Notas ao café…

Um modo de viver

Posted in palavras ao café by JN on Abril 15, 2010

“Muita gente confunde sucesso com amealhar dinheiro. Embora o sucesso acabe por levar à riqueza, é muito mais que isso. É uma atitude mental e espiritual – um estado de consciência – de que o dinheiro é um sub-produto acidental. Sucesso é um modo de viver.”

Alfred Montapert, in «A Suprema Filosofia do Homem»


Andy Singer, «No Exit»

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Invisible Man

Posted in fotografia ao café, palavras ao café by JN on Abril 9, 2010

“I am an invisible man. No, I am not a spook like those who haunted Edgar Allen Poe; nor am I one of those Hollywood-movie ectoplasms. I am a man of substance, of flesh and bone, fiber and liquids-and I might even be said to possess a mind. I m invisible, understand, simply because people refuse to see me. Like the bodiless heads you see sometimes in circus sideshows, it is as though I have been surrounded by mirrors of hard, distorting glass. When they approach me they see only my surroundings, themselves, or figments of their imagination-indeed, everything and anything except me.”

Ralph Ellison, in «The Invisible Man»


“INVISIBLE MAN” por Patrícia

Amigos & Inimigos

Posted in palavras ao café by JN on Abril 9, 2010

“Os teus piores inimigos não são de modo nenhum aqueles que têm um ponto de vista diferente do teu; são, pelo contrário, aqueles que têm o mesmo mas que, por diversos motivos, prudência, desejo de ter razão, cobardia, estão impedidos de a ele aderir.”

Arthur Schnitzler, in «Relações e Solidão»


Olle Johansson

“Pare, Escute, Olhe”

Posted in cinema ao café, notas ao café, palavras ao café by JN on Abril 8, 2010

“A história pode comparar-se a uma coluna polígona de mármore. Quem quiser examiná-la deve andar ao redor dela, contemplá-la em todas as suas faces. O que entre nós se tem feito, com honrosas excepções, é olhar para um dos lados, contar-lhe os veios de pedra, medir-lhe a altura por palmos, polegadas e linhas. E até não sei ao certo se estas indagações se têm aplicado a uma face ou unicamente a uma aresta.”

Alexandre Herculano, in «Cartas Sobre a História de Portugal»

A linha ferroviária e o vale do Tua filmadas numa manhã de Inverno. A linha e o vale arriscam-se a desaparecer com a construção da barragem no Tua.

Vodpod videos no longer available.

“Pare, Escute, Olhe”, um documentário de Jorge Pelicano no Vimeo.

Ser original

Posted in palavras ao café by JN on Março 31, 2010

“Só se julga profundo o que disser coisas diferentes de toda a gente. E todavia a grande originalidade está em dizer as mesmas coisas, mas ao nível do espanto e maravilha que nos despertam. Toda a gente sabe que o homem é mortal, mas poucos vêem isso e se espantam de que seja assim. Toda a gente sabe que há bichos e plantas e estrelas e o mais. Mas conhecê-lo ao nível do extraordinário que aí existe é raro como ser doido.
A grande originalidade não é dizer coisas novas mas ser novo diante das coisas velhas.”

Vergílio Ferreira, in «Conta-Corrente 3»

27 de Março de 2010: Will Chevalier apresenta-se ao júri do 25º Concurso de Barbas de Garmisch-Partenkirchen, Alemanha (Johannes Simon/Getty Images).

Rita & Animal

Posted in música ao café, palavras ao café by JN on Março 24, 2010

“Grande arte é saber corrigir a tempo, oportunamente, abrindo uma porta; sem esmagar a pessoa mas ajudando a superar o erro. Quem sabe fazer esta distinção não deve ter medo de ter opinião nem cai na ratoeira de se calar dizendo que é tolerante. A tolerância é com as pessoas, não com os actos.”

Vasco Pinto de Magalhães, in «Não Há Soluções, Há Caminhos»

Um entusiasmado Animal enfrenta o temperamento latino de Rita Moreno, que mostra pouca tolerância para com o baterista dos Muppet.

O espaço público

Posted in palavras ao café by JN on Março 15, 2010


Angel Boligan

“Vê-se que o espaço público falta cruelmente em Portugal. Quando há diálogo, nunca ou raramente ultrapassa as «opiniões» dos dois sujeitos bem personalizados (cara, nome, estatuto social) que se criticam mutuamente através das crónicas nos jornais respectivos (ou no mesmo jornal).
O «debate» é necessariamente «fulanizado», o que significa que a personalidade social dos interlocutores entra como uma mais-valia de sentido e de verdade no seu discurso. É uma espécie de argumento de autoridade invisível que pesa na discussão: se é X que o diz, com a sua inteligência, a sua cultura, o seu prestígio (de economista, de sociólogo, de catedrático, etc.), então as suas palavras enchem-se de uma força que não teriam se tivessem sido escritas por um x qualquer, desconhecido de todos. Mais: a condição de legitimação de um discurso é a sua passagem pelo plano do prestígio mediático – que, longe de dissolver o sujeito, o reforça e o enquista numa imagem «em carne e osso», subjectivando-o como o melhor, o mais competente, o que realmente merece estar no palco do mundo.”

José Gil, in «Portugal Hoje – O Medo de Existir»

Ter uma opinião própria

Posted in palavras ao café by JN on Março 12, 2010

“Creio que cada um deve ter uma opinião própria sobre todas as coisas, acerca das quais são possíveis opiniões, porque ele mesmo é uma coisa singular, única, que ocupa uma posição nova, nunca vista, em relação a todas as outras coisas. Mas a preguiça, que jaz no fundo da alma do homem activo, impede-o de tirar água do seu próprio poço. Com a liberdade das opiniões passa-se o mesmo que com a saúde: ambas são individuais, nem de uma nem de outra se pode formular um conceito universalmente válido. Aquilo de que um indivíduo necessita para a sua saúde já é motivo de doença para outro, e muitos caminhos e meios para se chegar à liberdade de espírito podem ser considerados por naturezas superiormente desenvolvidas como caminhos e meios que afastam da liberdade.”

Friedrich Nietzsche, in «Humano, Demasiado Humano»


Andy Singer, «No Exit»

Independência da solidão

Posted in palavras ao café by JN on Março 12, 2010

“É fácil viver no mundo conforme a opinião do mundo: é fácil na solidão viver conforme a própria opinião; mas grande homem é o que, no meio da multidão, conserva com plena serenidade a independência da solidão.”

Ralph Waldo Emerson, in «Ensaios»


“Charles Darwin”
Antonio Neri Licón, «Milenio»

O bem absoluto

Posted in palavras ao café by JN on Fevereiro 24, 2010


Angel Boligan

“Numa espécie tão carente e constituída de necessidades como a humana, não é de admirar que a riqueza, mais do que qualquer outra coisa, seja tão estimada e com tanta sinceridade, chegando a ser venerada; e mesmo o poder é apenas um meio para chegar a ela. Assim, não é surpreendente que, objectivando a aquisição, todo o resto seja colocado de lado ou atirado para um canto. Por exemplo, a filosofia pelos professores de filosofia.
Os homens são amiúde repreendidos porque os seus desejos são direccionados sobretudo para o dinheiro e eles amam-no acima de tudo. Todavia, é natural, e até mesmo inevitável, amar aquilo que, como um Proteu infatigável, está pronto em qualquer instante para se converter no objecto momentâneo dos nossos desejos e das nossas necessidades múltiplas. De facto, qualquer outro bem só pode satisfazer a um desejo, a uma necessidade: os alimentos são bons apenas para os famintos; o vinho, para os de boa saúde; os medicamentos, para os doentes; uma peliça, para o inverno; as mulheres, para os jovens, etc. Todos eles, por conseguinte, são meramente bons para algo, ou seja, apenas relativamente bons. Só o dinheiro é o bem absoluto, porque ele combate não apenas uma necessidade in concreto, mas a necessidade em geral, in abstracto.”

Arthur Schopenhauer, in «Aforismos para a Sabedoria de Vida»

Do egoísmo

Posted in palavras ao café by JN on Fevereiro 21, 2010


Dario Castillejos, «Dario La Crisis»

“[T]odas as acções dos homens e dos animais surgem, em regra, do egoísmo, e a ele também se atribui sempre a tentativa de explicar uma determinada acção. Nas suas acções baseia-se também, em geral, o cálculo de todos os meios pelos quais procura-se dirigir os seres humanos a um objectivo. Por natureza, o egoísmo é ilimitado: o homem quer conservar a sua existência utilizando qualquer meio ao seu alcance, quer ficar totalmente livre das dores que também incluem a falta e a privação, quer a maior quantidade possível de bem-estar e todo o prazer de que for capaz, e chega até mesmo a tentar desenvolver em si mesmo, quando possível, novas capacidades de deleite. Tudo o que se opõe ao ímpeto do seu egoísmo provoca o seu mau humor, a sua ira e o seu ódio: ele tentará aniquilá-lo como a um inimigo. Quer possivelmente desfrutar de tudo e possuir tudo; mas, como isso é impossível, quer, pelo menos, dominar tudo: “Tudo para mim e nada para os outros” é o seu lema. O egoísmo é gigantesco: ele rege o mundo.”

Arthur Schopenhauer, in «A Arte de Insultar»

Na tempestade

Posted in fotografia ao café, palavras ao café by JN on Fevereiro 21, 2010

“E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido.”

Haruki Murakami, in «Kafka à Beira-Mar»


“Gentes da Terra”
Deyvis Malta

A apreensão da Natureza

Posted in palavras ao café by JN on Fevereiro 18, 2010


Angel Boligan

“Não são muitas as pessoas dotadas para a apreensão da Natureza e para a sua utilização imediata. A maior parte gosta de descobrir entre o conhecimento e a utilização uma espécie de castelo nas nuvens, que se entretêm a aperfeiçoar, esquecendo assim ao mesmo tempo o objecto e a respectiva utilização.
Do mesmo modo, não é fácil compreender-se que o que acontece nos grandes domínios da Natureza é o mesmo que sucede nos mais pequenos. Mas se a experiência o indica com premência, os indivíduos acabam por aceitar tal ideia de bom grado. Há um parentesco entre a atracção de fragmentos de palha por uma vareta de âmbar depois de friccionada e a mais terrível das tempestades. Em certo sentido são o mesmo fenómeno. E há outros casos em que não temos dificuldade em aceitar essa micromegalogia. Mas rapidamente somos abandonados pelo puro espírito da Natureza e apodera-se de nós o demónio do artifício, que sabe sempre insinuar-se em todos os campos.”

Johann Wolfgang von Goethe, in ‘Máximas e Reflexões’

Censura e a liberdade

Posted in palavras ao café by JN on Fevereiro 10, 2010

“A censura e a liberdade de imprensa hão-de continuar sempre a sua luta. O poderoso exige e exerce a censura; o homem sem poderes reclama a liberdade de imprensa. O primeiro quer ser obedecido, em vez de ser limitado nos seus planos ou na sua actividade por uma contradição insolente. O segundo quer dar voz às razões que lhe legitimam a desobediência. Por toda a parte se encontrará uma tal oposição.
Notar-se-à contudo também que, à sua maneira, o mais fraco, o que sofre a dominação, procura igualmente limitar a liberdade de imprensa, nomeadamente quando conspira e procura não ser traído. Ninguém clama tanto por liberdade de imprensa como aquele que a quer perverter.”

Johann Wolfgang von Goethe, in «Máximas e Reflexões»


Arcadio, «Cagle Cartoons»

O vigor das palavras

Posted in palavras ao café by JN on Fevereiro 10, 2010

“Uma palavra que é proferida passa a fazer parte do círculo das restantes forças naturais necessariamente activas. Age com tanto mais vigor quanto, no limitado espaço em que a humanidade vai percorrendo o seu caminho, se colocam constantemente as mesmas necessidades e as mesmas exigências.
E contudo é tão pouca a segurança que oferece a transmissão das palavras ao longo do tempo! É costume dizer-se que nos devemos ater ao espírito e não à palavra. Mas o que acontece em geral é que o espírito aniquila a palavra ou a transforma de tal modo que pouca coisa permanece da anterior significação e valor estilístico.”

Johann Wolfgang von Goethe, in «Máximas e Reflexões»


“AwJesus!”
Mr. Fish, «Clowncrack.com»

A rejeição triunfante

Posted in arte ao café, palavras ao café by JN on Fevereiro 9, 2010

“A música é uma rejeição triunfante do mundo em que nascemos, um «não» à natureza, um corajoso desafio a Deus e aos deuses e a toda a espécie de poderes não-humanos dos quais se pensa que moldaram o cosmos; é um mundo rival feito pelo homem.”

Walter Kaufmann, in «A Vida nos seus Limites»


“Mstislav Rostropovich”
Salvador Dali

A vida com um sonho

Posted in palavras ao café by JN on Fevereiro 5, 2010

“Os que compararam a nossa vida com um sonho tiveram razão, talvez, mais do que pensavam. Quando sonhamos, a nossa alma vive, age, exerce todas as suas faculdades, nem mais nem menos do que quando está em vigília; porém de modo mais frouxo e obscuro, decerto não tanto que a diferença seja como da noite para uma viva claridade, mas sim como da noite para a sombra: lá ela dorme, aqui dormita, mais e menos. São sempre trevas, e trevas profundas e perpétuas.”

Michel de Montaigne, in «Ensaios»


Angel Boligan

Acontecimentos do passado

Posted in palavras ao café by JN on Janeiro 31, 2010

“Que um acontecimento projecte a sua sombra no futuro é um processo regular que devemos aceitar como tal; mais grave é o acontecimento que lança uma sombra sobre o passado, mergulhando numa obscuridade súbita fragmentos da vida que se encontravam na luz e haviam por muito tempo conservado o seu brilho.”

Arthur Schnitzler, in «Observação do Homem»


Patrick Corrigan, «The Toronto Star»

Onde estudar

Posted in palavras ao café by JN on Janeiro 28, 2010

“Se o ambiente em que estudamos nos é adverso estudamos melhor do que num que nos seja propício, quem estuda faz sempre bem em escolher um local de estudo que lhe seja adverso, e não um que lhe seja propício, porque o local propício rouba-lhe sempre uma grande parte da concentração no estudo, e o que lhe é adverso, pelo contrário, permite-lhe um estudo a cem por cento, porque o obriga a concentrar-se nesse estudo.”

Thomas Bernhard, in «O Náufrago»

A influência do interesse

Posted in palavras ao café by JN on Janeiro 28, 2010


Angel Boligan, «El Universal»

“A maior parte das coisas pode ser considerada sob pontos de vista muito diferentes: interesse geral ou interesse particular, principalmente. A nossa atenção, naturalmente concentrada sob o aspecto que nos é proveitoso, impede que vejamos os outros. O interesse possui, como a paixão, o poder de transformar em verdade aquilo em que lhe é útil acreditar. Ele é, pois, frequentemente, mais útil do que a razão, mesmo em questões em que esta deveria ser, aparentemente, o guia único. […]
As variações de opinião obedecem, naturalmente, às variações do interesse. Em matéria política, o interesse pessoal constitui o principal factor. Um indivíduo que, em certo momento, energicamente combateu o imposto sobre a renda, com a mesma energia o defenderá mais, se conta ser ministro. Os socialistas enriquecidos acabam, em geral, conservadores, e os descontentes de um partido qualquer transformam-se facilmente em socialistas.
O interesse, sob todas as suas formas, não é somente gerador de opiniões. Aguçado por necessidades muito intensas, ele enfraquece logo a moralidade. O magistrado ávido de promoção, o cirurgião em presença de uma operação inútil porém frutuosa, o advogado que enriquecerá com complicações de processo que ele poderia evitar, terão rapidamente a moral muito abalada se imperiosas necessidades de luxo lhes estimularem o interesse. Essas necessidades podem constituir, nas naturezas superiores, um elemento de actividade e de progresso, mas nas naturezas medíocres determinam, pelo contrário, uma acentuada degenerescência moral.”

Gustave Le Bon, in «As Opiniões e as Crenças»

Autodestruição da justiça

Posted in palavras ao café by JN on Janeiro 8, 2010

“À medida que aumenta o poderio de uma sociedade, assim esta dá menos importância às faltas dos seus membros, porque já lhes não parecem perigosas nem subversivas; o malfeitor já não está reduzido ao estado de guerra, não pode nele cevar-se a cólera geral; mais ainda: defendem-no contra essa cólera. O aplacar a cólera dos prejudicados, o localizar o caso para evitar distúrbios, e procurar equivalências para harmonizar tudo (compositio) e principalmente o considerar toda a infracção como expiável e isolar portanto o ulterior desenvolvimento do direito penal. À medida, pois, que aumenta numa sociedade o poder e a consciência individual, vai-se suavizando o direito penal, e, pelo contrário, enquanto se manifesta uma fraqueza ou um grande perigo, reaparecem a seguir os mais rigorosos castigos. Isto é, o credor humanizou-se conforme se foi enriquecendo; como que no fim, a sua riqueza mede-se pelo número de prejuízos que pode suportar. E até se concebe uma sociedade com tal consciência do seu poderio, que se permite o luxo de deixar impunes os que a ofendem. «Que me importam a mim esses parasitas? Que vivam e que prosperem; eu sou forte bastante para me inquietar por causa deles…» A justiça, pois, que começou a dizer: «tudo pode ser pago e deve ser pago» é a mesma que, por fim, fecha os olhos e não cobra as suas dívidas e se destrói a si mesma como todas as coisas boas deste mundo. Esta autodestruição da justiça, chama-se graça e é privilégio dos mais poderosos, dos que estão para além da justiça.”

Friedrich Nietzsche, in «A Genealogia da Moral»


Ares, «Cagle Cartoons»

Acorrentados pelo medo

Posted in palavras ao café by JN on Janeiro 6, 2010

“As pessoas não querem que se lhes dê lições. É por isso que não compreendem agora as coisas mais simples. No dia em que o quiserem, verificar-se-á que são capazes de compreender também as coisas mais complicadas. Até lá, as instruções são: continuar a trabalhar, discutir o menos possível. Com efeito, só poderíamos dizer a um indivíduo: você é um imbecil, a outro: você é um patife, e há boas razões que excluem a realização expressiva de tais convicções. Sabemos, de resto, que estamos diante de pobres diabos, que receiam por um lado chocar, prejudicar as suas carreiras e que, por outro lado, se encontram acorrentados pelo medo do que está recalcado neles próprios. Teremos de esperar que todos eles morram ou se tornem lentamente minoritários. De qualquer maneira, o que acontece de fresco e de novo é a nós que pertence.”

Sigmund Freud, in «As Palavras de Freud»


“Save Our Seats”
Michael Kountouris, «Politicalcartoons.com»

À espera de…

Posted in notas ao café, palavras ao café by JN on Janeiro 3, 2010


Bruce Plante, «Tulsa World»

“He stopped crying. You have replaced him as it were. The tears of the world are a constant quantity. For each one who begins to weep somewhere else another stops. The same is true of the laugh. Let us not then speak ill of our generation, it is not any unhappier than its predecessors. Let us not speak well of it either. Let us not speak of it at all. It is true the population has increased.”

Samuel Beckett, in «Waiting for Godot»


Steve Breen, «The San Diego Union-Tribune»

A pretensão da verdade

Posted in notas ao café, palavras ao café by JN on Dezembro 22, 2009


Clay Bennett, «Chattanooga Times Free Press»

“Tendo estudado a sabedoria em livros traduzidos do grego, do chinês ou do sânscrito, tenho uma certa desvantagem em relação aos ignorantes que só aprenderam em jornais desportivos ou revistas de moda. Quando enfrento um assunto difícil cuja elucidação requer anos de reflexão, sinto-me intimidado com a consciência da minha insuficiência, que me trava os impulsos no momento em que eles, impelidos pelo propulsor da sua ignorância, estão seguros de ter encontrado, ainda antes de ter procurado. Como posso fazê-los compreender que tenho razão em não proclamar que a tenho, antes de dedicar tempo a demonstrar-lhes que estão errados? Não, eles não desistem. De resto, as minhas hesitações atraiçoam-me. A verdade é uma flecha que vai direita ao alvo. Os escrúpulos intelectuais são tremuras do espírito. Se visar mal, como posso atingir o alvo?
Apercebemo-nos de que a ignorância não exclui a firmeza de opinião. Existe até uma cumplicidade objectiva entre elas. Quanto menos sabem, mais ostentam, diz o profeta. A indigência intelectual tira partido do seu pretenso parentesco com a Verdade. Contudo, é preciso ser ingénuo para pensar que o saber liberta o espírito dessa lei de gravitação que faz com que todo o pensamento orbite em torno da Verdade. Quanto mais sabem, mais ostentam, diz também o profeta, desta vez nos dias ímpares. Ter razão é a pretensão mais universal e, provavelmente, a mais antiga.”

Georges Picard, in «Pequeno Tratado para Uso Daqueles que Querem Ter Sempre Razão»

Chase Whiteside e Erick Stoll, do New Left Media, numa entrevista de rua durante uma apresentação pública do livro de Sarah Palin, a actual rock star do movimento conservador americano, segundo um dos entrevistados.

Tentação

Posted in notas ao café, palavras ao café by JN on Dezembro 12, 2009

“[O] mais corajoso homem entre nós tem medo de si próprio. A mutilação do selvagem sobrevive tragicamente na autonegação que nos corrompe a vida. Somos castigados pelas nossas renúncias. Cada impulso que tentamos estrangular germina no cérebro e envenena-nos. O corpo peca uma vez, e acaba com o pecado, porque a acção é um modo de expurgação. Nada mais permanece do que a lembrança de um prazer, ou o luxo de um remorso. A única maneira de nos livrarmos de uma tentação é cedermos-lhe. Se lhe resistirmos, a nossa alma adoece com o anseio das coisas que se proibiu, com o desejo daquilo que as suas monstruosas leis tornaram monstruoso e ilegal. Já se disse que os grandes acontecimentos do mundo ocorrem no cérebro. É também no cérebro, e apenas neste, que ocorrem os grandes pecados do mundo.”

Oscar Wilde, in «O Retrato de Dorian Gray»

A cada criança é proposto o seguinte: “Aqui tens esta guloseima. Podes comê-la já ou esperar que eu volte. Como recompensa pela tua paciência, caso não comas o doce, ofereço-te outro”. O resultado é deveras interessante.

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Oh, The Temptation de Steve V no Vimeo.

No TED, Joachim de Posada fala de um teste semelhante e no processo da “gratificação adiada” e como ela pode prever o sucesso que se poderá vir a ter no futuro.

A “resignação”

Posted in palavras ao café by JN on Dezembro 5, 2009

“A palavra «resignação» não tem boa reputação. Lembra atitude devota, passividade, lágrima ao canto do olho. E todavia, não é isso. Em face dos limites de uma condição, da morte e do nada que vem nela, que outro nome dar à aceitação calma, à fria impassibili­dade? A revolta em tal caso pode falar ao nosso orgulho, à imagem de grandeza que queiramos se tenha de nós. Mas é uma imagem ridícula. Ela responde ainda, não ao reconhecimento do que nos espera, mas a uma notícia recente e não assimilada que disso nos dessem. A coragem não está na atitude espectacular, mas na serena e recolhida e modesta aceitação. Temos assim tendência a julgar herói o que enfrenta a morte com atitudes de grandiosidade, não o que a enfrenta no seu recanto, em silêncio e discrição. Mas o espec­táculo é ainda uma forma de compensar o desastre da morte — é ainda uma forma de uma parcela de nós se recusar a morrer. Quem morre resignado morre todo por inteiro, nada ele assim recusa do que a morte lhe exige.”

Vergílio Ferreira, in «Conta-Corrente 2»


Angel Boligan

Querer resistir…

Posted in fotografia ao café, palavras ao café by JN on Dezembro 4, 2009

“O soldado está convencido de que tem diante de si um espaço de tempo infinitamente adiável antes que o matem; o ladrão, antes que o prendam; o homem, em geral, antes que o arrebate a morte. Esse é o amuleto que preserva os indivíduos – e às vezes os povos – não do perigo, mas do medo ao perigo; na verdade, da crença no perigo, motivo pelo qual o desafiam em certos casos, sem que sejam necessariamente bravos.”

Marcel Proust, in «À Sombra das Raparigas em Flor»


…and never give up
Luis Sarmento

O eterno jogo

Posted in palavras ao café by JN on Novembro 25, 2009

“Os instantes de grande dor ou de grande agitação, mesmo na história universal, têm uma necessidade que convence; desencadeiam um sentido da actualidade e um sentimento de tensão que nos oprimem. Essa agitação pode provocar seguidamente a vinda da beleza e da luz, assim como da loucura e das trevas; o que se produz reveste, em todo o caso, as aparências da grandeza, da necessidade, da importância; distingue-se e destaca-se dos acontecimentos quotidianos.”

Hermann Hesse, in «O Jogo das Contas de Vidro»


Oguz Gurel

Os povos felizes não têm história

Posted in palavras ao café by JN on Novembro 18, 2009

‘Os povos felizes não têm história’. De onde se infere que a supressão da história tornaria os povos mais felizes. O menor olhar sobre os acontecimentos deste mundo reencontra essa mesma conclusão. O esquecimento é o benefício que a história quer corromper. Nada, na história, serve para ensinar aos homens a possibilidade de viverem em paz. É o ensino oposto que dela se destaca – e se faz acreditar.

Paul Valéry, in «Pensamentos Maus e Outros»


Yaakov Kirschens

Os “domesticados”

Posted in palavras ao café by JN on Novembro 16, 2009

“É preciso ler histórias de crimes e descrições de situações anárquicas para saber do que o homem é realmente capaz no que diz respeito à moral. Esses milhares de indivíduos que, diante dos nossos olhos, empurram-se desordenadamente uns aos outros no trânsito pacífico devem ser vistos como tigres e lobos, cujos dentes são protegidos por fortes focinheiras.”

Arthur Schopenhauer, in «A Arte de Insultar»

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