Notas ao café…

Caim

Posted in notas ao café by JN on Outubro 20, 2009

O SENHOR disse a Caim: “Onde está o teu irmão Abel?” Caim respondeu: “Não sei dele. Sou, porventura, guarda do meu irmão?” O SENHOR replicou: “Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama da terra até mim. De futuro, serás amaldiçoado pela terra, que, por causa de ti, abriu a boca para beber o sangue do teu irmão. Quando a cultivares, não voltará a dar-te os seus frutos. Serás vagabundo e fugitivo sobre a terra.”

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Caim mata Abel
Tintoretto

Escrevia José Saramago no seu blog:

[…] Cristianismo e islamismo continuam a comportar-se como inconciliáveis irmãos inimigos incapazes de chegar ao desejado pacto de não agressão que talvez trouxesse alguma paz ao mundo. Ora, já que inventámos Deus e Alá, com os desastrosos resultados conhecidos, a solução talvez estivesse em criar um terceiro deus com poderes suficientes para obrigar os impertinentes desavindos a depor as armas e deixar a humanidade em paz. E que depois esse terceiro deus nos fizesse o favor de retirar-se do cenário onde se vem desenrolando a tragédia de um inventor, o homem, escravizado pela sua própria criação, deus. O mais provável, porém, é que isto não tenha remédio e que as civilizações continuem a chocar-se umas com as outras.

E sobre irmãos escreve agora Saramago, Caim e Abel, um símbolo bíblico da luta entre o bem e o mal. Mas é sobre o primeiro que cai toda a atenção do escritor. Um livro que já nasce envolvido em polémica, não tanto pelo livro em si — poucos ainda o terão lido — mas mais pelas declarações de José Saramago. Está de volta ao tema da religião e, em especial, a Bíblia que ele considera um “manual de maus costumes” e uma homenagem a um Deus cruel. José Saramago que não gosta de “histórias mal contadas”, conta esta à sua maneira.

Pilar del Río escrevia:

“Caim”não é um tratado de teologia, nem um ensaio, nem um ajuste de contas: é uma ficção em que Saramago põe à prova a sua capacidade narrativa ao contar, no seu peculiar estilo, uma história de que todos conhecemos a música e alguns fragmentos da letra.

O livro pode não ser um ajuste de contas, nem acredito que o seja, mas José Saramago fora das letras ajusta umas contas antigas e no El País, Winston Manrique Sabogal escreve que com “Caim”, Saramago pede contas a Deus.

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Andy Singer, «No Exit»

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