Notas ao café…

Espiões como nós

Posted in notas ao café by JN on Julho 1, 2010


Christo Komarnitski

Quando há cerca de uma semana o Presidente Obama convidou o Presidente russo, Dmitry Medvedev, para um “tradicional” almoço americano no Ray’s Hell Burger, em Arlington, onde da ementa constaram alguns cheeseburgers regados com coca-cola ou afim, as relações entre os dois antigos inimigos pareciam correr pelo melhor e com boas perspectivas de melhorarem. Mas como as relações entre os EUA e Rússia nunca foram fáceis e sempre tiveram altos e baixos, esta semana o FBI deteve dez pessoas sob a acusação de serem espiões ao serviço de Moscovo — estava montado o palco para mais uma pequena guerra entre Washington e Moscovo, esta de agora com o sabor da velha Guerra Fria.

Como escreve o New York Times, os supostos espiões são pessoas comuns, com vidas comuns, alguns com família e filhos — também comuns — mas que viviam um enredo capaz de agradar a qualquer amante de literatura policial: dados encriptados escondidos em imagens digitais, tinta invisível, trocas de malas numa estação de comboios em Queens, elevadas somas em dinheiro enterradas algures no estado de Nova Iorque para serem desenterradas dois anos depois.


Rainer Hachfeld, «Neues Deutschland»

Se no início se pensou que as acusações pudessem prejudicar as recentes tentativas do Presidente Barack Obama de uma reaproximação com Moscovo, com um representante do Ministério do Exterior russo a declarar que as acusações sobre uma rede de espiões russos a actuar nos EUA não tinham qualquer fundamento e representam uma regresso aos tempos da Guerra Fria, bem depressa Moscovo veio a afirmar que afinal as detenções não iriam afectar as relações entre os dois países e o próprio Vladimir Putin desvalorizou o assunto num encontro com e ex-Presidente Bill Clinton.

E o Sr. Putin terá as suas razões para o fazer. No New York Times escreve-se que os acusados tiveram tudo o que precisavam para o seu trabalho: treino, tecnologia à sua disposição e um profundo conhecimento da cultura americana; o que falta no enredo de mais de uma década foram segredos enviados a Moscovo. No retrato que a BBC faz destes “espiões”, Paul Reynolds escreve que além de “inaptos” e “sem sucesso” nem de espionagem conseguiram ser acusados, apenas de lavagem de dinheiro. Alguns dos agora acusados viviam confortavelmente nos EUA desde 1990 e nada terão feito. Para Reynolds o que sai deste caso é a Rússia continuar a usar métodos antigos com um suposto aliado.

A Der Spiegel cita vários jornais e todos parecem estar de acordo que este caso em nada irá influenciará as relações entre os EUA e a Rússia e se a Rússia faz espionagem na América, de certeza que o contrário também acontece. Para muitos estados, a espionagem ainda será um “mal necessário”.


Jimmy Margulies, «The Record of Hackensack»

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: