Notas ao café…

A nova Tunísia

Posted in notas ao café by JN on Janeiro 16, 2011


Chappatte, «Cartoons on World Affairs»

Analistas afirmaram à BBC que os violentos protestos na Tunísia, que culminaram com a renuncia do presidente Zine Al-Abidine Ben Ali na última sexta-feira, servem como uma mensagem de alerta aos governos da região de que um novo activismo começa a surgir no mundo árabe. Segundo estes analistas, os governos totalitários enfrentam cada vez mais a insatisfação popular devido à a falta de soluções para os problemas económicos, sociais e de liberdades individuais. No entanto, dizem que ainda é cedo para falar em reacções semelhantes em outros países árabes em médio prazo.

“Embora muitos tenham ficado perplexos com os protestos que sacudiram a Tunísia nas últimas semanas, eles não podem ser vistos como uma surpresa para aqueles que acompanham o cenário da região”, disse o analista político libanês Rami Khouri, do Instituto Fares da Universidade Americana de Beirute à BBC Brasil. De acordo com o Sr. Khouri, a região vive um renascimento do activismo árabe entre as populações mais jovens e mais conscientes, com fome de liberdades individuais, emprego e desenvolvimento: “O problema que assola a região é comum a todos –, a actual ordem política e económica do mundo árabe, que é instável e insustentável, porque traz insatisfação para a imensa maioria de seus cidadãos”.

O clima de tensão na Tunísia começou no dia 17 de Dezembro, quando o desempregado Sidi Bouzeid, de 26 anos e com formação superior, foi abordado por policiais enquanto vendia produtos agrícolas na rua. Após ter sua mercadoria apreendida, ele foi impedido de prestar queixa. Em desespero, o jovem imolou-se pelo fogo e morreu dias depois no hospital. A morte de Bouzeid iniciou uma série de protestos que se espalharam rapidamente pelo país e a capital Túnis. Centenas de milhares de pessoas, entre estudantes, sindicatos e partidos de oposição, protestaram contra o desemprego, corrupção e falta de democracia. Perante o caos instalado no país, o novo Presidente formou um governo de coligação para responder à crise que o país atravessa e pede a união.


Joep Bertrams

Na Foreign Policy, Christopher Alexander faz o percurso de Zine el-Abidine Ben Ali, o Presidente deposto; um homem que chegou ao poder com promessas de reformas e de democracia, mas que se transformou com o tempo em mais um ditador. Na mesma publicação, Michael Koplow escreve que a revolução na Túnisia, ao contrário de tantos outros países islâmicos não é uma revolução de carácter religioso, mas sim politico-social protagonizada principalmente pela juventude:

[…] Given the historical ineffectiveness of Arab publics to effect real change in their governments and the Tunisian regime’s reputation as perhaps the most repressive police state in the region, the events of the past week are nothing short of remarkable. And while reports and analyses have focused on the extraordinary nature of the protests, it is equally important to consider what has been missing — namely, Islamists.

Unlike in Egypt, Jordan, Algeria, and most other secular Arab autocracies, the main challenge to the Tunisian regime has not come from Islamist opposition but from secular intellectuals, lawyers, and trade unionists. The absence of a strong Islamist presence is the result of an aggressive attempt by successive Tunisian regimes, dating back over a half-century, to eliminate Islamists from public life. Ben Ali enthusiastically took up this policy in the early 1990s, putting hundreds of members of the al-Nahda party, Tunisia’s main Islamist movement, on trial amid widespread allegations of torture and sentencing party leaders to life imprisonment or exile. Most influential Tunisian Islamists now live abroad, while those who remain in Tunisia have been forced to form a coalition with unlikely secular and communist bedfellows. […]

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