Notas ao café…

A guerra dos minaretes

Posted in notas ao café by JN on Dezembro 1, 2009


Olle Johansson

“A Suíça enviou-nos um sinal claro: sim aos campanários, não aos minaretes”, disse o ministro da Simplificação Administrativa de Itália, Roberto Calderoli, que é membro de um partido populista anti-imigração, considerando que os suíços se manifestaram contra “os aspectos políticos e de propaganda ligados ao Islão”.  Geert Wilders saudou “um resultado fabuloso” e quer “pedir ao Governo para realizar assim que possível um referendo na Europa”. Boa parte da UE está a sentir algum desconforto com o resultado do referendo na Suíça que proibiu os minaretes na mesquitas islâmicas. A excepção são os partidos de extrema-direita e alguns da direita, que pedem para se respeitar e tentar compreender os “medos” que conduziram a este resultado.

O resultado do referendo, como escreve a Reuters, parece trazer uma nova onda de populismo e sentimento anti-imigração e contradiz a imagem de marca da Suíça: um país onde a paz, democracia e o respeito pelos direitos Humanos são respeitados acima de tudo. Mas a realidade é sempre algo diferente e o que se passa na Suíça até não é nada de novo; o Partido do Povo Suíço (ou a União Democrática do Centro) já teve outras vitórias também envolvidas em polémica.


Chappatte, «Cartoons on World Affairs»

Também este “sentimento” de medo não é exclusivo da Suíça; como escreve a Der Spiegel, os alemães votariam da mesma forma e Mathieu von Rohr, também na Spiegel, escreve que o resultado do referendo suíço não é uma reacção aos problemas com os muçulmanos no país, este revela o medo provocado pelo Islão:

[T]he organizers of the campaign managed to turn the dispute over minarets into a symbolic referendum on the influence of Islam. They did not speak much about minarets. Instead, they talked about Sharia law, burqas and the oppression of women in the Islamic world. In the end, even the prominent feminist Julia Onken supported the initiative.

Carlos Abreu Amorim, no Correio da Manhã, escreve que “Ofendeu-se a liberdade religiosa, a mãe do princípio da tolerância dos modernos” e que “o medo simplório dos suíços forjou o resultado do referendo”. No Marginal Revolution, Tyler Cowen escreve:

Sooner or later an open referendum process will get even a very smart, well-educated country into trouble.

Given that the referendum came up, it was wise to root for its defeat.  The victory of the referendum is a symbol that prejudice can now advance a step.


Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»

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