Notas ao café…

A quarta rodada

Posted in notas ao café by JN on Junho 12, 2010


Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»

Um dia depois de o Conselho de Segurança das Nações Unidas ter aprovado uma quarta rodada de sanções contra o Irão devido ao programa nuclear deste país, que é considerado ilícito por boa parte da comunidade internacional, o governo iraniano advertiu que o país poderá reduzir a sua cooperação com a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA). Ao mesmo tempo, o Presidente Mahmoud Ahmadinejad afirma que as sanções não terão qualquer efeito e apenas servem para “deitar ao lixo”. O Presidente iraniano também acusa as potências nucleares mundiais de “monopolizarem” a ciência e a tecnologia em benefício próprio e que o Presidente Barack Obama interfere em assuntos internos de outros países da mesma maneira que seu antecessor, George W. Bush. Dos 15 países com assento no Conselho de Segurança, 12 votaram a favor da resolução na quarta-feira: Brasil e Turquia, votaram contra e o Líbano absteve-se.

Irão é obrigado a permitir que inspectores da AIEA inspeccionem as suas instalações nucleares em Natanz e informar esta agência sobre eventuais planos em expandir seu programa nuclear. Autoridades ocidentais sugeriram que o Irão poderia responder com restrições do acesso a mais inspectores como retaliação à imposição de novas sanções e/ou aumentar o nível enriquecimento de urânio no seu país, algo para o qual possui actualmente a tecnologia.

Por si só, esta quarta rodada de sanções não vai impedir o Irão de enriquecer urânio, algo em que muitos países acreditam que é o que o Irão está a fazer com o objectivo de produzir armas nucleares. O que os diplomatas ocidentais esperam é que a pressão sobre o Irão, reforçada pela possibilidade de uma guerra com Israel, forcem aquela país a voltar à mesa de negociação. O fato de que China e Rússia terem votado a favor da resolução pode aumentar o isolamento do Irão — a Rússia chegou mesmo a suspender o acordo de fornecimento de misseis terra-ar ao Irão. Mas os iranianos estão também cientes foram precisos meses de difíceis negociações para chegar até às novas sanções e estas não são tão duras quanto americanos, britânicos e franceses desejavam.


Olle Johansson

Matthew Levitt, na Foreign Policy, escreve que as sanções podem de facto vir a funcionar já que o país ficará gradualmente mais isolado internacionalmente. A The Economist escreve que embora longe de serem perfeitas, as sanções são melhor do que a alternativa e que a única forma de impedir o Irão de obter uma arma nuclear, algo quase inevitável, é aumentar o seu custo:

[T]his week’s resolution can’t stop Iran crossing the nuclear threshold. That is true; but there is no way of stopping a country going nuclear if it is prepared to find enough cash and face down international censure. Even air strikes would only buy time—an uncertain gain at a huge cost. The best deterrence, therefore, is to raise the price of a bomb and deepen the disgrace. That is what this week’s sanctions were all about.

Para Robert Dreyfuss, no The Dreyfuss Report da The Nation, as novas sanções além de irrelevantes são uma derrota da diplomacia:

[…] The fact is that the resolution will make it harder, not easier to achieve a diplomatic breakthrough on Iran’s nuclear program. That’s because it will make it more difficult for Iran’s fractious leadership to make any conciliatory move without appearing to be caving in to international pressure.

For Obama, who tried to open the door for dialogue with Iran, Res. 1929 is a symbol of his failure. Since military action has been ruled out, the choice are between diplomacy and containment of a post-nuclear Iran. In that choice, the sanctions are irrelevant. But they do make the diplomacy a lot harder. For the administration, the best that can be said is that the sanctions are an effort to buy time, to stave off the Congressional crazies who demand actions such as naval embargos of Iran and the neoconservative lunatics who want to bomb, bomb, bomb, bomb-bomb Iran. Unfortunately, President Obama, it only encourages them.


Jimmy Margulies, «The Record of Hackensack»

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