Notas ao café…

A batalha da Era da Informação

Posted in notas ao café by JN on Dezembro 9, 2010


Wolverton, «Cagle Cartoons»

Massimo Calabresi, na Time, escreve que a rendição de Julian Assange às autoridades britânica, em outra altura até poderia ter colocado um ponto final no controverso caso da WikiLeaks, mas agora é tarde e a detenção do Sr. Assange não é uma derrota para a WikiLeaks: representa uma vitória porque a sua causa tornou-se global. A WikiLeaks tornou-se uma ideia e para muito é muito mais do que um simples site: é mais pura forma de expressão dos ideais de democracia da nossa era. Escreve Calbresi:

[…] The asymmetrical info war initiated by the WikiLeaks dump of diplomatic cables is all about spectacle — the more Assange is set up by world powers, the more powerful his own movement becomes. “The field of battle is WikiLeaks,” wrote John Perry Barlow, a former Grateful Dead lyricist and founder of the Electronic Frontier Foundation, the First Amendment advocacy group, in a message to his followers. “You are the troops.” WikiLeaks admiringly forwarded the post to 300,000 of its own followers. As the U.S. and other governments attempted to close down WikiLeaks over the past week, those “troops” have fought back. And so far, it doesn’t look like much of a contest. […]

E o Sr. Calabresi não se enganou. Depois da luta da WikiLeaks por se manter online, Começou a guerra pela Internet e a primeira guerra informática tem como campo de batalha o site WikiLeaks. A declaração de guerra foi feita por um grupo de hackers, que lançou um contra-ataque depois da detenção de Julian Assange. As primeiras vítimas dos ataques são o site de um banco suíço que fechou a conta do Sr. Assange; a página do Mastercard, que bloqueou as doações feitas ao WikiLeaks; o site e o e-mail do advogado das duas suecas que acusam Julian Assange de violência sexual e, ainda, a página da procuradoria-geral sueca.


Arend van Dam

O fundador do WikiLeaks irá ficar detido até 14 de Dezembro. Está preso preventivamente por acusações de alegadas violências sexuais e não por publicar documentos secretos norte-americanos, que provocaram um autêntico sismo diplomático, com epicentro em Washington. Ainda assim, o secretário de Estado da defesa norte-americano, Robert Gates, admitiu que a detenção é uma boa notícia.

O fundador da WikiLeaks vai ser defendido por um advogado de renome na área dos direitos humanos e dos media. Trata-se de Geoffrey Robertson, que já defendeu nomes como Salmon Rushdie, o escritor que o Irão condenou à morte. Além disso, defendeu vários jornais em processos de liberdade de expressão e protecção de fontes jornalísticas.

Julian Assange, é uma espécie de paladino da Era da Informação, mas quando o “Cablegate” se associou a cinco grandes títulos da imprensa mundial, como o New York Times, o The Guardian e a Der Spiegel, para publicar informações diplomáticas entre embaixadas e governos, tornou-se o o o inimigo público n° 2 nos EUA, depois de Osama Bin Laden, ou até mesmo o nº1. Pode estar na lista de personalidade do ano da revista Time, mas para amuitos americanos e não só, ele é um criminoso que deve der perseguido e punido. O Sr. Assange é a imagem da WikiLeaks, criada em 2006 para revelar ao mundo os documentos escondidos, dava conferências ao grande público para explicar esta “demanda de transparência planetária”.


Joep Bertrams

Na Der Spiegel, comenta-se, citando o Berliner Zeitung, que a reputação dos EUA podem sofrer muito mais com a perseguição e detenção de Julian Assange do que com a revelação dos documentos do seu Departamento de Estado:

[…] “The reputation of the United States has been damaged by the WikiLeaks-controlled release of secret documents. That is true… But the United States’ reputation is being damaged much more right now as they attempt — with all of their means — to muzzle WikiLeaks and its head, Julian Assange. By doing so, the US is betraying one of its founding myths: Freedom of information. And they are doing so now, because for the first time since the end of the Cold War, they are threatened with losing worldwide control of information.”

“‘The first real information war has begun,’ writes US civil rights activist John-Perry Barlow. ‘The battlefield is WikiLeaks.’ He is right. With the doctrine ‘Free Flow of Information’ the US has dominated the flow of information and most of its content for decades. They said that every person had the right, everywhere, and without limitations, to collect information and to broadcast and disseminate it. That was a tremendous doctrine, as long as only American companies had the power, the means, and the logisitical capabilities, to make use of this freedom. That changed somewhat with the Internet, but companies like Apple, Windows, Google, Facebook and Amazon advance US-domination in the supposedly democratic Internet. Julian Assange and WikiLeaks are the first who have used the power of the Internet against the United States. That is why they are being mercilessly pursued. That is why the government is betraying one of the principles of democracy.” […]


Dario Castillejos, «Dario La Crisis»

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