Notas ao café…

Depois de Lula…

Posted in notas ao café by JN on Outubro 5, 2010


Patrick Chappatte, «Le Temps»

As eleições no Brasil só serão resolvidas na segunda volta depois de Dilma Rousseff não ter conseguido a maioria na primeira volta; a Sra. Rousseff ecebeu 46.8 por cento dos votos e o antigo governador de São Paulo, José Serra, 32.6 por cento. A disputa tem agora, de um lado, a candidata do governo, Dilma Rousseff, apresentada ao eleitorado não apenas como a preferida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas como também aquela cujo principal compromisso é continuar os projectos do actual governo.

É a sexta vez, desde o fim do regime militar, que o Brasil pode escolher, pelo voto directo, o governo. É também a primeira vez em 20 anos que Lula da Silva não está entre as opções de voto. Com índices de aprovação superiores a 70 por cento, o Presidente deixará a seu sucessor um país que avançou nos últimos anos em diversos aspectos, sobretudo no campo económico, embora ainda com graves problemas sociais.


Simanca Osmani

A grande surpresa destas eleições foi Marina Silva, a candidata do Partido dos Verdes, ao assegurar o terceiro lugar. Contra todas as projecções conseguiu 19 por cento dos votos e provocou a necessidade de uma segunda volta. Nas suas mãos (ou dos seu eleitores) poderá estar o destino desta segunda volta; os Verdes ainda não decidiram quem vão apoiar, mas como escreve o The Guardian, o sentimento entre eles é de euforia:

[…] “It is a spectacular result,” Alfredo Sirkis, the Green party’s president in Rio de Janeiro, told the Guardian.

Sirkis said the record vote meant the Green party would be able to force debate on crucial environmental issues in the lead up to the second round. Such issues included controversial changes to Brazil’s forestry code, which environmentalists claim will further damage the Amazon rainforest, and Brazil’s commitments on climate change in Copenhagen.

The O Dia newspaper in Rio de Janeiro, where Silva came second with 31.52% of the vote, described a “green tsunami” in its front-page headline.

“Marina Silva’s face will not be on the ballot on October 31 but her electoral ghost will decide the second round,” the newspaper said. “She has become the central figure in this campaign,” said Altino Machado, an Amazon journalist and blogger who has known Silva since the late 1970s.

Machado said Silva’s success showed “the people’s desire for change”.

“There are nearly 20 million Brazilians who understood her positions and who voted for her as an alternative … believing in a utopia, a possible country.” […]

Marina Silva foi ministra do Ambiente do Presidente Lula da Silva e a sua demissão em 2008 provocou alargada discussão, depois do Presidente não ter assinado a sua proposta para parar a desflorestação da Amazónia. Os votos nos Verdes — no Brasil 85 por cento da população acredita que as alterações climáticas são um dos maiores problemas que a humanidade enfrenta — mostra bem que o esquecimento do ambiente começa a ter custos eleitorais, como o demonstraram as recentes eleições na Austrália.


“Environment”
Michael Kountouris

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