Notas ao café…

O acordo de Ahmadinejad

Posted in notas ao café by JN on Maio 19, 2010


Rainer Hachfeld, «Neues Deutschland»

O presidente brasileiro, Lula da Silva, e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, conseguiram um acordo com o Presidente Mahmoud Ahmadinejad que surpreendeu o mundo. Segundo este novo acordo o Irão concordou em enviar grande parte do seu urânio pouco enriquecido para a Turquia para armazenamento, cerca de 1,2 toneladas. Em troca, um ano depois o Irão receberá 120 kg de urânio enriquecido da França e da Rússia para a produção de isótopos para uso em medicina. O acordo é semelhante ao negociado com os países ocidentais em Outubro de 2009, mas agora poderá complicar os esforços do Presidente Obama para aumentar as sanções internacionais contra o Irão, especialmente por parte da China que recebeu com agrado o novo acordo, assim como a Rússia.

A The Economist escreve que o novo acordo dificilmente agradará aos EUA e a muitos dos seus aliados e Hillary Clinton, esta terça-feira, disse que os países do Conselho de Segurança da ONU chegaram a um acordo sobre uma proposta de resolução que prevêem novas sanções contra o Irão. Um dos países contra é, algo esperado, o Brasil e a embaixadora do Brasil na ONU, Maria Luiza Ribeiro Viotti, disse que o país não irá participar na discussão porque “há uma nova situação” no momento, referindo-se ao recente acordo obtido em Teerão.


Joep Bertrams

Para David Albright não existe qualquer razão para o Conselho de Segurança e o Presidente Barack Obama não continuarem as negociações para impor novas sanções ao Irão. Michael Roston é da opinião que o Presidente americano deve simplesmente recusar este novo acordo:

[…] What’s worse, by negotiating a deal with Brazil and Turkey, Iran is using the old tactic of packing the room with more parties, adding to the complexity of the negotiating process down the road. It’s no longer just the UN Security Council’s permanent members plus Germany jawing over Iran’s nuclear program – now we have to deal with political developments in Brazil and Turkey going forward.

Instead of peeling the onion, Iran seems to want to add more layers. It really shouldn’t be hard for Obama to reject this notion, stating outright that America is interested in negotiating a comprehensive package involving the entirety of Iran’s nuclear program. […]

Para David Rothkopf fala da surgimento de uma nova diplomacia no Médio Oriente e com novos actores

[T]urkey and Brazil working closely with Russia, India, and China, have effectively sent a message that Plan B has returned to the global equation. They have essentially said they didn’t want to go along with the American approach to solving the problem (sanctions) and were vehemently against the Israeli approach (bombs away).  […]

Something else vitally important to notice has happened here. This has become the first Middle Eastern stand-off in which the most important player from outside the region was China — because China is the one country that had and has the power to determine whether or not a sanctions regime would work. […]

Thus this deal may seem smallish and technical from afar, but it could well signal a change in the way international diplomacy works. Certainly, it signals an intent on the part of a group of vitally important emerging powers not to be cowed by the “with us or against us” mindset that still permeates some in the U.S. foreign policy establishment.

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