Notas ao café…

A hora da Espanha

Posted in notas ao café by JN on Julho 12, 2010

11 de Julho: Andrés Iniesta festeja a vitória da Espanha na final do Campeonato do Mundo de Futebol da África do Sul, no Estádio Soccer City em Joanesburgo. Foi de sua autoria o golo, aos 116 minutos de jogo, que deu a vitória à selecção espanhola — um golo para eternidade, como escreve o El País.

“No solo hemos pensado en ganar, sino también en otros valores”, disse o treinador espanhol, Vicente Del Bosque, no final.

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A lei do Arizona

Posted in notas ao café by JN on Julho 9, 2010


Angel Boligan, «El Universal»

O Departamento de Justiça norte-americano vai entrar com uma acção judicial contra o estado do Arizona, numa tentativa de evitar a entrada em vigor da nova lei de imigração, aprovada pela legislatura estadual e promulgada pela governadora republicana Jan Brewer no passado mês de Abril, e que prevê o regime mais restritivo à entrada e permanência de cidadãos estrangeiros nos EUA. Segundo um comunicado do Departamento de Justiça, a lei SB 1070 é inconstitucional e interfere na autoridade do governo federal de regular e fazer cumprir a política de imigração. Segundo o Departamento de Justiça, a Constituição e a lei federal não permitem a criação de uma rede de políticas locais de imigração no país.

A nova lei do Arizona prevê que a polícia, ao parar alguma pessoa por determinada infracção, possa exigir os seus documentos caso considere o suposto infractor suspeito de ser imigrante ilegal. Desde que foi anunciada, a lei tem sido alvo de polémica em todo o país e o próprio Presidente Barack Obama já fez várias críticas públicas à lei. Os opositores dizem que a nova lei do Arizona é discriminatória e vai afectar especialmente a população hispânica. A lei já é alvo de pelo menos outras cinco acções na Justiça, movidas por grupos religiosos, de defesa dos direitos civis e até por policiais. Pesquisas de opinião, porém, mostram que a maioria dos americanos é favorável a leis como a do Arizona, e pelo menos 15 outros Estados americanos estudam a adopção de legislações semelhantes.


Bob Englehart, «The Hartford Courant»

Mark Mardell escreve que a culpa cai também no governo federal americano e da sua política pouco clara de imigração; como para muitos americanos este problema é real, o Arizona foi um dos estados que resolveu tomar as suas próprias decisões, mesmo indo contra a Constituição.

Ryan Tracy, na Newsweek, aplaude a decisão da administração americana e do Presidente:

[…] Obama’s action has the support of the American Civil Liberties Union, National Immigration Law Center, National Day Laborer Organizing Network, and other groups that believe the Arizona law encourages stereotyping. It’s also not clear if Republicans will be able to make the issue resonate outside Arizona. Immigration has historically been a ballot-box issue for conservative Republicans and Latinos, but “for everybody else, this is a secondary concern,” says Simon Rosenberg of NDN, a progressive think tank. Rosenberg suggested support for the Arizona law could erode as the legal fight over it continues, exposing politicians to criticism that the back-and-forth is more about politics than reforming immigration law. That legal battle may eventually reach the Supreme Court, but whatever the ruling, no one will be able to say that Obama shied from the fight.


Nick Anderson, «Houston Chronicle»

Uma agência para a mulher

Posted in notas ao café by JN on Julho 9, 2010


Michael Kountouris

A ONU tem agora uma agência dedicada exclusivamente aos problemas das mulheres, o UN Women. Durante décadas, os defensores dos direitos das mulheres acreditaram que campanhas para as “questões do género”, programas a nível mundial promovendo leis para ajudar as mulheres a nível local e nacional e assegurar que as mulheres estavam bem representadas e ouvidas na própria ONU, seriam suficinetes para elevar o status das mulheres e implementar os direitos das mulheres nas diferentes sociedades. Mas isso nunca foi o suficiente. O princípio podia estar correcto, mas em todo o mundo e dentro da ONU as mulheres eram frequentemente marginalizadas. A um nível global, muitos dos países que assinaram acordos que protegiam e beneficiavam as mulheres nunca os implementaram.

Escreve Barbara Crossette na The Nation:

[…] Advocates for women, within and outside the UN system, had long argued that the existing programs for women were grossly underfunded and unable to exert influence in the field, where more financially strong UN agencies with much larger budgets—Unicef, the World Food Program, the High Commissioner for Refugees or the World Health Organization, to name a few—could deploy formidable teams. That in turn allowed them to mount public relations campaigns heralding their work, which leads to more voluntary funding. A common criticism of the existing structures for women was that they were not able to be “operational”—that is, run effective programs on their own. That is not to say there were no successes. Unifem recently mounted and led a very high-profile campaign to end violence against women, though it is too early to measure results.

The General Assembly resolution creating UN Women expects the new agency to have both operational and what the UN calls “normative” roles: dealing with policies and promoting and monitoring international covenants and agreements, working with the Commission on the Status of Women, a separate intergovernmental body, and the UN’s Economic and Social Council. ECOSOC, as it is known, was created to parallel the Security Council, focusing on social and economic conditions, but it has not been very bold in carrying out its mandate. […]


Angel Boligan, «El Universal»

Desvios ao REDD

Posted in notas ao café by JN on Julho 9, 2010


Angel Boligan, «El Universal»

O Banco Mundial tem um programa de subsídios ao qual países podem recorrer em troca de uma redução do abate de árvores em florestas consideradas mais sensíveis ambientalmente. Mas agora há acusações de corrupção. Documentos revelados pelo Observer mostram que este programa está a conduzir à corrupção, com os fundos a serem desviados, e muito possivelmente ao aumento da desflorestação. Grupos de Direitos Humanos e ambientalistas já alertaram para a necessidade de se repensar todo o programa da ONU, conhecido por REDD, depois de se ter constatado que vários países estavam a tentar contornar o sistema:

[…] Under Redd, 37 mainly tropical countries have requested more than $14bn in grants from rich countries by 2015 in return for cutting their carbon emissions from logging and other forestry activities. This is expected to lead to an income of more than $10bn a year by 2020 when a global carbon offset scheme is running. The carbon money flowing from rich to poor countries will then theoretically dwarf international aid and could reduce global emissions by 17-20% – more than that emitted by all the world’s transport.

But analysis of the 16 forestry reform plans so far submitted by Redd countries to the World Bank shows that many intend to abuse the system in order to collect the money while carrying on logging as usual.

Documents seen by the Observer show that the Democratic Republic of Congo wants to open up 10 million hectares (25m acres) of new logging concessions as part of its plan. The country, which is ranked as one of the most corrupt in the world, argues that it will reduce emissions by planting more trees elsewhere. […]

Sarkozy e o “Bettencourtgate”

Posted in notas ao café by JN on Julho 9, 2010

Falco, «Juventud Rebelde»

Quando dois ministros franceses apresentaram as suas demissões este domingo, o facto parecia a resposta mais lógica ao facto dos dois ministros terem utilizado os dinheiro dos contribuintes de uma forma abusiva e me proveito próprio: Alain Joyandet teria gasto cerca de 112 mil euros a fretar um avião para o levar a uma conferencia em Martinique e Christian Blanc teria gasto cerca de 12 mil euros dos contribuintes para comprar charutos cubanos. Mas há uma outra teoria; segundo Bruce Crumley, da Time, há quem pense que a demissão dos Srs. Joyandet e Blanc foi forçada pelo Presidente Nicolas Sarkozy para desviar as atenções de um outro escândalo: o controverso caso que envolve Liliane Bettencourt, a herdeira do império L’Oréal, a luta familiar que existe para controlar esse império e as alegadas evasões fiscais da Sra. Bettencourt que já colocaram Eric Woerth, ministro francês do Trabalho, no centro do escândalo.

Discussões familiares à parte, tudo vem vindo a piorar para o Presidente Sarkozy. À saga da família Bettencourt foi adicionado um novo facto: o de doações ilegais à campanha de Nicolas Sarkozy de 2007 para a Presidência. O dinheiro destinado à campanha do Sr. Sarkozy foi supostamente entregue a Eric Woerth, o então tesoureiro do partido. Segundo fontes próximas de Liliane Bettencourt, o Presidente Sarkozy já teria aceite financiamento dos Bettencourts anos atrás, quando era Presidente da Câmara de Neuilly, um subúrbio de Paris onde se encontra a mansão Bettencour.

Na Der Spigel escreve-se que este recente escândalo e o envolvimento de  Eric Woerth, pode colocar em causa a impopular reforma do sistema de pensões, uma das reformas mais importantes que Nicolas Sarkozy pretende implementar:

[…] Of all of the reform efforts that Sarkozy has launched, pension reform is not only one of the most complicated, but also one of the most urgent. For a while, it looked like he and Woerth’s efforts were on a guaranteed path to success. But then came “Bettencourtgate,” the name the media has given to the scandal involving Liliane Bettencourt, her photographer friend, her billions and the labor minister.

While campaigning, Sarkozy once claimed that he wanted an “impeccable republic,” one that had more efficiency and more transparency. But now he has a labor minister who is under constant fire. Last Friday, Woerth even had to defend himself against accusations of having personally approved a €30 million tax refund for Liliane Bettencourt in March 2008. His ministry responded to this charge by saying that a minister doesn’t get personally involved in the tax returns of individual citizens, which other people are responsible for. “People are trying to shoot me down,” Woerth had previously explained, “because I’m an easy target.” […]


Rainer Hachfeld, «Neues Deutschland»

As atribulações de um oráculo

Posted in notas ao café by JN on Julho 9, 2010


Stephff

Ninguém pode dizer que a derrota da Alemanha frente à Espanha era inesperada. O polvo Paul já a tinha previsto. Mas se até agora o polvo feito adivinho tinha atraído a curiosidade e a simpatia dos germânicos, depois da derrota da Mannschaft muitos pedem a cabeça do Oráculo de Oberhausen. Caso para dizer se a notícia não agrada mate-se o mensageiro, como escreve a Der Spiegel:

[…] If Paul had slipped up, gleeful Germans might have forgotten him entirely. But on Thursday their Facebook and Twitter feeds were full of octopus recipes.

“Into the deep fryer!” one German tweeted Thursday morning.

“Grill the octopus oracle,” another recommended. “Throw Paul in the saucepan.”

A third linked to an idea for Spanish braised octopus in paprika sauce.

More pragmatic Twitter users recommended the cephalopod for government work. “What about a prognosis for currency reform? or even a job as German chancellor?” wrote “Währungsreform.”

Another just thanked the octopus for a full night’s rest, although Paul has never in his career claimed to control the football games he seems to predict.

“Thank you Paul,” wrote “Telegehirn.” “Last night was soooo quiet.”

Paul will predict one more contest on Friday — this weekend’s Germany-Uruguay match for third place — before slithering back to obscurity.

No comments (97)

Posted in no comments by JN on Julho 9, 2010


Jerry Holbert, «The Boston Herald»

Espanha na final

Posted in notas ao café by JN on Julho 8, 2010


Foto: Wolfgang Kumm (dpa)

A Espanha venceu a Alemanha com um golo de Carles Puyol e vai estar pela primeira vez, ao lado da Holanda, numa final do Campeonato do Mundo de futebol.

Grant Wahl escreve que a Espanha merece estar na final; dominou o jogo desde o início e os alemães não puderam fazer o que já tinham feito com a Inglaterra e a Argentina. Em Espanha todos estão de acordo nesse ponto e é tempo de festa. No El País José Sámano escreve:

Si el fútbol es un depósito de sentimientos, España es una gozada. Si el fútbol es arte y épica, España es el equipo a seguir. En su partido frente a la temible y deslumbrante Alemania lo tuvo todo, fue sublime en el juego y también supo remangarse cuando fue preciso. Gobernó de etiqueta y con jerarquía a una selección que parecía inabordable, por su presente y su heráldico pasado. El conjunto de Del Bosque lo hizo como es él, con su forro más auténtico, fiel a la pelota, con ese delicioso punto de descaro que define a este grupo de desacomplejados futbolistas. Ellos han desterrado el escepticismo crónico que despertaba España en un fútbol vertebrado sobre los clubes. Hoy España es un equipo, sin banderas ni las ventajistas demagogias de un pasado tenebroso. […]


Bastian Schweinsteiger é consolado por Carles Puyol (foto: Joern Pollex/Getty Images).

Bem-vindos ao futuro…

Posted in memórias ao café, notas ao café by JN on Julho 7, 2010

Marty McFly partiu a 26 de Outubro de 1985 no seu Delorean numa viagem especial. Chegou ontem ao seu destino…o futuro.

Netanyahu e os colonatos

Posted in notas ao café by JN on Julho 7, 2010

O Presidente Obama afirmou que os EUA gostariam de ver as negociações directas entre israelitas e palestinianos serem retomadas antes de Setembro, altura em que chega ao fim o período definido pelo governo Benjamin Netanyahu do congelamento parcial na expansão dos colonatos israelitas na Cisjordânia. O fim da expansão dos colonatos é um dos pontos considerados cruciais para a Autoridade Palestiniana retomar as negociações directas com Israel, paradas desde Dezembro de 2008, quando os Israel lançou uma ofensiva militar contra a Faixa de Gaza.

Embora pressionado pela ala mais conservadora do seu governo para não aceder aos pedidos da Casa Branca quanto aos colonatos, o Presidente americano, depois de uma reunião como o primeiro-ministro israelita, disse que este estava disposto a correr riscos pela paz na região e que estaria preparado para iniciar conversações com com a Autoridade Palestiniana.

Com relação à última visita do Sr. Netanyahu aos EUA, em Março, tudo agora parece diferente. Na altura, a visita do primeiro-ministro israelita ocorreu num momento de tensão nas relações bilaterais provocado pelo anúncio de novas construções israelitas em Jerusalém Oriental, feito durante uma viagem do vice-presidente americano, Joe Biden, a Israel. Nesta terça-feira, entre sorrisos e apertos de mão diante das câmaras, O Presidente Obama e o Sr. Netanyahu pareciam determinados a demonstrar que as relações estão normalizadas. Ao ser questionado sobre o assunto, o presidente americano negou qualquer atrito na relação com Israel e que sempre confiou no primeiro-ministro Netanyahu. Segundo o Presidente Obama, os laços entre os dois países são inquestionáveis.

Barack Obama está convencido que a vontade de conversações do governo israelita é séria, mas Benjamin Netanyahu avisou que cabe muito à parte palestiniana colaborar nesta vontade de conversações. O Sr. Netanyahu não deixou de alertar que a Autoridade Palestiniana tem de preparar o povo para a paz, porque esta é uma oportunidade única que não deve ser desperdiçada.


Tjeerd Royaards (Holanda)

Barbara Slavin escreve que a visita de Benjamin Netanyahu estava destinada ao sucesso e que os dois líderes resolveriam as suas diferenças para o grande público; os problemas irão surgir em Setembro, quando prazo de congelamento de novas construções terminar. Os colonatos continuarão a ser um dos grandes entraves na relação entre os EUA e Israel.

E se os colonatos são um ponto de divergência entre estes dois países, em Israel Benjamin Netanyahu é alvo das maiores críticas por parte dos colonos:

[…] The opening gun came at the weekend. The Yesha Council, the principal voice of the settlement movement, took out large ads in Israeli newspapers, showing a wan, bloated Netanyahu, and warning him against bowing to possible U.S. pressure to extend the settlement freeze he promised would end in September. The cost, the ads hinted (“We voted for you because you gave us your word”), could be his job.

The right’s more radical quarters were more explicit. According to Army Radio, right-wing activists plan to put up large numbers of posters reading “Netanyahu is Bad for the Jews,” as part of a campaign to thaw the freeze by setting up new, unauthorized settlement outposts. […]


Emad Hajjaj, «Al-Ghad Newspaper»

Soldados dançam em Hebron

Posted in notas ao café by JN on Julho 7, 2010

Provavelmente um dos vídeos mais curiosos alguma vez colocados no YouTube. Seis soldados israelitas em patrulha numa rua em Hebron, Palestina, decidem dançar ao som de “Tik Tok” de Kesha. O original foi retirado pouco tempo depois de ter sido colocado devido a toda a atenção que obteve dos media e autoridades militares israelitas. No entanto, um outro utilizador colocou-o novamente no YouTube e é actualmente um sucesso. Os militares podem vir a ser alvo de sanções disciplinares por conduta imprópria em serviço.

Tempos modernos (143)

Posted in tempos modernos by JN on Julho 7, 2010


Angel Boligan

Amizade na Era da Economia

Posted in notas ao café by JN on Julho 7, 2010


Igor Kodenko

Nesta era de incerteza economia, Todd May no Opinionator escreve sobre um tema intemporal, a amizade:

[…] Aristotle thought that there were three types of friendship: those of pleasure, those of usefulness, and true friendship. […]

In our lives, however, few of us have entirely forgotten about the third — true friendship. We may not define it as Aristotle did — friendship among the already virtuous — but we live it in our own way nonetheless. Our close friendships stand as a challenge to the tenor of our times.

Conversely, our times challenge those friendships. This is why we must reflect on friendship; so that it doesn’t slip away from us under the pressure of a dominant economic discourse. We are all, and always, creatures of our time. In the case of friendship, we must push back against that time if we are to sustain what, for many of us, are among the most important elements of our lives. It is those elements that allow us to sit by the bedside of a friend: not because we know it is worth it, but because the question of worth does not even arise.

There is much that might be said about friendships. They allow us to see ourselves from the perspective of another. They open up new interests or deepen current ones. They offer us support during difficult periods in our lives. The aspect of friendship that I would like to focus on is its non-economic character. Although we benefit from our close friendships, these friendships are not a matter of calculable gain and loss. While we draw pleasure from them, they are not a matter solely of consuming pleasure. And while the time we spend with our friends and the favors we do for them are often reciprocated in an informal way, we do not spend that time or offer those favors in view of the reciprocation that might ensue.

Friendships follow a rhythm that is distinct from that of either consumer or entrepreneurial relationships. This is at once their deepest and most fragile characteristic. […]

Objectos e o pensamento

Posted in notas ao café by JN on Julho 6, 2010


Singer, «No Exit»

O Not Exactly Rocket Science, da Discover, apresenta-se um estudo que afirma que aquilo em que tocamos afecta o nosso julgamento e as nossas decisões. Segundo Joshua Ackerman do MIT, quando pegamos num objecto podemos pensar que o estamos a manipular, mas de certa forma é o objecto que nos manipula. Através de seis experiências, Ackerman demonstrou que as propriedades de que nos apercebemos através do tacto — textura, dureza, peso — podem influenciar a forma como nós pensamos.

O peso está ligado à importância e carregar objectos pesados faz com que os voluntários em entrevistas fossem mais sérios e considerassem os problemas sociais como os mais prementes. A textura está ligada à dificuldade e aspereza. O contacto com lixas fazem com que a iteração social seja fosse mais adversa e contraditória enquanto que que a madeira lisa tornou essa iteração mais fácil e amigável. Por fim, a dureza está associada com rigidez e estabilidade. Quando sentados numa cadeira dura e pouco confortável, negociadores assumem posições mais duras e intransigentes, mas sentado em lugares mais confortáveis, tornam-se mais flexíveis.

Escreve Ed Yong:

[…] In all six experiments, the effects were very specific. People deemed conversations to be stricter after touching a hard object, but not more positive. Heavy boards make interview candidates seem more serious but not more sociable. As Ackerman says, “These findings emphasize the power of that unique adaptation, the hand, to manipulate the mind as well as the environment.” And the last study with the chair suggests that even our buttocks have some sway over our minds.

According to Ackerman, these effects happen because our understanding of abstract concepts is deeply rooted in physical experiences. Touch is the first of our senses to develop. In the earliest days of our lives, our ability to feel things like texture and temperature provides a tangible framework that we can use to understand more nebulous notions like importance or personal warmth. Eventually, the two become tied together, so that touching objects can activate the concepts that they are associated with. […]


Angel Boligan, «El Universal»

A guerra pela Vivo

Posted in notas ao café by JN on Julho 5, 2010


Angel Boligan, «El Universal»

Por sentido de Estado ou ego (falta ainda saber) José Sócrates conseguiu dividir mais uma vez as opiniões e desta vez para lá da fronteira. Desta vez foi o ter utilizado a golden share do Estado na PT para inviabilizar a venda da Vivo à espanhola Telefónica. Numa entrevista ao El País o primeiro-ministro justifica a acção do governo como racional e não política na defesa de uma empresa considerada estratégica. Sobre as críticas da Comissão Europeia, o Eng. Sócrates acha que Bruxelas não tem razão porque o Estado não se outorgou quaisquer direitos especiais na PT e a queixa da Comissão Europeia reflecte algum preconceito contra a posição accionista dos estados, uma postura que não é apenas económica, mas de posições ideológicas ultraliberais contra a presença do Estado.

O número desconhecido

Posted in notas ao café by JN on Julho 5, 2010


Paresh Nath, «The Khaleej Times»

O General David Petraeus assumiu formalmente neste domingo o comando da força internacional de 130 mil homens no Afeganistão. O General, cuja estratégia no Iraque recebeu elogios e diminuiu a violência, espera repetir o sucesso alcançado no Iraque e insiste que a NATO e o governo afegão têm que trabalhar lado a lado. Chamando à guerra neste país um “confronto de vontades”, o General assumiu no seu discurso que a guerra chegou a um ponto crítico e que coligação internacional está no terreno para vencer:

[…] After years of war, we have arrived at a critical moment. We must demonstrate to the Afghan people, and to the world, that al-Qaeda and its network of extremist allies will not be allowed to once again establish sanctuaries in Afghanistan from which they can launch attacks on the Afghan people and on freedom-loving nations around the world. […]

We are engaged in a contest of wills. Our enemies are doing all that they can to undermine the confidence of the Afghan people. In so doing, they are killing and maiming innocent Afghan civilians on a daily basis. […]

In answer, we must demonstrate to the people and to the Taliban that Afghan and Isaf forces are here to safeguard the Afghan people, and that we are in this to win. That is our clear objective. […]


Mike Keefe, «The Denver Post»

James Denselow no The Guardian escreve sobre um outro aspecto da guerra do Afeganistão, um assunto esquecido mas que pode influenciar bastante as tentativas de diálogo neste país: o número de baixas entre os civis afegãos. Escreve Denselow:

[…] The precise compilation of western casualties contrasts with almost criminal neglect in tracking the numbers of Afghan civilians killed since 2001. If Afghanistan is the “good war” then why are we not demanding to be accurately told how many skeletons there are in the Afghan closet?

[…] The Afghan government, characterised by massive levels of ineptitude and corruption, has failed to keep centralised records of civilian casualties which would enable it to issue annual estimates.

True to form, the International Security Assistance Force has also avoided releasing body counts – leaving it to an inconsistent patchwork group of NGOs and academics to correlate the numbers of dead Afghans. […]

How can any western official claim to have the best interests of the Afghans at heart when they don’t even know how many they’ve killed? To understand the western presence in Afghanistan it is of critical importance to effectively and publicly track the lives lost as a result of both military and “insurgent” action.

Era uma vez no Afeganistão

Posted in notas ao café by JN on Julho 5, 2010


Universidade de Cabul nos anos 50-60.

Mohammad Qayoumi traz-nos uma foto-reportagem na Foreign Policy sobre o Afeganistão dos anos 50 e 60  que nos um pequeno olhar sobre um outro Afeganistão que ninguém conheceu ou reconhece agora mas que foi o país em que cresceu e se lembra; é um país moderno, elegante, com uma enorme actividade económica no qual as mulheres trabalham ao lado dos homens vestidas em roupas ocidentais. As fotos fornecem um vislumbre duma época passada que poucos acreditariam que aconteceu.

As fotos realçam como tudo mudou no Afeganistão desde a guerra com a antiga União Soviética, uma década de governo dos Taliban e a invasão dos EUA. Há cinemas, casas com electricidade, hospitais bem equipados — hoje privilégios a que poucos afegãos têm acesso (pdf). Esta memória visual de um Afeganistão há muito perdido, diz mais do que quaisquer palavras o poderiam fazer sobre o quanto os conflitos e a opressão custaram ao povo afegão.


Arend van Dam

Os mitos da austeridade

Posted in notas ao café by JN on Julho 5, 2010

A política de austeridade que os países da zona euro querem ou estão a implementar é um caminho que a Irlanda tomou dois anos atrás depois de um colapso económico que obrigou o país tomar medidas: cortes na despesa pública e o aumento de impostos, o tipo de medidas que os mercados financeiros querem que a maior parte dos países sigam. Mas, e como escreve o New York Times, estas medidas de austeridade, além de não terem resultado, fizeram aumentar a crise no país:

[…] Rather than being rewarded for its actions, though, Ireland is being penalized. Its downturn has certainly been sharper than if the government had spent more to keep people working. Lacking stimulus money, the Irish economy shrank 7.1 percent last year and remains in recession.

Joblessness in this country of 4.5 million is above 13 percent, and the ranks of the long-term unemployed — those out of work for a year or more — have more than doubled, to 5.3 percent. […]


“I Survived the 2008 Crisis”
Frederick Deligne

Paul Krugman, se já antes tinha criticado a política de austeridade de Angela Merkel por achar que as medidas vinham cedo demais o que poderia colocar em perigo o crescimento económico, na sua coluna do New York Times escreve sobre os “mitos da austeridade”; para o Professor Krugman as políticas de austeridade apenas vão prejudicar ainda mais os cidadãos e em nada irão ajudar a economia:

[…] Ireland has been a good soldier in this crisis, grimly implementing savage spending cuts. Its reward has been a Depression-level slump — and financial markets continue to treat it as a serious default risk. Other good soldiers, like Latvia and Estonia, have done even worse — and all three nations have, believe it or not, had worse slumps in output and employment than Iceland, which was forced by the sheer scale of its financial crisis to adopt less orthodox policies.

So the next time you hear serious-sounding people explaining the need for fiscal austerity, try to parse their argument. Almost surely, you’ll discover that what sounds like hardheaded realism actually rests on a foundation of fantasy, on the belief that invisible vigilantes will punish us if we’re bad and the confidence fairy will reward us if we’re good. And real-world policy — policy that will blight the lives of millions of working families — is being built on that foundation.

O importante no Homem

Posted in palavras ao café by JN on Julho 5, 2010

“Existem certas pessoas – e eu sou uma delas – que pensam que a coisa mais prática e importante acerca de um homem ainda é a sua visão do universo. Pensamos que, para uma senhoria considerando se deve aceitar um pensionista, é importante saber a sua renda, porém mais importante ainda é conhecer a sua filosofia. Pensamos que, para um general prestes a combater um inimigo, é importante saber os números do inimigo, porém mais importante é conhecer a filosofia do inimigo. Pensamos que a questão não é saber se a teoria do cosmos afecta ou não as coisas, mas se, no longo prazo, qualquer outra coisa as afecta.”

Gilbert Chesterton, in «Hereges»


Oguz Gurel (Turquia)

Ideias que inspiram

Posted in notas ao café by JN on Julho 5, 2010


“iPad Revolution”
Stephff

“Não há nada mais prático do que uma boa ideia. Uma boa ideia não é apenas algo de interessante que nos vem à cabeça, mas é, sobretudo, um propósito que nos leva a fazer o bem e a querer ser bons. Há pessoas que ficam a discutir ideias até se desgastarem. E há outras que procuram confrontar as suas ideias na acção para mudar o mundo.”

Vasco Pinto de Magalhães, in «Não Há Soluções, Há Caminhos»

Simon Sinek discute sobre a forma como os líderes na nossa sociedade se transformam em tal e inspiram outros. Sinek apresenta-nos um modelo extremamente simples mas eficaz para descrever a “liderança inspiradora” que começa com a simples pergunta “Porquê?” — o porquê fazer algo, seja esse algo um computador, um carro, uma ideia. Nos seus exemplos estão incluído, entre outros, os irmãos Wright, a Apple e Martin Luther King. Para Sinek, seguimos aqueles que lideram, não por eles, mas por nós mesmos.

O factor nigeriano

Posted in notas ao café by JN on Julho 3, 2010


Chappatte, «International Herald Tribune»

Como o futebol é um assunto que definitivamente provoca todo o tipo de paixões, para o provar ainda mais há o caso da Nigéria. Devido ao mau resultado e à fraca prestação da selecção nigeriana, os Super Eagles, o Presidente deste país, Goodluck Jonathan, decidiu banir a selecção de qualquer competição por dois anos, para que a selecção tenha tempo de se reorganizar. Como a proibição presidencial não fosse só por si já má, a maior parte dos nigerianos parece concordar com o Presidente.

Majek Adega, no Sahara Reporters, explica quais as reais razões para esta suspensão: a selecção nigeriana é um reflexo de todo um país, dos seus problemas sociais e políticos e o seu desempenho reflecte o desempenho da Nigéria:

[T]he performance of the Super Eagles team is a symptom and reflection of the administrative problems bedeviling Nigeria as a whole. Their performance reflects the performance of the entire country. Their performance is not the problem. The problem is the same group of irresponsible and corrupt-beyond-redemption officials that have presided over the decay in the country’s football for years without being held accountable. Despite failure after failure of the national team, these officials continue to be untouchables. When will the president summon the courage to arrest and prosecute members of the NFF for corruption? […]

The shocking part of the decision is that the person making this decision is the president. […] A president who is presiding over an oil producing country that is wallowing in darkness. […]

All Nigerians, including the president know where our soccer problems are coming from but 150 million people are involved in what I call the greatest conspiracy on earth – the conspiracy to conceal the true age of our players. Our country is suffering because the country is not producing young talents period. We do not have soccer fields anymore because they have been converted by the rich. Secondary school competitions where young talents were previously discovered do not exist anymore. Where do we then expect young talents to come from? […]

O desastre francês

Posted in notas ao café by JN on Julho 3, 2010


Pierre Ballouhey

O desastre que foi a campanha da selecção francesa no Campeonato do Mundo da África do Sul trouxe um outro assunto à atenção em França e na Europa: a integração racial no continente, como escreve John Hoberman na Foreign Policy:

[…] The denigration of France’s North and sub-Saharan African athletes has been a favorite theme of the French extreme right for years. […]

But after the mostly black French soccer team’s defiance of its white leaders in South Africa, Le Pen’s racist critique of multiracial sport has entered the French political mainstream with a vengeance. […]

That the French national team has become a symbol of society’s divisions is particularly unfortunate, given that in 1998, France’s World Cup winning side was eulogized as the fulfillment of the official French policy of racial and ethnic integration. Zinedine Zidane, its outstanding player and the son of Algerian parents, played star roles both as an athlete and as a model citizen who seemed to incarnate the success of the French model of ethnic integration. This doctrine discourages multiculturalism in favor of the doctrine that skin color and ethnicity have nothing to do with being a French citizen. Paradoxical as it may seem, the triumph of these “black-blanc-beur” — black, white, and North African athletes — was hailed as a sign that French society was immune to multicultural divisions. The resulting national euphoria was embraced as a welcome respite from the country’s persisting anxieties about the social and cultural consequences of large-scale immigration and the spread of Muslim populations throughout Western Europe.

The current World Cup debacle has undone the utopian fantasies of 1998 in a spectacular fashion. […]


Stephff

No mesmo artigo, Hoberman escreve que só a Alemanha poderá “salvar” a França, uma selecção que, como escreve o irlandês Stephen Glennon na Der Spiegel, com a sua mistura étnica, juventude e talento cai facilmente nas boas graças de todos; quem sabe uma reedição da França de 1998:

[L]ast week showed Germany’s new face. Mesut Özil received a pass from Bavarian born Thomas Müller in that vitally-important group game against Ghana, gracefully picked his spot and drilled the ball into the back of the net. He was congratulated by his teammates — a Brazilian, a Ghanaian, a Polish-born German and a number of ethnic Germans. Millions back home in Germany went crazy.

It was a moment when any underdog — whether Turkish, Polish or even Irish — felt like they had come home.

Com a História a repetir-se, como a selecção de Zinedine Zidane, esta “nova” Alemanha também tenha os seus detractores nas extrema direita alemã.

Quotidianos (28)

Posted in quotidianos by JN on Julho 3, 2010

22 de Junho: Homens durante um ritual para induzir o início da chuva das monções em Ahmedabad, Índia (foto: Ajit Solanki/Associated Press).

23 de Junho: Um homem ergue a sua mulher acima do nível da água numa rua em Fuzhou, na Província de Jiangxi, China. O número de mortos devido às cheias provocadas por fortes chuvas é já superior a 211 pessoas (foto: Aly Song/Reuters).

23 de Junho: Um electricista verifica os fios eléctricos que alimentam o bairro de Karrada, em Bagdad, Iraque. Uma onda de protestos assolou o país devido aos cortes frequentes de energia eléctrica que muitas vezes chegam a demorar todo o dia e que já provocou a queda do Ministro da Electricidade iraquiano, Kareem Waheed. O  Sr. Waheed para justificar o que se passa, disse que não tinha fundos suficientes e acusou o Ministério do Petróleo de não fornecer o combustível suficiente às instalações de produção de energia (foto: Ali Abbas/European Pressphoto Agency).

23 de Junho: Uma jovem Amish, de patins em linha, volta a casa com as suas compras, ao longo de uma estrada em Middlefield, Ohio — as tradições também evoluem (foto: Amy Sancetta/Associated Press).

24 de Junho: Ceifa de trigo nos arredores de Cabul, Afeganistão (foto: Dusan Vranic/Associated Press).

25 de Junho: Um polícia indiano utiliza uma fisga durante um protesto anti-Índia em Srinagar, Caixemira (foto: Fayaz Kabli/Reuters).

29 de Junho: Cristiano Ronaldo, o capitão da selecção portuguesa é a imagem do desespero durante o confronto com a selecção espanhola, no Green Point Stadium na Cidade do Cabo, no qual Portugal foi eliminado do Campeonato do Mundo da África do Sul (foto: Action Images/ZUMA Press).

29 de Junho: Um mulher debate-se com um polícia do corpo de intervenção em Bilbau, no País Basco. Milhares de trabalhadores manifestaram-se nesta cidade durante uma greve geral de um dia devido à crise económica que a Espanha atravessa e na qual mais de quatro milhões de pessoas estão desempregadas (foto: Alvaro Barrientos/Associated Press).

30 de Junho: Leões marinhos observam um trabalhador do Zoo de Frankfurt que limpa uma das janelas do seu aquário (foto: Marius Becker/Agence France-Presse/Getty Images).

30 de Junho: Um polícia ameaça uma criança com um bastão durante os confrontos com os trabalhadores do vestuário, em Daca, Bangladesh. Pelo menos 15 mil trabalhadores — que trabalham para algumas das marcas mais prestigiadas no ocidente — protestaram contra os baixos salários e más condições de trabalho. A polícia respondeu com gás lacrimogéneo e canhões de água depois um cruzamento no norte da cidade ter sido bloqueado (foto: Munir uz Zaman/Agence France-Presse/Getty Images).

30 de Junho: Soldados do 1º Batalhão dos Royal Gurkha Rifles patrulham uma aldeia em Nahr-e Saraj, Helmand, Afeganistão (Bay Ismoyo/Agence France-Presse/Getty Images).

1 de Julho: Turistas bebem Daiquiris ao lado da estátua em bronze de Ernest Hemingway no bar The Floridita, em Havana, o preferido do escritor. O Daiquiri era também a bebida de eleição do escritor americano durante a sua estadia em Cuba, entre 1940 e pouco antes da sua morte em 1961 (foto: Desmond Boylan/Reuters).

2 de Julho: Um militante da al-Shabaab corre em busca de abrigo perto de um tanque destruído da União Africana, em Mogadishu, Somalia. O tanque foi destruído nos combates do dia anterior nos quais pelo menos 21 pessoas foram mortas e 42 ficaram feridas, segundo informações de oraganizações humanitárias (foto: Feisal Omar/Reuters).

2 de Julho: A mulher e o filho de um homem morto num ataque suicida sentam-se perto do seu corpo durante o funeral, em Lahore, Afeganistão (foto: Mani Rana/Reuters).

Gosto e aparência

Posted in fotografia ao café, palavras ao café by JN on Julho 2, 2010

“O nosso engenho todo se esforça em pôr as coisas numa perspectiva tal, que vistas de um certo modo, fiquem a parecer o que nós queremos que elas sejam, e não o que elas são. A razão é como um instrumento lisonjeiro, por meio do qual vemos as coisas, grandes, ou pequenas, falsas, ou verdadeiras. O nosso pensamento não se acomoda às coisas, acomoda-se ao nosso gosto. O amor, a vaidade, e o interesse são os moldes em que as coisas se formam, e se configuram para se apresentarem a nós; e com efeito nenhuma coisa se nos mostra como é, contra a nossa vontade.”

Matias Aires, in «Reflexões Sobre a Vaidade dos Homens e Carta Sobre a Fortuna»


“O Vilão” — foto de Luis Sarmento

A democracia no México

Posted in notas ao café by JN on Julho 1, 2010


Angel Boligan, «El Universal»

A 4 de Julho, os mexicanos vão escolher os governadores em 12 dos 31 estados. As eleições ocorrem quase uma década depois de umas eleições que acabaram com 71 anos de  um governo de partido único. Mas ao invés de mostrar o sucesso de uma democracia multipartidária, as campanha revelaram os seus perigos: as campanhas foram assoladas por prisão de candidatos devido a acusações de extorsão, compra de votos e uma sucessão de ataques violentos. O mais recente acto de violência foi o assassinato de um candidato a governador, Rodolfo Torre, por um grupo associado a um cartel de droga e alguns políticos já pediram que metade das eleições sejam suspensas. Segundo a Time, a violência associada ao tráfico de droga ameaça a própria democracia no México:

[…] “This is extremely worrying,” says political scientist Maria Eugenia Valdes. “If there is fear and violence, there is no freedom. And if there is no freedom, we cannot have fair elections.”

A key problem is that many of the polls are in the states hardest hit by the relentless drug war, including Chihuahua, home to Ciudad Juárez, which has a reputation for being one of the most dangerous cities in the world, and Sinaloa, the cradle of Mexican organized crime. […]

Espiões como nós

Posted in notas ao café by JN on Julho 1, 2010


Christo Komarnitski

Quando há cerca de uma semana o Presidente Obama convidou o Presidente russo, Dmitry Medvedev, para um “tradicional” almoço americano no Ray’s Hell Burger, em Arlington, onde da ementa constaram alguns cheeseburgers regados com coca-cola ou afim, as relações entre os dois antigos inimigos pareciam correr pelo melhor e com boas perspectivas de melhorarem. Mas como as relações entre os EUA e Rússia nunca foram fáceis e sempre tiveram altos e baixos, esta semana o FBI deteve dez pessoas sob a acusação de serem espiões ao serviço de Moscovo — estava montado o palco para mais uma pequena guerra entre Washington e Moscovo, esta de agora com o sabor da velha Guerra Fria.

Como escreve o New York Times, os supostos espiões são pessoas comuns, com vidas comuns, alguns com família e filhos — também comuns — mas que viviam um enredo capaz de agradar a qualquer amante de literatura policial: dados encriptados escondidos em imagens digitais, tinta invisível, trocas de malas numa estação de comboios em Queens, elevadas somas em dinheiro enterradas algures no estado de Nova Iorque para serem desenterradas dois anos depois.


Rainer Hachfeld, «Neues Deutschland»

Se no início se pensou que as acusações pudessem prejudicar as recentes tentativas do Presidente Barack Obama de uma reaproximação com Moscovo, com um representante do Ministério do Exterior russo a declarar que as acusações sobre uma rede de espiões russos a actuar nos EUA não tinham qualquer fundamento e representam uma regresso aos tempos da Guerra Fria, bem depressa Moscovo veio a afirmar que afinal as detenções não iriam afectar as relações entre os dois países e o próprio Vladimir Putin desvalorizou o assunto num encontro com e ex-Presidente Bill Clinton.

E o Sr. Putin terá as suas razões para o fazer. No New York Times escreve-se que os acusados tiveram tudo o que precisavam para o seu trabalho: treino, tecnologia à sua disposição e um profundo conhecimento da cultura americana; o que falta no enredo de mais de uma década foram segredos enviados a Moscovo. No retrato que a BBC faz destes “espiões”, Paul Reynolds escreve que além de “inaptos” e “sem sucesso” nem de espionagem conseguiram ser acusados, apenas de lavagem de dinheiro. Alguns dos agora acusados viviam confortavelmente nos EUA desde 1990 e nada terão feito. Para Reynolds o que sai deste caso é a Rússia continuar a usar métodos antigos com um suposto aliado.

A Der Spiegel cita vários jornais e todos parecem estar de acordo que este caso em nada irá influenciará as relações entre os EUA e a Rússia e se a Rússia faz espionagem na América, de certeza que o contrário também acontece. Para muitos estados, a espionagem ainda será um “mal necessário”.


Jimmy Margulies, «The Record of Hackensack»