Notas ao café…

O grito dos inocentes

Posted in notas ao café by JN on Março 15, 2010


“The Silence of the Lambs”
Angel Boligan

As denúncias de pedofilia que abalam actualmente a Igreja Católica já somam as três mil nestes últimos nove anos; as últimas que chegam da Suíça são apenas uma gota neste imenso oceano de suspeita que abalam o interior da Igreja.

Na Alemanha os escândalos já atingiram indirectamente o Papa Bento XVI: a arquidiocese de Munique disse que o Papa, então Joseph Ratzinger, envolveu-se em 1980 na decisão de enviar um padre da região, suspeito de pedofilia, para sessões de terapia, depois que outra diocese, a de Essen, requisitou sua transferência devido às alegações. De acordo com o comunicado da arquidiocese de Munique, outro padre, Gerhard Gruber, que ocupava um lugar menor na hierarquia, assumiu responsabilidade por permitir que o padre voltasse a exercer trabalho pastoral imediatamente. Estas revelações colocam na ribalta as acções do Papa quando este foi o Bispo de Munique, entre 1977 e 1982, e durante o papado de João Paulo II; Joseph Ratzinger era o responsável por tratar deste tipo de acusações — cargo que ocupou até 2005, ano em que foi eleito Papa.

A Igreja defende o seu Papa e denúncia as tentativas “agressivas” de envolver Bento XVI no escândalo de pedofilia na Alemanha e ao mesmo tempo defende-se dizendo que o número de abusos dentro da Igreja é pequeno quando comparado com o mundo secular. E no interior da Igreja retorna o eterno assunto do celibato; para uns o seu fim poderia ser a solução, para a hierarquia não.

Na Irlanda pede-se a demissão do cardeal Sean Brady, Primaz da Irlanda, após ter afirmado que participou nas reuniões nas quais as presumíveis vítimas assinaram um compromisso de silêncio. Este defende-se e recusa demitir-se — na Foreign Policy, Patsy Mcgarry do Irish Times, explica as razões dos irlandeses terem perdido a sua fé.

O padre Johannes Siebner, director do Colégio St. Blasien, numa entrevista à Der Spiegel diz que a Igreja não é uma associação de mal-feitores e discute os erros da Igreja na protecção às vítimas de abuso e diz que a melhor forma para a Igreja é ter provedores fora da Igreja a tratar deste tipo de casos:

SPIEGEL ONLINE: For years the abuse was covered up and kept quiet. Some victims were forced to sign non-disclosure agreements in exchange for compensation payments.

Siebner: I assume there were cases like that. The victims aren’t making this stuff up.

SPIEGEL ONLINE: Should charges be brought in each individual case?

Siebner: What is a case? Where does abuse begin? It can’t be addressed easily with sweeping answers. My astonishing experience has been that many victims wouldn’t talk if charges were going to be immediately brought. At the same time, if I go too far in taking care of my employees and adopting the assumption that they are innocent, then I also risk silencing the victims yet again. The message then would be that I don’t believe them. It’s a real dilemma. The only solution I can really see to this is to have independent ombudspeople.


Angel Boligan, «El Universal»

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