Notas ao café…

“Okolonolya”

Posted in notas ao café by JN on Novembro 24, 2009


Riber Hansson, «Svenska Dagbladet»

“Okolonolya” (“Próximo a Zero”) foi apresentado como uma ficção, mas os gangsters representados nas 112 páginas do livro são bem reais. O autor — embora seja escrito sob um pseudónimo, acredita-se ser Vladislav Surkov, do gabinete de Vladimir Putin e o ideólogo do Kremlin — descreve de uma forma quase chocante a vida da capital russa, com o seu comércio de “escritórios, medalhas e bónus”. É um local no qual as verbas do governo são desviadas e injectadas nos bolsos de mulheres, amantes e sobrinhas. “A corrupção e o crime organizado, ao lado das escolas e da polícia, são os pilares da ordem social”, explica um oficial do serviço de inteligência que é colega do personagem principal.

Provavelmente não existe nenhum outro país europeu – nem a Itália de Silvio Berlusconi, nem a Roménia pós-comunista – no qual os cargos políticos e a riqueza estejam tão fortemente entrelaçados quanto na Rússia. “Esse mal criou raízes profundas no nosso país e assumiu formas particularmente repugnantes”, disse o Presidente Dmitri Medvedev numa entrevista à Der Spiegel no início de Novembro. O suborno e o nepotismo são encontrados em todas as estruturas públicas, desde o sistema de saúde até os tribunais. No ano passado, a Rússia ficou empatada com o Quénia, Bangladesh e a Síria no 147º lugar no índex de corrupção da Transparency International.


Michael Kountouris, «Politicalcartoons.com»

“Desde os líderes políticos até aos os governos locais, estamos emaranhados na corrupção”, afirmou o Presidente russo, acrescentando que este mal tornou-se um facto aceite pela população russa. Segundo Dmitri Medvedev, a ideia de que o suborno constitui em crime é algo que precisa de ser assimilado pelos cidadão comum. O Presidente é um homem determinado em combater o problema da corrupção na sociedade russa, mas os seus esforços têm sido, até agora, em vão como escreve a Der Spiegel:

[T]he Russian people know that their leaders continue to line their pockets, Medvedev’s appeal for moral reform is of little avail within society at large. All it takes for Russians to lose all hope is to look more closely at their parliament, the Duma. Unlike Germany’s parliament, the Bundestag, the Duma is not an assembly of lawyers and civil servants, but a club of celebrities and the wealthy. In addition to former top athletes, the nouveau riche and the occasional shady “bisnesmeni” fill the seats of the Russian parliament. It is an open secret that many a seat in parliament has cost its holder millions.

After the collapse of the Soviet Union and the period of unbridled capitalism during the 1990s, a social order with feudalistic features has become established in Russia, a system in which the political leaders behave like feudal overlords in control of their fiefdoms.

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