Notas ao café…

O “acordo” de Copenhaga

Posted in notas ao café by JN on Dezembro 19, 2009


Hajo de Reijger

Era uma das intervenções mais aguardadas de ontem em Copenhaga, e o hábil orador Barack Obama mostrou os seus créditos:

[…] The question is whether we will move forward together, or split apart. This is not a perfect agreement, and no country would get everything that it wants. There are those developing countries that want aid with no strings attached, and who think that the most advanced nations should pay a higher price. And there are those advanced nations who think that developing countries cannot absorb this assistance, or that the world’s fastest-growing emitters should bear a greater share of the burden.

We know the fault lines because we’ve been imprisoned by them for years. But here is the bottom line: we can embrace this accord, take a substantial step forward, and continue to refine it and build upon its foundation. We can do that, and everyone who is in this room will be a part of an historic endeavor – one that makes life better for our children and grandchildren.

[…] There is no time to waste. America has made our choice. We have charted our course, we have made our commitments, and we will do what we say. Now, I believe that it’s time for the nations and people of the world to come together behind a common purpose.

Mas foi um frustrado Barack Obama que se dirigiu aos delegados presentes na cimeira de Copenhaga e que apelou a que se chegasse a um acordo, mesmo que fosse “imperfeito”, embora não tenha feito novas promessas sobre cortes de emissões; “Nenhum país vai conseguir tudo que quer”, afirmaria o Presidente americano.


Paresh Nath, «The Khaleej Times»

A frase do dia pertencerá ao Presidente Lula da Silva: “…não sei se algum anjo ou algum sábio descerá neste plenário e irá colocar na nossa cabeça a inteligência que nos faltou até a hora de agora. Não sei”. E como o Presidente brasileiro é um homem que acredita em milagres, Copenhaga deu-lhe um, embora pequeno. Depois de alguns encontros, principalmente o do Presidente Obama com o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, foi anunciado pelo Presidente Obama que um acordo entre os EUA, Brasil, China, Índia e a África do Sul tinha sido conseguido.

Depois de muitos acordos provisórios que foram discutido, o acordo entre os “cinco” fixa em 2ºC o limite de aumento da temperatura até 2050, o que implicará fortes reduções nas emissões; mas não estabelece qualquer prazo para a adopção de um novo tratado climático legalmente vinculativo e deixa em aberto o esforço de redução do mundo desenvolvido para o médio prazo. Os EUA comprometem-se com 3,6 mil milhões de dólares (2,4 mil milhões de euros) em ajudas aos países mais vulneráveis até 2012. O  “acordo possível” não agrada a ninguém, ou pelo menos, à maior parte dos países e, como escreve Richard Black, o Presidente Obama pode ter um acordo com o Brasil, China, Índia e a África do Sul, mas isso não implica que terá com o resto do mundo.

Os países em desenvolvimento não tiveram os cortes nas emissões ou a ajuda que estavam à espera. Nem se comprometeram a um acordo vinculativo ou a verificação externa que os países desenvolvidos queriam; este ponto inclui a China, que é de uma forma absurda, colocada na mesma categoria de países da Polinésia, no acordo final. E, talvez o ponto mais desfavorável, não há grande esperança para um acordo vinculativo em 2010.


Chappatte, «The International Herald Tribune»

O editorial do The Guardian resume bem o que foi Copenhaga:

Like businessmen who insist a deal is legit, politicians protesting they have done something “meaningful” arouse suspicions that the opposite is in fact true. And “meaningful” was about the best word the spin doctors could muster in respect of the agreement of sorts that was brokered in Copenhagen late last night.

The climate change summit had three big tickets on its agenda: emissions, financial assistance and the process going ahead. And on each of these counts the accord – which was effectively hammered out not by the whole conference, but rather by the US, India, China and South Africa – fell woefully short. There was no serious cementing of the positive noises on aid that had emerged earlier on in the week. On emissions, a clear-eyed vision for the distant future was rendered a pipe dream by outright fuzziness about the near term. And most alarmingly of all, there was no clear procedural roadmap to deliver the world from the impasse that this summit has landed it in. Outright failure to agree anything at all would have been very much worse, but that is about the best thing that can be said. […]


David Horsey, «Seattle Post-Intelligencer»

3 Respostas

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  1. stamina said, on Dezembro 20, 2009 at 1:57 am

    boa noite vizinho😉

    excelente post.. e, como sempre, mto bem “ilustrado”..🙂

    bjo

  2. stamina said, on Dezembro 20, 2009 at 6:49 pm

    😉


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