Notas ao café…

Os 33 do Chile

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Angel Boligan, «El Universal»

O assunto do dia, transmitido em directo por todas as televisões, foi o resgate dos 33 mineiros chilenos que estavam a 700 metros há 69 dias. Florencio Ávalos foi o primeiro a sair; este mineiro de 31 anos foi o primeiro a chegar à superfície, passavam dez minutos da meia-noite, hora local. No momento, segundo a BBC, todos os mineiros já estão na superfície. No Chile celebra-se e a odisseia dos mineiros é orgulho nacional.

John Pilger, na Truthout, escreve que um dos grandes vencedores é o governo chileno; o drama repleto de emoção e heroísmo não deixa ninguém indiferente. No entanto, Pilger escreve que o evento é também uma fachada já que o acidente que prendeu os mineiros não é incomum no Chile e é a consequência inevitável de um implacável sistema económico que pouco mudou desde a ditadura do general Augusto Pinochet. O cobre é o ouro do Chile, e a frequência de catástrofes em minas é elevada: há, em média, 39 acidentes fatais a cada ano nas minas privatizadas Chile. A mina de San José, onde este acidente ocorreu, tornou-se tão insegura que, em 2007, teve de ser fechada — mas não por muito tempo. A 30 de Julho do ano passado, um relatório do Departamento do Trabalho advertiu novamente de “graves deficiências de segurança”, mas o ministro não tomou nenhuma atitude. Seis dias depois, homens foram sepultados.


Dario Castillejos, «Dario La Crisis»

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