Notas ao café…

Uma nova ordem

Posted in notas ao café by JN on Junho 2, 2010


Hajo de Reijger

Numa rara denúncia pública de Israel, o Conselho de Segurança da ONU condenou o ataque de Israel à frota com ajuda humanitária destinada a Gaza e lamentou a perda de vidas inocentes ocorridas. O Conselho também insistiu, assim como Anders Rasmussen, secretário-geral da NATO, que Israel liberte de imediato os 480 activistas detidos — segundo a BBC é algo que irá ocorrer nas próximas horas — e que todos os barcos capturados possam partir. Na mesma deliberação, foi pedido o levantar do bloqueio a Gaza apelidado de “insustentável”. Embora o texto final do Conselho de Segurança tivesse um tom mais fraco do que pretendiam a Turquia e o mundo árabe, foi bem mais forte do que outros, usualmente influenciados pela vontade de Washington sempre que o assunto é Israel.

A condenação de Israel é a todos os níveis surpreendente. Os EUA raramente permitiram que as resoluções do Conselho de Segurança que condenam Israel consigam ser aprovadas. Torna-se claro que o Presidente Obama instruiu o seu embaixador na ONU a juntar-se à condenação de Israel. Como a Turquia está actualmente no Conselho, é possível que os EUA tenham usado a condenação de Israel como moeda de troca com Ancara se querem ter algum sucesso em obter novas sanções contra o Irão – algo com que a Turquia, assim como o Brasil, não estão de acordo, embora nenhum dos dois tenha direito de veto.


Chappatte, «International Herald Tribune»

O incidente poderá ter repercussões nas relações entre Israel e a União Europeia, como escreve a Der Spiegel. O ministro dos Negócios Estrangeiros da irlandês, Micheal Martin, deu a entender que Dublin poderá chegar a cortar relações diplomáticas com Tel Aviv. Cerca de oito dos detidos por Israel são de origem irlandesa.

Mas a maior baixa do raid israelita é sem dúvida a ligação entre a Turquia e Israel e com Recep Tayyip Erdogan a acusar Israel de ter cometido um “massacre sangrento”, a pedir que o Israel seja “absolutamente punido” pelo ataque contra as embarcações turcas, Tel Aviv poderá ter perdido o seu único aliado islâmico na região. Ao mesmo tempo é mais um problema para o aliado comum, os EUA.

Stephen C. Webster, no The Raw Story, faz a analise do vídeo da abordagem ao Mavi Marmara. O momento em que uma nova ordem pode ter nascido no Médio Oriente: uma que junta a Turquia com o Irão, Iraque e a Palestina, em detrimento de Washington e Tel Aviv.

Andrew Sullivan escreve:

[T]he primary collateral damage is done to the West as a whole, to the US’s interests in the Middle East, and, of course, to Israel itself. Meanwhile, Iran is able to avoid what should be a moment of intense pressure – because Netanyahu’s bumbling bunch of thugs chose to give their mortal enemy a distraction.

Bibi is not just a thug; he’s incompetent. This attack was not just a crime; it was a mistake – but a helpful mistake if it can prod Jerusalem to realize that it needs to make a deal soon, and in this deal, Obama is Israel’s best friend. Maybe that is Obama’s calculation in rolling over to Jerusalem in this latest flap. But if he believes that enabling this kind of action will force Netanyahu into some sort of reasonable deal, he’s more optimistic than I am.


Rainer Hachfeld, «Neues Deutschland»

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