Notas ao café…

De Dreyfus à burqa

Posted in notas ao café by JN on Maio 14, 2010

4 de Março de 2009: Uma mulher atravessa um velho bazar em Kabul, Afeganistão (Ahmad Masood/Reuters).

O caso Dreyfus dividiu a França no final do século XIX. Tratou-se da condenação por alta traição do Capitão Alfred Dreyfus, um oficial de artilharia do exército francês, de origem judaica. Dreyfus foi condenado num processo fraudulento, conduzido à porta fechada, e a condenação baseava-se em documentos falsos. Quando as autoridades militares franceses aperceberam-se do erro, tentaram ocultar o facto. A condenação de  Dreyfus foi em muito impulsionada por uma onda de nacionalismo e xenofobia que invadiu a Europa no final do século XIX.

Ruth Harris, na Foreign Policy, recupera o caso Dreyfus para enquadrar o novo debate que existe em França dos dias de hoje: o banir a burqa. Harris escreve que o debate já é longo neste país e não apenas na direita francesa. Ao longo da História de França o medo da religião e a sua influência sempre existiu no seio da sociedade, e é impossível entender o debate sobre a burqa sem entender a natureza e origem de todo este debate.

A The Economist tenta explicar porque a esquerda francesa também apoia a decisão de banir a burqa:

[…] Although very few women in France cover their faces—no more than 2,000, according to official estimates—it is a new trend. Politicians and researchers say that the wearing of the headscarf by French Muslims, many of whom are of North African origin where there is no tradition of covering the face, is a sign of manipulation by hardline Islamic radicals keen to test the French state. The French are unapologetic about wanting to reassert “the values of the republic” by going ahead with a ban.

How it would be applied in practice remains unclear. As it is, the Conseil d’Etat, the highest administrative court, has expressed worries about the legal grounds for a ban. If passed, Mr Copé says that it will apply not only to French Muslims, but to visitors from the Middle East too. Would such women be fined while doing their shopping on the Champs-Elysées? How can the government be sure that a woman is wearing the burqa under orders from her menfolk? Would it not lead to their further isolation, as they felt unable to venture out of the home? If that were indeed the upshot, it would be paradoxical for a law designed in part to ensure equality for women.

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