Notas ao café…

A ‘Jirga’ de Karzai

Posted in notas ao café by JN on Junho 8, 2010


Paresh Nath, «The Khaleej Times»

Cerca de 1600 delegados, incluindo 300 mulheres, na Jirga para a paz no Afeganistão apoiaram a decisão do Presidente Hamid Karzai em encetar negociações com os Taliban, no dia 4 de Junho. Ao mesmo tempo o Presidente afegão ordenou que sejam revistos os processos de todos os presos por suspeita de ligações aos Taliban e os 1600 líderes tribais e representantes de organizações civis pediram também ao Presidente que convença os líderes estrangeiros a retirar os nomes de 70 dirigentes Taliban da lista negra do terrorismo da ONU – uma iniciativa que se adivinha difícil, já que poria em causa a legitimidade da missão internacional iniciada em 2001.

Thomas Ruttig escrevia no Afghanistan Analysts Network que a Jirga estava destinada ao insucesso; muitas forças politicamente relevantes estavam ausentes e a maior dos presentes estariam fortemente condicionadas pelo governo de Hamid Karzai. A dar razão a Ruttig, a Jirga foi alvo de dois ataques dos rebeldes Taliban.


Paresh Nath, «The Khaleej Times»

Mas os problemas do Presidente Karzai não se ficam por uma conferência de paz fracassada: este domingo um comboio de blindados da NATO foi atacado por rebeldes Taliban nos arredores de Jalalabad, no este do Afeganistão, e pelo menos 13 pessoas ficaram feridas. Num outro ataque, esta segunda, dez soldados da NATO foram mortos, num dos piores dias para as forças internacionais no país este ano. Outros dois estrangeiros morreram em ataques levados a cabo pelos Taliban: eram ambos empregados de uma empresa privada e morreram num ataque suicida contra um centro de treino de polícia em Kandahar, a cidade-bastião dos Taliban onde as tropas da NATO se prepararam para levar a cabo uma grande ofensiva este verão.

A violência e a falta de soluções já fizeram baixas no governo afegão e mostrou as suas divergências internas: no domingo o Presidente Karzai aceitou as demissões do Ministro do Interior e do chefe dos Serviços Secretos afegãos. Amrulah Saleh e Mohamed Hanif Atmar, muito populares no país e junto da comunidade internacional, não terão sido capazes de explicar de forma convicta as razões que levaram à falha na segurança durante a conferência de paz. Mas segundo o New York Times, Saleh e Atmar forma forçados a demitirem-se pelo Presidente e ao mesmo tempo refere as divergências que existiam entre os dois demissionários e o Presidente quanto ao possível acordo de paz com os Taliban e a libertação de muitos deles. Por outro lado, o Sr. Saleh sempre foi crítico em relação ao Paquistão que acusa de apoiar os Taliban e outros grupos extremistas.


Paresh Nath, «The Khaleej Times»

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