Notas ao café…

O desencanto checo-polaco

Posted in notas ao café by JN on Setembro 18, 2009

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David Granlund, «Politicalcartoons.com»

O Presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, classificou a decisão do Presidente americano, Barack Obama, de rever o protejo de defesa anti-mísseis dos EUA na Europa como uma “atitude responsável” que mostra que agora “há boas condições” para os dois países trabalhem em conjunto. Os planos da administração americana de instalar bases na República Checa e na Polónia, como parte de um escudo anti-mísseis, eram alvo de grande desconfiança por parte da Rússia, que via o sistema como uma ameaça à sua segurança.

Nesta quinta-feira, no entanto, o Presidente Obama anunciou uma revisão na estratégia no projecto para a instalação no projecto de anti-mísseis dos EUA que prevê, entre outros pontos, o cancelamento da instalação das bases nos dois países europeus. Num pequeno discurso transmitido pela televisão estatal russa após o anúncio do Presidente americano, Dmitry Medvedev elogiou a decisão americana e afirmou que pretende discuti-la com mais detalhe durante o seu encontro com Barack Obama em Nova York, na semana que vem. A administração americana indicou que irá construir um sistema mais pequeno, possivelmente colocado em navios no Mediterrâneo; para a administração este novo plano será mais eficaz no caso de uma ameaça de um ataque por parte do Irão.

Mas se as reacções da Rússia são favoráveis, o mesmo já não se poderá dizer das dos governos checo e polaco. O ex-primeiro-ministro da República Checa, Mirek Topolanek, que negociou a instalação das bases com o então Presidente George W. Bush, afirmou que a decisão de Obama mostra que os EUA perderam o interesse na Europa Central, “Não estamos garantidos por nenhum parceiro forte, um aliado forte. Vejo isso como uma ameaça”, disse o Sr. Topolanek — o facto de cerca de 70 por cento dos checos ser contra o sistema de defesa, parece não importar. Para Lech Kaczynski, Presidente da Polónia e um apoiante do sistema de defesa a hora é de desapontamento, Lech Walesa acha que é a altura de repensar a relação entre os dois países e Bartosz Weglarczyk, editor do jornal Gazeta Wyborzca, afirma que é a maior mudança nas relações entre os dois países desde 1989 e que nada será como antes.

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Rainer Hachfeld, «Neues Deutschland»

Wess Mitchell e Jamie M. Fly escrevem na Foreign Policy, que havia desde há meses sinais que Barack Obama iria deixar de lado o sistema de defesa na Europa Central, até porque é uma ameaça maior à segurança regional que um factor de dissuasor. Entretanto, responsáveis do governo americano, dizem que esta mudança de planos deve-se principalmente ao facto do sistema de mísseis de longo alcance iraniano não ter tido progressos significativos como era estimado.

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