Notas ao café…

Uma caricatura italiana

Posted in notas ao café by JN on Outubro 14, 2009

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Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»

Silvio Berlusconi foi acusado de suborno, evasão fiscal, corrupção e de manipulação da imprensa. A sua mulher pediu o divórcio com base na infidelidade do Sr. Berlusconi que  se afunda em escândalos de índole sexual. Gosta de provocar e as suas piadas de maus gosto sobre outros líderes mundiais — como Barack Obama e Angela Merkel — são frequentes. Operações plásticas, guerra com a justiça italiana, com os jornalistas que não trabalham para ele e a Igreja Católica são hobbies seus. No entanto e como escreve Anne Applebaum no Washington Post, o mais interessante no primeiro-ministro é o facto dos italianos continuarem a votar nele. Entre as muitas explicações, algumas com raízes no turbulento passado político de Itália, a Sra. Applebaum escreve que Silvio Berlusconi se tornou uma apreciada caricatura italiana:

[…] There has to be something appealing about Berlusconi himself as well. Severgnini has called him a “mirror” of modern Italy, and one sees what he means: Nouveau riche (like almost everyone in the country) and not afraid to show it off (remember that Sardinian villa); a lover of women and soccer (he owns the team A.C. Milan); loyal to his friends (even protecting them from the law); and clearly enjoying himself at those parties and on his yacht, Berlusconi leads a kind of caricature version of the ideal Italian life. And precisely because he is a caricature, he gets away with things that other people can’t. One hears Italians regale one another with Berlusconi stories and then howl with laughter.

Besides, with Berlusconi as your prime minister, you don’t have to take yourself too seriously. You don’t have to trouble yourself with geopolitics or the state of the planet, or poverty and failed states. You can stay at home, remain unserious and argue about the latest legal scandal. And maybe that, too, is part of the Italian prime minister’s appeal.

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Chappatte, «Le Temps»

Até é capaz de fazer sentido; apreciar um político que não se pode levar a sério também pode ser uma escolha política. Seja como for, desde que o Sr. Berlusconi perdeu o direito à sua imunidade algo parece estar a mudar. Geoff Andrews, no openDemocracy, escreve que o primeiro-ministro italiano enfrenta a sua derradeira batalha, uma que pode mudar definitivamente o panorama político italiano:

[…] Silvio Berlusconi still has cards to play. He has the option of calling a snap election (which on current polling evidence he would certainly win). He has already spent millions on lawyers to keep him from prosecution, and it will not be easy to bring him to court. Yet after many crises and scandals – and it is certain that Berlusconi will not go quietly – this does now look like his last battle.

The real debate on Italy’s future has yet to start. But even at this stage, two things are clear. First, the last thing Italy needs now is more populism. Second, the next generation of leaders will have to push towards a new model of Italian governance: neither Orwellian nor Machiavellian, but democratic.

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