Notas ao café…

O após McChrystal

Anúncios


Chappatte, «International Herald Tribune»

Junho foi o mês que registou o maior número de baixas na força internacional este ano, com pelo menos 100 mortos. O General Stanley McChrystal, depois de um infeliz artigo na Rolling Stone que o citou a troçar da liderança civil e ter revelado que a sua cerveja favorita é Bud Light Lime, foi demitido e substituído pelo General David Petraeus, que mais uma vez é o homem de serviço do Presidente Obama. Apesar de poder ser considerada uma “despromoção”, o General aceitou e é dele agora, como novo comandante no Afeganistão, a difícil tarefa, como escreve a Time, de rever ou manter a estratégia delineada por McChrystal.

No entretanto surgem rumores que o prazo para a retirada do Afeganistão pelas forças americanas, previsto para o verão de 2011, pode não significar uma “retirada efectiva”, mas sim um “período de transição”; segundo o New York Times, os rumores que surgem na Casa Branca sobre a retirada (ou não) do Afeganistão, está a levantar muitas questões sobre o que se irá realmente passar no verão de 2011.


Parker, «Florida Today»

Numa situação já de si complicada, uma reportagem do The Wall Street Journal afirma que a ajuda humanitária que chega ao aeroporto de Cabul é desviada para outros fins e outra no Washington Post escreve que membros do governo afegão estão a impedir as investigação a actos de corrupção, estão a colocar em causa futuras ajudas humanitárias por parte dos EUA. Ao mesmo tempo um relatório de Arnold Fields, Inspector Geral para a Reconstrução do Afeganistão, aponta para graves deficiências das forças de segurança do Afeganistão, a sua falta de eficácia e elevados níveis de corrupção. Talvez seja dentro deste contexto que Ronald E. Neumann escreve, na Foreign Policy, que a primeira tarefa do General Petraeus tem que ser a reforma da polícia afegã, que Neumann descreve como corrupta e ineficaz.

A The Economist escreve que o problema não é o “despedimento” de McChrystal, mas sim o facto de a guerra no Afeganistão — a mais longa campanha militar americana desde o Vietname — poder ser já uma guerra perdida. Um relatório de McChrystal para Petraeus divulgado pelo The Independent coloca este facto em evidência; no seu relatório o General McChrystal dizia que desde Fevereiro, altura em que a ofensiva americana teve inicio, não tinha havido qualquer progresso no terreno nem se esperava algum nos próximos seis meses.

Tanto o Presidente Obama como o General Petraeus já colocaram de parte a “vitória” militar no Afeganistão sobre os Taliban e esperam agora pela possibilidade de um acordo com estes, no qual estaria envolvido o Paquistão, cuja influência no Afeganistão é cada vez mais sentida. Os próximos meses não serão fáceis para o General Petraeus; No Congresso o General afirmou que o pior no Afeganistão ainda poderá estar para vir e que a presença americana neste país ainda poderá ser longa. Acredita que tecnicamente a guerra ainda não está perdida, mas salvar esta guerra é algo que poderá estar acima das possibilidades deste militar, mas poderá sempre salvar ainda algo.


Olle Johansson

Anúncios

Anúncios