Notas ao café…

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História, uma comparação permanente

Publicado por JN em Julho 3, 2008

«Não tenhamos receio das analogias. A História é uma comparação permanente. E aqueles que a não conhecem estão condenados a repeti-la»

Baptista-Bastos, «Diário de Notícias»


John Sherffius, «Boulder Camera

«The military trainers who came to Guantánamo Bay in December 2002 based an entire interrogation class on a chart showing the effects of “coercive management techniques” for possible use on prisoners, including “sleep deprivation,” “prolonged constraint,” and “exposure.”
What the trainers did not say, and may not have known, was that their chart had been copied verbatim from a 1957 Air Force study of Chinese Communist techniques used during the Korean War to obtain confessions, many of them false, from American prisoners.
The recycled chart is the latest and most vivid evidence of the way Communist interrogation methods that the United States long described as torture became the basis for interrogations both by the military at the base at Guantánamo Bay, Cuba, and by the Central Intelligence Agency.» [NYT]

As curiosidades da História; o que já foi utilizado em prisioneiros americanos e que estes descreveram como métodos de tortura, são os mesmos métodos que agora os americanos usam em Guantánamo mas, recusando-se a reconhecê-los como métodos de tortura. Baptista-Bastos tem razão.


John Sherffius, «Boulder Camera

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O poder da Caricatura

Publicado por JN em Julho 1, 2008

«A caricatura é o meio mais poderoso de desacreditar, no espírito do povo, os maus governos. É o mais rude castigo que se pode infligir à sua injustiça e à sua baixeza. A caricatura faz mais que torná-los odiosos, torna-os desprezíveis: assim veja-se como a temem e como a vigiam. Nada que os comediantes da cena política tanto temam como o lápis da caricatura… Philipon, Daumier, Traviès, Grandville, Monnier, podem dizer às vezes que os seus admiráveis desenhos deram insónias aos homens de estado de Luís Filipe e lhes serviram de áspero remorso!»

Eça de Queirós, in «Distrito de Évora»


Austere Government
Dario Castillejos, «Cagle Cartoons»

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A «cultura» da bactéria

Publicado por JN em Junho 29, 2008

«For the first half of geological time our ancestors were bacteria. Most creatures still are bacteria, and each one of our trillions of cells is a colony of bacteria.»

Richard Dawkins

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Força criadora

Publicado por JN em Junho 27, 2008

«O maior mérito do homem consiste sem dúvida em determinar tanto quanto possível as circunstâncias e em deixar-se determinar por elas tão pouco quanto possível. Todo o universo está perante nós como uma grande pedreira perante o arquitecto, o qual só merece esse nome se com a maior economia, conveniência e solidez constituir, a partir dessas massas acidentalmente acumuladas pela Natureza, o protótipo nascido no seu espírito. Fora de nós, tudo é apenas elemento. Sim, até posso dizer: tudo o que há em nós também. Mas no fundo de nós próprios encontra-se essa força criadora que nos permite produzir aquilo que tem de ser e que não nos deixa descansar, nem repousar, enquanto não o tivermos realizado, de uma maneira ou de outra, fora de nós ou em nós.»

Johann Wolfgang von Goethe, in «Os Anos de Aprendizagem de Wilhelm Meister»


Robert Ariail, «The State»

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As estatísticas primeiro…

Publicado por JN em Junho 26, 2008

Como já acontecera no 6.º e 9.º anos, também os exames de Matemática do 12.º geraram, segundo jornais e TV, insolúvel controvérsia entre os estudantes, incapazes de se entender sobre se a prova foi «muito fácil», «muito acessível», «muito básica», «muito elementar» ou apenas «superfácil».
O «óscar» vai para um atormentado aluno de Portimão que, ouvido pelo CM, declarou que a coisa chegou a ser «difícil por ser tão fácil». Outros, que terão imprudentemente passado o ano a estudar, estavam desolados: afinal, mais valia terem gozado umas boas noitadas em discotecas e no «Rock in Rio», pois - queixaram-se ao «Público« - foi «demasiado fácil».
Idênticas dúvidas afligiam os especialistas: para a Sociedade Portuguesa de Matemática, «grande número de questões (era) de resposta imediata e elementar», ao passo que para a APM, pelo contrário, eram «bastante acessíveis».
A ministra tinha prometido resultados e eles aí estão. Antes de abandonar o barco, e na iminência de naufrágio do «Titanic» das políticas educativas, o capitão manda lançar os botes à água gritando: «As estatísticas primeiro!».

Manuel António Pina, «Jornal de Notícias»

Nada de novo no mundo da Educação. Há sempre o velho cliché que diz que uma boa Educação é a base de uma sociedade livre e desenvolvida, mas isso pouco parece importar.


Andy Singer, «Political Cartoons»

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Segundo Aristóteles…

Publicado por JN em Junho 19, 2008

«O objecto principal da política é criar a amizade entre membros da cidade.»

Aristóteles

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O paraíso dos tolos

Publicado por JN em Junho 13, 2008

«Viajar é o paraíso dos tolos. Devemos às nossas primeiras jornadas a descoberta de que o lugar não significa nada. Em casa, imagino sonhadoramente que em Nápoles ou em Roma poderei intoxicar-me de beleza e livrar-me da tristeza. Faço as malas, abraço os amigos, tomo um vapor e, finalmente, acordo em Nápoles e lá, diante de mim, está o facto insubornável, o triste eu, implacável, idêntico, de que fugi. Visito o Vaticano e os palácios. Finjo estar intoxicado com as visitas e as sugestões, mas não é verdade. O meu gigante acompanha-me por onde vou.»

Ralph Waldo Emerson


Chappatte, «International Herald Tribune»

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Autodestruição da justiça

Publicado por JN em Junho 10, 2008

«À medida que aumenta o poderio de uma sociedade, assim esta dá menos importância às faltas dos seus membros, porque já lhes não parecem perigosas nem subversivas; o malfeitor já não está reduzido ao estado de guerra, não pode nele cevar-se a cólera geral; mais ainda: defendem-no contra essa cólera. O aplacar a cólera dos prejudicados, o localizar o caso para evitar distúrbios, e procurar equivalências para harmonizar tudo (compositio) e principalmente o considerar toda a infracção como expiável e isolar portanto o delinquente do seu delito, tais são os rasgos que caracterizam o ulterior desenvolvimento do direito penal. À medida, pois, que aumenta numa sociedade o poder e a consciência individual, vai-se suavizando o direito penal, e, pelo contrário, enquanto se manifesta uma fraqueza ou um grande perigo, reaparecem a seguir os mais rigorosos castigos. Isto é, o credor humanizou-se conforme se foi enriquecendo; como que no fim, a sua riqueza mede-se pelo número de prejuízos que pode suportar. [...] A justiça, pois, que começou a dizer: «tudo pode ser pago e deve ser pago» é a mesma que, por fim, fecha os olhos e não cobra as suas dívidas e se destrói a si mesma como todas as coisas boas deste mundo. Esta autodestruição da justiça, chama-se graça e é privilégio dos mais poderosos, dos que estão para além da justiça.»

Friedrich Nietzsche, in «A Genealogia da Moral»


Michael Kountouris, «Political Cartoons»

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O último refúgio do oprimido

Publicado por JN em Junho 2, 2008

«O último refúgio do oprimido é a ironia, e nenhum tirano, por mais violento que seja, escapa a ela. O tirano pode evitar uma fotografia, não pode impedir uma caricatura. A mordaça aumenta a mordacidade.»

Millôr Fernandes


John Deering, «The Arkansas Democrat-Gazette»

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As Lágrimas e os Homens

Publicado por JN em Junho 1, 2008

«Vede que misteriosamente puseram as lágrimas nos olhos a Natureza, a Justiça, a Razão, a Graça. A Natureza para remédio; a Justiça para castigo; a Razão para arrependimento; a Graça para triunfo. Como pelos olhos se contrai a mácula do pecado, pôs a Natureza nos olhos as lágrimas, para que com aquela água se lavassem as manchas: como pelos olhos se admite a culpa, pôs a Justiça nos olhos as lágrimas para que estivesse o suplício no mesmo lugar do delito: como pelos olhos se concebe a ofensa, pôs a Razão nos olhos as lágrimas, para que onde se fundiu a ingratidão, a desfizesse o arrependimento: e como pelos olhos entram os inimigos à alma, pôs a Graça nos olhos as lágrimas, para que pelas mesmas brechas onde entraram vencedores, os fizesse sair correndo. Entrou Jonas pela boca da baleia pecador; saía Jonas pela boca da baleia arrependido. Razão é logo e Justiça, e não só Graça, senão Natureza, que pois os olhos são a fonte universal de todos os pecados, sejam os rios de suas lágrimas a satisfação também universal de todos; e que paguem os olhos por todos chorando, já que pecaram em todos vendo: Quo fonte manavit nefas, Fluent perennes lacrimae

Padre António Vieira, in «Sermões»


Mike Keefe, «The Denver Post»

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Verdade vs. erro

Publicado por JN em Maio 30, 2008

«A verdade contradiz a nossa natureza; o erro não. A razão disso é simples: a verdade impõe-nos o dever de reconhecer a nossa limitação, ao passo que o erro nos lisonjeia dando-nos a entender que, de uma forma ou de outra, não estamos sujeitos a limites.
Qualquer pessoa gosta do falso, do absurdo, pois ele opera pela insinuação. Mas não do verdadeiro, do que é sólido, já que este opera pela exclusão.
Para os fracos é quase sempre mais cómodo o falso, o erro.
O que é verdadeiro estimula. Nada se pode desenvolver com base no erro, porque o erro limita-se a envolver-nos no erro.
É muito mais fácil verificar o erro do que encontrar a verdade. O erro está à superfície, e com isso podemos nós bem. A verdade repousa nas profundidades, e não é qualquer um que se pode lançar à investigação nessas regiões.»

Johann Wolfgang von Goethe, in «Máximas e Reflexões»


Scott Stantis, «Birmingham News»

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O talento…

Publicado por JN em Maio 18, 2008

«Nem todos os homens nasceram para os grandes talentos; e não creio que se possa olhar isso como uma desgraça, pois que é necessário conservar todas as condições, e as artes mais necessárias não são as mais engenhosas, nem as mais prestigiadas. Mas o que importa, creio, é que reina em todos esses estados uma glória adequada ao mérito que eles solicitam. É o amor dessa glória que os aperfeiçoa, que torna os homens de todas as condições mais virtuosos, e que faz florescer os impérios, como a experiência de todos os séculos o demonstra.
Essa glória, inferior à dos talentos mais elevados, não é menos justamente fundamentada; porque aquilo que é bom em si mesmo não pode ser anulado por aquilo que é melhor; o que é estimável pode perder a nossa estima, mas não pode sofrer descesso no seu ser; isso é visível.
Se existe então algum erro a esse respeito entre os homens, é quando procuram uma glória superior aos seus talentos, uma glória, por conseguinte, que engana os seus desejos e os faz negligenciar aquilo que realmente lhes cabe por natureza; que mantém, no entanto, o seu espírito acima da sua condição e os salva talvez de numerosas fraquezas.»

Luc de Clapiers Vauvenargues, in «Das Leis do Espírito»


Cal Grondahl, «Utah Standard Examiner»

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Confiança excessiva

Publicado por JN em Maio 11, 2008

«O ser humano deve fugir da confiança excessiva para não se transformar num mísero deslumbrado. Deve desconfiar de si mesmo, do que é, do que quer ser.»

Pedro Lomba, «Diário de Notícias»


Bob Englehart, «The Hartford Courant»

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O equilíbrio da vida

Publicado por JN em Maio 9, 2008

«E enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo, cansativo; mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio da vida.»

Machado de Assis, in «Quincas Borba»


Robert Ariail, «The State»

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Os nossos erros

Publicado por JN em Abril 29, 2008

«Apercebo-me dos meus erros, mas não os corrijo. Isso só confirma que podemos ver o nosso destino, mas somos incapazes de o mudar. Apercebermo-nos dos erros é reconhecer o destino, e a nossa incapacidade para os corrigirmos é a força do destino. Apercebermo-nos dos erros é um castigo pesado. Seria muito mais fácil considerarmo-nos bons e culparmos os outros todos, encontrando consolação na ilusão da vitória sobre o destino. Mas mesmo essa felicidade não me é dada.»

Alexander Puschkine, in «Diário Secreto»


Shannon Wheeler, «Too Much Coffee Man!»

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We Spent The 4th Of July In Bed

Publicado por JN em Abril 29, 2008

Afinal, quantas pessoas se interessam pela cultura?, se põem o problema da vida?, do homem?, se põem a interrogação sobre o que nos rodeia? É um erro tocante o imaginar-se que as pessoas cultivadas se interessam pela cultura. A cultura não vem nos livros, nem nos cursos, nem nas salas de conferências, espectáculos, exposições com uísque ou a seco. A cultura é um problema que tem que ver com os nossos cromossomas e tem a dimensão secreta, oculta, privada, íntima, de uma vivência sagrada.

Vergílio Ferreira, in «Conta-Corrente 3»

Uma das muitas sessões «únicas» do Def Poetry Jam… Suheir Hammad, uma senhora que vale a pena seguir. Ainda bem que existe o YouTube.

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Vulgaridade intelectual

Publicado por JN em Abril 25, 2008

«(…) o homem médio tem as «ideias» mais taxativas sobre quanto acontece e deve acontecer no universo. Por isso perdeu o uso da audição. Para quê ouvir, se já tem dentro de si o que necessita? Já não é época de ouvir, mas, pelo contrário, de julgar, de sentenciar, de decidir. Não há questão de vida pública em que não intervenha, cego e surdo como é, impondo as suas «opiniões».
Mas não é isto uma vantagem? Não representa um progresso enorme que as massas tenham «ideias», quer dizer, que sejam cultas? De maneira alguma. As «ideias» deste homem médio não são autenticamente ideias, nem a sua posse é cultura. A ideia é um xeque-mate à verdade. Quem queira ter ideias necessita antes de dispor-se a querer a verdade, e aceitar as regras do jogo que ela imponha. Não vale falar de ideias ou opiniões onde não se admite uma instância que as regula, uma série de normas às quais na discussão cabe apelar. Estas normas são os princípios da cultura. Não me importa quais são. O que digo é que não há cultura onde não há normas. A que os nossos próximos possam recorrer.»

Ortega y Gasset, in «A Rebelião das Massas»

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Leitor e Autor

Publicado por JN em Abril 23, 2008

«Ler um livro é desinteressar-se a gente deste mundo comum e objectivo para viver noutro mundo. A janela iluminada noite adentro isola o leitor da realidade da rua, que é o sumidouro da vida subjectiva. Árvores ramalham. De vez em quando passam passos. Lá no alto estrelas teimosas namoram inutilmente a janela iluminada. O homem, prisioneiro do círculo claro da lâmpada, apenas ligado a este mundo pela fatalidade vegetativa do seu corpo, está suspenso no ponto ideal de uma outra dimensão, além do tempo e do espaço. No tapete voador só há lugar para dois passageiros: leitor e autor.»

Augusto Meyer, in «À Sombra da Estante»


Angel Boligan, «El Universal»

O «Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor» é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de Abril, dia de São Jorge.
Esta data foi escolhida para honrar a velha tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de São Jorge (Saint Jordi) e recebem em troca, um livro.
Em simultâneo, é prestada homenagem à obra de grandes escritores, como Shakespeare e Cervantes, falecidos em 1616, exactamente a 23 de Abril.

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Insensibilidade experiente

Publicado por JN em Abril 23, 2008

«Envolve-me lentamente uma carapaça de insensibilidade; verifico-o sem me queixar. É também um desfecho natural, um modo de começar a tornar-me anorgânico. A isto costuma chamar-se, segundo creio, a serenidade da idade. É algo que sem dúvida deve estar ligado a uma viragem decisiva nas relações entre as duas pulsões cuja existência supus. A transformação que a acompanha não é talvez excessivamente forte; permanece cheio de interesse tudo quanto tinha outrora, mas há um certo eco que falta; eu, que não sou músico, represento-me esta diferença como uma questão de usar ou não o pedal. A pressão sensível e incessante de uma enorme quantidade de sensações importunas deve ter apressado este estado prematuro, esta disposição a sentir tudo sub specie aeternitatis

Sigmund Freud, in «As Palavras de Freud»


Sigmund Freud
Antonio Neri Licon (Nerilicon), «El Economista»

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O que defende Cleantes

Publicado por JN em Abril 23, 2008

«Defende Cleantes a opinião de que em nada nos interessam as ideias dos homens e que acima de tudo devemos pôr o seu carácter, a honestidade e a firmeza, a independência e a lisura do seu procedimento. Se de política tratamos, Cleantes, que, por definição, é honesto, sentir-se-á muito bem representado ou muito bem governado não por aquele que, incluindo nos seus programas de eleição ou nas suas declarações ideias que perfeitamente se harmonizam com as dele, depois aparece apenas como um membro de toda a raça infinita dos que sobem por fora, mas por aquele que, tendo-o porventura irritado com a sua maneira de pensar, em seguida vem habitar a ilha minúscula dos que sobem por dentro. Se de dois candidatos que se apresentam, um está no partido contrário ao nosso mas é um honesto, seguro cidadão, e o outro se proclama correlegionário, mas nos deixa dúvidas sobre a integridade moral, diz Cleantes que ninguém deve hesitar: o nosso voto deve ir para o que dá garantias de uma fiscalização séria dos negócios e não deixará que se maltrate a Justiça. Sobretudo se formos moralistas, isto é, se acreditarmos que o mundo se salvará pela moral; e, como cumpre a moralistas, se quisermos que o mundo se salve pela moral.»

Agostinho da Silva, in «Textos e Ensaios Filosóficos»


Matt Wuerker, «Politico.com»

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An Ordinary Soldier

Publicado por JN em Abril 18, 2008

«I’m in the turret with the gunner. Phosphorescent flashes keep popping from miles up ahead, and they’re followed by what I want to call a flutter; it’s like your eye goes aquiver for a moment. And there’s a smell in the air, nothing like the usual reek of burning and high-ex. I don’t like it. When it comes to combat I don’t much like anything I haven’t seen or smelled before.»

Graham Joyce, in «An Ordinary Soldier of the Queen»


Adam Zyglis, «The Buffalo News»

«Unos 300.000 soldados estadounidenses que han participado en las guerras de Irak y Afganistán sufren de síntomas de estrés postraumático o depresión, y cerca de la mitad no recibe atención a su mal. Un estudio independiente realizado por la empresa RAND Corp. también ha calculado que otros 320.000 soldados han recibido una herida posiblemente traumática en el cerebro durante sus misiones, pero los investigadores no pueden decir cuántos de estos casos son serios o requieren de un tratamiento.» [El País]


Steve Greenberg, «Ventura County Star»

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Qualidades de pensamentos…

Publicado por JN em Abril 14, 2008

«Uma jornalista apresenta um projecto de documentários a uma produtora de audiovisual. A produtora acolhe o projecto e apresenta-o a um canal público de TV, que encomenda os documentários. Um partido político resolve tratar esta decisão como uma «contratação» da jornalista para o canal público e qualifica-a de «pornográfica», anunciando um «requerimento» para «pedir explicações». E que apresenta o partido, como fundamento de tão trepidante indignação e fino palavreado? A inexperiência televisiva da jornalista (falso); as suas opiniões (intolerável); a sua vida privada (abjecto).
Não, não sucedeu na Venezuela de Chávez nem na Rússia de Putin, para nos ficarmos apenas por países com democracias, digamos, de qualidade duvidosa, e onde a intimidação ostensiva de jornalistas é comum. Foi por cá e o partido dá pelo nome de PSD - o mesmo que enquanto se diz «muito preocupado com a qualidade da democracia portuguesa» interdita congressos a jornalistas por «não serem confiáveis.
(…) chegou-se a um novo patamar. Aquele em que tem de se explicar tudo do princípio. O que é um jornalista e para que serve, o que é a vida privada e para que não deve jamais servir. Em suma: o que é a civilização e a democracia. E a decência, já agora. Sabendo, claro, que há mentes pornográficas nas quais nenhum princípio tem guarida.» [link]


Bandeira, «Diário de Notícias»

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A Book At Bedtime

Publicado por JN em Abril 12, 2008

«Não se deve intervir, não nos devemos meter nos problemas que cada um tem com a leitura. Não devemos sofrer por causa das crianças que não lêem, perder a paciência. Trata-se da descoberta do continente da leitura. Ninguém deve encorajar nem incitar outra pessoa a ir ver como ele é. Já existe excessiva informação no mundo acerca da cultura. Devemos partir sós para esse continente. Descobri-lo sozinhos. Operarmos sozinhos esse nascimento.»

Marguerite Duras, in «Mundo Exterior»

Monty Python, in «A Book At Bedtime»

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Preconceitos

Publicado por JN em Abril 4, 2008

«Nós em teoria compreendemos as pessoas, mas na prática não as suportamos, pensei, na maior parte das vezes só a contragosto lidamos com elas, e tratamo-las sempre de acordo com o nosso próprio ponto de vista. Não deveríamos no entanto considerar e tratar as pessoas apenas segundo o nosso ponto de vista, mas sim considerá-las e tratá-las segundo todos os pontos de vista, pensei, lidar com elas de uma maneira que pudéssemos dizer que lidámos com elas sem o mínimo preconceito, por assim dizer, mas isso não é possível porque, na realidade, alimentamos sempre preconceitos para com toda a gente.»

Thomas Bernhard, in «O Náufrago»

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Bill Day, «The Commercial Appeal»

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A arte da perseverança

Publicado por JN em Abril 3, 2008

«… se há pessoas que não distinguem o bem do mal ou que, mesmo que distingam, não têm uma percepção clara e nítida, elas que não se desencorajem e não desistam; se há pessoas que não praticam o bem ou que, mesmo que o pratiquem, não podem aplicar nisso todas as suas forças, elas que não se desencorajem e não desistam; o que outros fariam numa só vez, elas o farão em dez, o que outros fariam em cem vezes, elas o farão em mil, porque aquele que seguir verdadeiramente esta regra da perseverança, por mais ignorante que seja, tornar-se-á uma pessoa esclarecida, por mais fraco que seja, tornar-se-á necessariamente forte.» preserverança

Confúcio, in «A Sabedoria de Confúcio»

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Alan Moir, Sydney, «The Morning Herald»

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O combate ao temor

Publicado por JN em Março 30, 2008

«Não haverá razão para viver, nem termo para as nossas misérias, se for mister temer tudo quanto seja temível. Neste ponto, põe em acção a tua prudência; mercê da animosidade de espírito, repele inclusive o temor que te acomete de cara descoberta. Pelo menos, combate uma fraqueza com outra: tempera o receio com a esperança. Por certo que possa ser qualquer um dos riscos que tememos, é ainda mais certo que os nossos temores se apaziguam, quando as nossas esperanças nos enganam.
Estabelece equilíbrio, pois, entre a esperança e o temor; sempre que houver completa incerteza, inclina a balança em teu favor: crê no que te agrada. Mesmo que o temor reuna maior número de sufrágios, inclina-a sempre para o lado da esperança; deixa de afligir o coração, e figura-te, sem cessar, que a maior parte dos mortais, sem ser afectada, sem se ver seriamente ameaçada por mal algum, vive em permanente e confusa agitação
(…) Flutuamos ao mínimo sopro. De circunstâncias duvidosas, fazemos certezas que nos aterrorizam. Como a justa medida não é do nosso feitio, instantaneamente uma inquietude se converte em medo.»

Séneca, in «Dos Reveses»

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Richard Crowson, «The Wichita Eagle»

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Verdades comparadas

Publicado por JN em Março 30, 2008

«A verdade, esteja em que pessoa estiver, não se apaga por comparação com outra verdade e, qualquer diferença que possa parecer haver entre duas pessoas, o que é verdade numa não apaga de modo algum o que é verdade na outra. Podem ter mais ou menos adeptos e ser mais ou menos brilhantes, mas são sempre iguais pela sua verdade, que nunca é mais verdadeira nos grandes do que na arraia-miúda. A arte da guerra está mais espalhada do que a poesia, mas o poeta e o conquistador podem comparar-se um ao outro, porque são verdadeiramente o que são, tal como o legislador, o pintor, etc.»

La Rochefoucauld, in «Reflexões»

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Steve Benson, «Arizona Republic»

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Da felicidade

Publicado por JN em Março 17, 2008

«Passamos três quartos da vida a preparar a felicidade. Mas quantos gozam o último quarto?»

André Gide

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Shannon Wheeler, «Too Much Coffee Man!»

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Preguiça

Publicado por JN em Março 17, 2008

«De todas as paixões a que nos é mais incógnita é a preguiça. É a mais ardente e a mais maligna de todas, ainda que a sua violência seja imperceptível e que os seus danos se escondam. Se observarmos com atenção o seu poder, notaremos que ela se torna sempre mestra dos nossos sentimentos, dos nossos interesses e dos nossos desejos. Ela é a demora que tem a força para fazer parar os maiores navios, é uma calmaria mais perigosa para as grandes empresas do eu do que os bancos de areia e do que as maiores tempestades. O repouso dado pela preguiça é uma sedução secreta da alma, que pára de repente as lutas mais inflamadas e as resoluções mais obstinadas. Enfim, para se dar uma verdadeira ideia desta paixão, é preciso dizer que a preguiça é como que um estado de beatitude da alma, consolando-a das suas perdas e ocupando o lugar de todos os bens.»

François La Rochefoucauld, in «Reflexões»

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Tom Stiglich, «Journal Register Newspapers»

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Corrupção intemporal

Publicado por JN em Março 17, 2008

«Não existe república, qualquer que seja a maneira como é governada, onde haja mais de quarenta a cinquenta cidadãos que chegam a postos de comando. Ora, como é um número muito pequeno, é fácil mantê-los sob controle, seja tomando a decisão de suprimi-los, seja dando a cada um a parcela de honras e empregos que lhes convém.»

Maquiavel, in «Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio»

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Michael Kountouris, «Political cartoons»

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