Notas ao café…

O consenso de Lisboa

Posted in notas ao café by JN on Novembro 23, 2010

Em Bucareste, em 2008, os líderes da NATO não conseguiram entrar em acordo sobre a entrada da Ucrânia e da Geórgia na organização. Na cimeira de 2009, a de Estrasburgo-Kehl, em 2009, a discussão foi a nomeação de Anders Fogh Rasmussen, como secretário-geral da aliança do, devido às objecções levantadas pela Turquia. Agora, na de Lisboa, os aliados da NATO pareciam concordar com tudo.


Chappatte, «Le Temps»

Em primeiro lugar, a NATO apresentou o seu novo “conceito estratégico” a 19 de Novembro. Este pretende ser a nova filosofia subjacente à aliança para os próximos anos. Na longa disputa entre se a NATO de deve apenas concentrar na defesa territorial dos países da NATO ou em missões expedicionárias como a do Afeganistão, a organização assumiu que os aliados têm de ser capazes de combater os dois tipos de campanhas e, além dessas, as de ciberguerra — a nova ameaça deste novo século. Ao (fraco) pedido germânico das armas nucleares serem retiradas da Europa, a NATO respondeu assumiu o compromisso de querer um mundo livre de armas nucleares, mas e para já, continuará a ser uma aliança com armas nucleares.

Quando surgiu o tema Afeganistão, o consenso também imperou. As tropas aliadas irão progressivamente passar o controlo do país para as forças afegãs, o que não constitui grande novidade. Cabul já está sobre o controlo das forças afegãs. O objectivo espera-se que esteja cumprido em 2014. Até o Presidente afegão, Hamid Karzai, que antes tinhas feito comentários pouco abonatórios à actuação das forças especiais presentes no terreno que ele acusou de estarem a prejudicar os esforços de aproximação entre o seu governo e os rebeldes, não comentou mais este facto e concordou com o plano da NATO.

E como se fala de consensos, estes chegaram a Moscovo. Se no ano passado Dmitry Medvedev não esteve presente na cimeira desse ano, em Lisboa antigos inimigos decidiram virar a página em definitivo e chegou-se mesmo a um acordo para continuar o diálogo sobre o escudo anti-misseis em território europeu.  A Rússia não entra na NATO — nem deve pretender — mas torna-se num aliado essencial à segurança. Perde o Irão, que já não pode contar com um apoio quase incondicional russo.


Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»

Havia mais uns assuntos pouco interessantes para os líderes da NATO acordarem: prometeram um maior esforço para promover o crescimento e o emprego, trabalhar para eliminar as barreiras não-tarifárias ao comércio transatlântico, a elaboração de normas comuns para os futuros veículos eléctricos e de criar um grupo de trabalho sobre ciber-segurança.

No final, Barack Obama afirmaria:

[..] This summit was not as exciting as other summits because we basically agree on everything. But nevertheless, I value these meetings for a simple reason: America’s relationship with our European allies and partners is the cornerstone of our engagement with the world, and it’s a catalyst for global cooperation. […]

Claro que a chamada “guerra monetária” ficou de fora de qualquer discussão.

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