Notas ao café…

A jogada de Brown

Posted in notas ao café by JN on Maio 11, 2010


Chappatte, «Le Temps»

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, decidiu surpreender o Reino Unido e disse que pretende renunciar à liderança do Partido Trabalhista até Setembro. O Sr. Brown não deixou claro quando irá renunciar ao cargo de primeiro-ministro, afirmando apenas que não tem a intenção de permanecer no cargo “por mais tempo do que o necessário para formar um governo estável”. O anúncio do actual primeiro-ministro ocorreu pouco depois da divulgação da informação de que a equipe de negociadores do partido Liberal Democrata – que desde quinta-feira negocia com o partido Conservador um possível acordo para a formação de um governo de uma coligação – decidiu também manter contactos com os trabalhistas para discutir uma possível aliança.

O anúncio do Sr. Brown é interpretado nos meios políticos britânicos como uma medida com o objectivo de tentar facilitar um acordo entre trabalhistas e liberais-democratas. No Bagehot’s notebook, o blog do editor de política britânica da The Economist, escreve-se que este acto ousado e desesperado de Gordon Brown, uma espécie de kamikaze político, não passa de isso mesmo, uma última tentativa de impedir David Cameron de vir a ser o próximo primeiro-ministro. O actual primeiro-ministro terá acedido às vozes do interior do seu partido que afirmam que ele é o principal entrave a um acordo com os Liberais Democratas — e Gordon Brown foi levado muito a sério na City já que a libra de imediato caiu.


Stephff, «The Nation»

O Reino Unido continua à espera do próximo governo, algo que ainda poderá levar algum tempo a acontecer. Para já é Nick Clegg quem “vence” e o anuncio de Gordon Brown é-lhe favorável já que o coloca numa posição de vantagem para negociar com os outros dois partido, principalmente com os conservadores. No momento sabe-se que do próximo governo Gordon Brown não fará parte. David Cameron talvez sim ou não, mas as sua dificuldades foram acrescidas pela jogada do Sr. Brown:

[…] The difficulty for Mr Cameron, should he be inclined to be more generous over electoral reform—by, for example, agreeing to a referendum on a change, with the proviso that his party would oppose it—is that many Tory party members and MPs would bitterly resent any such concession. Indeed, there is widespread scepticism among Tories about any sort of co-operation with the Lib Dems. There are already rumbles of discontent about Mr Cameron’s failure to secure the majority that once seemed within the Conservatives’ reach. […]

Jonathan Freedland, no The Guardian, escreve que Gordon Brwon tomou o único caminho possível e evitou a humilhação. Segundo Freedland, Nick Clegg, quem tudo irá decidir, no momento não sabe com quem irá formar a coligação e uma aposta nos Trabalhistas poderá ser um tiro no escuro, já que não sabe ainda quem poderá ser o seu “parceiro”.


Deng Coy Miel

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