Notas ao café…

A segunda factura

Posted in notas ao café by JN on Maio 14, 2010

Pressionado por Bruxelas José Sócrates cedeu, voltou atrás no que sempre defendeu, e Portugal vai sofrer um aumento generalizado de impostos. Depois dos contribuintes terem salvo o complexo financeiro chegou a segunda parte da factura. O Sr. primeiro-ministro pode dizer que “O esforço tem de ser feito por todos” e, aparentemente, de uma forma igual. Mas o esforço não será igual para todos; as classes mais baixas — aqueles que não têm culpa de nada — terão um esforço bem maior e avida bem mais difícil nos próximos tempos.

O Dr. Pedro Passos Coelho bem pode culpar os socialistas de tudo — até dá jeito, como se o PSD de nada fosse culpado — e pedir “desculpa” por ter sido “obrigado” a concordar com o Eng. Sócrates e avisar este que isto não significa um “cheque em branco” ao Governo para o próximo orçamento, porque isso é indiferente e (já) não interessa a ninguém; o nosso cheque não o será.


Michael Kountouris

A oferta de Karzai

Posted in notas ao café by JN on Maio 13, 2010


Paresh Nath, «The Khaleej Times»

Barack Obama disse nesta quarta-feira que os EUA apoiam a iniciativa do governo do Afeganistão em abrir as portas a membros dos Taliban que renunciem à violência e cortem relações com a rede extremista Al-Qaeda. A declaração foi feita após um encontro entre o Presidente americano com o Presidente afegão, Hamid Karzai, em Washington. No encontro o Sr. Karzai disse pretender atrair muitos Taliban a abandonar a luta armada com a promessa de emprego e dinheiro.

No seu encontro os dois Presidentes esforçaram-se por mostrar que estão unidos no projecto de combate à guerrilha Taliban, que anteriores divergências foram ultrapassadas e que todas as notícias sobre a corrupção que existirá no governo afegão, e as mortes civis provocadas pelas acção dos militares americanos foram em muito exageradas. Na conferência de imprensa, o Presidente Obama — e nas vésperas de uma grande ofensiva contra os Taliban no seu principal reduto na região da cidade afegã de Kandahar — disse que os militares americanos estão a fazer progressos.

Para Mark Mardell, Barack Obama não tem grande escolha no momento, está obrigado a entender-se com Hamid Karzai e esquecer o passado recente. Stephen M. Walt parece ser da mesma opinião:

[…] Virtually everyone agrees that we can’t succeed in Afghanistan without a reasonably legitimate and effective government in Kabul, even if it is running a fairly decentralized state with lots of local autonomy. There is also widespread agreement that Karzai is an ineffective leader, and that corruption is endemic. We’ve tried browbeating him to no avail, and now we’re trying a charm offensive. But neither is going to work, and President Obama is going to face another difficult decision when that eighteen-month deadline expires next summer.


Ed Stein, «EdSteinInk.com»

Um meio de conhecimento

Posted in palavras ao café by JN on Maio 13, 2010

“Não, a vida não me desapontou! Pelo contrário, todos os anos a acho melhor, mais desejável, mais misteriosa… desde o dia em que vejo a mim a grande libertadora, a ideia de que a vida podia ser experiência para aqueles que procuram saber, e não dever, fatalidade, duplicidade!… Quanto ao próprio conhecimento, seja ele para outros aquilo que quiser, um leito de repouso, ou o caminho para um leito de repouso, ou distracção ou vagabundagem, para mim é um mundo de perigos, é um universo de vitórias onde os sentimentos heróicos têm a sua sala de baile. «A vida é um meio de conhecimento»; quando se tem este princípio no coração, pode viver-se não somente corajoso mas feliz, pode-se rir alegremente! E quem, de resto, se ouvirá, portanto, a bem rir e a bem viver se não for primeiramente capaz de vencer e de guerrear?”

Friedrich Nietzsche, in «A Gaia Ciência»


Oguz Gurel

Casamento de conveniência

Posted in notas ao café by JN on Maio 13, 2010


Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»

Acabou a era do New Labour e o Reino Unido tem um novo primeiro-ministro. David Cameron é o mais novo primeiro-ministro em 200 anos e o primeiro a liderar uma coligação desde a Segunda Guerra Mundial — Winston Churchill, em 1940, tornou-se primeiro-ministro à frente de uma coligação formada por conservadores, trabalhistas e liberais. Os Liberais Democratas, embora o seu magro resultado nas eleições gerais, conseguiram um poder maior que o seu próprio partido ou os seus antecessores desde os anos 30.

Com o acordo também espera-se um referendo sobre uma reforma do sistema eleitoral do país, algo que os Liberais Democratas exigem. Estes tiveram de aceitar um plano de corte nas despesas públicas de seis mil milhões de libras a partir deste ano, contra o que defendiam: esperar pelo próximo ano. Tiveram de aceitar as quotas de imigrantes e renunciar à amnistia dos clandestinos e tiveram de se submeter ao aval por referendo sobre qualquer transferência de poder à UE e renunciar à adopção do euro.

Os Liberais Democratas britânicos ficam à frente de ministérios que fazem ponte com os dos conservadores, e ficam com a responsabilidade da Escócia e do clima. Os conservadores ficam com as pastas da Defesa, do Interior, dos Negócios Estrangeiros.

Tanto David Cameron como Nick Clegg afirmaram que esperam que o novo governo dure pelo menos cinco anos. Depois do “sismo” que foram estas eleições, quanto tempo o novo governo irá durar não se sabe e é ponto de interrogação para muitos, como Carsten Volkery na Der Spiegel.

Star “Lego” Wars

Posted in notas ao café by JN on Maio 12, 2010

A primeira  trilogia “Guerra das Estrelas” contada em dois minutos  e com uma invejável colecção de Legos:

Ecossistemas e a economia

Posted in notas ao café by JN on Maio 12, 2010


Clay Bennett, «Chattanooga Times Free Press»

A destruição de ecossistemas da Terra deve começar a afectar as economias de vários países nos próximos anos, de acordo com um relatório da ONU, divulgado nesta segunda-feira. O terceiro Global Biodiversity Outlook (GBO-3) afirma que vários ecossistemas podem estar próximos de sofrer mudanças irreversíveis, tornando-os cada vez menos úteis à humanidade. Entre estas mudanças estão o rápido desaparecimento de florestas, a proliferação de algas em rios e a morte generalizada de corais. Até o momento, a ONU calculou que a perda anual de florestas tem um custo muito maior que os prejuízos causados pela recente crise económica mundial. O cálculo foi feito com base nos valores estipulados num protejo chamado Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade para serviços prestados pela natureza, como a purificação da água e do ar, a protecção de regiões litorais de tempestades e a manutenção da natureza para o eco-turismo.

E como diz Achim Steiner, director executivo do Unep:

Humanity has fabricated the illusion that somehow we can get by without biodiversity, or that it is somehow peripheral to our contemporary world. The truth is we need it more than ever on a planet of six billion heading to over nine billion people by 2050.”


Oguz Gurel

O jogo da culpa

Posted in notas ao café by JN on Maio 12, 2010


Wright, «The Detroit News»

O derrame de petróleo no Golfo do México, perigosamente próximo da costa americana, cresce a um ritmo constante dia a dia. Em Washington três empresas tentam explicar ao Senado o que correu mal. O presidente da BP americana, Lamar McKay, começou por afirmar que apenas 126 funcionários da Deepwater Horizon eram da BP. No processo além da BP estão a Transocean (quem operava a plataforma) e a Halliburton (responsável pela construção dos poços de petróleo) e como escreve Mark Mardell as audições transformaram-se num “jogo de culpa”.

A BP já assumiu a responsabilidade pela limpeza do derrame no Golfo do México, que poderá vir a ser a maior catástrofe ambiental na história americana. Em entrevista à Der Spiegel, o Director executivo da BP, Tony Hayward diz que embora a sua empresa esteja pronta a assumir os danos provocados pelo derrame, este não significa o fim da exploração em águas profundas:

SPIEGEL: The US government has banned oil drilling in any new areas off the US coast while the spill is being investigated. Does deep-sea drilling still have a future?

Hayward: I think it is understandable and right that government and industry should pause to reflect after this disaster — and that offshore (drilling) should only be pursued once public confidence in deep-water offshore (drilling) is restored. But I also believe that after a sensible debate, US legislators will come to the conclusion that the Gulf of Mexico and other offshore regions are a vital contributor to US energy security, and to meeting rising global demand for energy. […]


Vic Harville, «Stephens Media Group»

Ciclos…

Posted in palavras ao café by JN on Maio 12, 2010

“De quanta imaginação não é feita uma vida para se compensar o que se não realizou! Já todos o sabemos e nunca ninguém o sabe. Se fosse coisa de se saber, não havia maníacos da droga, do fumo ou do álcool. Projecta-se milimetricamente uma reacção a ter, uma ofensa a vingar, uma desconsideração a menosprezar, uma conquista a fazer. E sai sempre outra coisa: nem nos vingamos porque se interpôs uma fraqueza, nem menosprezámos a desconsideração porque nos menosprezaram o nosso menosprezo, nem conquistámos nada porque amanhã é que é. Mas falhada a nossa reacção, logo congeminamos de novo efectivá-la e com acréscimo de efeito. Até que o tempo e a morte tudo decidam irremediavelmente por nós. E acabamos por achar que decidiu bem, porque o mais fácil de resolver é sempre o não resolver.”

Vergílio Ferreira, in «Conta-Corrente 3»


Andy Singer, «No Exit»

A herança de Ratzinger

Posted in notas ao café by JN on Maio 12, 2010

11 de Maio: O Presidente Cavaco Silva recebe Bento XVI durante a sua chegada ao aeroporto da Portela (Andre Kosters/EFE).

Bento XVI já se encontra em Portugal mas o que vai fazendo notícia nos jornais pelo mundo são as declarações aos jornalistas durante a sua viagem. Aos jornalistas Joseph Ratzinger disse que “Os ataques contra a Igreja e o Papa não vêm apenas do exterior, os sofrimentos vêm do interior da Igreja, do pecado que existe na Igreja”. Para o Papa “A Igreja precisa reaprender profundamente a penitência, aceitar a purificação, aprender o perdão, mas também a Justiça.”

Se inicialmente, a Igreja acusou a imprensa e sectores contrários aos católicos de mobilizar uma suposta campanha de difamação, as declarações marcam uma reviravolta na postura do Vaticano em relação às alegações de abusos sexuais cometidos por membros do clero. Citado pelo El Pais, Filippo di Giacomo disse que a mensagem  de Bento XVI é a condenação mais radical até agora pronunciada pelo Papa sobre a linha de actuação do seu antecessor, João Paulo II, e à sua pesada herança; ao mesmo tempo é um agradecimento implícito aos meios de comunicação que informaram sobre os abusos e que ajudaram a apurar a verdade e a fazer uma “limpeza” na Igreja.


Cardow, «The Ottawa Citizen»

O adeus de Brown

Posted in notas ao café by JN on Maio 11, 2010


Rainer Hachfeld, «Neues Deutschland»

A jogo de Gordon Brown não teve o resultado que este esperava e os Trabalhistas foram obrigados a admitirem o fracasso nas negociações com os Liberais Democratas e que os esforços do partido na busca de um acordo para participar de um novo governo britânico chegaram ao fim. O ainda primeiro-ministro apresentou a sua demissão à Rainha e recomendou o nome de David Cameron para primeiro-ministro. E em Buckingham Palace o Sr. Cameron aceitou a nomeação e é agora o primeiro-ministro do Reino Unido. Nick Clegg será vice primeiro-ministro do novo governo.

Alex Massie analisa a estratégia de Nick Clegg:

[…] Once Labour MPs vowed to derail any plan to force through voting reform without a referendum and once John Reid, David Blunkett and Andy Burnham pointed out the absurdity of a “Loser’s Alliance” that, however constitutionally permissable, would mock the actual, you know, result of the election then even the most sawdust-brained Liberal Democrat MP could appreciate that this bird wouldn’t fly.

That leaves a proper deal with the Tories the only sensible option – an outcome that I suspect was Clegg’s preference all along. But he may now have been able to sell the idea to his party without having to make it a confidence motion in his own leadership or having to issue an ultimatum to his party. That leaves Clegg in a stronger position internally.

And, of course, by flirting with Labour Clegg was able to persuade the Tories to increase their offer on voting reform even though it became clear that Labour couldn’t possibly give Clegg any real assurances on voting reform themselves. This too makes it easier for Clegg internally. […]

James Landale, da BBC, faz o percurso da carreira política de Gordon Brown. No The Guardian, Michael White escreve que ao fim de dez anos de governo não há volta de honra para Gordon Brown, apenas uma saída rápida e digna; até no fim Gordon Brown manteve-se igual a si próprio:

[…] He will resign as an MP – the modern fashion – and has sufficient international standing to get a big job, probably in tackling global poverty, the passion he acquired from the David Livingstone stories of his Presbyterian childhood. First, he must rest and come to terms with his own record. It’s over.

A ajuda ao euro

Posted in notas ao café by JN on Maio 11, 2010


Chappatte, «International Herald Tribune»

A UE apresentou um pacote que poderá atingir 750 mil milhões de euros numa tentativa de evitar a falta de confiança nos mercados na moeda comum europeia. O pacote de ajuda da UE à Grécia, aprovado pouco mais de uma semana atrás, revelou-se insuficiente para garantir essa confiança. Então, para evitar o que muitos pensaram que iria ser uma segunda-feira negra nos mercados globais, os ministros das Finanças da UE trabalharam até tarde da noite na noite de domingo e apresentaram o novo pacote para sustentar o euro e evitar novos ataques especulativos contra o euro.

Os mercados reagiram positivamente e o pacote europeu faz bolsas as bolsas subir, tanto na Europa como nos EUA. Stephanie Flanders, da BBC, escreve que devido ao valor deste pacote, as regras monetárias da UE foram reescritas e que estar na zona euro tem agora um significado bem diferente do de algumas semanas atrás; chegou a era da união fiscal.


Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»

No Charlemagne’s notebook escreve-se:

AT two in the morning on May 10th, European Union finance ministers agreed a huge increase in their political will to defend Europe’s single currency, backed by a stunning €750 billion in aid for weak links in the 16 member eurozone. Simultaneously, the European Central Bank took a revolutionary shift away from its inflation-fighting mission, announcing a scheme to buy up government bonds on the financial markets.

That new sense of resolve is good news. The more troubling news is that it took 11 hours of bitter wrangling to get the ministers to that point, and—thanks to continued German anxiety about undermining eurozone discipline by bailing out the profligate—there will be three separate mechanisms to deliver that €750 billion, of such fiendish complexity that EU officials are still not quite sure how it will all work. In a nice irony, the ministers—who have spent weeks denouncing financial markets as wicked speculators—only stopped arguing and agreed a plan in the early hours of this morning because they knew markets were about to open in Asia, well-informed sources say.

Does the good news trump the troubling news? Yes: as long as lingering disagreements and uncertainties do not hold up the rescue plan. Europe is building its own financial bazooka to warn off the markets, to borrow Hank Paulson’s image. If it is ready to fire when needed, then complexity probably does not matter for now.


Arend van Dam

A jogada de Brown

Posted in notas ao café by JN on Maio 11, 2010


Chappatte, «Le Temps»

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, decidiu surpreender o Reino Unido e disse que pretende renunciar à liderança do Partido Trabalhista até Setembro. O Sr. Brown não deixou claro quando irá renunciar ao cargo de primeiro-ministro, afirmando apenas que não tem a intenção de permanecer no cargo “por mais tempo do que o necessário para formar um governo estável”. O anúncio do actual primeiro-ministro ocorreu pouco depois da divulgação da informação de que a equipe de negociadores do partido Liberal Democrata – que desde quinta-feira negocia com o partido Conservador um possível acordo para a formação de um governo de uma coligação – decidiu também manter contactos com os trabalhistas para discutir uma possível aliança.

O anúncio do Sr. Brown é interpretado nos meios políticos britânicos como uma medida com o objectivo de tentar facilitar um acordo entre trabalhistas e liberais-democratas. No Bagehot’s notebook, o blog do editor de política britânica da The Economist, escreve-se que este acto ousado e desesperado de Gordon Brown, uma espécie de kamikaze político, não passa de isso mesmo, uma última tentativa de impedir David Cameron de vir a ser o próximo primeiro-ministro. O actual primeiro-ministro terá acedido às vozes do interior do seu partido que afirmam que ele é o principal entrave a um acordo com os Liberais Democratas — e Gordon Brown foi levado muito a sério na City já que a libra de imediato caiu.


Stephff, «The Nation»

O Reino Unido continua à espera do próximo governo, algo que ainda poderá levar algum tempo a acontecer. Para já é Nick Clegg quem “vence” e o anuncio de Gordon Brown é-lhe favorável já que o coloca numa posição de vantagem para negociar com os outros dois partido, principalmente com os conservadores. No momento sabe-se que do próximo governo Gordon Brown não fará parte. David Cameron talvez sim ou não, mas as sua dificuldades foram acrescidas pela jogada do Sr. Brown:

[…] The difficulty for Mr Cameron, should he be inclined to be more generous over electoral reform—by, for example, agreeing to a referendum on a change, with the proviso that his party would oppose it—is that many Tory party members and MPs would bitterly resent any such concession. Indeed, there is widespread scepticism among Tories about any sort of co-operation with the Lib Dems. There are already rumbles of discontent about Mr Cameron’s failure to secure the majority that once seemed within the Conservatives’ reach. […]

Jonathan Freedland, no The Guardian, escreve que Gordon Brwon tomou o único caminho possível e evitou a humilhação. Segundo Freedland, Nick Clegg, quem tudo irá decidir, no momento não sabe com quem irá formar a coligação e uma aposta nos Trabalhistas poderá ser um tiro no escuro, já que não sabe ainda quem poderá ser o seu “parceiro”.


Deng Coy Miel

Publicidade & Democracia

Posted in palavras ao café by JN on Maio 11, 2010

“Advertising is of the very essence of democracy. An election goes on every minute of the business day across the counters of hundreds of thousands of stores and shops where the customers state their preferences and determine which manufacturer and which product shall be the leader today, and which shall lead tomorrow.”

Bruce Barton (1955), Presidente da BBDO, citado por James B. Simpson, in «Contemporary Quotations»


Gurbuz Dogan Eksioglu (Turquia)

Andrew Sullivan no Colbert Nation

Posted in notas ao café by JN on Maio 10, 2010


Adam Zyglis, «The Buffalo News»

Andrew Sullivan, autor do The Daily Dish, um blog da The Atlantic, jornalista e escritor inglês radicado nos EUA e que se identifica politicamente como conservador fala com Stephen Colbert sobre o Presidente Barack Obama. Para Sullivan a acção do Presidente é positiva:

Vodpod videos no longer available.

Quotidianos (21)

Posted in quotidianos by JN on Maio 10, 2010

29 de Abril: Um soldado russo da subdivisão do Kremlin cai por exaustão provocada pelo calor perto do túmulo ao soldado desconhecido em Moscovo (Misha Japaridze/Associated Press).

30 de Abril: Um monge budista assiste ao fogo de artifício da cerimónia de inauguração da Exposição Mundial de Xangai (Aly Song/Reuters).

5 de Maio: O Capitão Patrick Heim do 508º Regimento de Infantaria Pará-quedista do exército americano, barbeia-se durante uma tempestade de areia no vale de Arghandab, perto de Kandahar, no sul do Afeganistão (Yannis Behrakis/Reuters).

5 de Maio: Samaritanos rezam no Monte Gerizim, perto da cidade de Nablus no norte da Cisjordânia, durante o Shavuot, que celebra a entrega da Torah a Moisés no Monte Sinai sete semanas após o êxodo dos Judeus do Egipto. Os Samaritanos são descendentes da antigas tribos de Israel de Manassés e Ephraim e a comunidade rondará as 700 pessoas, metade das quais vive no Monte Gerizim e a outra em Holon, perto de Tel Aviv (Alaa Badarnesh/EPA).

5 de Maio: Várias pessoas em Port-au-Prince, Haiti, juntam-se para assistir à projecção de um jogo amigável de futebol entre o Haiti e a Argentina (Esteban Felix/Associated Press).

6 de Maio: Várias pessoas assam cordeiros em espetos para a preparação do Cheverme, um prato tradicional que é comido no dia de São Jorge na aldeia de Patalenitsa, Bulgária (Stoyan Nenov/Reuters).

7 de Maio: Um rapaz trabalha em frente a um pilha de madeira colocada ao longo de uma estrada em Katsina, Nigéria (Akintunde Akinleye/Reuters).

7 de Maio: Apoiantes de Syed Ali Geelani, presidente da Conferência Hurriyat de Todos os Partidos, organização que reúne vários partidos políticos e grupos separatistas da Caxemira, tiram fotografias de um protesto que se realizou perto de Srinagar, Índia. O Sr. Geelani apelou a demonstrações semanais contra a presença de tropas indianas em Caixemira (Altaf Zargar/ZUMA Press).

O “novo” Reino Unido

Posted in notas ao café by JN on Maio 8, 2010


Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»

O Partido Conservador foi o vencedor das eleições no Reino Unido — ou pelo menos foi o que elegeu mais deputados — mas ficou aquém da maioria absoluta necessária para formar um governo. Com 647 dos 650 lugares da Câmara dos Comuns já declarados até este momento, o Partido Conservador elegeu 304 deputados, o Partido Trabalhista 258, os Liberais-Democratas 57 e outros partidos 27. São necessários pelo menos 326 deputados para formar um governo.

O líder dos conservadores e o provavelmente o futuro primeiro-ministro, David Cameron, disse que Gordon Brown “perdeu o seu mandato para governar“. No entanto, na ausência de uma maioria no Parlamento e devido à particular lei britânica, o ainda primeiro-ministro Gordon Brown não assumiu a derrota nem se demitiu e tem direito a uma primeira tentativa para formar um governo de coligação. Para o conseguir, ele precisa obter o apoio dos Liberais Democratas de Nick Clegg, que se saíram pior do que as sondagens haviam previsto — talvez os grandes derrotados destas eleições. Se o Sr. Brown falhar na sua tentativa de formar um governo, David Cameron também poder procurar formar uma coligação, quer com os Liberais Democratas ou com a ajuda de parceiros regionais na Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales que podem exigir em troca “protecção” contra cortes no orçamento para as sua regiões.


Olle Johansson

Nick Clegg, embora com resultados piores do que esperava, é afinal o homem que vai decidir que é o próximo primeiro-ministro do Reino Unido e David Cameron não perdeu tempo a oferecer-lhe um acordo de poder que descreve como “grande, global e aberto” e, inclusive, uma reforma do sistema eleitoral que prejudicou bastante os Liberais Democratas. O que se vai passar nos próximos dias com as negociações de bastidores vai ditar o futuro do Reino Unido mas, como escreve Jeremy Warner no Telegraph deve ser David Cameron o escolhido.

A última vez que o Reino Unido teve um Parlamento minoritário (hung Parliament) foi em 1974. Na altura foi impossível formar um governo de coligação e poucos meses depois novas eleições ocorreram. Michael Sontheimer, na Der Spiegel, escreve que este resultado eleitoral é pouco britânico e que o Reino Unido, pelo menos no sistema político, finalmente juntou-se à Europa, onde situações destas são mais do que comuns:

[…] With these election results, the British finally have a fractured party political landscape just like the rest of Europe. As in France and Germany, the major British parties are increasingly incapable of reflecting the ever more differentiated interests of the electorate. The result could be a reform of the British first-past-the-post electoral system, which currently favors the two largest parties.

Trying to form a government in London will be a protracted yet exciting process. […]


Patrick Corrigan, «The Toronto Star»

Faisal e os Taliban

Posted in notas ao café by JN on Maio 7, 2010


RJ Matson, «St. Louis Post-Dispatch»

Segundo o New York Times, aumentam as evidências da ligação entre Faisal Shahzad — um americano de 30 anos de origem paquistanesa que é acusado de estar por trás do atentado bombista falhado em Times Square —  e os Taliban do Paquistão. Segundo o diário nova-iorquino, o interrogatório a Shahzad parece mostrar que os Taliban forneceram o treino necessário nos meses anteriores ao ataque falhado. Se antes os Taliban paquistaneses assumiram a responsabilidade, agora negam qualquer ligação a Faisal Shahzad. Para as autoridades americanas, a dúvida será qual dos grupos paquistaneses estará ligado ao atentado.

Dick Lugar na Foreign Policy escreve que mais do que nunca, o Paquistão continua a precisar da ajuda dos EUA e seus aliados:

[…] It is also important to manage expectations. Anti-Americanism runs deep in Pakistan. If we are to break the cycle of high hopes and disappointments that has characterized the relationship, we, with our Pakistani partners, must set goals that are clear and achievable. We must be determined, in the face of inevitable setbacks, in demonstrating our commitment to democracy, pluralism, economic growth, and the fight against extremism.

On the American side, the responsibility right now for delivering the resources throughout all of Pakistan has fallen upon our embassy team in Islamabad, which is working ably to cope. […]

On the Pakistani side, the top leaders must be consistent and vocal in their commitment to use our funds to confront poverty and extremism, and that must be matched by the day-to-day actions of politicians and the bureaucracy. Cooperation with U.S. officials on the Times Square terrorist case has apparently been good so far, but much more may be needed as the investigation proceeds. In the past, things haven’t always gone smoothly. […]


Nick Anderson, «Houston Chronicle»

O caso do Sr. Ilyumzhinov

Posted in notas ao café by JN on Maio 7, 2010

O físico britânico Stephen Hawking recentemente disse que, e dada a extensão do Universo, acredita que a vida extra-terrestre seja uma realidade mas ao mesmo tempo acha recomendável não haver contacto com esses extra-terrestres. Na sua nova série no canal Discovery, “Into the Universe“, o Professor Hawking disse que a vida fora da Terra, inteligente, certamente existirá e chegou mesmo a especular sobre a forma que essa vida poderia ter em outros planetas e luas. Ao mesmo tempo o Professor considera perigoso para os seres humanos tentar entrar em contacto com os aliens, alertando que visitantes de outros planetas mais desenvolvidos pode ser uma má notícia para os seres humanos –comparou uma visita de aliens à Terra à chegada de Cristóvão Colombo na América, algo que não correu muito bem para os nativos.


John Darkow, «Columbia Daily Tribune»

Mas a acreditar em certas notícia, os aliens já chegaram: no dia 18 de Setembro de 1998 Kirsan Ilyumzhinov estava no seu apartamento em Moscovo quando foi abduzido, levado para uma nave espacial onde seres extra-terrestres comunicaram com ele telepaticamente. Pelo menos foi o que o Sr. Ilyumzhinov contou num programa de grande audiência da televisão russa na semana passada.

Até aqui nada de especial; contos destes há muitos. O problema é que Kirsan Ilyumzhinov é o Governador da República russa de Kalmykia, além de ser o antigo Presidente da Federação Internacional de Xadrez. Segundo a BBC, deputados do Parlamento russo agora querem que o Sr. Ilyumzhinov seja interrogado para se descobrir que segredos ele terá contado aos visitantes  e querem que seja o próprio Presidente russo, Dmitry Medvedev, a interrogar o Governador.

O Professor Hawking terá alguma razão em dizer que visitas de aliens podem significar problemas; Kirsan Ilyumzhinov também o deve achar agora.

Apropriações…

Posted in notas ao café by JN on Maio 7, 2010

“Porque a relação entre qualquer deputado e qualquer jornalista é uma relação tão íntima, directa e insondável como a do confessionário”, disse Jaime Gama depois de dizer que nada tem a comentar sobre o caso dos gravadores que o deputado Ricardo Rodrigues se “apropriou” durante uma entrevista à revista Sábado. É brilhante a frase, mas isso quer dizer exactamente o quê? Se roubam uns aos outros é lá com eles?

Brown, Cameron e Clegg

Posted in notas ao café by JN on Maio 6, 2010


Taylor Jones, «Hoover Digest»

Os trabalhistas querem uma oportunidade para continuar a governar que provavelmente não irão ter; os conservadores falam de mudança mas sem convencer muito; os liberais-democratas descobriram que há quem os ouça e podem ser a “balança”. São as eleições britânicas com a crise como pano de fundo e hoje os eleitores vão a votos para escolher quem vai ocupar o número 10 de Downing Street, após treze anos de domínio do Partido Trabalhista.

A igualdade nas sondagens e o número de indecisos impedem um vencedor antecipado. David Cameron parece ser o favorito, mas sem maioria absoluta — David Hare escreve que o Sr. Cameron não foi feito para ser primeiro-ministro. Como escreve o El País, são umas eleições que todos podem ganhar e todos querem uma aliança com Nick Clegg.

Walter Oppenheimer, no El País, escreve que se não houver um vencedor claro a sair destas eleições O Reino Unido viverá vários dias com uma luta pelo poder entre Gordon Brown e David Cameron. A lei britânica não obriga um primeiro-ministro derrotado a demitir-se, embora o Parlamento possa forçar a que isso ocorra ao recusar o seu programa de governo ou através da aprovação de uma moção de censura. Neste caso, o Sr. Brown poderia pedir à Rainha a convocação de novas eleições, algo improvável, já que o monarca pode designar como primeiro-ministro outro candidato com possibilidades de ser aceite no Parlamento. Para Oppenheimer, com as actuais sondagens, tudo é possível:

[…] Esa confusión ya fue intuida hace varias semanas por el funcionario más poderoso del reino, el secretario del Gabinete, sir Gus O’Donnell, que el 6 de abril publicó unas directrices generales en las que establece: “Cuando unas elecciones no ofrecen una clara mayoría de un partido, el Gobierno titular se mantiene en el cargo a menos y hasta que el primer ministro ofrece su dimisión y la de su Gobierno al monarca. Un Gobierno titular tiene derecho a esperar que se reúna el parlamento para ver si puede conseguir la confianza de la Cámara de los Comunes o dimitir si está claro que no es probable que pueda conseguir esa confianza”. Esta aclaración legitima a Brown para quedarse en Downing Street si cree que puede lograr un acuerdo con los liberales-demócratas u otras fuerzas. […]


Steve Bell, «The Guardian»

O tédio

Posted in palavras ao café by JN on Maio 6, 2010

“Com respeito à natureza do tédio encontram-se frequentemente conceitos erróneos. Crê-se em geral que a novidade e o carácter interessante do seu conteúdo “fazem passar” o tempo, quer dizer, abreviam-no, ao passo que a monotonia e o vazio estorvam e retardam o seu curso. Mas não é absolutamente verdade. O vazio e a monotonia alargam por vezes o instante ou a hora e tornam-nos “aborrecidos”; porém, as grandes quantidades de tempo são por elas abreviadas e aceleradas, a ponto de se tornarem um quase nada. Um conteúdo rico e interessante é, pelo contrário, capaz de abreviar uma hora ou até mesmo o dia, mas, considerado sob o ponto de vista do conjunto, confere amplitude, peso e solidez ao curso do tempo, de tal maneira que os anos ricos em acontecimentos passam muito mais devagar do que aqueles outros, pobres, vazios, leves, que são varridos pelo vento e voam. Portanto, o que se chama de tédio é, na realidade, antes uma simulação mórbida da brevidade do tempo, provocada pela monotonia: grandes lapsos de tempo quando o seu curso é de uma ininterrupta monotonia chegam a reduzir-se a tal ponto, que assustam mortalmente o coração; quando um dia é como todos, todos são como um só; e numa uniformidade perfeita, a mais longa vida seria sentida como brevíssima e decorreria num abrir e fechar de olhos.”

Thomas Mann, in «A Montanha Mágica»


Shannon Wheeler, «Too Much Coffee Man!»

Negociar com os Taliban…

Posted in notas ao café by JN on Maio 6, 2010


Nate Beeler, «The Washington Examiner»

Jonathan Steele, no The Guardian, pergunta se — e oito anos depois do seu regime ter sido derrubado e com o governo de Hamid Karzai a cair em descrédito tanto a nível interno como externo — negociar com os Taliban não será a única via de se atingir a paz:

[…] Perhaps most surprisingly, even among Afghanistan’s small but determined group of woman professionals, the notion of making a deal with the ultra-conservative men who forced them into burkas and denied them the right to work outside the home is no longer anathema. A desperate desire for peace is trumping concern over human rights.

Given the sense of liberation that accompanied the Taliban’s defeat in 2001, the new mood seems barely credible. For five years, the 20th century’s most brutal form of male chauvinism had held sway across 90% of Afghanistan. It was accompanied by other bizarre efforts to revert to a pre-modern age. […]

For the US, a timetable for withdrawal will be tough for Washington to accept. On the Taliban side, decisions will have to be made on whether to abandon the hope of victory and share power, especially if it means accepting the new Afghan constitution as the basis for a deal. They are bound to demand changes, so what concessions on sharia law and women’s rights are Karzai and Afghan’s other politicians likely to make?

Human rights groups hope to use this month’s peace jirga to lay down red lines. “Women are afraid that the Taliban will come in without any conditions being put by the government,” says Farida Nekzad, who runs the Wakht news agency and is widely regarded as one of the country’s bravest journalists.

But the obstacles to a peace deal will not get smaller as time goes by. By and large, Afghans are ready. When will Obama get on board? Karzai’s visit to the White House next week would be a good moment but, sadly, it seems unlikely.


Kal, «The Economist»

Do Brasil para o mundo

Posted in notas ao café by JN on Maio 6, 2010


Simanca Osmani

David Rothkopf escreveu que Celso Amorim é provavelmente o melhor Ministro dos Negócios Estrangeiros do mundo e que em muito o sucesso do Presidente Inácio Lula da Silva se deve a ele. Do Presidente escreveria que talvez lhe esteja destinado um lugar de destaque no mundo, a presidência do Banco Mundial.

Seja como for, o Presidente brasileiro tornou-se uma figura incontornável da política internacional e agora a Time elegeu-o como o líder mais influente do mundo — Barack Obama ficou no quarto lugar mas é o líder mais popular das redes sociais.

Michael Moore escreve que Lula da Silva protagoniza o que no seu país se chamou american dream:

[…] There’s a lesson here for the world’s billionaires: let people have good health care, and they’ll cause much less trouble for you.

And here’s a lesson for the rest of us: the great irony of Lula’s presidency — he was elected to a second term in 2006 and will serve through this year — is that even as he tries to propel Brazil into the First World with government social programs like Fome Zero (Zero Starvation), designed to end hunger, and with plans to improve the education available to members of Brazil’s working class, the U.S. looks more like the old Third World every day.

What Lula wants for Brazil is what we used to call the American Dream. We in the U.S., by contrast, where the richest 1% now own more financial wealth than the bottom 95% combined, are living in a society that is fast becoming more like Brazil.

Risco e responsabilidade

Posted in notas ao café by JN on Maio 6, 2010


Keefe, «The Denver Post»

Christoph Schwennicke, na Der Spiegel, escreve sobre as semelhanças entre o derrame no Golfo do México e a crise grega: as duas têm origem directa na acção do homem. A diferença está que enquanto a BP pretende arcar com os custos da catástrofe que provocou, os agentes financeiros por trás da crise do euro, e em particular da crise grega, não estão a ser responsabilizados:

[…] Big companies both enjoy the opportunities and assume the risks of their operations, whether they be on the high seas or in the financial markets. Chances are that the oil disaster and its astronomical costs will endanger BP’s survival, just like the horrific tanker accident off the coast of Alaska 21 years ago threatened its competitor Exxon.

When it comes to their dealings with players in the financial markets, European politicians must be as hard-nosed as President Obama has been with BP. If you cause a catastrophe, you should have to pay for it — even if it pushes you to the precipice. It can’t be that those who cause catastrophes can use their alleged “systematic” importance to justify carrying on with business as usual and that governments around the world put their clean-up efforts on hold.

There’s a lesson to be learned from the Exxon Valdez disaster from 1989: The oil company has been making a tidy profit for years, but the fishermen in Alaska are still waiting for the fish to return.


Matt Davies, «Journal News»

A Grécia e o caos

Posted in notas ao café by JN on Maio 5, 2010

5 de Maio: Um membro da polícia de intervenção vê-se rodeado de chamas após ser atingido por um “cocktail molotov” durante uma manifestação no centro de Atenas. Milhares de manifestantes em protesto contra o plano de austeridade do governo entraram em conflito com a polícia após terem tentado invadir o Parlamento (Thanassis Stavrakis/AP).

Todas as forças de segurança gregas foram mobilizadas após os graves distúrbios contra as medidas de austeridade do governo. As medidas incluem o congelamento de salários, cortes nas pensões e aumentos de impostos. Visam a redução do défice público para menos de 3 por cento do PIB até 2014. Nas ruas da capital a palavra “ladrões” foi utilizada repetidas vezes contra os políticos e os organismos financeiros; uma indignação que visa os “símbolos do capitalismo”. Para a Confederação dos Sindicatos a resposta da UE foi hesitante e é agora potencialmente perigosa, não apenas para a Grécia mas para todos os estados da zona euro.


Olle Johansson

Os protestos levaram cerca de 50 mil manifestantes às ruas das principais cidade do país. Um dia de greve geral na Grécia que terminou em drama: três pessoas morreram durante os protestos quando manifestantes incendiaram um banco, o Banco Marfin de Atenas. Na altura encontravam-no nas instalações vinte pessoas que foram socorridas pelos bombeiros. Num dia de quase guerra civil, houve ataques a bancos, ao parlamento. Os gregos não aceitam a ideia de pagar mais e as reformas do governo de têm dias difíceis pela frente. Há noticia de várias detenções e danos materiais importantes depois de uma série de incêndios ateados na cidade sobretudo em edifícios públicos.

Para a Grécia foi uma quarta-feira negra que ameaça não ficar por aqui, face ao nível de tensão que se vive no país depois de confirmado o plano de resgate da economia grega e dos sacrifícios a que toda a população é chamada a cumprir.

Angela Merkel, que tem que convencer os alemães — muito reticentes na ajuda à Grécia — e o Parlamento, advertiu que a crise grega colocou a UE numa encruzilhada e que o futuro da zona euro depende do sucesso da ajuda à Grécia. Para a Chanceler é o futuro da UE e da Alemanha que está em jogo.

O Katrina da BP

Posted in notas ao café by JN on Maio 4, 2010


Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»

Responsáveis da BP, que é a responsável por ter que limpar o derrame provocado pela Deepwater Horizon, descreveram pela primeira vez os seus esforços para selar o poço no Golfo do México. A empresa que já assumiu toda a responsabilidade pelo acontecido, admite que pode demorar cerca de três meses a concluir a tarefa.

Pode vir a ser o pior desastre ecológico ocorrido na América. O petróleo continua a jorrar no Golfo do México desde mês passado a um ritmo de 800 mil litros por dia e as comparações com os danos sofridos por Barack Obama e de George W. Bush com o furação Katrina não demoraram a surgir. As comparações em muito de devem à política energética do Presidente Obama e sua autorização em mais exploração nas costa americanas: Todos os planos do Presidente podem estar comprometidos.

No entanto comentadores germânicos, citados pela Der Spiegel,  afirmam que este será o Katrina da BP e não de Obama:

[…] The US president’s political enemies’ mouths are watering. They are predicting that the oil catastrophe on the southern coast of the US will be for Barack Obama what Hurricane Katrina was in 2005 for George W. Bush. They hope oil-contaminated ecosystems, bankrupt fishermen and black-coated beaches will spark anger against a lethargic government.

But the comparison to the political dimensions of Katrina just won’t work, because this catastrophe lacks the same human component. Around 1,800 people fell victim to the hurricane — the suffering of residents in New Orleans was visible everyday. That is what made Katrina Bush’s political Waterloo.

Obama reacted late, but not too late. And he made a political correction: all oil rigs in the Gulf of Mexico will be checked for safety and exploration permits off the Atlantic coast are suspended. Furthermore, Obama’s planned expansion of oil drilling is once again up for debate.

The oil catastrophe will be BP’s Katrina, not Obama’s.


Dave Granlund, «Politicalcartoons.com»

Khadafi e a Suíça

Posted in notas ao café by JN on Maio 4, 2010


Rainer Hachfeld, «Neues Deutschland»

O líder da Líbia, Muammar al-Khadafi, continua a não perdoar à Suíça ter detido o seu filho Hannibal em 2008, após este ter agredido dois dos seus empregados num hotel em Genebra. Agora o Coronel Khadafi tem mais um motivo para a sua ira contra este país, a proibição dos minaretes. O líder líbio que declarou uma guerra santa contra a a Suíça, numa entrevista à Der Spiegel afirma que a Suíça devia ser dissolvida, que este país “mafioso” é culpado de assassínios em massa devido à legalização do suicídio assistido por razões médicas; para o Coronel os centro onde é praticado são “campos de morte” secretos:

Gadhafi: Money is laundered on a grand scale in Switzerland. Anyone who robs a bank later invests the money in Switzerland. Anyone who evades taxes goes to Switzerland. Anyone who wants to deposit money in secret accounts goes to Switzerland. And a large number of owners of such secret accounts have died under mysterious circumstances.

SPIEGEL: Excuse me?

Gadhafi: Yes, Switzerland is behind it all.

SPIEGEL: Don’t Libyans also have secret accounts in Switzerland?

Gadhafi: Yes, there are also Libyans who have such accounts, and many of them have also died in unexplained ways. All around the world, the families of these people are going to sue Switzerland. And one more thing: Switzerland is the only country that allows euthanasia. Why does only Switzerland do that?

SPIEGEL: Medical euthanasia is also legal in the Netherlands. And, it cannot go unmentioned that Libya has previously had citizens killed abroad who were said to be disloyal.

Gadhafi: But we are talking now about Switzerland. It is possible that among the Libyans who you are asking about — and who died abroad — there were also some who died because they had secret accounts in Switzerland.

SPIEGEL: And you are seriously maintaining that Switzerland as a state ordered the killing of these people?

Gadhafi: The investigations will show this. And this brings me back once again to the phenomenon of assisted suicide. A large number of people have been deliberately eliminated under this pretext. Switzerland maintains that these individuals expressed the desire to take their lives. But in reality it was done to get at their money. More than 7,000 people have died like this. I am thus calling for Switzerland to be dissolved as a state. The French part should go to France, the Italian part to Italy and the German part to Germany. […]

O esforço grego

Posted in notas ao café by JN on Maio 4, 2010


Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»

São 110 mil milhões de euros para a Grécia e com eles o primeiro-ministro George Papandreou espera resolver os problemas da dívida do seu país pelo menos para já. Mas há uma contrapartida: um plano de austeridade rigoroso, que vai obrigar os gregos a grandes sacrifícios. As medidas de austeridade incluem a supressão de bónus e a suspensão do 13º e do 14º mês na função pública, um aumento do IVA dos 21 por cento para os 23 por cento e um aumento de 10 por cento nos impostos sobre os combustíveis, álcool e tabaco. Medidas estão a ser muito mal recebidas nas ruas. As greves e manifestações repetem-se. Para esta quarta-feira está marcada mais uma greve geral.

A fatia de leão deste empréstimo vem dos parceiros da UE, 80 mil milhões de euros. Os outros 30 mil milhões vêm do FMI. É um empréstimo com a duração de três anos a uma taxa fixa de 5 por cento. O Banco Central Europeu deu um sinal positivo à Grécia, ao aceitar como garantia as obrigações da dívida pública. Isto apesar da classificação revista em baixa pelas agências de notação. Mas o BCE só aceita esta garantia porque acredita nos esforços do governo grego. Esforços que para muitos gregos são demasiados.


Joep Bertrams

A Der Spiegel escreve que o resultado da ajuda à Grécia será suficiente ainda é algo que está para se ver. A mesma Der Spiegel escreve, com ou sem razão, que a Grécia é apenas o início:

[…] The money would be well invested if Athens succeeds in getting its state finances under control within the three-year time period, through rigid austerity measures and successful economic management.

But if it doesn’t? Then the money, or at least some of it, will be gone. Then all the things that the rescue measures were intended to prevent could in fact transpire: Lenders would have to write off their claims, banks would have to be rescued once again, speculators would force the rest of the weak PIIGS nations (Portugal, Ireland, Italy, Greece and Spain) to their knees — and the euro would fall apart.

If that happened, the rescuers themselves would be at risk. Even Germany, in international terms a country with relatively sound finances, has amassed enormous debts. If it became caught up in the maelstrom of a euro crisis, the consequences would be unforeseeable. The credit rating of Europe’s strongest economy would be downgraded and Germany would have to pay higher and higher interest rates for more and more loans. Future generations would shoulder an even greater burden as a result. […]

A “lição” de Ahmadinejad

Posted in notas ao café by JN on Maio 4, 2010


“Mahmoud Ahmadinejad”
Fares Garabet

Na Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque, o Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que as armas nucleares são “repugnante e vergonhosas” e um perigo para os países que as têm — uma forma, talvez, de negar indirecta de que o Irão está na possível iminência de desenvolver uma arma nuclear. De qualquer forma, a intenção de Mahmoud Ahmadinejad foi também a de provocar o seu anfitrião, o governo americano — o Sr. Ahmadinejad é o único chefe de estado que decidiu participar no primeiro dia da conferência da ONU de um mês sobre a não-proliferação nuclear.

O seu discurso foi preenchido com severas advertência sobre os perigos das armas nucleares. Não afirmou se o Irão está a desenvolver este tipo de armas ou não; apenas que são terríveis. O único objectivo destas armas é aniquilar todos os seres humanos; a sua produção e posse são um risco para o país que as possui e que este facto não deve ser encarado como uma fonte de orgulho, mas de vergonha.

De relance falou do suposto arsenal de Israel, mas concentrou a maior parte de sua ira sobre os EUA, que ele identificou como o único país que usou armas nucleares e que continua a ser o principal incentivo para outros países as desenvolverem. Americanos, franceses e britânicos abandonaram a Assembleia como sinal de protesto, mas talvez muitos outros países presentes tenham alguma simpatia por esta abordagem. Mahmoud Ahmadinejad não está sozinho nas acusações às velhas potências nucleares em que estas são vistas como um clube arrogante que acreditam ter o direito de governar e decidir quem pode ou não fazer parte desse clube.


Paresh Nath, «The Khaleej Times»

Seja qual for a posição oficial, ninguém duvida seriamente que Israel tem armas nucleares e que muitos países ressentem o facto de os EUA e os seus aliados não se incomodarem muito com isso. Provavelmente todo o propósito do discurso de Mahmoud Ahmadinejad fosse este, Israel tem armas nucleares e não é vítima de sanções por parte de ninguém como o Irão que não as tem, pelo menos para já.

A resposta de Hillary Clinton não tardou e esta afirmou que o programa nuclear iraniano representa o um risco a nível global.


Mr. Fish, «Clowncrack.com»

Maré negra offshore

Posted in notas ao café by JN on Maio 1, 2010


Pat Bagley, «Salt Lake Tribune»

A maré negra originada pelo acidente da plataforma petrolífera da British Petroleum (BP), Deepwater Horizon , chegou aos pântanos do Louisiana — que constituem um santuário para a fauna, em especial os pássaros aquáticos — e poderá transformar-se na pior catástrofe ecológica dos últimos anos nos EUA. Já foi decretada “catástrofe nacional” e para os residente do Texas trata-se de um acontecimento que vai destruir a vida de muita gente.

Os últimos dados indicam que o derrame de petróleo está a crescer a um ritmo de cinco mil barris por dia desde quinta-feira, 22 de Abril, altura em que ocorreu a explosão na plataforma que também causou desaparecimento de 11 trabalhadores. Em Washington, o Presidente Barack Obama, prometeu mobilizar todos os meios disponíveis, incluindo forças militares. Ao mesmo tempo, a administração americana critica a actuação da BP e pelos recursos da companhia não serem suficientes para impedir o que se está a tornar uma catástrofe ecológica e a BP sofre o risco de vários processos legais e elevadas multas — a BBC recorda o incidente do Exxon Valdez e o que se deveria ter aprendido desde então.


Adam Zyglis, «The Buffalo News»

Apesar de todos esforços para minimizar as consequências da explosão na plataforma de petrolífera da BP, tornam-se claras as implicações políticas e  o embaraço da administração. Há cerca de um mês, o Presidente Obama disse que estava disposto a levantar a proibição de décadas na exploração offshore. Foi visto como um gesto de boa vontade para com os Republicanos para angariar apoio para a sua política energética e no combate às alterações climáticas.

Pode ter “ganho” alguns Republicanos, mas “perdeu” os ambientalistas que sempre foram contra este tipo de exploração pelos perigos que acarreta. Os piores receios destes estão a acontecer agora no Golfo do México e a administração veio afirmar que novas explorações offshore estão de novo suspensas até finalizar o inquérito sobre o que aconteceu no Golfo do México.


Adam Zyglis, «The Buffalo News»