Notas ao café…

Da guerrilha à presidência

Posted in notas ao café by JN on Novembro 3, 2010


Simanca Osmani, «Cagle Cartoons»

Dilma Rousseff venceu José Serra na segunda volta das eleições presidenciais do Brasil, e será a primeira mulher a ocupar a cadeira presidencial no Brasil quando em Janeiro tomar posse. Mas a Sra. Rousseff também representa a velha guarda: é o produto de uma geração de políticos que se formaram durante a ditadura militar. A sua vitória sobre o Sr. Serra, outro sobrevivente da época, foi sem surpresa. No entanto seu desempenho não foi tão forte quanto o do actual presidente Lula da Silva em 2006 (ver mapa interactivo). Alguns estados foram perdidos pelo Partido Dos Trabalhadores. Um facto importante, já que até um Presidente popular como o Sr. Lula achou o Brasil um país difícil de governar. Provavelmente, Dilma Rousseff vai o achar muito mais difícil.

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Escreve Taylor Barnes na Foreign Policy:

[…] Rousseff didn’t, for example, campaign on her personal history to the extent that Bachelet did. Although both candidates suffered under harsh regimes, Bachelet received wide sympathy for having watched her father die under Chile’s military dictatorship and having lived in exile herself.

By comparison, “Dilma tended to keep her [history] really quiet,” says Hakim, which he suspects is because of lingering questions over just how militant she was. Rousseff’s role with an outlawed guerrilla group has long been up for debate. Military records of the time call her the “Joan of Arc of subversion,” but others write off that characterization, arguing that reports were intentionally exaggerated so that she could be touted as a great catch once she was arrested. Rousseff herself has denied ever taking up arms.

[…] Rousseff joins a line of female executives taking office in Latin America, including Cristina Fernández de Kirchner in Argentina and Laura Chinchilla in Costa Rica. Former first lady Mirlande Manigat is a front-runner in Haiti’s Nov. 28 elections. But while Rousseff is already being called “the most powerful woman in the world” and Brazil’s “Iron Lady,” the fact that she’s the first viable female candidate here meant less to most voters than the fact that she’s touted by the most popular male one. In fact, she had more support from men than from women during the campaign — an Oct. 21 Datafolha poll showed 59 percent of male voters saying they’d choose her, compared with 52 percent of females — perhaps due to the fact that she campaigned on being the first female president while not directly addressing gender issues much in her platform. […]


Simanca Osmani, «Cagle Cartoons»

3 Respostas

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  1. opuma said, on Novembro 3, 2010 at 11:32 am

    Uma mulher de corpo inteiro

  2. Silvio said, on Novembro 11, 2010 at 12:37 pm

    Acho tendenciosa ao maniqueísmo essa mania das imprensas de taxar Dilma como ex-guerrilheira. Os bons jornalistas, os sérios, sabem que o contraditório é um fato marcante de nossas vidas e da sociedade humana, sabem que é difícil julgar a História.

    Já a imprensa ligada ao mainstream do poder econômico internacional, sabe da ignorância das massas e de sua inépcia em assuntos tidos como complexos (como política e economia) e como o senso comum pode criar monstros. Portanto, usam de todos os artifícios para conseguir um objetivo, como foi o caso de ligar Dilma ao seu passado guerrilheiro.

    A Ditadura Brasileira costuma ser chamada como “ditabranda” ,pois não causou tantas vítimas como as ditaduras na Argentina e no Chile. Quem fala isso é porque desconhece alguns aspectos da formação de nossa sociedade. Entretanto a ditadura no Brasil foi tão vergonhosa e repulsiva como as dos nossos vizinhos. Pois tratava do cerceamento de um dos mais básicos direitos da humanidade: a Liberdade.

    O momento histórico do Brasil naquele momento para um pequeno grupo de jovens estudantes e alguns intelectuais, era a resistência e a luta contra seus opressores, que não eram nada benevolentes em suas caçadas pelos “subversivos” nas ruas do Brasil. Portanto, naquele momento eles eram os herós do Brasil .

    Taxar a senhora Dilma de guerrilheira era uma tentativa da oposição de desmoralizar a candidata perante o eleitorado. Para a sorte de Dilma e do PT – a apatia política do povo brasileiro e o seu desconhecimento e desinteresse pela história foi o que fez o povo negligenciar esse fato.

    Então a oposição partiu para o ataque usando como arma a religião, o que foi um dos maiores retrocessos já vistos em nossa recente história democrática, afinal num Estado laico, a política também o deve ser. Mas não – alguns setores da política nacional acenaram para o sentimento das massas advindo do fundamentalismo religioso. Mas o tiro acabou saindo pela culatra. Numa guerra quem faz as regras são os oponentes – e ambos podem usar as mesmas armas. Foi uma campanha triste e suja.

    Não votei em Dilma, portanto não é uma defesa ideológica que faço, é apenas o olhar imparcial que deveria fazer parte do processo democrático. Mas na luta pelo poder, infelizmente, os meios usados para conquistá-lo é o que menos interessa.:

  3. Vicente Busch said, on Novembro 17, 2010 at 8:47 pm

    A velha oligarquia da mídia difamou, manipulou, mentiu, jogou sujo contra Dilma, pois não queriam fica mais oito anos fora do poder, porque Lula já preparou o caminho de Dilma: consolidou alianças políticas, aumentou a bancada do Partido Trabalhador na câmara de deputados e senado, deixou grandes investimentos aprovados e orçados (petróleo, ferrovias, estradas), Copa do Mundo, Olimpíadas, sobra de caixa, e domínio da máquina estatal.
    O mapa acima é exemplo de manipulação, induzindo leitor a acreditar que Dilma venceu com apoio dos estados pobres, que ela não tem apoio dos ricos, mas ela teria vencido sem o norte, pois o crescimento econômico beneficiou a todos (ricos e pobres). O mapa verdadeiro não foi publicado pela mídia de dominante. O mapa não ficou todo vermelho pela campanha odiosa da direita no segundo turno.


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