Notas ao café…

Obama, Nobel da Paz

Posted in notas ao café by JN on Outubro 10, 2009

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Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»

A notícia caiu como uma verdadeira bomba e o mundo ficou surpreendido no início da manhã de ontem, Barack Obama é o novo Prémio Nobel da Paz, apenas nove meses depois de ter tomado posse como Presidente dos EUA. O Comité do Nobel citou o esforço do Presidente contra a proliferação nuclear, por fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos e afirmou que o Presidente americano “criou um novo clima na política internacional”.

A escolha de Barack Obama ainda é mais surpreendente já que assumiu funções apenas duas semanas antes de 1 de Fevereiro, data limite para as nomeações serem aceites. Confrontado com a pergunta se o prémio não seria prematuro, o Presidente do Comité do Nobel, Thorbjorn Jagland, comparou o Sr. Obama a Willy Brandt e Mikhail Gorbachev, dois líderes cujas reformas ainda não tinam dado fruto quando estes receberam o prémio: “The question we have to ask is who has done the most in the previous year to enhance peace in the world,” disse o Sr. Jagland; “And who has done more than Barack Obama?”, disse ainda.

Se o mundo ficou surpreso mais ainda ficou a Casa Branca; Barack Obama recebeu a notícia do prémio com surpresa e “profunda humildade” e como um incentivo para continuar não considerando que o Nobel foi um reconhecimento pelos seus feitos.

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Patrick Chappatte, «Cartoons on World Affairs»

Mark Mardell da BBC, escreve que o Presidente americano ganhou pelo conjunto de intenções que manifestou durante a sua campanha, pela importância que dá ao diálogo, à diplomacia e à cooperação e por incentivar uma nova política internacional pelo ambiente. Por outras palavras, como escreve Mardell, por não ser George W. Bush e conduzir a política externa americana, pelo menos a sua estratégia, na direcção oposta à do antigo Presidente. Peter Beaumont, no The Guardian, segue uma linha de raciocínio semelhante à de Merdell mas, ao mesmo tempo, questiona-se se este prémio não irá no final prejudicar Barack Obama no seu esforço diplomático. Na Der Spiegel, Claus Christian Malzahn escreve que talvez seja cedo demais para o Presidente e com todos os problemas internos e externos que enfrenta, ter tal distinção e que este prémio pode ser mais um pesado fardo do que uma honra.

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John Sherffius, «Boulder Daily Camera»

Pode-se considerar prematuro ou não, a História um dia o dirá, mas o Comité do Nobel decidiu dar o prémio deste ano a um homem pela sua história pessoal e pelas sua intenções; é sem dúvida um Nobel da Paz diferente e controverso como também não deixa de ser o próprio Barcak Obama. José Saramago escreve que “Quando uma esperança nasce há que saudá-la conforme o seu merecimento” e chama a este prémio um “investimento”. Porque isso também é preciso e Teresa de Sousa resume bem, no Público, esta atribuição:

A dualidade de perspectivas, entre a esperança e o cepticismo, traduz afinal aquilo que Obama é: o Presidente dos Estados Unidos da América e o eleito do mundo. O que permite, por agora, apenas uma conclusão. Alimentar a esperança é, também, uma forma poderosa de procurar a paz.

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RJ Matson, «The St. Louis Post Dispatch»

Uma resposta

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  1. Dylan said, on Outubro 19, 2009 at 12:42 am

    O Nobel da Paz tem características diferentes dos restantes prémios atribuídos pela Academia Sueca. Desde logo, é atribuído em Oslo por um comité independente norueguês, laureando alguém ou alguma entidade que se distingue pela capacidade de resolver diplomaticamente diversos problemas, independentemente de ficarem concluídos ou não. Foi assim com Jimmy Carter, é agora assim com Barack Obama. Porque privilegia o diálogo e o bom senso entre os povos, porque ele próprio é o resultado da esperança e do sonho: ter sido o primeiro presidente afro-americano da história dos EUA. Um exemplo do idealismo norte-americano, ainda hoje cobiçado, abraçando causas como os Direitos Humanos e trabalhando internamente para um plano de reforma do sistema de saúde. Com Obama, voltaram as preocupações com o meio ambiente, com o desarmamento nuclear, com a desmobilização do Iraque e com a possibilidade do fim do embargo a Cuba. Apressou-se a condenar o golpe de Estado nas Honduras e a normalizar as relações institucionais com a Rússia, não esquecendo a tentativa de cativar o mundo árabe ao admitir a criação do Estado da Palestina , fundamental para a paz no Médio Oriente.

    Negar isto, em menos de nove meses, é cair no discurso dos conservadores norte-americanos e de parte da esquerda europeia, recheada de tiques estalinistas.

    http://dylans.blogs.sapo.pt/
    http://aboutportugal-dylan.blogspot.com/


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