Notas ao café…

Arqueologia espacial

Posted in notas ao café by JN on Março 20, 2010


Ed Stein, «EdSteinInk.com»

O projecto de voltar à Lua foi, por dificuldades financeiras e porque em tempos de crise há outras prioridades, abandonado indefinidamente pela administração americana. Mas o programa Apollo ainda dá o que falar; agora o motivo é o legado histórico das missões lunares.

Quando visitaram a Lua, os americanos ainda não tinham os cuidados que hoje se exigem em contacto com a natureza, como a “contaminação” do local de visita. Na primeira alunagem, os astronautas Edwin E.”Buzz” Aldrin Jr. e Neil Armstrong deixaram para trás mais de 100 itens quando deixaram a lua, a 21 de julho de 1969, às 17:54, hora terrestre. Entre o “lixo” que deixaram na superfície lunar encontravam-se quatro recipientes de urina, vários sacos de enjoo, uma câmara Hasselblad, botas lunares e uma plataforma de desembarque completa. A missão foi um sucesso e um marco histórico. Mas agora alguns viram-se para o que foi deixado para trás e se estes terão algum valor histórico.


“Buzz” Aldrin fotografado por Neil Armstrong. Ao fundo vê-se o módulo lunar “Eagle” (foto: NASA).

Beth O’Leary, uma antropóloga da Universidade do Novo México, é uma das pessoas que olham para o “lixo” lunar pelo seu valor histórico. É uma das fundadoras do Lunar Legacy Project e em conjunto com os seus colegas compilou um mapa que identifica os itens deixados durante a missão e uma lista de todo o “lixo” deixado pelas missões do programa Apollo. Estes arqueologistas estão preocupados com o facto de missões futuras, ou os possíveis futuros turistas espaciais, possam destruir os artefactos arqueológicos. Os esforços de Beth O’Leary e dos seus colegas deram origem a uma nova disciplina académica que até agora tinha sido considerada irrelevante: a arqueologia espacial.

O estado da Califórnia recentemente nomeou os restos da missão Apollo 11 de recurso histórico — o Texas, Novo México, Florida pretendem fazer o mesmo. Embora a Lua não tenha um dono, segundo tratados internacionais o que lá é deixado pertence ao país de origem — mas o assunto pode tornar a reacender o debate sobre o território lunar. O “lixo” do projecto Apollo está, para já, protegido.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: