Notas ao café…

Obama e o Haiti

Posted in notas ao café by JN on Janeiro 21, 2010


Dario Castillejos, «Cagle Cartoons»

As equipas de resgate estão prestes a dar por terminada a sua tarefa no Haiti. Nas últimas horas foram ainda desenterradas com vida duas mulheres, uma semana depois da tragédia: Hoteline Losama, uma jovem de 25 anos, e uma idosa que esteve sete dias presa nos escombros da igreja matriz da capital do Haiti. As equipas de resgate já conseguiram retirar um total de 121 pessoas dos escombros, onde morreram cerca de 75 mil pessoas. Outras 250 mil ficaram feridas na catástrofe, de acordo com os mais recentes números avançados pela ONU.

Uma réplica sísmica foi sentida ontem de manhã no Haiti, oito dias depois do terramoto que deixou a capital do país destruída. O sismo teve uma magnitude de 6.1, de acordo com o organismo de vigilância geológica dos EUA. O sismo causou o pânico em Port-au-Prince, mas não é claro a extensão dos danos provocados nas poucas infraestruturas ainda funcionais.


Paresh Nath, «The Khaleej Times»

Uma semana após o sismo, a ajuda humanitária tarda em chegar aos milhões de necessitados do Haiti. Embora a comunidade internacional tenha prometido ajuda massiva ao país, as condições para fazer chegar os bens essenciais aos locais onde são precisos são difíceis e os problemas com a falta de segurança aumentam; muitos haitianos morrem devido à falta de cuidados médicos. No aeroporto de Port-au-Prince têm aterrado sobretudo os aviões americanos, carregados de víveres e equipamento médico e sanitário. Para a UNICEF a prioridade são as crianças e adverte que crianças deixadas órfãs pelo terramoto correm sérios riscos de serem traficadas. 53 órfãos já foram enviados para os EUA.

Entretanto, o Grupo de Paris pediu o cancelamento da divida externa do Haiti e o director-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, propôs que o mundo crie um novo “Plano Marshall” para promover a reconstrução do Haiti.


David Fitzsimmons, «The Arizona Star»

Os EUA assumiram o controlo do Haiti para assegurar a ajuda humanitária, e ocuparam o Palácio Presidencial (o que resta dele) e o aeroporto internacional de Port-au-Prince. Os EUA têm cerca de 16 mil militares no país. Segundo o El País, os militares americanos sem dar explicações comunicaram que os jornalistas devem abandonar o aeroporto.

Com todo o aparato militar americano no Haiti e com este país apenas com uma autoridade meramente formal, Tyler Cowen no Marginal Revolution escreve que Barack Obama agora também é o “Presidente do Haiti” e que este pode ser o seu Waterloo:

Maybe you thought Obama was the “health care President” or perhaps the “Afghanistan President”, but to my eyes right now he looks like the “Haiti President.” […]

Obama will (and should) do something about this situation. First, I believe he sincerely wants to help but also he cannot ignore his African-American constituency, especially after former President Clinton devoted so much attention to Haiti and especially if health care reform doesn’t go through as planned. Yet he will have a festering situation on his hands for the rest of his term. […]

Obama now stands a higher chance of being a one-term President. Foreign aid programs are especially unpopular, especially relative to their small fiscal cost. […]

Just as it’s not easy to pull out of Iraq or Afghanistan, it won’t be easy to pull out of Haiti.

Maybe you thought health care was a hard problem. Maybe you thought that cap and trade would make health care look easy. This may be the hardest problem yet and it wasn’t on anybody’s planning ledger. Obama won’t have many allies in this fight either. A lot of Democratic interest groups might, silently, wish he would forget about the whole thing.

Mass starvation wouldn’t look good on the evening news either. What does it mean to preside over the collapse of a country of more than nine million people? It’s Obama who’s about to find out, not the increasingly irrelevant Rene Preval. Everyone in Haiti is looking to President Obama.

Kevin Drum na Mother Jones responde a Tyler Cowen e afirma que a presença americana no Haiti, em termos militares e monetários, nunca será relevantes o suficiente para provocar grandes reacções políticas nos EUA.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: