O “sucesso” da BP

J.D. Crowe, «Mobile Register»
Pela primeira vez desde Abril, a BP conseguiu estancar o derramamento de petróleo para o Golfo do México, na sexta-feira. A BP disse que as 48 horas seguintes eram cruciais, para saber se a cápsula de betão resistia à pressão interior. Cumprido esse período com aparente sucesso, a companhia decidiu prolongar os testes, temendo que a pressão interior acumulada possa fragilizar a cápsula, ou abrir outras fendas. Um responsável pelas operações disse que, ao longo deste domingo, os testes vão fornecer informações fiáveis, fundamentais para se saber se podem iniciar-se as obras da segunda fase, tentando uma solução definitiva. Até lá, as equipas de limpeza esforçam-se por devolver às praias o aspecto de outros tempos
Durante três meses, mais de 60 mil barris de petróleo diários foram derramados nas águas do Golfo contaminando os fundos marinhos e a costa de vários estados do sul do país; grupos ecologistas falam de danos irreparáveis para várias espécies aquáticas, como o atum de barbatana azul ou os emblemáticos pelicanos castanhos.

Gary Varvel, «The Indianapolis Star-News»
A BP enfrenta agora a tarefa impossível de limpar a região afectada. Embora a empresa tenha contratado milhares de pessoas para as operações de limpeza, a maior parte do petróleo que foi derramado no mar está realmente fora do alcance humano. Como resultado, a limpeza final está reservada para a natureza. Dois factores contribuíram para esta situação: primeiro, boa parte do petróleo foi derramado a elevada profundidade e moveu-se em todas as direcções através do golfo, levado por correntes desconhecidas; em segundo, a BP utilizou 4 milhões de litros de dispersantes para combater a mancha de petróleo. Capturar a maioria dos derrames é agora quase impossível de conseguir.
Joshua E. Keating, na Foreign Policy, escreve sobre os desastres ecológicos actuais que o mundo enfrenta e sem fim aparente à vista. Keating escreve sobre os contínuos derrames de petróleo que ocorrem na Nigéria — desde 1996 e já somam cerca de dois mil ocorridos — aos quais se alia a explosão de pipelines que em 2008 mataram mais de cem pessoas; os sucessivos desastres nas minas de carvão da China; a desflorestação no Haiti; o desaparecimento do Mar de Aral e a enorme “sopa” de plástico do Oceano Pacífico — a maior “lixeira” do mundo descoberta em 1997.

“The Sea is not a Garbage Dump”
Simanca Osmani, «Cagle Cartoons»
Ellen Cantarow, no TomDispatch, escreve sobre situações semelhantes às que Keating descreve na Nigéria.


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