A queda do Sen. Craig

Henry Payne, «The Detroit News»
O senador Larry Craig em Junho passado foi preso numa casa de banho do aeroporto de Mineápolis e isto depois de alegadamente ter feito uma proposta sexual a um polícia à paisana. O Sr. Craig na altura declarou-se culpado de «conduta lasciva», mas afirmando sempre que não cometera nenhum acto impróprio. Numa conferência de imprensa chegaria a afirmar que «Não sou homossexual e nunca fui homossexual». O Sr. Craig alegou ter admitido a culpa por um delito menor com a esperança de que o incidente passasse despercebido, mas tal não aconteceu. Contudo, a decisão de se demitir surge depois de perder o apoio dos principais membros do seu partido.

David Horsey, «Seattle Post-Intelligencer»
O Sen. Craig durante todo o seu historial no senado sempre foi um dos mais entusiastas da defesa da família e dos seus «valores». O senador era conhecido por adoptar posições contrárias aos homossexuais, tendo votado contra a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não deixa de ser curioso verificar que é o próprio legado que acaba por condenar o senador. Legisladores como ele durante anos esforçaram-se por construir uma legislação homofóbica que tornou quase impossível (ou pelo menos nada fácil) pessoas, como o próprio Larry Craig, viverem as suas vidas de uma forma aberta e livre. O senador condenou-se a si próprio, é a principal conclusão que se pode tirar; foi vítima do próprio sistema que criou.

Pat Bagley, «Salt Lake Tribune»
A carreira do velho senador foi destruída pela mais trivial das infracções. Afinal, o Sr. Craig não fez nada de errado. O agente que prendeu o Sr. Craig alega que ele estava num dos compartimentos da casa de banho quando um outro homem entrou no espaço contíguo e O Sr. Craig terá feito sinais, primeiro com um pé e depois com a mão, debaixo do biombo que separa os dois compartimentos. O policia afirmou que esse é um gesto comum entre as pessoas que procuram companheiros casuais. Se é ou não, não o sei, mas o facto é que Larry Craig nada fez.

Milt Priggee, «Caglecartoons»
Provavelmente o Sr. Craig até estaria à procura de sexo. Mas há uma grande diferença entre procurar sexo e ter sexo num local público. A sociedade tem todo o direito de impor códigos de conduta. Mas ao condenar alguém por um piscar de olhos, um olhar, um bater de um pé no chão, ou qualquer coisa afim, a sociedade esquece-se o que quer dizer viver numa sociedade livre. O Sr.Craig – o ultraconservador, pai de família, defensor da família e dos seus valores, homofóbico – foi condenado não pela sua conduta num local público, mas por ser homossexual. Foi condenado pela sociedade que tanto ajudou a construir e defender. E isto é o mais patético nesta história toda. A sua queda é um triunfo às suas ideias. A «velha» América ganhou.

Daryl Cagle, «MSNBC.com»


Meu caro, aki o problema não me parece de legalidade… mas de ética! E o que se condena, e bem(!), é um ultraconservador que funda a sua carreira política na defesa de determinados valores e estilos de vida, ser confrontado com uma conduta que é a sua antítese! Merece censura e, claro, exige-se a sua demissão!
De acordo. A conduta política do Sr. Craig é reprovável, fundamentada em valores errados, e só por isso a sua demissão era necessária. Mas só por isso.
O Sr. Craig lá tropeçou…
Sim, é tudo uma questão de “ciência da moralidade”…
Eu (até) arriscaria a pensar em “ética de situação”.