Notas ao café…

De Chernobyl a Fukushima

Posted in notas ao café by JN on Março 15, 2011


Peter Lewis

Depois do terremoto de magnitude 8,9 que abalou o Japão, um dos maiores de que há registo, e do tsunami que o seguiu, este país passa por uma calamidade social. Ontem cerca de dois mil corpos deram à costa distrito de Miyagi, no nordeste do japão. O número oficial de mortos já atingiu 2800, mas as autoridades de Miyagi afirmam que mais de dez mil pessoas daquela área possam ter morrido em consequência do tsunami. A costa do Japão tem sido atingida por várias réplicas desde sexta-feira o que está a provocar receios de um outro tsunami. O departamento de catástrofes avançou também com um novo balanço para a escala de destruição: 63.255 edifícios parcial ou totalmente destruídos. Se a catástrofe não foi pior, tudo se deve ao rigoroso código de construção japonês

A costa do Japão pode-se ter movido cerca de quatro metros para leste após o terremoto. Dados da rede japonesa Geonet, sugerem que ocorreu um deslocamento em grande escala após o terremoto. Roger Musson, da agência geológica britânica (BGS), disse à BBC que o movimento é “compatível com o que acontece quando há um terremoto deste porte”. O terremoto provavelmente  também mudou o equilíbrio do planeta, movendo a Terra em relação a seu eixo em cerca de 16,5 cm. A velocidade da rotação da Terra também terá sido alterada, diminuindo a duração dos dias em cerca de 1,8 milionésimos de segundo.


Chappatte, «NZZ am Sonntag»

À crise humanitária que o Japão vive, uma outra se veio juntar; esta prende-se com a central nuclear de Fukushima Daiichi. Uma nova explosão, a terceira, foi ouvida já na noite desta segunda-feira nesta central nuclear segundo relatam várias agências noticiosas. Água salgada tem ido injectada nos reactores para impedir a fusão dos reactores nucleares — na Time, Howard Chua-Eoan explica como se pode evitar a fusão de um reactor. O processo de arrefecimento dos reactores pode continuar durante meses o que significa que os milhares que foram evacuados da área não devem poder regressar tão cedo às suas casas. Segundo a Agência Internacional de Energia Atómica, o que se passou em Chernobyl é improvável de acontecer agora.

Improvável ou não, o que se passa na central Fukushima Daiichi está a ter repercussões no mundo e em especial na Europa, que coloca questões sobre a segurança das suas próprias instalações nucleares para a produção de energia. O debate voltou à Europa e em especial à  Alemanha, onde não se fizeram esperar os protestos, e na Der Spiegel escreve-se que o acidente no Japão marca o fim da era nuclear:

[…] The fact that Japan, which was once considered a miracle economy, was on the verge of a nuclear disaster could be far more devastating to the nuclear industry than the Soviet reactor catastrophe in Chernobyl could ever have been a quarter century ago.

Admittedly, Japan is in an earthquake zone, which puts it at greater risk than countries like Germany and France. But Japan also happens to be a leading industrialized nation, a country where well-trained, pedantically precise engineers build the world’s most advanced and reliable cars.

When the Chernobyl accident occurred, Germany’s nuclear industry managed to convince itself, and German citizens, that aging reactors and incapable, sloppy engineers in Eastern Europe were to blame. Western reactors, or so the industry claimed, were more modern, better maintained and simply safer.

It is now clear how arrogant this self-assured attitude is. If an accident of this magnitude could happen in Japan, it can happen just as easily in Germany. All that’s needed is the right chain of fatal circumstances. Fukushima is everywhere. […]


Peter Broelman

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