from a 1957 Air Force study of Chinese Communist techniques used during the Korean War to obtain confessions, many of them false, from American prisoners.
The recycled chart is the latest and most vivid evidence of the way Communist interrogation methods that the United States long described as torture became the basis for interrogations both by the military at the base at Guantánamo Bay, Cuba, and by the Central Intelligence Agency.» [NYT]

As curiosidades da História; o que já foi utilizado em prisioneiros americanos e que estes descreveram como métodos de tortura, são os mesmos métodos que agora os americanos usam em Guantánamo mas, recusando-se a reconhecê-los como métodos de tortura. Baptista-Bastos tem razão.


John Sherffius, «Boulder Camera

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Monsieur le President ataca de novo…

Publicado por JN em Julho 3, 2008

Os tempos não correm bem ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, e este não perde uma oportunidade para ainda piorar mais a situação. O novo presidente da UE quando estava a preparar-se para uma entrevista a um canal francês achou por bem dar uma lição de boas maneiras a uma técnico que não respondeu ao seu «bonjour». O Sr. Sarkozy que é actualmente alvo de protestos um pouco por toda a França, achou que a falta de educação do técnico teria motivos políticos.

Algo que para o presidente francês não nada de novo…

[Via Rue89]

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As dores da UE

Publicado por JN em Julho 3, 2008


Chappatte, «NZZ am Sonntag»

«French President Nicolas Sarkozy is seriously mistaken when he suggests that the problem should be ‘limited to the Irish.’ The lack of acceptance of the EU lies much deeper than many European politicians would like to think. This is based on many different fears and on a lack of knowledge. However, it is also being encouraged by politicians who would like to blame Brussels for everything that goes wrong. It will take time and effort to overcome this.» [Der Spiegel]

O Sr. Sarkozy queria uma presidência francesa que entrasse para a História; a primeira após o Tratado de Lisboa. Sarkozy seria o «presidente» da UE. Mas a Irlanda estragou-lhe os planos. Como isso já não fosse o suficiente para dar uma dor de cabeça a muita gente, eis que os presidentes da Polónia e Alemanha não querem assinar o tratado. E o presidente francês até estava na esperança que tudo se podia resolver «isolando» a Irlanda. Mas Lech Kaczynski e Horst Köhler mudaram a situação. Talvez fosse uma boa altura para parar e pensar porque há tantos cidadãos — não são só os irlandeses — que não estão satisfeitos com o rumo da Europa. Talvez aí os tratados até fossem aprovados.


Rainer Hachfeld, «Neues Deutschland»

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O amigo Bill

Publicado por JN em Julho 3, 2008


Gary Varvel, «Indianapolis Star»

«President Clinton continues to be impressed by Senator Obama and the campaign he has run, and looks forward to campaigning for and with him in the months to come. The President believes that Senator Obama has been a great inspiration for millions of people around the country, and he knows that he will bring the change America needs as our next President.» [link]

Um dos maiores críticos do senador Obama é agora um dos seus maiores amigos. Bill Clinton fará tudo para que Obama seja presidente. E com todo o dinheiro que a campanha da sua mulher deve, todo o apoio também será bem-vindo e um presidente é sempre um bom angariador de fundos.


Victor Harville, «Stephens Media Group»

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Obama posiciona-se ao «centro»

Publicado por JN em Julho 3, 2008


Rob Rogers, «Pittsburgh Post-Gazette»

«THE love-in last week in Unity, New Hampshire, when Barack Obama and Hillary Clinton stood together, was a marker in Mr Obama’s campaign to be president. Mrs Clinton spoke of standing “shoulder to shoulder” with her Democratic former rival; he gushed about “how good she is, how tough she is, how passionate she is”. It was the first time since Mrs Clinton dropped out of the race that the two had appeared together in public. From now on Mr Obama will tap Mrs Clinton’s financial donors, enlist some of her staff and reach out to her supporters.
With the primary season forgotten, Mr Obama is now sauntering towards the centre, ready to spar with John McCain. In the process he may enrage left-wing activists who constitute his base (however Mr McCain faces the same, or even a harder, challenge with his supporters on the right).» [The Economist]


John Darkow, «The Columbia Daily Tribune»

Promessas de mudanças são sempre bem-vindas, mas a política é a arte do compromisso e (nem) Barack Obama pode escapar a esta lei, caso queira ser eleito. E algumas das sua posições incomodaram um pouco a esquerda americana. O senador teve que que apoiar a causa de Israel e dar o seu compromisso de o defender — o lobby pró-israelita tem bastante peso na vida política americana. Voltou atrás na sua posição quanto ao financiamento público da sua campanha e recusou-o e teve uma posição menos feliz sobre a decisão do Tribunal Supremo reconhecer a validade da 2ª Emenda. A sua promessa de retirar do Iraque «…remove one to two combat brigades each month, and have all of our combat brigades out of Iraq within 16 months» pode também estar comprometida; tudo vai depender do «grau de pacificação» do Iraque.

E Obama que sempre foi contra a Foreign Intelligence Surveillance Act, que concede imunidade às companhias de telecomunicações que cooperam com as autoridades em escutas aos seus clientes sem mandato judicial, parece que recuou e aceita o ultimo compromisso o que irritou a blogosfera mais liberal.


John Sherffius, «Boulder Camera

Barack Obama não é Hillary Clinton ou John Edwards (candidato mais à esquerda); Obama posiciona-se ao centro, para (uma certa) frustração de muitos. Mas como escreve a (liberal) The Nation, ele continua ser a esperança de algo muito diferente de George W. Bush (e de John McCain). Mas a necessidade do compromisso e de não perder eleitores mais indecisos não o abandonam.


Rob Rogers, «Pittsburgh Post-Gazette»

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Certificação energética obrigatória

Publicado por JN em Julho 2, 2008

Todos os edifícios novos, independentemente da área ou fim, são a partir de ontem obrigados a uma certificação de desempenho energético e a medidas de redução do consumo de energia como colectores solares para aquecer as águas. Algo que já se impunha já que estes são responsáveis por cerca de 30 por cento do consumo energético final, percentagem que sobe para 62 por cento se falarmos apenas de energia eléctrica.


The Energy Question
Arcadio, «La Prensa», «Cagle cartoons»

No Certificado Energético constarão informações relativas às necessidades energéticas do edifício em questão numa utilização normal e às suas características construtivas, factores que irão determinar a sua maior ou menor eficiência energética. O mesmo documento integrará ainda propostas sobre medidas de melhoria do desempenho energético e da qualidade do ar interior. De acordo com a eficiência energética do edifício, é possível saber a sua classe energética, que se assemelha à classificação de A a G aplicada aos electrodomésticos. A diferença aqui é que para os novos edifícios serão apenas admitidas classificações entre A+ e B-. Edifícios deste tipo estarão a contribuir não só para um consumo racional de energia, como também para a redução da factura energética dos consumidores. Os benefícios alargam-se também ao ambiente, pois estaremos a reduzir consequentemente as emissões de CO2 para a atmosfera.

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Uma cimeira sobre Mugabe

Publicado por JN em Julho 2, 2008


Dana Summers, «The Orlando Sentinel»

«The African Union last night called for a national unity government in Zimbabwe, but stopped short of directly criticising Robert Mugabe or assigning mediators to help with the crisis.
After two days of angry exchanges at an AU summit in Egypt that revealed deep rifts over democratisation, African leaders put together a joint statement that ignored appeals to get directly involved in Zimbabwe’s political conflict, leaving the task of mediation to Zimbabwe’s neighbours. It appeared to put Mugabe under little pressure to step down.
[...] The final resolution made no criticism of Mugabe or his government, falling well short of the demands of some African states for his government to be barred from the AU. It only recognised “the complexity of the situation in Zimbabwe” and simply “noted” reports by African monitors of widespread intimidation in the run-up to Friday’s single-candidate election.» [The Guardian]

De pouco serviu a cimeira da União Africana que se realizou no Egipto. Não será pelo texto final que apela a um governo de unidade nacional qua algo irá mudar no Zimbabwe, principalmente quando os países africanos não parecem estar de acordo com uma condenação real do governo de Mugabe.


Tayo Fatunla, «Cagle Cartoons»

Entretanto a Giesecke & Devrient, a empresa alemã que fabricava as notas bancárias do Zimbabwe, vai deixar de o fazer. A Giesecke & Devrient fornecia as notas em «branco» e o Banco Central de Harare colocava todos os zeros necessários. Felix Salmon tem um estudo interessante sobre a taxa de inflação no Zimbabwe:

Comparing Old Mutual’s share price in London and Harare, Josh Giersch concludes that there are now 35 billion Zimbabwean dollars to one US dollar - up from a mere 17 billion on Friday. Which would put annualized inflation, he says (I haven’t checked his math) at 430,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000%. May as well just round it up to the nearest billion quadrillion quadrillion, at this rate.

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«America for Sale»

Publicado por JN em Julho 2, 2008


RJ Matson, «The St. Louis Post Dispatch»

A velha América está em «estado de guerra». Não por razões políticas ou semelhante. A razão prende-se com o orgulho nacional (e sulista). A InBev, uma cervejeira belga, quer comprar a Anheuser-Busch que produz um verdadeiro ícone americano, a cerveja Budweiser. A globalização, o dólar cada vez mais enfraquecido estão a transformara os EUA num verdadeiro mercado em saldos. Parece que chegou a vez da Anheuser-Busch, empresa sediada no estado do Missouri e que emprega cerca de 30 mil pessoas. A CNN chegou mesmo a produzir um documentário sobre a História da Budweiser a que chamou «America for Sale».


John Trever, Albuquerque Journal

Mas os americanos, que acham que globalização só tem um sentido, não estão a achar muita piada ao funcionar do mercado global. Políticos de ambos os quadrantes já se manifestaram contra o atentado a este símbolo do espírito americano e uma petição, saveAB.com, foi colocada online com uma interessante retórica:

«Like baseball, apple pie and ice cold beer (wrapped in a red, white and blue label), Anheuser-Busch is an American original. Founded in St. Louis, Missouri, AB represents the spirit of our country, giving millions of Americans the “pursuit of happiness” through its high quality products and thousands of great paying jobs. [...] With your help we can fight the foreign invasion of A-B. We will fight to protect this American treasure. We will take to the Internet, to the streets, to the marble halls of our capitals, whatever it takes to stop the invasion.»

Quem pode a vir a ser prejudicado neste negócio — não fosse 2008 ano de eleições nos EUA — é o candidato republicano, John McCain. E o problema do Sr. McCain consiste no simples facto da sua mulher, Cindy McCain, possuir uma boa parte das acções da Anheuser-Busch. A compra desta pela InBev traria proveitos muito interessantes à Sra. McCain. E o Missouri, estado mais conservador, é um que pode desempenhar um papel importante nestas eleições. E a InBev não parece querer desistir assim tão facilmente.


RJ Matson, «The St. Louis Post Dispatch»

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Agricultura orgânica

Publicado por JN em Junho 30, 2008

Nos últimos anos o mercado de produtos com origem em explorações «orgânicas» aumentou e para acompanhar esta procura mais terra arável tem sido utilizada para este tipo de exploração em muitos países, principalmente países ricos. Mas com a actual crise alimentar, que afecta em particular os mais pobres, a promoção deste tipo de explorações pode estar comprometida. A agricultura orgânica produz bem menos que a agricultura convencional e, por este motivo, mais terra arável tem que ser utilizada para se obterem os mesmo níveis de produção. Por outro lado, aliada à sua falta de eficácia, está o preço dos produtos com origem na agricultura orgânica. Algo que está em contra-corrente com as recomendações da OCDE e com os dias de hoje.


Dick Locher, «Chicago Tribune»

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La gloria para el mejor

Publicado por JN em Junho 30, 2008

«Hay muchos caminos que conducen a la gloria, pero pocas veces se alcanza la cima con tantos méritos como lo hizo ayer el ganador de la Eurocopa. La púrpura fue para el equipo que mejor ha jugado, el más goleador, el más estilista, el que eliminó al campeón del mundo, el que acabó con la maldición de San Paulino y en la traca final soportó con firmeza y menos músculo la embestida de Alemania, que no es cualquiera. España no sólo reconquistó un título 44 años después, sino que lo hizo con grandeza, de forma deslumbrante de principio a fin del torneo, hasta despertar la admiración unánime.» [El País]

Há muito tempo que não via um campeão que realmente o é. Espanha foi sempre superior ao seu adversário, na final contra a Alemanha, em todos os jogos que disputou. Um justo vencedor.

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Mugabe depois de Mugabe

Publicado por JN em Junho 29, 2008


Jimmy Margulies, «The Record»

«Bush announced Saturday that the United States was moving to broaden its sanctions against Zimbabwe, for the first time aiming at the government itself as well as a lengthening list of members of its governing elite, because of what he described as “a sham election.”
[...] The United States will also be pushing at the United Nations for an arms embargo against Zimbabwe and a ban on travel by officials of its government. These proposals are virtually certain to run into opposition from South Africa and other governments, but the American sanctions against the government can be carried out unilaterally.» [IHT]


Patrick Chappatte, «NZZ am Sonntag»

O Sr. Mugabe bem pode estar certo da sua vitória, o difícil (impossível, diria eu) seria perder já que era o único candidato. Segundo John Simpson, o correspondente da BBC em Harare, a atmosfera de intimidação a que os eleitores foram sujeitos foi a pior a que ele assistiu em 40 anos de jornalismo. Muitos dos eleitores acreditam que seriam sujeitos a um qualquer tipo de acto de violência se não votassem já que os dedos de quem votava eram marcados a tinta vermelha. Como se não bastasse, apoiantes de Mugabe obrigavam os eleitores a escrever o número de série do boletim de voto, ou seja, sabem exactamente em votou um qualquer eleitor.


M.e Cohen, «Political cartoons»

Qual será a resposta dos países africanos é que se verá; mas para já são pouco promissoras. O jornal nigeriano This Day diz que Robert Mugabe «lost any iota of credibility.» O governo de Moçambique pede mais diálogo. O governo do Uganda pede o fim da violência, o que é irónico vindo de quem é. Na mesma linha, o Quénia recomenda que as eleições sejam adiadas — o que também não deixa de estar revestido da mesma ironia atendendo ao que aconteceu neste país em Dezembro e Janeiro. O Botswana ameaça tomar uma atitude, qual não se sabe. Por fim, a esperança de todos, a África do Sul; Thabo Mbeki diz que não vai aceitar o resultado no que é seguido pelo resto do mundo que há mais de um mês sabia que tipo de eleições o Zimbabwe iria ter. George W. Bush diz que irá endurecer as sanções contra este país. De pouco servirá; os que as sentirão não serão Robert Mugabe e aliados.

Parece que ninguém fará nada. Mas, no entanto, havia alguém feliz hoje:

Mugabe and his family voted in the Harare suburb of Highfields, beaming to reporters after casting his ballot.
«I feel very fit and very optimistic,» he said.


Tab, «The Calgary Sun»

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A «honra» do professor

Publicado por JN em Junho 29, 2008

A directora regional de Educação do Norte, a Sra. Margarida Moreira, voltou a «mostrar» que existe. Ao que parece a bondosa senhora pediu aos conselhos executivos das escolas para terem um certo cuidado na escolha dos docentes que vão corrigir os exames, e que «talvez fosse útil excluir de correctores aqueles professores que têm repetidamente classificações muito distantes da média.» É que para a Sra. Margarida Moreira os «alunos têm direito a ter sucesso» e o que «honra o trabalho do professor é o sucesso dos alunos».

Concordo com a última frase; mais do que uma honra é motivo de orgulho, quer profissional quer pessoal. E também concordo que o aluno tem direito ao sucesso, mas — verdade cruel — tem também o dever de o merecer. É este conceito, simples, que está esquecido nos dias de hoje.

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O bom samaritano

Publicado por JN em Junho 28, 2008


Gary Markstein, «Copley News Service»

«As Sen. John McCain’s top presidential campaign adviser, Richard H. “Rick” Davis has worked for almost a year without compensation, telling reporters that the sacrifice shows his dedication to the cash-strapped Arizona Republican. He also took a protracted leave from his Washington lobbying firm to distance himself from ethical questions.
But in the eight years since Davis first managed a McCain campaign, his relationship with the senator has been a lucrative commodity. He and his lobbying firm, Davis Manafort, have earned handsome fees representing clients who need McCain’s help in the Senate. He also has made money from a panoply of McCain-related entities, some of which have operated from the upscale riverfront office space that houses his lobbying shop.
In all, Davis, his firm and a company he helped start have earned at least $2.2 million in part through their close association with McCain, his campaign and his causes, according to a review of federal campaign, tax and lobbyist disclosure records.
Their relationship is typical of the symbiotic ties that have come to define the culture of the nation’s capital. Last summer, Davis provided McCain free tactical advice that rescued his White House bid and helped him clinch the GOP nomination. In the political offseason, Davis turned the relationship into a business asset.» [Washington Post]

O post é sobre John Mccain, o maverick do GOP (tenho um «carinho» especial por ele, algo fácil de constatar) — o homem que é levado aos ombros pela imprensa americana –, mas a verdade é que poderia ser sobre qualquer outro, na América, na Europa, em qualquer sítio. A verdade é que «bons samaritanos» como o sr. Richard H. “Rick” Davis existem em qualquer campanha. São como o Silva de «Retalhos da Vida de Um Médico» de Namora, há sempre um.


Rob Rogers, «Pittsburgh Post-Gazette»

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Maestro Honda ASIMO

Publicado por JN em Junho 27, 2008

O robot Honda ASIMO dirige a Orquestra Sinfónica de Detroit. A sua actuação fez parte de um projecto para relembrar a importância da educação musical. Talvez este fosse o seu electric dream.

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Cultura armada

Publicado por JN em Junho 27, 2008

«There’s one group of District residents absolutely unfazed by today’s U.S. Supreme Court ruling shooting down the District’s strict handgun ban: the dudes who have been blowing away their fellow citizens with abandon since the law was put on the books 32 years ago.
[...] The record will show that our home-grown shooters have blown through the city’s so-called strict handgun ban like John Riggins going up the middle. Over the past 20 years, there have been more than 6,500 homicides in the nation’s capital, most committed with firearms, predominantly handguns. In 1976, the year the ban was put in place, the District had 135 gun-related murders, according to CNN. Last year, the number reached 143. Thus far this year, we’ve had 85 murders.» [Washington Post]

A mais alta instância judicial dos EUA, o Supremo Tribunal, pronunciou-se pela primeira vez em 70 anos sobre a polémica 2ª Emenda da Constituição que garante aos cidadãos o direito de possuir armas de fogo. Este órgão reafirmou ontem o direito de todos os cidadãos a possuir uma arma para uso pessoal, uma decisão inédita e que deita por terra a legislação mais restritiva que estava há várias décadas em vigor em Washington. É um dos temas da sociedade americana que mais mais polémica gera – país com elevadas estatísticas de crimes com recurso a armas de fogo.


John Sherffius, «Boulder Daily Camera»

Esta decisão obrigará à revisão da lei em vigor em Washington DC desde 1976, uma das mais restritivas do país no que diz respeito ao controlo de armas de fogo. Na capital dos EUA os civis não são autorizados a possuir armas de fogo para defesa pessoal e as espingardas detidas para outros fins têm de permanecer guardadas a cadeado ou desmanteladas e descarregadas.

Uma vitória para os senhores da NRA sem dúvida. E o seu vice-presidente, Wayne LaPierre, é o espelho desta vitória. Uma nota que não deixa de ser curiosa mas que não é disparate nenhum, Andrew Sullivan, que é um Republicano, escreve que esta resolução pode muito bem ser o «fim» de John McCain com os problemas que poderá causar à sua campanha com os eleitores indecisos que, para Sullivan, vão ser os que vão decidir esta eleição. Já Barack Obama, num assunto tão controverso, é muito mais «cauteloso».

O futuro dará a resposta ao Supremo Tribunal…


Steve Sack, «The Minneapolis Star-Tribune»

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Sir Robert Mugabe

Publicado por JN em Junho 26, 2008


Clay Bennett, «Chattanooga Times Free Press»

Robert Mugabe declarou que a segunda volta das eleições presidenciais no Zimbabwe será mesmo realizada, como previsto, na sexta-feira. E isto apesar de não ter ninguém com quem as disputar já que o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, desistiu formalmente da corrida. Os países africanos defendem adiamento das eleições no Zimbabwe por a «situação política não parece capaz de permitir a realização de uma segunda volta livre e equitativa» e «realizar eleições nas actuais circunstâncias poderia minar a credibilidade e a legitimidade dos resultados»; esta é a primeira vez que este grupo de países fala abertamente contra o regime de Mugabe.

Quem também quebrou um longo silêncio sobre o Zimbabwe foi o influente Nelson Mandela:

«We watch with sadness the continuing tragedy in Darfur. Nearer to home we had seen the outbreak of violence against fellow Africans in our own country and the tragic failure of leadership in our neighbouring Zimbabwe.»


Chappatte, «The International Herald Tribune»

Uma notícia que correu o mundo, divulgada inicialmente pelo The Guardian, em que Morgan Tsvangirai pedia a intervenção de uma força militar internacional, já foi desmentida pelo próprio, no mesmo diário britânico:

«I am not advocating military intervention in Zimbabwe by the UN or any other organisation. The MDC is committed to finding an African solution to the crisis in Zimbabwe and appreciates the work of the SADC in this regard. I am asking the African Union and SADC to lead an expanded initiative, supported by the UN, to manage the transitional process. We are proposing that the AU facilitation team sets up a transitional period that takes into account the will of the people of Zimbabwe.»

As eleições deverão mesmo ser realizadas, Mugabe não irá recuar de certo, «trabalhou» muito para chegar onde está. Mas entretanto — há coisas sempre interessantes — o Sr. Mugabe deixa de ser Sir, o governo britânico retirou o título de Cavaleiro a Robert Mugabe.


Paul Zanetti, «Political Cartoons»

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As estatísticas primeiro…

Publicado por JN em Junho 26, 2008

Como já acontecera no 6.º e 9.º anos, também os exames de Matemática do 12.º geraram, segundo jornais e TV, insolúvel controvérsia entre os estudantes, incapazes de se entender sobre se a prova foi «muito fácil», «muito acessível», «muito básica», «muito elementar» ou apenas «superfácil».
O «óscar» vai para um atormentado aluno de Portimão que, ouvido pelo CM, declarou que a coisa chegou a ser «difícil por ser tão fácil». Outros, que terão imprudentemente passado o ano a estudar, estavam desolados: afinal, mais valia terem gozado umas boas noitadas em discotecas e no «Rock in Rio», pois - queixaram-se ao «Público« - foi «demasiado fácil».
Idênticas dúvidas afligiam os especialistas: para a Sociedade Portuguesa de Matemática, «grande número de questões (era) de resposta imediata e elementar», ao passo que para a APM, pelo contrário, eram «bastante acessíveis».
A ministra tinha prometido resultados e eles aí estão. Antes de abandonar o barco, e na iminência de naufrágio do «Titanic» das políticas educativas, o capitão manda lançar os botes à água gritando: «As estatísticas primeiro!».

Manuel António Pina, «Jornal de Notícias»

Nada de novo no mundo da Educação. Há sempre o velho cliché que diz que uma boa Educação é a base de uma sociedade livre e desenvolvida, mas isso pouco parece importar.


Andy Singer, «Political Cartoons»

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Uma Outra Verdade Inconveniente

Publicado por JN em Junho 26, 2008


Robert Ariail, «The State»

A Oxfam, uma organização não-governamental dedicada ao combate à pobreza no mundo, divulgou um relatório, «Another Inconvenient Truth», no qual diz que a substituição de combustíveis tradicionais por biocombustíveis levaram mais de 30 milhões de pessoas à pobreza e em nada contribuem para combater as alterações climáticas. Segundo o documento, as chamadas «políticas verdes« dos países desenvolvidos contribuirão para o aumento dos preços dos alimentos, o que atinge mais os pobres. O texto cita dado do Banco Mundial, que estima que o preço dos alimentos subiu 83 por cento nos últimos três anos.

O relatório da Oxfam crítica os subsídios e incentivos fiscais concedidos por países ricos para apoiar sua própria produção de biocombustível. Os países ricos gastaram cerca de 15 mil milhões de dólares no ano passado para apoiar a produção de biocombustíveis ao mesmo tempo em que impedem a entrada do etanol brasileiro, que é mais barato e que é muito menos prejudicial para a segurança alimentar global e para o meio ambiente, afirma este relatório. Este é o mesmo montante, segundo a Oxfam, necessários para ajudar os pobres a enfrentarem a crise de alimentos.


Bob Gorrell, «Creators Syndicate Inc.»

Para a Oxfam o etanol brasileiro é o mais favorável biocombustível do mundo. O relatório afirma que: «Embora a produção de etanol brasileiro esteja longe de ser perfeita e apresente vários problemas sociais e de sustentabilidade ambiental, este é o mais favorável biocombustível no mundo em termos de custo e equilíbrio de gases do efeito estufa». O documento inclui uma comparação com o biocombustível proveniente do milho produzido nos EUA, dizendo que sua produção é muito dependente de combustíveis fósseis, representando «um dos piores» equilíbrios entre gases do efeito estufa e uso de energia. O relatório pede ainda à União Europeia que cancele a meta de fazer com que 10 por cento dos transportes usem biocombustíveis até 2020. A Oxfam estima que a meta da UE pode multiplicar as emissões de carbono 70 vezes até 2020.


Peter Lewis, «Political Cartoons»

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George Carlin (1937-2008)

Publicado por JN em Junho 25, 2008

«I think it’s the duty of the comedian to find out where the line is drawn and cross it deliberately. — George Carlin,

The last vote that George Carlin said he cast in a presidential race was for George McGovern in 1972.
When Richard Nixon, who Carlin described as a member of a sub-species of humanity, overwhelmingly defeated McGovern, the comedian gave up on the political process.

«Now, there’s one thing you might have noticed I don’t complain about: politicians,» he explained in a routine that challenged all the premises of today’s half-a-loaf reformers. «Everybody complains about politicians. Everybody says they suck. Well, where do people think these politicians come from? They don’t fall out of the sky. They don’t pass through a membrane from another reality. They come from American parents and American families, American homes, American schools, American churches, American businesses and American universities, and they are elected by American citizens. This is the best we can do folks. This is what we have to offer. It’s what our system produces: Garbage in, garbage out. If you have selfish, ignorant citizens, you’re going to get selfish, ignorant leaders. Term limits ain’t going to do any good; you’re just going to end up with a brand new bunch of selfish, ignorant Americans. So, maybe, maybe, maybe, it’s not the politicians who suck. Maybe something else sucks around here… like, the public. Yeah, the public sucks. There’s a nice campaign slogan for somebody: ‘The Public Sucks. Fuck Hope.’»

[The Nation]


Joe Heller, «The Green Bay Press-Gazette»

George Carlin, o autor de «Seven Words You Can Never Say on Television», sketch que o levaria à prisão e a uma revisão do Tribunal Supremo americano sobre linguagem ofensiva na televisão, sabia o valor da palavra. E tudo era sempre muito bem escrito por este «anarquista» dos tempos modernos. Um homem que quebrou todas as regras e que recusou sempre limites.


Bob Englehart, «Hartford Courant»

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Hillary e Obama «juntos»

Publicado por JN em Junho 25, 2008


Joe Heller, «The Green Bay Press-Gazette»

«As Hillary Rodham Clinton prepared to return to life in the Senate and announced that she will campaign with Sen. Barack Obama in New Hampshire on Friday, the presumptive Democratic presidential nominee began reaching out to female voters who had formed the backbone of Clinton’s support in the primary season.
The Obama-Clinton event will take place in the town of Unity, in the southwest corner of a swing state that Obama hopes to carry in November. The symbolism goes beyond the town’s name, as Clinton and Obama each won 107 votes there in the January primary.» [Washington Post]

Será interessante ver Hillary Clinton num comício de apoio ao seu antigo adversário Barack Obama. Obama sem dúvida precisa do apoio da Sra. Clinton se quer conquistar o seu espólio político que não mostrou bom perder. Para Hillary Clinton é também uma pequena vitória (talvez não tão pequena); ter um papel activo na possível eleição do próximo presidente só poderá trazer bons dividendos. Em política nada é de graça. E é o cumprir de uma antiga «promessa» da Sra. Clinton.


Bob Englehart, Hartford Courant

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O deslize de um assessor

Publicado por JN em Junho 25, 2008


Damien Glez, «Journal du Jeudi»

A top adviser to Sen. John McCain said that a terrorist attack in the United States would be a political benefit to the presumptive Republican presidential nominee, a comment that was immediately disputed by the candidate and denounced by his Democratic rival.
Charles R. Black Jr., one of McCain’s most senior political advisers, said in an interview with Fortune magazine that a fresh terrorist attack «certainly would be a big advantage to him.» He also said that the December assassination of former Pakistani prime minister Benazir Bhutto, while «unfortunate,» helped McCain win the Republican primary by focusing attention on national security.
«His knowledge and ability to talk about it reemphasized that this is the guy who’s ready to be Commander-in-Chief. And it helped us,» Black told the magazine in its upcoming issue. [Washington Post]


Dick Locher, «Chicago Tribune»

Num daqueles infelizes momentos (que todos podem ter, embora alguns exagerem), Charles R. Black Jr., um dos principais conselheiros de John McCain, afirmou à revista Fortune que um ataque terrorista seria benéfico para a campanha do senador. Claro que o senador McCain, quando confrontado com as afirmações do seu assessor, foi obrigado a discordar e mesmo a repudiar as afirmações do sr. Black. E este também já se mostrou arrependido considerando as suas afirmações «inapropriadas».

Arrependido ou não, as palavras de Charles R. Black Jr. não são inocentes e nada que ele de facto não pense. George W. Bush ganhou com os ataques de 11 de Setembro. O sr. Black é perfeita imagem de uma campanha sem nada de novo a acrescentar. Não seriam debates de ideias que poderiam fazer o seu candidato ganhar. Um ataque terrorista, um continuar de uma política «militarizada» pelo medo sim. Os Republicanos no seu pior.


Rob Rogers, «Pittsburgh Post-Gazette»

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Pessimismo lusitano

Publicado por JN em Junho 24, 2008

«Os portugueses são os cidadãos da União Europeia mais pessimistas quanto ao seu futuro próximo, com apenas 15 por cento a acreditarem que a sua vida vai melhorar nos próximos 12 meses, revela um inquérito divulgado hoje pela Comissão Europeia.»

Confesso que sou um deles. Tenho inveja dos 15 por cento que acham que a sua vida vai melhorar. Eu sei que a inveja é uma «coisa feia», mas não o consigo evitar.


Bandeira, «Diário de Notícias»

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O «triunfo» final

Publicado por JN em Junho 24, 2008

Sem qualquer tipo de concurso internacional (no-bid), quatro multinacionais do petróleo — Exxon Mobil, Shell, Total, e BP — ganharam o direito de explorar o petróleo do Iraque e estão na fase final das «negociações» com o ministro do Petróleo iraquiano. O New York Times escreve:

The deals, expected to be announced on June 30, will lay the foundation for the first commercial work for the major companies in Iraq since the American invasion, and open a new and potentially lucrative country for their operations.
The no-bid contracts are unusual for the industry, and the offers prevailed over others by more than 40 companies, including companies in Russia, China and India […]
There was suspicion among many in the Arab world and among parts of the American public that the United States had gone to war in Iraq precisely to secure the oil wealth these contracts seek to extract. The Bush administration has said that the war was necessary to combat terrorism. It is not clear what role the United States played in awarding the contracts; there are still American advisers to Iraq’s Oil Ministry.
Sensitive to the appearance that they were profiting from the war and already under pressure because of record high oil prices, senior officials of two of the companies, speaking only on the condition that they not be identified, said they were helping Iraq rebuild its decrepit oil industry.

Não se faz um guerra pela «liberdade e democracia» sem esperar algum retorno. Os campos petrolíferos do Iraque são um excelente prémio.


Corky Trinidad, «The Honolulu Star-Bulletin»

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Vender a vida

Publicado por JN em Junho 23, 2008

At his three-bedroom, two-bathroom home in a leafy suburb of Perth, Western Australia, 44-year-old Ian Usher’s eyes are glued to his computer screen. Since noon yesterday local time, the Briton’s entire life has been up for auction on eBay following a painful divorce.
In the opening hours of the sale 70 bids were registered and the price of his life in Oz stands so far at A$1.7m (£820,000). «I feel pretty good, shell-shocked really,» he said. «It’s going much better than I’d anticipated.» The online auction will close in a week. [The Guardian]

Ian Usher é um homem que decidiu vender a sua vida. Não vai desistir da vida; apenas quer outra. Boa sorte para o Sr. Usher. Às vezes é preciso mudar.


Shannon Wheeler, «Too Much Coffee Man!»

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Porque é Verão…

Publicado por JN em Junho 23, 2008

…tudo parece que até muda…


Shannon Wheeler, «Too Much Coffee Man!»

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Um plano sem futuro

Publicado por JN em Junho 23, 2008


Victor Harville, «Stephens Media Group»

«President Bush jumped into the 2008 presidential race with gusto yesterday, blessing John McCain as a worthy heir to his war presidency and joining McCain’s call for offshore oil drilling.
But as with almost anything Bush attempts these days, the backfire risk is high. Establishing their candidate’s independence from Bush is a top priority for the McCain campaign — understandably so, considering that Bush is officially the most unpopular president of the modern era.
The move also exposes Bush and McCain to the criticism that they are in the tank for Big Oil — as oil companies, who already have leveraged skyrocketing prices into even more stratospheric profits, arguably would be the only real beneficiaries of drilling offshore.» [Washington Post]


Ed Stein, «Rocky Mountain News»

Para George W. Bush a solução para eliminar o problema do elevado preço do petróleo é simples; mais petróleo. Para o conseguir o presidente quer que o Congresso elimine uma lei com 27 anos, que proibe a prospeção petrolifera ao longo da costa americana e em zonas protegidas. Parece que a ideia de políticas energéticas sustentáveis estão longe da esfera de pensamento do presidente Bush e do candidato Republicano John McCain. Isso e qualquer tentativa de adaptar a economia (e não só nos EUA) de forma a reverter os muitos danos já causados ao ecossistema mundial. A resposta é prospecção costeira (offshore drilling) que não é certamente a resposta para o problema do petróleo a curto e/ou médio prazo.


Rex Babin, «Sacramento Bee»

A mudança na sociedade é inevitável. A questão é como e o que será essa «inevitabilidade»: uma rápida transição para uma economia de combustível pós-fóssil, ou os efeitos devastadores da nossa recusa em o fazer. Mas George W. Bush e John McCain devem ter outros interesses.


Don Wright, «The Palm Beach Post»

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