Notas ao café…

Fim de ciclos

Posted in notas ao café by JN on Julho 20, 2010


Oguz Gurel

O destino dos dois estados mais importantes do mundo árabe está nas mãos de envelhecidos autocratas. Hosni Mubarak, um general da força aérea de 82 anos, governa o Egipto desde 1981 e segundo notícias está gravemente doente. O Rei Abdullah da Arábia Saudita, que embora tenha assumiu o trono há cinco anos, há muito que controla o destino deste país, o mais rico país árabe, tem actualmente 86 anos. Como não há forma de enganar o tempo, em breve o incontornável percurso da vida chegará a estes dois líderes.

Mas estes dois homens querem continuar a controlar o destino dos seus países, mesmo depois do seu tempo. O Presidente Mubarak prepara o terreno para que o seu filho, Gamal, seja o seu sucessor. O escolhido pelo Rei Abdullah,o príncipe Sultan, está doente há já algum tempo e poucas hipóteses terá de suceder ao seu irmão (ver artigo); mas o príncipe Sultan é apenas um dos dezoito irmãos do Rei; escolha para a sucessão não faltará.

Décadas de repressão asseguraram o silêncio da oposição no Egipto e esta praticamente não existe na Arábia Saudita. Mas existe sempre o reverso da medalha e países com regimes deste tipo são vulneráveis a rupturas violentas. A transição de poder numa autocracia significa, muitas vezes, instabilidade.

O destino destes dois países é importante para o ocidente por dois grandes motivos: energia e segurança. O Egipto e Arábia Saudita, com todas as falhas que têm e o continuo desrespeito pelos Direitos Humanos, são tidos como “confiáveis” e até aliados dos (interesses) ocidentais. Se estes países caírem na instabilidade, toda uma região vai estar em perigo. A The Economist escreve que a melhor forma de isto ser evitado é encorajar os dois regimes a liberalizar os seus sistemas económicos, sociais e políticos:

[…] It would be naive to urge or expect either country to become a full-blooded democracy in a trice. Each could descend into chaos, winding up with a fundamentalist version of Islamist rule that would make the present regimes look cuddly by comparison. Many Egyptians, including reform-minded professionals, fear that the Islamists of the Muslim Brotherhood, the unofficial opposition, would never relinquish power once they had won it at the ballot box. Sensible Saudis know that those who sympathise with their compatriot Osama bin Laden would impose an incomparably nastier regime than the present one, if given the freedom to do so. […]

Elections, though vital in the end, are not an early panacea. What the Arabs need most, in a hurry, is the rule of law, independent courts, freeish media, women’s and workers’ rights, a market that is not confined to the ruler’s friends, and a professional civil service and education system that are not in hock to the government, whether under a king or a republic. In other words, they need to nurture civil society and robust institutions. The first task of a new Saudi king should be to enact a proper criminal code.

In the Arab lexicon, the concept of justice means more than democracy. In the end, you cannot have the first without the second. But the systems that now prevail in the Arab world provide for neither.


Oguz Gurel

Uma resposta

Subscribe to comments with RSS.

  1. O PUMA said, on Julho 20, 2010 at 10:46 pm

    E nós tão distraídos

    aqui no paraíso


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: