Notas ao café…

Mil e uma censuras

Posted in notas ao café by JN on Junho 8, 2010

“Os tolos lêem um livro e não o entendem; os espíritos medíocres crêem entendê-lo perfeitamente; os grandes espíritos às vezes não o entendem por inteiro: acham obscuro o que é obscuro, como acham claro o que é claro; os espíritos afectados querem achar obscuro o que não o é, e não entender o que é muito inteligível.”

Jean de La Bruyére, in «Os Caracteres»


Emad Hajjaj

Ursula Lindsey, na Foreign Policy, escreve sobre os problemas de Gamal al-Ghitany, um escritor e editor de uma das mais prestigiadas revistas literárias do Egipto, desde que decidiu publicar umas das obras mais conhecidas do mundo árabe: As Mil e Uma Noites. Embora a primeira edição — uma série de edições de baixo custo patrocinada pelo governo — tenha esgotada nos primeiros dois dias, al-Ghitany vê-se alvo de perseguição de certos grupos religiosos mais conservadores, como os de al-Azhar, a maior Universidade islâmica do Egipto, que acusam o livro de ser “imoral” e uma ofensa contra a “decência pública”, um crime segundo a lei egípcia. Embora a literatura não seja censurada oficialmente no Egipto, muitas vezes muitos livros são retirados por serem causa de perturbação da ordem pública, em manifestações convenientemente organizadas por grupos como os de al-Azhar, ou pelos tribunais:

[…] How will the controversy over the Nights play out? It’s too soon to tell. The Egyptian public prosecutor is looking into the accusations against Ghitany, as well as several others who were involved in the publication of the book. According to Article 178 of Egypt’s penal code, they could go to jail for two years for publishing literature that is “offensive to public decency.” But the prosecutor could also dismiss the charges altogether.

Ghitany is a well-respected, well-connected public figure, and he and other Egyptian literati have mounted a vigorous counterattack, defending the Nights as a work that belongs to, and is admired by, the entire world. In a typical act of triangulation, the Egyptian authorities have decided not to bow to Islamist pressure, but also not to push the point too far. Ghitany has been allowed to go ahead and publish another 1,000 copies and distribute them only to government-run bookstores. But that’s all. Until, that is, the next “pornographic” or “blasphemous” book is published. It’s a story that’s starting to feel as long and as cyclical as the Thousand and One Nights itself.

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