Notas ao café…

Atirar a toalha

Posted in notas ao café by JN on Abril 7, 2011


Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»

Algo que a The Economistprevia e que finalmente aconteceu. É notícia em todos os jornais, o governo português decidiu dirigir um pedido de assistência financeira à Comissão Europeia. Como escreve o The Guardian, a dificuldade de o estado português conseguir formas de financiamento e a pressão dos bancos para que o pedido de  ajuda fosse feito, foram as causas principais. No El País escreve-se que a pressão sobre o governo era de tal magnitude que este não teve outro remédio do que “atirar a toalha” e reconhecer que ajuda é necessária.

Em Espanha este pedido é seguido com atenção, até porque um terço da dívida portuguesa à banca internacional está em mãos espanholas, e no El País escreve-se:

Cayó Grecia, cayó Irlanda, Portugal está al borde del rescate y España se echa a temblar. Ese dominó, el contagio de los ataques de los mercados a la deuda soberana de los países clasificados con la etiqueta PIGS (por las iniciales de cada país en inglés), pone muy nerviosos a los españoles. El presidente, José Luis Rodríguez Zapatero, reconoció esta semana -la noche en que naufragó el plan de ajuste portugués y se descalabró el Gobierno de José Sócrates- que la crisis portuguesa “podría condicionar” a España y generar nuevos ataques especulativos contra la deuda pública. De momento, el jueves España evitó este contagio y los inversores no exigieron más rentabilidad por sus bonos.

Al margen de que los mercados se puedan cebar en la deuda pública más adelante, las empresas españolas instaladas en el país vecino, de momento, restan gravedad al impacto que pueda tener en sus intereses este último capítulo de la crisis portuguesa. Un negocio diversificado geográficamente y la escasa dependencia de la financiación portuguesa son algunos de los argumentos que esgrimen varias de las compañías consultadas para quitar hierro al asunto, si bien el consumo del país, ya mermado con la crisis, puede verse más castigado si se aplica un nuevo ajuste. El lema, en general, es el de esperar y ver. […]

A chance de Obama

Posted in notas ao café by JN on Abril 7, 2011


John Cole, «The Scranton Times-Tribune»

Desta vez Barack Obama não fez qualquer discurso e manteve-se afastado, pessoalmente, das câmaras no início da sua campanha. Foi deixado ao povo essa tarefa. O Sr, Obama pretende desta forma voltar a 2008 e ao enorme movimento popular que aspirava por uma mudança na condução da América e o colocou na Casa Branca. Mas desta vez não há um George W. Bush e o Presidente é Barack Obama. Voltar a 2008 não será possível e com uma actuação longe de ser perfeita o actual Presidente terá que responder pelo que fez durante o seu mandato, justificar-se perante quem o elegeu.

Na Der Spiegel escreve-se que para já, um dos principais trunfos a favor do actual Presidente é a falta de um oponente credível no campo Republicano:

[…] Many, of course, are of the opinion that Obama has failed to bring about the change he promised during his campaign in 2008. Recent criticism has once again focused on his inability to close down the detainment facility at Guantanamo, breaking a pledge he made on his very first day in office.

But it has also been widely acknowledged that his time in office has been especially testing. Having inherited two wars from his predecessor, the Democrat was then faced with little choice in committing US forces to the military operation in Libya. And the economy in the US remains fragile. Economic recovery, especially in the job market, will be a crucial factor in whether voters decide to give Obama another four years to make good on the promises he has yet to fulfil.

But so will the state of the Republicans. Despite their constant attacks on Obama, the Republicans currently don’t seem to have any clear-cut candidate who looks to have what it takes to win back the White House. The party has also been split, with the Tea Party movement taking the country by storm ahead of the mid-term elections last year — a vote which saw the Democrats suffer massive losses. Although most Tea Party members would be likely to vote for Republicans, ideological differences with the rest of the party could create a deadlock over potential candidates.

Mr. Fish, o eterno irredutível, também tem a sua opinião…a opinião que terá do candidato Republicano (não interessa quem será) deverá ser algo a esperar.


Mr. Fish, »ClownCrack.com»

Obama 2012

Posted in notas ao café by JN on Abril 5, 2011


“Barack Obama”
Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»

Barack Obama anunciou, nesta segunda-feira, a sua candidatura às presidenciais de 2012. Por tradição, os Presidentes em exercício sempre o fizeram a partir da Casa Branca, mas na era digital e com o actual Presidente — que sempre soube utilizar as novas tecnologias de comunicação em massa — tudo foi diferente. O início foi no Twitter e com um envio de e-mail a apoiantes; tudo isto levou a um vídeo (também este diferente) colocado na página oficial de Barack Obama no qual se pergunta “Are you in?” A campanha presidencial de Obama não começa com o Presidente; começa com o americano comum. Para já mais de 19 milhões disseram que sim.

Josh Green analisa alguns aspectos do vídeo de lançamento da campanha:

[…] To me, the most important character here is Ed from North Carolina, the older white man who rationalizes his support for Obama even though he “doesn’t agree with him on everything.” I suspect the thrust of Obama’s campaign will be geared toward winning over the Eds of the country, people who aren’t rapturous about Obama, or even sure they like him, but are nonetheless open to supporting him, especially if they can be prompted, or led, to engage in the same sort of dispassionate analysis we see Ed making here. In that way–passion versus dispassion–I think we’re probably getting a glimpse of how the upcoming campaign will differ from the last one

Para Michael Scherer a campanha de Barack Obama estará centrada mais no carácter do homem do que na aprovação das suas políticas:

[…] Obama will be running on his character. The most interesting quote of the video comes from the southern white guy. “I don’t agree with Obama on everything. But I respect him and I trust him.” Consider what an extraordinary line this is for a video meant to recruit volunteers to organize for a presidential campaign. Have you ever met a campaign organizer that goes door-to-door or works the phones for a candidate that they admit they don’t agree with? The reasoning behind this line can be found in a recent Associated Press poll. As of late March, 53% of the country approved of the way Obama was doing his job as president. But 59% said they had a favorable view of Obama, 59% said Obama “cares about people like” them, and 84% said he was a likable person. Obama would rather make his pitch to 84% of the country than from 53% of the country. That white guy from North Carolina represents the gap between.

Em 1984 Ronald Reagan fez o mesmo.

Coisas importantes…

Posted in notas ao café by JN on Abril 4, 2011

Depois de uma viagem, do cansaço da mesma foi (mais do que) agradável chegar a uma cidade que se encontrava diferente e ainda a tempo de comemorar algo que até importa. Porque há coisas que  nada consegue apagar

Quem fala pelo Coronel?

Posted in notas ao café by JN on Abril 1, 2011


“Muammar Khadafi”
Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»

Representar o Coronel Muammar Khadafi de uma forma racional para o mundo e aceitável aos olhos do Coronel não será uma tarefa fácil e dos notáveis foi Mussa Ibrahim que, como outros, não teve a tarefa facilitada, como escreve Richard Spencer:

[…] The difficulty for men like Dr Mussa is to know which Gaddafi to represent to the world – the eccentric, full of violent rhetoric, or the jolly new friend of European prime ministers. One day, Dr Mussa tried valiantly to explain that when Col Gaddafi threatened retaliation against civilian “air and maritime” traffic if Libya were attacked, he was not making some reference to his past support for terrorism. He was warning that without the bulwark of Libyan security, the Mediterranean would be exposed to everything from Islamic extremism to African illegal migrants. No one believed him. […]

Actualmente a tarefa pertencia ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, Moussa Koussa. Mas deixou de o ser já que  O Sr. Koussa decidiu dar outra vitória aos rebelde e abandonou a Líbia refugiando-se em Londres. Para Damien McElroy, do Telegraph, Moussa Koussa estaria cansado de tentar explicar as acções do Coronel:

[…] He was notably uncomfortable in making public statements on behalf of the regime in recent weeks. One Libyan official said that Mr Koussa deliberately timed his statements to present a “rational” argument in the immediate aftermath of Col Muammar Gaddafi’s rambling statements on national television. […]

Ouattara vs. Gbagbo

Posted in notas ao café by JN on Abril 1, 2011


Rainer Hachfeld, «Neues Deutschland»

Na Costa do Marfim a violência continua e as forças do vencedor das eleições presidenciais e reconhecido pela comunidade internacional como Presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, deram tréguas até à madrugada de domingo e ordenaram o fecho das fronteiras do país. Aos apoiantes do Presidente Laurent Gbagbo foi exigido que entreguem as armas. O embaixador francês revelou ter recebido garantias de Ouattara de que a integridade física do ainda presidente Laurent Gbagbo será respeitada. O secretário-geral das Nações Unidas faz votos para que não sejam praticados actos de vingança mas a Amnistia Internacional teme uma onda de violência na cidade de Abidjan, que se encontra cercada.

Além da guerra entre as duas facções, há notícias de pilhagens por partes de ex-combatentes da vizinha Libéria que não lutam por nenhum dos lados. No terreno, forças militares leais a Ouattara e francesas tentam evitar estas pilhagens.

Para seguir o que se passa na Costa do Marfim existe o blog SlateAfrique, a Abidjan.net e a página da Reuters sobre este país.

Go To Sleep

Posted in música ao café, palavras ao café by JN on Abril 1, 2011

“Aspiro a um repouso absoluto e a uma noite contínua. Poeta das loucas voluptuosidades do vinho e do ópio, não tenho outra sede a não ser a de um licor desconhecido na Terra e que nem mesmo a farmacopeia celeste poderia proporcionar-me; um licor que não é feito nem de vitalidade, nem de morte, nem de excitação, nem de nada. Nada saber, nada ensinar, nada querer, nada sentir, dormir e sempre dormir, tal é actualmente a minha única aspiração. Aspiração infame e desanimadora, porém sincera.”

Charles Baudelaire, in «Projectos de prólogos para “Flores do Mal”»

A guerra dos browsers

Posted in notas ao café by JN on Março 30, 2011

Farhad Manjoo escreve sobre o novo CEO da Google, Larry Page, e as razões que o levaram a entrar na guerra dos browsers com o Chrome; aparentemente foi a melhor forma que Page encontrou para colocar em movimento um mercado moribundo:

[…] So if you’ve ever wondered why Google needed its own web browser, called Chrome, here’s why: It needed Chrome to goad Microsoft, Apple, and other browser makers into reigniting innovation in what had become a moribund market. Everyone’s efforts collectively improve the web as a whole, which is good for Google and its ad business. Even if its rivals merely copied Chrome’s advancements — superfast, stable, and, thus far, impossible to hack — Google saw that it could achieve its larger goals. About 10% of web surfers now use Chrome, which is respectable, but not as important as pushing Microsoft to retire the decrepit IE 6 browser in favor of new versions with a string of great improvements.

Supercut

Posted in cinema ao café, notas ao café by JN on Março 30, 2011

São cenas de mais de setenta filmes em cerca de seis minutos…

Armar os rebeldes…

Posted in notas ao café by JN on Março 30, 2011


Paresh Nath, «The Khaleej Times»

No seu discurso, o Presidente Obama afirmou que Muammar Khadafi tem que abandonar mas ao mesmo tempo afirmou que o objetivo da campanha na Líbia não foi concebida com esse propósito. Disse que tal objetivo obrigaria a uma intervenção no terreno e a um possível novo Iraque. No entanto, com as forças rebeldes a serem de novo travadas pelas forças leais ao Coronel e com a possibilidade de um conflito prolongado, Hillary Clinton and William Hague já discutem a possibilidade de fornecer armas aos rebeldes; tal iniciativa já foi apoiada pelo Qatar, como se escreve no The Guardian:

[…] A prolonged conflict appeared more likely after pro-Gaddafi forces launched a powerful counterattack against Libyan rebelstoday, sending the revolutionaries fleeing from towns they had taken only two days earlier.

Mahmoud Shammam, a spokesman for the rebel interim national council (INC) said the insurgents lacked weapons. “We don’t have arms at all, otherwise we would finish Gaddafi in a few days. We ask for the political support more than we are asking for the arms. But if we get both that would be great.”

However, the French and the Italians disagreed with Washington and London’s interpretation of the UN resolution.

Asked about the possibility of arming the rebels, the French foreign minister, Alain Juppé said: “It is not part of the UN resolutions, but we are ready to discuss it with our partners.”

French and Italian officials said the issue had been discussed at the conference in London, contradicting US and British assurances to the contrary. […]

O que ainda não foi decidido é que destino dar ao Coronel Muammar Khadafi no caso de ele ser deposto ou decidir abandonar a Líbia.

A explicação de Obama

Posted in notas ao café by JN on Março 30, 2011

O presidente sírio, Bashar al-Assad, aceitou o pedido de demissão de todo o seu governo, a meio a protestos pró-democracia. Espera-se que o Presidente também comunique a suspensão de estado de emergência vigente no país desde o governo de seu pai, há 48 anos, e a anulação de outras restrições às liberdades civis e políticas. Os confrontos nas ruas já provocaram dezenas de mortos.

Joshua Muravchik, no The Daily Beast, chama aos acontecimentos neste país a “armadilha síria de Obama”, e que a intervenção na Líbia, que se afiram humanitária, abriu um precedente:

[…] International politics and international law are highly dependent on precedent. Unthinkingly, Obama’s Libya response has raised the bar for taking action elsewhere.

His actions, indeed, may ensnare us in a thicket in Libya. Our purpose is “humanitarian,” to protect civilians. But civilians can be killed by planes or guns or machetes, as they were in the Rwanda genocide. The only way to protect Benghazis and others who have risen against Gaddafi from vengeance is to drive him from power. […]

Mark Leon Goldberg, no U.N. Dispatch, numa linha idêntica à de Muravchik, pergunta porque não intervir também na Costa do Marfim onde os conflitos se intensificam.


Chappatte, «International Herald Tribune»

No seu discurso, Barack Obama, como defende Mark Halperin e Jim Arkedis, respondeu a todos os que acham que a intervenção militar é possível em qualquer país e/ou situação:

[…] America cannot use our military wherever repression occurs. And given the costs and risks of intervention, we must always measure our interests against the need for action. But that cannot be an argument for never acting on behalf of what’s right. In this particular country -– Libya — at this particular moment, we were faced with the prospect of violence on a horrific scale. We had a unique ability to stop that violence: an international mandate for action, a broad coalition prepared to join us, the support of Arab countries, and a plea for help from the Libyan people themselves. We also had the ability to stop Qaddafi’s forces in their tracks without putting American troops on the ground. […]

Na Líbia existe a capacidade, a oportunidade e o interesse, três factores que tornaram a operação logisticamente possível e politicamente aceitável. Na Costa do Marfim nenhum destes fatores existem. Na Costa do Marfim vive-se um estado de guerra civil, com dois lados opostos e armados, e muito dificilmente uma operação militar iria contrariar esta situação. Por outro lado, não existe a oportunidade política já que a União Africana — ao contrário da Liga Árabe com a Líbia — é relutante quanto a uma intervenção por parte de forças ocidentais.

A queda de Angela

Posted in notas ao café by JN on Março 29, 2011


Foto: Axel Schmidt/AP

Os Verdes são os grandes vencedores das eleições estaduais, deste domingo, no estado alemão de Baden-Wuerttemberg onde governavam há sessenta anos. A grande derrotada é a chanceler Angela Merkel e a CDU. Esta votação era igualmente um plebiscito sobre o futuro da energia nuclear e os liberais a admitirem que o fraco resultado eleitoral da coligação se deve à opção nuclear da Sra. Merkel. Representes de ambos os partidos da coligação admitiram que o acidente na central nuclear Fukushima tem influência nos resultados devido à posição pró-nuclear de Angela Merkel. No entanto, na Der Spiegel, Charles Hawley discorda desta posição; na Alemanha houveram muitas mudanças políticas ao longo dos últimos anos e os Verdes foram os principais beneficiários:

[G]ermany’s Greens had been building toward ballot box success for months prior to the events in Japan. In many states, the party stands shoulder-to-shoulder with Merkel’s center-right Christian Democrats (CDU) and the center-left Social Democrats (SPD). In many others, their poll numbers are rising.

Indeed, far from being a one-off, the party’s 24.2 percent result in Baden-Württemberg and the 15.4 percent it received in Rhineland-Palatinate on Sunday marks the beginning of a new era for Germany’s political landscape. The Greens have benefited mightily from ongoing exasperation with the tradition-laden parties CDU and SPD — and the erstwhile rebellious environmentalists have now become a fixture in the country’s political center.

“In the cultural debates which have been waged in recent years, whether they focused on lifestyle issues, questions of values or nuclear energy, the center-left and the Greens have the support of society’s new core,” writes political analyst Franz Walter in a Monday contribution for SPIEGEL ONLINE. “Culturally, society’s new center has distanced itself step by step from the Christian Democratic and conservative-traditional world view.” […]


Paresh Nath, «The Khaleej Times»

Da Irlanda, com amor

Posted in notas ao café by JN on Março 29, 2011


Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»

Apesar da relutância do governo português, o ministro alemão das Finanças alemão, Wolfgang Shaeuble, prevê que Portugal necessite de pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional em Junho. O ministro alemão não quis prestar quaisquer declarações acerca do assunto, não confirmando a notícia avançada pelo jornal alemão Handelsblatt, mas o porta-voz do seu gabinete reafirmou que Portugal ainda não pediu ajuda externa e que “cabe aos países decidir por si mesmo se querem ser auxiliados pelo fundo”.

É neste contexto que o jornal irlandês Sunday Independent decidiu dedicar um artigo de opinião, em forma de carta aberta, a um Portugal que vê cada vez mais eminente a entrada do FMI no seu território. A carta dá conselhos a Portugal sobre situações que são agora comuns a ambos os países: a entrada de ajuda externa e a demissão do Governo. Um dos aspetos mais interessantes é na carta dizer-se que a ajuda, caso venha, não vai tirar o pais de dificuldades, antes pelo contrário: vai prolongar os nossos problemas durante várias gerações:

[I] notice now that you are under pressure to accept a bailout but your politicians are claiming to be determined not to take it. It will, they say, be over their dead bodies. In my experience that means you’ll be getting a bailout soon, probably on a Sunday. First let me give you a tip on the nuances of the English language. Given that English is your second language, you may think that the words ‘bailout’ and ‘aid’ imply that you will be getting help from our European brethren to get you out of your current difficulties. English is our first language and that’s what we thought bailout and aid meant. Allow me to warn you, not only will this bailout, when it is inevit-ably forced on you, not get you out of your current troubles, it will actually prolong your troubles for generations to come. […]

I see also that you are going to change your government in the next couple of months. You will forgive me that I allowed myself a little smile about that. By all means do put a fresh coat of paint over the subsidence cracks in your economy. And by all means enjoy the smell of fresh paint for a while.

We got ourselves a new Government too and it is a nice diversion for a few weeks. What you will find is that the new government will come in amidst a slight euphoria from the people. The new government will have made all kinds of promises during the election campaign about burning bondholders and whatnot and the EU will smile benignly on while all that loose talk goes on. […]

And enjoy all that while you can, Portugal. Because reality will be waiting to intrude again when all the fun dies down. The upside of it all is that the price of a game of golf has become very competitive here. Hopefully the same happens down there and we look forward to seeing you then.

Love, Ireland.


“Rescue Package”
Michael Kountouris

Sair para o mundo real…

Posted in notas ao café by JN on Março 26, 2011


Frederick Deligne

Escrito por Ross Gardiner e produzido pela Sonny Side Films. Podem seguir Gardiner no seu blog e, ironia ou não, na sua página do Facebook. A música é dos Thievery Corporation.

Personalidade, liberdade e autonomia

Posted in notas ao café by JN on Março 25, 2011


Igor Kodenko

Will Wilkinson faz uma reflexão sobre o lugar no reino animal do Homo Sapiens e o que nos separa das outras sociedades desse mesmo reino; somos um animal social que de vez em quando gosta que o deixem sozinho, de ter tempo para si próprio:

[…] There are many extremely odd things about human beings, most of them manifestations of our hypersociality. We can think sentences and speak them. We can laugh, make tools, make art, sing in a round, dance in a square. We can absorb and transmit facts, skills, and norms Mother Nature couldn’t hardwire in if she tried. A man can crush another man’s head with a stone and a heavy heart, for justice. We’re weird beasts and most of what’s weird about us is the weird way we’re social. (It would be great if somebody would write a book about that.)

So, despite our symptoms of eusociality, we’re not much like naked mole rats, or bees, or ants. Homo Sapiens is the hypersocial animal that, every now and then, needs some “me time,” that slams its bedroom door and screams “Mom! Why can’t you just leave me alone!?” Mole rats don’t stomp off the job because they feel humiliated by disrespect. No worker bee with a backpack and a Eurail Pass ever burdened its Moleskine with these immortal questions: “What was I looking for in the brothels of Marseilles, in the dark back alleys of Barcelona? What did I hope to find? Myself?”

In humanity, there is personhood. And in personhood, there is separateness. Not only is individuation important to us, but our authority over ourselves, and the correlative freedom from the will of others, is precious to us. […]

A nova crise do euro

Posted in notas ao café by JN on Março 25, 2011


Michael Kountouris

O clima com que o Conselho Europeu iniciou ontem à tarde uma reunião de dois dias em Bruxelas foi de tensão: divergências sobre as sanções que a UE deve impor à Líbia foi um dos pontos de divergência e a discussão sobre o aumento do Fundo Europeu de Estabilização Financeira. Nas ruas o clima não era diferente; milhares de trabalhadores manifestaram-se ontem em Bruxelas contra as reformas económicas que os sindicatos dizem ser demasiado favoráveis às empresas. O centro da capital belga, onde estão sediadas as instituições europeias e onde esta tarde se reúnem os líderes da União Europeia, ficou completamente bloqueado.

Mas acima de tudo, a crise política em Portugal dominou a cimeira dos líderes europeus e Angela Merkel avisou que, e não interessa quem seja o próximo primeiro-ministro português, o que é necessário é cumprir o programa de austeridade, para que a confiança do mercado possa crescer. Nigel Cassidy, da BBC, escreve:

[B]russels has been trying to reassure the markets that the measures to be rubber-stamped at the summit will fund future bail-outs and curb the peripheral euro countries’ high-spending ways.
But these latest events involving Portugal are rapidly undermining confidence. That’s because the reason the Portuguese prime minister gave for his resignation was that his parliament wouldn’t vote for austerity measures.
It has served to remind the debt markets that Portugal (and possibly other euro nations) may not be willing or able to commit to welfare and public expenditure cuts on the scale being demanded by euro heavyweights led by Germany.
All this only adds to the potential future burden on other euro members to keep the likes of Portugal, the Irish Republic and Greece afloat.

José Sócrates diz que não será necessário qualquer tipo de resgates mas Bruxelas já determinou o seu valor caso venha a ser pedido: 75 mil milhões de euros. Para já, o fundamental para a UE é que o acordo obtido entre o governo e a oposição para baixar o deficit público seja cumprido.


Olle Johansson

O The Guardian escreve que o resgate a Portugal é quase inevitável assim como a Der Spiegel. Para a The Economist isso é quase uma certeza e, nesse caso, a próxima “vítima” será a Espanha para a qual pode já não haver o dinheiro necessário para um resgate:

[…] Ms Gay concludes that Portugal is likely to become the third peripheral euro-zone country to need a bail-out. Yet to overcome the deep-seated structural problems that have held the economy back will take not just rescue money but ambitious reform as well. The country’s need to issue debt is only €2 billion or so a month. Although that is small by most measures, and the government may have enough cash to meet redemptions in April, Portugal could struggle to last until June. The markets are expecting action long before then. In mid-March Moody’s, a rating agency, downgraded Portuguese debt.

Portugal’s political turmoil and its urgent need for a rescue will now loom large at an EU summit this week, which may put off a deal to expand the bail-out fund and fail to sign a new “pact for the euro”. If EU leaders have to bail out Portugal, they may find they have already used quite a big chunk of their fund. Judging by experience, the markets will swiftly move on to attack the Spanish. The bail-out fund can quite easily finance Portugal. It is not clear that it could deal with Spain.


Christo Komarnitski

Sit down…

Posted in fotografia ao café, música ao café by JN on Março 22, 2011

Those who feel the breath of sadness
Sit down next to me
Those who find they’re touched by madness
Sit down next to me
Those who find themselves ridiculous
Sit down next to me


“…tempo para pensar…”, por Fidalgo Pedrosa

James, in «Sit Down» (2001 final live performance)

Khadafi, ser alvo ou não…

Posted in notas ao café by JN on Março 22, 2011


Emad Hajjaj

Segundo várias fontes um ataque aéreo destruiu um dos edifícios de Muammar Khadafi em Tripoli. Responsáveis líbios afirmam que 64 pessoas morreram nos ataques aéreos durante este fim-de-semana, números que não podem ser confirmados. Amr Moussa, o secretário-geral da Liga Árabe, que apoiou a a imposição de uma zona de exclusão aérea, criticou a violência dos ataques aéreos por parte da coligação internacional afirmando que a Liga Árabe apenas deseja a proteção dos civis.

Apesar dos ataques, as forças leais a Muammar Khadafi continuam em força na cidade de Ajdabiyah, perto do quartel-general dos rebeldes, na cidade de Benghazi.

Segundo o El País, a descoordenação na força internacional é um dos principais obstáculos ao sucesso da sua missão e, em especial, o que fazer com o ainda líder líbio, o Coronel Muammar Khadafi. O The Guardian mostra bem isso assim como o The Telegraph: segundo estes jornais britânicos o primeiro-ministro considera que o Coronel Khadafi pode ser um alvo legítimo enquanto que Chefe do Estado-Maior, General ‘Sir’ David Richards diz que não.

Por outro lado os EUA querem entregar o comando das operações a outro país o mais rápido possível, algo que não será fácil. Até ao momento a NATO não conseguiu chegar a um acordo para assumir esse papel e a Turquia lidera o grupo que e contra qualquer tipo de intervenção por parte da NATO na Líbia.


Emad Hajjaj

Quem fez notícia com os ataques aéreos na Líbia foi Vladimir Putin que comparou a intervenção às cruzadas:

[…] Putin, in the first major remarks from a Russian leader since a coalition of Western countries began air strikes in Libya, said that Muammar Gaddafi’s government fell short of democracy but added that did not justify military intervention.

“The resolution is defective and flawed,” Putin told workers at a Russian ballistic missile factory. “It allows everything. It resembles medieval calls for crusades.” […]

As afirmações do Sr. Putin provocaram a reação imediata do Presidente Russo, Dmitri Medvedev, que considerou as afirmação do seu primeiro-ministro inaceitáveis. Sobre este confronto russo, uma surpreendida Miriam Elder escreve:

[…] So: wow. Medvedev just totally slammed Putin. Undoubtedly, he was upset that his prime minister spoke first about the situation in Libya (these were the first comments from Putin and Medvedev since the military intervention began on Friday). At the turn of the year, Medvedev publicly criticized Putin for speaking out in the case of jailed oligarch Mikhail Khodorkovsky, but today’s criticism felt stronger and more clear cut. Their positions actually clash (and nicely show the two strands of thought inside Russia on relations with the West). Some will argue this was their usual “good cop/bad cop” routine — one speaking to the domestic audience, one speaking to the outside world — but the ad hoc-iness of it all makes me suspicious about that. […]

Foto-reportagem da Líbia

Posted in notas ao café by JN on Março 22, 2011

Alan Taylor, na The Atlantic, apresenta uma foto-reportagem dos ataques aéreos na Líbia.

20 de Março: Veículos militares das forças leais a Muammar Khadafi explodem após um ataque aéreo da coligação internacional ao longo da estrada entre Benghazi e Ajdabiyah (foto: Goran Tomasevic/Reuters).

O pântano

Posted in notas ao café by JN on Março 22, 2011

Pedro Passos Coelho prometeu que não deixará o país entrar num “pântano” e num texto para inglês ver — até está escrito em inglês — o PSD garante que uma “coligação alargada para a mudança reforçaria a legitimidade política desse programa, assim como a forma como os mercados percepcionam, actualmente, o risco de Portugal”. Cá está a solução… O PSD só não disse qual a alternativa ao novo PEC, se é que existe, ou se tem uma. Para já a preocupação é  a caça ao poder com a tal “coligação alargada”.


Luís Afonso, «Público»

Um indicador revolucionário

Posted in notas ao café by JN on Março 22, 2011

Desde que a The Economist apresentou “shoe-thrower’s index” a 9 de Fevereiro, o Bahrain e em especial a Líbia continuaram a ser zonas de instabilidade política e social. Este indicador tenta fazer a previsão onde distúrbios no mundo árabe são mais prováveis de ocorrer; para tal entram em consideração o tempo que determinado líder está no poder, o nível democrático do país e o rendimento per capita. Ao original, a The Economist adicionou agora o nível de escolaridade dos adultos e a percentagem de pessoas que utilizam a Internet. O index agora é apresentado como um quadro  interactivo o que permite a todos aplicar o peso que cada um considera importante às diferentes variáveis apresentadas.

Vodpod videos no longer available.

Bustos escritos

Posted in notas ao café by JN on Março 22, 2011

Para a Semana do Livro Holandês, um evento que é organizado todos os anos para promover a literatura flamenga, o artista Souverein esculpiu os rostos de vultos da História  holandesa que tiveram direito a biografias. Cada busto foi criado com as páginas do respectivo livro. A aqui apresentada é de Vincent Van Gogh.

[Via: Buzzfeed]

Khadafi avança

Posted in notas ao café by JN on Março 17, 2011


David Fitzsimmons, «The Arizona Star»

As forças leais a Muammar Khadafi continuam a ganhar terreno nos combates com as forças rebeldes, principalmente na cidade de Benghazi. Uma resolução para a imposição de uma zona de exclusão aérea (“no fly zone”) foi enviada ao Conselho de Segurança da ONU, mas não deve ter sucesso. E enquanto avança, o Coronel Khadafi avisa os rebeldes que as únicas opções que este têm é renderem-se ou fugir.

A comunidade internacional não consegue chegar a um entendimento quanto à forma de agir em relação à crise na Líbia; o principal ponto de discórdia refere-se à imposição de uma zona de exclusão aérea ao regime de Muammar Khadafi, que muitos temem poder conduzir a uma guerra aberta. Como escreve a Der Spiegel, muitos líderes temem que a Líbia se transforme num novo Afeganistão:

[…] As politicians in Europe and America grapple with the issue of Libya, they are strongly influenced by the disastrous wars in Iraq and Afghanistan. Two predominantly Muslim countries have been attacked and occupied, also with the aim of creating a better world according to Western models. But these have not been success stories. The regimes backed by the West have been dubious, to say the least, and the security situation remains precarious. After more than nine years of fighting, war continues to rage in Afghanistan.

The negative experiences in Iraq and Afghanistan have sown doubt in America and Europe about the morality of these missions. Gadhafi benefits from these misgivings, but that doesn’t mean that they are wrong.

There is no easy solution for Libya à la Reagan — whose botched bombing mission didn’t solve anything anyway. There is only a long and difficult search for a way to help the country’s population, without upsetting the population in Europe, which would like to avoid at all costs another protracted war in a Muslim country. […]


Hajo de Reijger

Khadafi vs. Sarkozy

Posted in notas ao café by JN on Março 17, 2011


Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»

Em contrate com a resposta às crises da Tunísia e do Egipto, Nicolas Sarkozy decidiu surpreender a todos, inclusive o próprio governo francês condenando  em relação à Líbia.  Condenou o regime do Coronel Khadafi, reconheceu o “governo rebelde” e faz pressão para um embargo aéreo neste país como forma de proteger os rebeldes de ataques aéreos. A resposta de Khadafi não se fez esperar: pela voz do seu filho veio dizer que a campanha do Presidente francês de 2007 foi financiada com dinheiro líbio e agora quer o seu dinheiro de volta:

[…] O membro do clã Khadafi adianta que o seu país financiou a campanha do Presidente francês e que tem todas as informações sobre o financiamento e que está “pronto para as publicar”.

“A primeira coisa que pedimos a este palhaço do Sarkozy é que devolva o dinheiro ao povo líbio”, acusa Saif al-Islam. “Ajudá-mo-lo a tornar-se Presidente para que ele ajudasse o povo líbio, mas ele desapontou-nos”, diz o filho do contestado líder líbio, adiantando que muito brevemente publicará “todos os detalhes, documentos e comprovativos de transferência bancária”. […]

Nada disto será novo e não é a primeira vez que Nicolas Sarkozy é acusado de receber envelopes e mais recentemente foi acusado de ter recebido comissões de negócios de venda de armas ao Paquistão.

Como explica o Newsbook da The Economist, o cada vez mais impopular Presidente francês tem que enfrentar eleições em 2012 e tudo vale para mostrar aos eleitores franceses que ele é o homem que pode liderar a Europa:

[…] What to make of all this? The unpopular Mr Sarkozy, who faces a presidential election next year, clearly wants to show voters that he can take the lead. Indeed, he appointed Mr Juppé precisely in order to inject some professionalism and stability into French diplomacy, after an unfortunate series of misjudgments by Michèle Alliot-Marie, the previous foreign minister. The French had been caught snoozing over the Arab uprisings, and Mr Sarkozy hoped that his reshuffled diplomatic team would restore credibility in foreign affairs. Mr Juppé, who is well liked by diplomats, had made a decent start, appearing to enjoy a degree of independence from the tightly run Elysée diplomatic team. But the impromptu decision to recognise the Libyan opposition, if that is indeed what it was, looks worryingly like a return to policymaking by impulse and improvisation.


Frederick Deligne

Não é Chernobyl

Posted in notas ao café by JN on Março 17, 2011


Patrick Chappatte, «The International Herald Tribune»

Embora grave, o que se passa em Fukushima não é o que se passou em Chernobyl, como se escreve no The Guardian:

A concern for the people not just of Japan but the Pan Pacific area is whether Fukushima will turn into the next Chernobyl with radiation spread over a big area. The answer is that this scenario is highly unlikely, because of the wildly different design of the two reactors.
The reason why radiation was disseminated so widely from Chernobyl with such devastating effects was a carbon fire. Some 1,200 tonnes of carbon were in the reactor at Chernobyl and this caused the fire which projected radioactive material up into the upper atmosphere causing it to be carried across most of Europe.
There is no carbon in the reactors at Fukushima, and this means that even if a large amount of radioactive material were to leak from the plant, it would only affect the local area.
The Japanese authorities acted swiftly and decisively in evacuating people living within 20km of the plant, and ensuring people living within 30km of the plant remained in their homes, with windows and doors closed. The radiation measured so far at Fukushima is 100,000 times less than that at Chernobyl.

O grupo dos 50

Posted in notas ao café by JN on Março 17, 2011


Shlomo Cohen

No New York Times escreve-se sobre o esforço do último bastião de defesa contra a iminência de uma catástrofe nuclear; um grupo de 50 técnicos que permanecem na central:

A small crew of technicians, braving radiation and fire, became the only people remaining at the Fukushima Daiichi Nuclear Power Station on Tuesday — and perhaps Japan’s last chance of preventing a broader nuclear catastrophe. […]

They are the faceless 50, the unnamed operators who stayed behind. They have volunteered, or been assigned, to pump seawater on dangerously exposed nuclear fuel, already thought to be partly melting and spewing radioactive material, to prevent full meltdowns that could throw thousands of tons of radioactive dust high into the air and imperil millions of their compatriots. […]

Tsunami nuclear

Posted in notas ao café by JN on Março 16, 2011


RJ Matson, «Roll Call»

A Comissão Europeia alertou para o facto que a situação na central nuclear japonesa de Fukushima está completamente “fora de controlo” e o comissário europeu da Energia, Günther Oettinger, qualificou o acidente nuclear no Japão como um “Apocalipse”.

Seja qual for o seu desfecho, a crise nuclear do Japão já está a ter as suas consequências no resto do mundo. Manifestações antinuclear já ocorreram na Alemanha, Itália e França. Alguns países mostram-se preocupados com a segurança das suas centrais ou dos seus vizinhos e a energia atómica — depois de ter recuperado de Chernobyl — começa perder rapidamente o lugar de energia alternativa aos combustíveis fósseis no combate ao aquecimento global. Alguns países suspenderam os planos de construção de centrais, a UE quer fazer testes às centrais que existem na zona comunitária e Angela Merkel — que tem que enfrentar eleições regionais e sempre se mostrou uma entusiasta da alternativa nuclear e da extensão do prazo de vida dos reactores mais antigos em serviço–  anunciou o fecho temporário de 17 reactores mais antigos, mas não foge às críticas da oposição

[…] “If Merkel had not pressed the emergency stop button on Monday, then landslide defeats for her governing coalition at the upcoming state elections would have been the result. But even after her political U-turn, that danger is not yet past. It is quite clear that Japan has once again become a symbol of the overwhelming power of uncontrollable atomic energy. Hiroshima marked the terrible beginning of the nuclear age in military terms. Almost 70 years later, Fukushima marks its end in terms of civilian use.”

“But just a few weeks before Fukushima, the current German government gave nuclear energy a clean bill of health, in the form of the operating-life extension. That fact will not be forgotten, no matter how much action the administration takes ahead of the state elections. The government has been branded: Merkel is the atomic chancellor, and Mappus is its top nuclear lobbyist.” […]


Clay Bennett, «Chattanooga Times Free Press»

O jogo da culpa…

Posted in notas ao café by JN on Março 16, 2011


Martin Sutovec

Segundo a Der Spiegel, meio milhão de pessoas estão desalojadas no Japão, os corpos continuam a dar à costa e muitos ainda procuram pelos seus familiares nas ruínas; na Spiegel escreve-se que a situação é angustiante:

Otsuchi lies in ruins. Virtually no houses are still standing. Rubble, cars and twisted metal are piled up meters high. “This is probably the worst-affected town on the coast, there are some terrible pictures,” says Patrick Fuller from the International Federation of the Red Cross (IFRC). “Almost the whole town has been washed away. Out of 17,000 residents, 9,500 are still missing. It is a colossal catastrophe.”

Few houses were able to withstand the awesome power of the tsunami as it came flooding inland […]

There are still tens of thousands of people missing in northeastern Japan. According to the army, soldiers have managed to save 10,000 people, but at least as many are feared to be casualties in Miyagi Prefecture alone. Rescue workers recovered around 2,000 bodies there on Monday, pushing the number of deaths confirmed by the police to more than 3,600. Numerous teams from abroad are helping the 100,000 Japanese soldiers carry out the rescue work. […]

À situação já de si desesperada, soma-se o crescente risco de um desastre nuclear com problema da central nuclear Fukushima. Uma terceira explosão no reactor 2 e um incêndio no reactor 4 fizeram esta terça-feira aumentarem estes receios. Já de madrugada, final da noite em Portugal, voltou a haver um incêndio neste reactor na sequência da explosão que provocara o primeiro incêndio. As autoridades admitem agora que os níveis de radioactividade poderão afectar a saúde humana. A Agência Internacional de Energia Atómica também já reconheceu que poderá haver danos no núcleo do reactor 2 e que os níveis de radiação são preocupantes.


Chappatte, «Le Temps»

Agora é o governo do primeiro-ministro Kan Naoto que está a ser colocado em causa: é acusado de ter demorou tempo demais a informar o público dos riscos iminentes — demorou trinta horas até falar aos japoneses. Como escreve Wieland Wagner na Der Spiegel, no Japão começou também o “jogo da culpa” entre o governo e a TEPCO (Tokyo Electric Power), que gere a central nuclear de Fukushima:

[…] Fear is mounting amongst the Japanese and their trust in Tokyo’s announcements is dissipating quickly. The numerous panels of experts being interviewed on Japanese television are also expressing their bewilderment at the paucity of information coming from the government and Tepco. […]

Fukushima has become a tragic mix of questionable competence and deliberate deception. The response of Tepco, too, has been problematic. The listed electricity company is not used to having to explain anything to consumers. It was only on Sunday that Tepco chief Masataka Shimizu gave his first press conference — two days after a “nuclear emergency” had been declared at Fukushima and several hours after the explosion in reactor bloc 1. […]

Tokyo is losing its patience and officials have begun casting blame at each other. But Kan and Edano too have been criticized. The prime minister first addressed his people on Saturday evening, 30 hours after the terrible earthquake shook Tokyo and the northern half of Japan’s main island. The prime minister uttered a few stately sentences, but he didn’t have much to say about the nuclear catastrophe. Instead he referred questions to spokesman Edano and disappeared. […]


Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»

União na catástrofe

Posted in notas ao café by JN on Março 15, 2011


Mr. Fish, «Clowncrack.com»

Juan Cole escreve que o sismo e tsunami do Japão o fazem lembrar da futilidade da guerra:

Every once in a while, amidst our petty wars and squabbles with each other, Nature reminds us that the real threat to humankind comes from her, not from other human beings. Climate change is human-driven, but its danger is in unleashing uncontrollable natural forces of immense power. We are still defenseless against a meteor strike of the sort that helped polish off the dinosaurs. And, we lack good defenses against tsunamis. Unless we can put aside our divisions and work effectively together on these natural threats, humans remain in extreme danger as a species. […]

O Big Picture apresenta três foto-reportagens sobre o sismo do Japão: aqui, aqui e aqui.

De Chernobyl a Fukushima

Posted in notas ao café by JN on Março 15, 2011


Peter Lewis

Depois do terremoto de magnitude 8,9 que abalou o Japão, um dos maiores de que há registo, e do tsunami que o seguiu, este país passa por uma calamidade social. Ontem cerca de dois mil corpos deram à costa distrito de Miyagi, no nordeste do japão. O número oficial de mortos já atingiu 2800, mas as autoridades de Miyagi afirmam que mais de dez mil pessoas daquela área possam ter morrido em consequência do tsunami. A costa do Japão tem sido atingida por várias réplicas desde sexta-feira o que está a provocar receios de um outro tsunami. O departamento de catástrofes avançou também com um novo balanço para a escala de destruição: 63.255 edifícios parcial ou totalmente destruídos. Se a catástrofe não foi pior, tudo se deve ao rigoroso código de construção japonês

A costa do Japão pode-se ter movido cerca de quatro metros para leste após o terremoto. Dados da rede japonesa Geonet, sugerem que ocorreu um deslocamento em grande escala após o terremoto. Roger Musson, da agência geológica britânica (BGS), disse à BBC que o movimento é “compatível com o que acontece quando há um terremoto deste porte”. O terremoto provavelmente  também mudou o equilíbrio do planeta, movendo a Terra em relação a seu eixo em cerca de 16,5 cm. A velocidade da rotação da Terra também terá sido alterada, diminuindo a duração dos dias em cerca de 1,8 milionésimos de segundo.


Chappatte, «NZZ am Sonntag»

À crise humanitária que o Japão vive, uma outra se veio juntar; esta prende-se com a central nuclear de Fukushima Daiichi. Uma nova explosão, a terceira, foi ouvida já na noite desta segunda-feira nesta central nuclear segundo relatam várias agências noticiosas. Água salgada tem ido injectada nos reactores para impedir a fusão dos reactores nucleares — na Time, Howard Chua-Eoan explica como se pode evitar a fusão de um reactor. O processo de arrefecimento dos reactores pode continuar durante meses o que significa que os milhares que foram evacuados da área não devem poder regressar tão cedo às suas casas. Segundo a Agência Internacional de Energia Atómica, o que se passou em Chernobyl é improvável de acontecer agora.

Improvável ou não, o que se passa na central Fukushima Daiichi está a ter repercussões no mundo e em especial na Europa, que coloca questões sobre a segurança das suas próprias instalações nucleares para a produção de energia. O debate voltou à Europa e em especial à  Alemanha, onde não se fizeram esperar os protestos, e na Der Spiegel escreve-se que o acidente no Japão marca o fim da era nuclear:

[…] The fact that Japan, which was once considered a miracle economy, was on the verge of a nuclear disaster could be far more devastating to the nuclear industry than the Soviet reactor catastrophe in Chernobyl could ever have been a quarter century ago.

Admittedly, Japan is in an earthquake zone, which puts it at greater risk than countries like Germany and France. But Japan also happens to be a leading industrialized nation, a country where well-trained, pedantically precise engineers build the world’s most advanced and reliable cars.

When the Chernobyl accident occurred, Germany’s nuclear industry managed to convince itself, and German citizens, that aging reactors and incapable, sloppy engineers in Eastern Europe were to blame. Western reactors, or so the industry claimed, were more modern, better maintained and simply safer.

It is now clear how arrogant this self-assured attitude is. If an accident of this magnitude could happen in Japan, it can happen just as easily in Germany. All that’s needed is the right chain of fatal circumstances. Fukushima is everywhere. […]


Peter Broelman