Notas ao café…

Katyn & Kaczynski

Posted in notas ao café by JN on Abril 11, 2010

7 de Abril: O primeiro-ministro russo Vladimir Putin e o seu homólogo polaco, Donald Tusk, depositam coroas de flores durante a cerimónia em que se prestou homenagem aos milhares de militares, polícias e outros prisioneiros polacos executados na floresta de Katyn, perto de Smolensk na Rússia Ocidental, pela polícia secreta soviética em 1940 (foto: Pempel Kacper/Reuters).

Em Abril e Maio de 1940, a polícia secreta soviética executou mais de 20 mil militares polacos em diferentes locais da União Soviética, incluindo a floresta de Katyn, Tver e Kharkov. A ordem de execução, elaborada pelo chefe dos serviços secretos aoviéticos, Lavrenty Beria, foi assinada por Estaline. A NKVD, a polícia secreta soviética, foi a responsável pelo massacre.

Na cerimónia que ocorreu no dia 7 deste mês para assinalar o massacre de Katyn, Vladimir Putin prestou homenagem aos polacos mortos pelos soviéticos. Pela primeira vez um primeiro-ministro russo participou numa cerimónia semelhante e foi também a primeira a ocorrer no próprio local, em solo russo. O gesto é visto como um novo começo nas turbulentas relações entre os dois países — algo que não é inédito na História da “nova” Rússia. O Sr. Putin iniciou o seu percurso na KGB, a sucessora da NKVD e no final dos anos 90 chefiou o FSB, que surgiu da KGB após o colapso da União Soviética. O passado do primeiro-ministro russo com os serviços secretos russos é um dos vários motivos para que o gesto de Vladimir Putin seja considerado histórico e um que pode abrir um novo capítulo nas relações russo-polacas, algo que não será fácil como escreve a Der Spiegel.


Arend van Dam

À data ficará também associado outro trágico acontecimento que enlutou a Polónia: durante o regresso de Katyn, o Presidente polaco, Lech Kaczynski e uma grande parte dos altos responsáveis da Polónia morreram na queda do Tupolev Tu-154, ao serviço do Governo de Varsóvia, que se despenhou ontem pouco antes da aterragem em Smolensk, na Rússia. Informações indicam que na origem do desastre terá estado um erro do piloto do aparelho e a hipótese de o mau tempo ter provocado o acidente também já foi colocada. Escreve o New York Times:

[…] The crash came as a stunning blow to Poland, wiping out a large portion of the country’s leadership in one fiery explosion. And in a chilling twist, it happened at the moment that Russia and Poland were beginning to come to terms with the killing of more than 20,000 members of Poland’s elite officer corps in the same place 70 years ago. […]

Russian emergency officials said 97 people were killed. They included Poland’s deputy foreign minister and a dozen members of Parliament, the chiefs of the army and the navy, and the president of the national bank. They included Anna Walentynowicz, 80, the former dock worker whose firing in 1980 set off the Solidarity strike that ultimately overthrew Polish Communism, as well as relatives of victims of the massacre that they were on their way to commemorate.

Poles united in their grief in a way that recalled the death of the Polish pope, John Paul II, five years ago. Thousands massed outside the Presidential Palace, laying flowers and lighting candles. […]

Entre as vítimas encontra-se Anna Walentynowicz. O seu despedimento em Agosto de 1980 foi a causa do início da vaga de greves que paralisaram os estaleiros de Gdansk e se estenderam a todo o país. Em Setembro cerca de um milhão de trabalhadores estavam em greve.


Martin Sutovec

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: