Notas ao café…

A UE e os Ciganos

Posted in notas ao café by JN on Setembro 17, 2010


Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»

Os dias não estão a ser favoráveis a Nicolas Sarkozy: greves, o escândalo com  o Le Monde e agora a sua política de imigração. A expulsão de ciganos, romenos e búlgaros, de França acabou por ser o assunto central das conferências de imprensa que se seguiram à Cimeira dos 27, em Bruxelas. Na abertura dos trabalhos, Herman Von-Rompuy, desvalorizou a questão e tentou centrar o debate no reforço das relações internacionais da UE. No entanto o debate durante o almoço entre o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e o Presidente Nicolas Sarkozy terá sido pouco amigável. A esta discussão não serão alheias as palavras da comissária europeia da Justiça, Viviane Reding, que chegou mesmo a ameaçar avançar com uma acção judicial contra a França por causa da política do Governo de Paris de expulsão dos ciganos romenos e búlgaros.

No final da cimeira, o Presidente francês, frisou que a totalidade dos chefes de Estado e governantes ficaram chocados com as palavras ultrajantes da vice-presidente da comissão e reagiu às críticas da comissária europeia da Justiça sugerindo que abrisse as fronteiras do seu país, o Luxemburgo, para os receber; ao mesmo tempo disse que não irá ceder na sua políticaAfirmou ainda que conhece bem Durão Barroso, que o respeita e que apreciou o facto dele se ter dissociado das expressões empregues pela Sra. Reding. Acrescentou que é um chefe de Estado e não pode deixar que insultem o seu país. O Presidente da Comissão Europeia aceita as críticas mas contra-ataca afirmando que a comissão cumpre a sua função enquanto guardiã dos tratados e que é inaceitável qualquer tipo de discriminação das minorias étnicas na Europa.


Frederick Deligne

Para Anaïs Faure Atger, especialista em Administração Interna e Justiça, do Centro para os Estudos da Política Europeia, em entrevista à Euronews, existe um jogo de poder entre a UE e a França:

[…] Existe, de facto, um jogo de poder, porque a França pensa ser a única a saber se está a aplicar ou não de maneira correcta o direito comunitário. Não cabe à França, sozinha, decidir isso. Segundo os tratados, é um papel desempenhado pela Comissão Europeia. Por outro lado, as lições que o senhor Lellouche diz receber da Comissão Europeia são também dadas por outras instituições internacionais, como o Comité da ONU para a eliminação da descriminação… o Conselho da Europa também condenou a França. Por isso, a fim de salvaguardar a sua credibilidade na cena internacional, a França precisa de mudar radicalmente a sua posição.

A The Economist escreve que a expulsão dos ciganos não resolve um dos maiores problemas sociais da Europa e o tratamento a que são sujeitos é uma vergonha para o continente; para a Economist a resolução passas pela Educação. Em contra-corrente, Andrés Cala, na Time, escreve sobre o modelo espanhol de integração dos ciganos que ele considera que um que a Europa deve seguir.


Riber Hansson

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