Notas ao café…

“Guerra e Paz”, a História de um Nobel

Posted in notas ao café by JN on Dezembro 11, 2009


Mike Luckovich, «The Atlanta Journal-Constitution»

Numa cerimónia relativamente curta em Oslo, o Presidente Barack Obama aceitou o Prémio Nobel da Paz. O Presidente reconheceu a controvérsia em volta da escolha do seu nome para o Nobel, afirmando que comparado com alguns dos gigantes da História que receberam este prémio — Schweitzer e King; Marshall e Mandela — o que ele conseguiu é pouco. Ao mesmo tempo reconheceu o paradoxo de um “war president”, que acabou de decidir enviar 30 mil soldados para a guerra no Afeganistão, aceitar um prémio pela paz.

No seu discurso, Barack Obama afirmou ser inspirado pelos princípios da não-violência de líderes como Mahatma Gandhi e Martin Luther King Jr., mas como Presidente não se pode guiar apenas por esses exemplos. “Um movimento não-violento não poderia ter derrotado os exércitos de Hitler”, afirmou; “As negociações não conseguem fazer a Al-Qaeda a depor as armas”:

[…] Still, we are at war, and I am responsible for the deployment of thousands of young Americans to battle in a distant land. Some will kill. Some will be killed. And so I come here with an acute sense of the cost of armed conflict – filled with difficult questions about the relationship between war and peace, and our effort to replace one with the other.

[…] I face the world as it is, and cannot stand idle in the face of threats to the American people. For make no mistake: evil does exist in the world. A non-violent movement could not have halted Hitler’s armies. Negotiations cannot convince al Qaeda’s leaders to lay down their arms. To say that force is sometimes necessary is not a call to cynicism – it is a recognition of history; the imperfections of man and the limits of reason.

James Fallows escreve que como em Filadélfia, o Presidente fez um discurso sobre a questão mais embaraçosa do momento, ao invés de a tentar evitar; em Filadélfia foi a retórica inflamatória do Reverendo Jeremiah Wright, em Oslo, a contradição de presidente numa guerra aceitar um prémio de paz.

Para Mike Crowley, o Presidente Obama é um homem preso nas contradições americanas da era pós-Bush. Se na semana passada anunciou a escalada da guerra no Afeganistão e ao mesmo tempo o seu fim, em Oslo abriu seu discurso com uma longa dissertação sobre a natureza da guerra e da sua necessidade que completou com a teoria da “guerra justa”. Para Crowley foi um exercício surreal, mas numa altura em que os EUA têm mais de 200 mil soldados em países estrangeiros, esta foi a forma mais honesta de aceitar um Nobel da Paz.


Steve Sack, «The Minneapolis Star-Tribune»

Fidel Castro (que sempre foi reservado nas críticas a Barack Obama), chama “cínico” ao Presidente americano por ter aceite o prémio depois de anunciar a escalada no Afeganistão. Mas Michael Tomasky escreve:

Barack Obama’s 36-minute Nobel lecture may not go down in history as his greatest speech, but it struck me as the most interesting one he’s given in a long time, or maybe ever.

By turns historical and philosophical and theological, Obama spoke about subjects such as reconciling the desire for peace with the need sometimes to wage war, the importance of nonviolence as well as its shortcomings and failures, and other Really Big Questions. Admirably, I thought, he did not give either this left-ish European audience or the American audience back home exactly what it wanted to hear. It was a complicated speech, maybe even hard to follow for some people. […]

So if the speech wasn’t designed to pander to an international audience, and it wasn’t constructed to help him politically at home, then what was it for? Well, here’s why I like the guy.

Maybe it was designed to … be truthful about the world as he sees it, and to be honest with the world and with posterity about the complexities we face. Imagine that. There are any number of criticisms to be made of Obama’s foreign policy decisions, and his major gambits – rebalancing the Middle East, negotiating with Iran and of course doubling down in Afghanistan – may yet fail. But at the very least, here we have a leader who is thoughtful and intellectually honest and won’t insult your intelligence. That already constitutes a success of some kind.

Por minha parte, concordo com Mike Crowley (e não posso dizer que discordo completamente com Gabor Steingart, na Der Spiegel) mas, e por muitas razões já neste blog escritas, subscrevo o Sr. Michael Tomasky.


Mike Keefe, «The Denver Post»

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