Notas ao café…

O efeito Jasmim

Posted in notas ao café by JN on Janeiro 29, 2011


Joep Bertrams

Os efeitos da Tunísia Revolução chegaram ao Egipto, na terça-feira, quando milhares saíram às ruas em várias cidades para protestar contra o governo do Presidente Hosni Mubarak. Acima, confrontos entre manifestantes e a polícia no centro da cidade do Cairo. A polícia disparou balas de borracha sobre os manifestantes e há notícias de três mortos no Cairo.

Os manifestantes expressaram a sua ira contra a corrupção endémica do seu país e o estado caótico da economia, bem como a falta de eleições livres e justas. “Onde você está a liberdade?” gritava-se em Ismailia. O ministro do Interior egípcio proibiu qualquer manifestação, mas  os protestos continuaram pelo dia seguinte e cerca de 860 pessoas terão sido detidas pela polícia, a maior parte no Cairo. O Egipto é palco desde a última terça-feira dos maiores protestos desde a chegada ao poder, em 1981, do presidente Hosni Mubarak, que aumentaram com o retorno do opositor Mohamed ElBaradei e Prémio Nobel da Paz de 2005.


Adam Zyglis, «The Buffalo News»

Apesar de todas as proibições, as manifestações continuaram ao longo da semana e manifestantes entraram em confronto novamente com a polícia no Cairo no que foi dia da mais violenta das manifestações no Egipto desde que começaram na terça-feira. A polícia disparou canhões de água contra o líder pró-democracia Mohammed ElBaradei e os seus apoiantes e usou balas de borracha e gás lacrimogéneo e contra a multidão em pelo menos em seis locais da cidade.

As manifestações de ontem foram organizadas pela partido da Irmandade Muçulmana, grupo egípcio de oposição que foi proibido. Um porta-voz da Irmandade disse que dezenas de seus militantes foram presos após o anúncio das manifestações ter sido feito. No total, mais de 1.000 pessoas foram presas e há pelo menos sete mortos desde o início dos protestos.  Ao mesmo tempo, o governo egípcio parece ter encerrado os serviços de Internet e de telemóveis na manhã de sexta-feira, num esforço para impedir militantes de usar os sites de redes sociais como Facebook e Twitter para organizar os comícios. Mohammed ElBaradei terá sido colocado sob prisão domiciliária.

Na sua primeira aparição pública desde o início da onda de manifestações no Egipto, o Presidente Hosni Mubarak, anunciou nesta sexta-feira a dissolução do governo, que um novo gabinete seria nomeado no sábado e defendeu a actuação da polícia.


Nate Beeler, «The Washington Examiner»

No Washington Post, David Ignatius escreve que há algo de inevitável nesta revolução. Yasser El-Shimy, na Foreign Policy, escreve que a onda de protestos no Egipto representa o início do fim do regime de Mubarak. Enquanto Israel teme uma mudança de regime no Egipto, com uma  possível subida ao poder da Irmandade Muçulmana, Nathan J. Brown, na Foreign Policy, escreve sobre o papel que a administração americana deve ter:

[A]s Americans, all of us should keep reminding ourselves that if this is an Egyptian moment, we need to resist the temptation to understand it only in terms of U.S. domestic politics. The Obama administration has sensibly refrained from taking credit for events; its supporters should do the same even if the outcome is ultimately positive. And if Obama’s critics react (as some have begun to do) by bouncing between blaming him for allowing Islamists to glimpse power and excoriating his timidity in the face of an autocrat, we should tune them out.

[…] Egypt’s Muslim Brotherhood is a player in events, but not the primary one. If it emerges as a more savvy and influential political player, that is a positive development for Egypt — so long as it is one player among many others. Egypt’s rulers missed an opportunity to build a healthier political system that incorporated more actors earlier in this decade. They decided to shore up cronyism and autocracy rather than embrace pluralism and democracy. They may now be given a second chance. We cannot make them take it, but we can sweetly suggest they resist the urge to smash it.


Frederick Deligne

A febre chegou ao Iémene, onde milhares de pessoas protestaram nesta quinta-feira para exigir a saída do presidente Ali Abdullah Saleh, no poder há 32 anos, enquanto a Irmandade Muçulmana da Jordânia – a principal força de oposição – convocou a uma nova manifestação na sexta-feira.

Os movimentos de protesto que começaram a alcançar os regimes árabes têm um ponto em comum: são conduzidos em especial por jovens e pela classe média, através da Internet e das redes sociais. Os protestos revelaram sobretudo até que ponto muitos regimes, cujos líderes estabelecem recordes de longevidade no poder, carecem de legitimidade popular. Do Egipto à Jordânia, passando pelo Iémene, a “Revolução de Jasmim” começa a alcançar regimes árabes que estão no poder há décadas graças ao predomínio do medo. Depois de Tunes, o assunto já não é qual será o seguinte, mas sim qual (regime) se salvará, numa altura em que as manifestações populares poderão alcançar a maioria dos países árabes, excepto as monarquias petrolíferas do Golfo.


Chappatte, «Cartoons on World Affairs»

Uma resposta

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  1. […] This post was mentioned on Twitter by Ângela Guedes, Ângela Guedes. Ângela Guedes said: [a ler] O efeito Jasmim http://goo.gl/fb/wjibH […]


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