Notas ao café…

Onde não nascer

Posted in notas ao café by JN on Novembro 20, 2009

Tayo Fatunla

Numa conferência de imprensa realizada ontem, o director da UNICEF para o sul da Ásia, Daniel Toole, afirmou que o pior lugar no mundo para alguém nascer, especialmente meninas, é o Afeganistão. A afirmação vem em resultado da publicação do relatório anual desta organização, The State of the World’s Children (relatório em pdf). Segundo este relatório, o Afeganistão tem a maior taxa de mortalidade infantil do mundo.

A falta de segurança também impede muitas das campanhas de vacinação e ao mesmo tempo tem vindo a provocar a diminuição do número de crianças que vai à escola, especialmente as raparigas. Em 2008, 317 escolas forma destruídas pelos Taliban e 124 pessoas foram mortas nesse ataques.

Karzai, segunda vez

Posted in notas ao café by JN on Novembro 20, 2009


Randy Jones, «INXart.com»

Como escreveu a Der Spiegel, Hamid Karzai e os EUA, gostem ou não, estão condenados a seguirem juntos na procura do sucesso no Afeganistão. Hamid Karzai foi reconduzido no cargo de Presidente do Afeganistão, após desistência do seu opositor Abdullah Abdullah, sob suspeita de fraude eleitoral e como chefe de um governo imerso em corrupção. Apenas um dia antes da sua tomada de posse, o Procurador-Geral do país emitiu mandatos contra cinco membros do seu governo por actos de corrupção. No seu discurso de tomada de posse, o Sr. Karzai prometeu lutar contra a corrupção, promover reformas sociais, administrativas e judiciais e formar forças de segurança capazes de substituírem os militares ocidentais.

Martin Patience da BBC, escreve que Hamid Karzai fez um discurso de conciliação e uma promessa de um novo começo, onde as três frases esperadas foram incluídas: corrupção, segurança, reconciliação nacional e unidade. Como escreve Patience, muito afegãos no sul e este do país, onde a actividade dos Taliban é maior, simplesmente desistiram do governo e olham para os Taliban como uma alternativa e este, segundo Patience,  é o maior perigo para o Afeganistão: se os afegãos não confiarem no seu governo, então de pouco irá interessar o número de militares presentes no terreno. Os líderes ocidentais, sem grande escolha possível, congratulam o Presidente do Afeganistão pelo seu discurso mas, ao mesmo tempo, avisam-no que são também esperados resultados.


Paresh Nath, «The Khaleej Times»

Entre os que assistiram à tomada de posse de Hamid Karzai, estava a Secretária de Estado americana, Hillary Clinton. A Sra. Clinton, antes de partir para o Afeganistão, concedeu uma entrevista à Der Spiegel sobre o que espera para o Afeganistão, os seus receios sobre a presença da Al Qaeda no Paquistão e sobre o Irão:

[...]

SPIEGEL: After the election fraud in favor of President Hamid Karzai — shouldn’t you insist on a government of national unity, including his challenger Abdullah Abdullah?

Clinton : Well, I think that what we are interested in is an effective government. Who the personalities are is not as big a concern as having competent, effective, honest members of the government. But we are not only looking at the government in Kabul, we are also looking at the government throughout the country. Because very often, it is local governance, as it has historically been in Afghanistan, that delivers services, that provides security. So we think more has to be done with the local government structures.

SPIEGEL: Do we understand you correctly: The US government is thinking about naming local governors or at least influencing their nomination?

Clinton : I think that a number of us — not just the United States but a number of NATO members, too — agree with what Prime Minister Brown said last week: That there has to be more accountability. We do see this as in our national security interest, but part of being successful and protecting our interest is having a better partner in Afghanistan. And we will be making our views known and we will have certain measurements of accountability that we expect. [...]

Rompuy & Lady Ashton

Posted in notas ao café by JN on Novembro 20, 2009


Herman Van Rompuy e Catherine Ashton (foto: El País).

Os 27 de forma unânime nomearam dois quase desconhecidos para os novos cargos criados pelo Tratado de Lisboa; Herman Van Rompuy, primeiro-ministro belga e o mais conhecido, é o novo Presidente da UE e tomará posse a 1 de Janeiro de 2010. Gordon Brown queria Tony Blair para Presidente mas viu-se forçado a desistir da sua pretensão e fez pressão — no que foi seguido pelos Socialistas europeus que exigiam a atribuição do cargo de Alto Representante a um membro da sua família política — que a comissária britânica para o comércio, Catherine Ashton, fosse nomeada para o posto de Alto Representante para a Política Externa.

As escolhas representam as necessidades de equilíbrio na UE: foi escolhido um homem e uma mulher, algo que de certa forma era exigido, um vem de um país pequeno e outro de um dos grandes da Europa; um é da direita europeia e outro da esquerda. A escolha tem algo de esperado e inesperado ao mesmo tempo: o Sr. Rompuy era um nome já há algum tempo considerado; Lady Ashton, Baronesa de Upholland, título que lhe foi atribuído quando foi para a Câmara dos Lordes, é a surpresa já que é relativamente conhecida na Europa mas muito pouco fora do continente. De certa forma é o “prémio de consolação” de Gordon Brown.


Dario Castillejos

Os povos felizes não têm história

Posted in palavras ao café by JN on Novembro 18, 2009

‘Os povos felizes não têm história’. De onde se infere que a supressão da história tornaria os povos mais felizes. O menor olhar sobre os acontecimentos deste mundo reencontra essa mesma conclusão. O esquecimento é o benefício que a história quer corromper. Nada, na história, serve para ensinar aos homens a possibilidade de viverem em paz. É o ensino oposto que dela se destaca – e se faz acreditar.

Paul Valéry, in «Pensamentos Maus e Outros»


Yaakov Kirschens

Détante para o Médio Oriente

Posted in notas ao café by JN on Novembro 18, 2009


David Granlund, «Politicalcartoons.com»

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, afirmou nesta terça-feira que o governo americano está “consternado” pela aprovação, pelas autoridades israelitas, da construção de 900 novas habitações num colonato em Jerusalém Oriental. Também o Secretário Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, mostrou o seu desagrado afirmando que estas novas construções serão mais um entrave às negociações de paz. Pelo seu lado, Israel através do porta-voz do primeiro-ministro, Mark Regev, afirma que Jerusalém é a capital de Israel e o continuará a ser.


Yaakov Kirschens

No New York Times, Roger Cohen escreve que o plano dos EUA para a paz no Médio Oriente e solução dos dois estados, que começou com Bill Clinton, falhou. Segundo Cohen, este plano ignora as divisões provocadas pela última década: 992 israelitas e 3,299 palestinianos mortos, a ocupação de Gaza pelo exército israelita, a vitória política do Hamas, o aumento dos colonatos israelitas e a construção de um muro que separa Israel da Cisjordânia. Para Cohen é altura de parar de falar de paz e falar de détante:

[...] These are not small developments. They have changed the physical appearance of the Middle East. More important, they have transformed the psychologies of the protagonists. Israelis have walled themselves off from Palestinians. They are less interested than ever in a deal with people they hardly see.

[...] Obama, who has his Nobel already, should ratchet expectations downward. Stop talking about peace. Banish the word. Start talking about détente. That’s what Lieberman wants; that’s what Hamas says it wants; that’s the end point of Netanyahu’s evasions.

It’s not what Abbas wants but he’s powerless. Shlomo Avineri, a political scientist, told me, “A nonviolent status quo is far from satisfactory but it’s not bad. Cyprus is not bad.”

I recall my friend Shlomo dreaming of peace. That’s over. The last decade destroyed the last illusions: hence the fence. The courageous have departed the Middle East. A peace of the brave must yield to a truce of the mediocre — at best.

At least until Intifada-traumatized Israeli psychology shifts. I agree with the Israeli author David Grossman when he writes: “We have dozens of atomic bombs, tanks and planes. We confront people possessing none of these arms. And yet, in our minds, we remain victims. This inability to perceive ourselves in relation to others is our principal weakness.”

A História não morre

Posted in notas ao café by JN on Novembro 18, 2009


Angel Boligan, «El Universal»

No El País, um artigo sobre Almudena Bernabéu, a advogada espanhola que em Espanha e vinte anos depois, procura justiça para os jesuítas assassinados na Universidade Centro-Americana José Simeón Cañas, em El Salvador. A Sra. Bernabéu abriu um processo no Supremo Tribunal Nacional espanhol, ao abrigo do direito internacional, contra 14 oficiais do exército salvadorenho e soldados que supostamente planearam e participaram no assassinato de seis padres jesuítas, a funcionária da sua residência universitária e filha de 15 anos desta, no dia 16 de Novembro de 1989.

Também no El País, Heraldo Muñoz, embaixador do Chile na ONU, diz que a direita chilena ainda não fez o mea culpa necessário após o fim do regime de Augusto Pinochet.

Lei “sequestrada” na Libéria

Posted in notas ao café by JN on Novembro 18, 2009

Arcadio, «La Prensa»

Seis anos após o fim de uma guerra civil que matou 250 mil pessoas e que provocou a fuga centenas de milhares de outras, a Libéria é um país com muitas dificuldades e necessidades; justiça está no topo da lista. O problema deste país da África Ocidental, com 3,5 milhões de habitantes, não é falta de tribunais, advogados ou juízes. A Libéria continua à espera é das leis. O código legal do país não existe em papel, com a excepção de alguns volumes incompletos agrupados num conjunto sem grande sentido em alguma bibliotecas da capital, Monróvia. Tanto quanto se sabe, nem o próprio Parlamento do país tem uma cópia integral da lei.

Por todo o país, advogados, tribunais e até o governo operam às cegas; é praticamente impossível ter a certeza de se estar a seguir ou não a lei se não se a conhece na integra. A razão para este insólito facto é o copyright. O homem que literalmente sequestrou a lei na Libéria é Philip Banks, que foi nomeado pelo Presidente Ellen Johnson Sirleaf para presidir a uma comissão com o objectivo de reformar a lei do país. O Sr. Banks, que já foi por duas vezes ministro da Justiça, afirma que o seu trabalho e da sua equipa deve ser recompensado e recusa-se a o entregar sem o ser, como escrevem Jina Moore e Glenna Gordon na Foreign Policy:

The problem is an open secret in Liberia, where the current justice minister has publicly called the availability of the law a priority, and the minister of labor, who used to work in the Justice Ministry, has often derided the country’s lack of access to its own legal code. The U.S. Agency for International Development estimates that $13 million is poured into rule-of-law assistance programs in Liberia each year, even as the law itself is lacking. Several of those programs’ personnel have pressed Banks on the issue. When those attempts proved unsuccessful, they’ve instead worked around his copyright claim. This summer, the United Nations Development Program bought and donated 15 sets of the disputed volumes so that rural county prosecutors could have access to them. Individual volumes from an original run of 100 are scattered across libraries and offices — or have been lost. No one really knows. Effectively, the volumes are unobtainable.

Banks’ group, Liberia Law Experts, is currently negotiating to sell the copyright to the Liberian government. Those involved won’t name the asking price, but Varney Sherman, a former presidential candidate who worked on the project with Banks and is party to the negotiations, says the “small fee” is “closer to $100,000″ than $360,000. (The entire government’s 2007-2008 budget was $207 million, according to the Liberian Finance Ministry.) President Johnson Sirleaf said in an Oct. 12 interview that she is willing to entertain compensation for “whatever they may have spent out of their own resources,” but insists, “Rightfully, those copyrights belong to the government.” She hopes to have the situation sorted “within a year.”

Mountain Light

Posted in notas ao café by JN on Novembro 17, 2009

Justiça Oculta

Posted in notas ao café by JN on Novembro 17, 2009

image001

O presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha de Nascimento, considerou nulas e ordenou a destruição das escutas das conversas entre José Sócrates e Armando Vara. O DIAP de Aveiro decidiu não destruir essas gravações porque há dúvidas se essa ordem do Supremo deve ser ou não cumprida. O procurador-geral da República diz que se dependesse de si divulgaria as escutas porque, segundo ele, é impossível evitar as fugas de informação e isto sempre acalmaria. Sempre julguei que  num qualquer processo judicial a lei era clara e, portanto, haveria métodos e procedimentos a cumprir baseados nessa lei clara e, de acordo com as conclusões, lugar ou não a consequências. Como ninguém parece se entender quanto à primeira parte, não vejo como haverá lugar a qualquer tipo de consequência justa. Mas todos os dias lê-mos a mesma notícia.

“Obama You Can Stop This”

Posted in notas ao café by JN on Novembro 17, 2009


Angel Boligan, «El Universal»

O Presidente Lula da Silva disse que na cimeira de Copenhaga está disposto a comprometer-se com um plano para reduzir a desflorestação na Amazónia brasileira em 80 por cento até 2020. Mas também afirmou que os países mais industrializados devem estar dispostos a reduzir as suas emissões e a pagar a sua parte nos custos da redução das emissões dos países mais pobres. Lula da Silva disse que a responsabilidade doa países mais ricos no aquecimento do planeta é maior. A desflorestação representa cerca de 20 por cento das emissões de CO2 com efeito no aquecimento do planeta.

A Greenpeace criticou o Presidente Obama por não ter um papel mais preponderante nas negociações sobre o clima e apelam aos líderes mundiais que actuem na protecção das florestas tropicais impedindo a desflorestação das mesmas. Na semana passada, activistas desta organização bloquearam o abate de árvores na Península de Kampar, Indonésia, acorrentando-se às escavadoras e colocaram um cartaz onde se podia ler “Obama You Can Stop This”.

Apesar das críticas ao Presidente americano, a Greenpeace espera que Obama seja o líder mundial na luta contra as alterações climáticas, e, colocou online uma carta endereçada a Barack Obama, apelando para que este crie um fundo de 140 mil milhões de dólares para ajudar as nações mais pobres a desenvolvente fontes de energia alternativas, parar com a desflorestação e a adaptar-se ao inevitável impacto das  mudanças climáticas.


Fixing the World
Peray, «The Nation»

Uma arma de destruição massiva

Posted in notas ao café by JN on Novembro 17, 2009


Oguz Gurel

As Nações Unidas, esta segunda-feira, afirmaram que um acordo global sobre o ambiente é um factor crucial para combater a fome, algo a que o Presidente do Brasil chamou “a mais devastadora arma de destruição massiva”:

[...] The sense of skepticism deepened at the weekend, when U.S. President Barack Obama and other leaders supported delaying a legally binding climate pact until 2010 or even later, though European negotiators said the move did not imply weaker action.

“Hunger is the most devastating weapon of mass destruction on our planet, it doesn’t kill soldiers, it kills innocent children who are not even one-year old,” Brazil’s President Luiz Inacio Lula da Silva told the summit.

U.N. Secretary-General Ban Ki-moon said there could be “no food security without climate security.”

“Next month in Copenhagen, we need a comprehensive agreement that will provide a firm foundation for a legally binding treaty on climate change,” he said.

Africa, Asia and Latin America could see a decline of between 20 and 40 percent in potential agricultural productivity if temperatures rise more than 2 degrees Celsius, the U.N. says.

Sub-Saharan Africa is expected to be the hardest hit from global warming as its agriculture is almost entirely rain-fed.

With the number of hungry people in the world topping 1 billion for the first time, the U.N. Food and Agriculture Organization called the summit in the hope leaders would commit to raising the share of official aid spent on agriculture to 17 percent of the total — its 1980 level — from 5 percent now.

That would amount to $44 billion a year against $7.9 billion now. Farmers in rich countries receive $365 billion of support every year

A Ásia e Obama

Posted in notas ao café by JN on Novembro 17, 2009


Chappatte, «International Herald Tribune»

Pouco haverá a dizer da viagem de Barack Obama ao Japão; com o novo governo de Yukio Hatoyama, o Japão parece querer diminuir a influência americana no país, como será o caso da presença de militares americanos em território japonês que agrada pouco ao Sr. Hatoyama. Embora esse facto, os EUA e o Japão concordaram em reforçar a sua aliança. Talvez o facto que mais foi falado foi a vénia do Presidente Obama ao Imperador Akihito — há quem ainda confunda o seguir convenções culturais com submissão. Depois de o ter feito ao Rei da Arábia Saudita, é agora a vez do Imperador do Japão.

Diferentes culturas, diferentes hábitos; há quem beije a face, quem aperte as mãos, quem faça vénias. E segundo Jake Tapper, não é um facto novo, nem Barack Obama o fez bem. O ThinkProgress também aponta situações semelhantes e para o facto do Presidente Eisenhower fazer vénias a todos quanto encontrava.


Pat Bagley, «Salt Lake Tribune»

Na sua primeira visita à China, o Presidente Obama e Hu Jintao irão falar da recessão global, problemas ambientais que serão discutidos em Copenhaga. O Presidente americano também quer o apoio do governo chinês nas sanções contra o Irão se este país não concordar em enviar o seu urânio para ser enriquecido na Rússia. Barack Obama elogiou o esforço do governo chinês na erradicação da pobreza mas, ao mesmo tempo, evocou a questão dos Direitos Humanos e da liberdade de expressão:

We do not seek to impose any system of government on any other nation, but we also don’t believe that the principles we stand for are unique to our nation. These freedoms of expression and worship, of access to information and political participation – we believe are universal rights.


David Granlund, «Politicalcartoons.com»

Na The Economist escreve-se:

[...] Mr Obama’s comments on human rights focused more on how America had benefitted from respecting them (albeit imperfectly) than China had suffered from violating them. He said freedom of expression, worship, access to information and of religion were “universal rights” that should be available to everyone “whether they are in the United States, China or any nation.”

In Beijing, where he is set to meet Chinese leaders and tour historical sites, Mr Obama is likely to be just as cautious. Although there is little expectation now of a detailed global agreement on climate change at a UN conference in Copenhagen in December, Mr Obama is still eager to present a more united front with China on global warming. Signs that China is taking the problem seriously could help him to get climate-change legislation through Congress. [...]

Mr Obama’s central message is that China should not view America as a threat, no matter what its grievances over American policy toward Taiwan, Tibet or human rights. Mr Obama told the audience in Shanghai that America did not want to contain China’s rise, nor impose any particular system of government on it. He avoided, however, saying how he would handle America’s arms sales to Taiwan, a critical point of contention that—however much America may wish otherwise—China is not ready to ignore.


Luojie, «China Daily»

Os “Senhores” do tempo

Posted in notas ao café by JN on Novembro 17, 2009


Storm (X-Men)

Ororo Munroe (Storm), a semi-deusa africana dos X-Men com a capacidade de controlar o clima, aqui desenhada pelo já desaparecido Michael Turner da Marvel.

E o que Storm consegue alguns países também o desejam. A China, Rússia, Venezuela e Cuba pretendem encontrar formas de controlar a precipitação em determinadas zonas. No último Verão, antes dos Jogos Olímpicos de Pequim, as autoridades chinesas com medo que a chuva estragasse a multimilionária abertura dos Jogos dispararam rockets de gelo seco e iodeto de prata na atmosfera para limpar o céu de nuvens, algo que fizeram mais do que uma vez e que causaram problemas originado duas fortes tempestades de neve. Os russos pretendem fazer o mesmo; o Presidente da Câmara de Moscovo pretende usar o mesmo processo para eliminar a neve da sua cidade.

Agora é Hugo Chávez com a precipitação, ou no caso, a falta dela. O Sr. Chávez está preocupado, e com razões, para os baixos níveis de precipitação em certas áreas da Venezuela. E Hugo Chávez, com um grupo de cientistas cubanos, irá pessoalmente “semear nuvens”.

Sleep-walking

Posted in música ao café by JN on Novembro 16, 2009

Acordo adiado em Copenhaga

Posted in notas ao café by JN on Novembro 16, 2009

keefe_16112009_1
Mike Keefe, «The Denver Post»

Com a impossibilidade de se conseguir um a acordo vinculativo para reduzir as alterações climáticas na cimeira de Copenhaga em Dezembro, até porque o Congresso americano não irá decidir nada este ano e sem os EUA ninguém quer avançar, os líderes mundiais decidiram o óbvio: adiar até 2010 ou mais tarde a elaboração desse acordo. E a “culpa” fda alta de um acordo não irá fugir (em grande parte) aos EUA:

[...] U.S. failure to match expectations with a carbon target by the December deadline may dent confidence in its power to ever be able to deliver, despite President Barack Obama’s strong commitment to fight climate change.

Governments were meant to agree a global deal to succeed the Kyoto Protocol on global warming, the first period of which runs out in 2012, at the December 7-18 meeting in Copenhagen.

But many negotiators say time has run out for the two-year U.N. talks to craft a legally binding text — especially since the U.S. Senate has not passed a supporting law.

Many delegates on the sidelines of U.N. climate talks in Barcelona, the final preparatory session for the Copenhagen meet, said they were now aiming for a “political deal” in December, with a pact to follow six to 12 months later.

They blamed a long-running rift between rich and poor nations and the financial crisis, but especially rued how the United States had failed to table a formal carbon-cutting target.

“This is probably (a direct result of) the realization that the United States would not come fully into the agreement at Copenhagen,” Bruno Sekoli of Lesotho, chair of a group of least developed nations, said in Barcelona.

Palestina sem rumo

Posted in notas ao café by JN on Novembro 16, 2009

paresh_16112009_1
Paresh Nath, «The Khaleej Times»

As autoridades da Palestina afirmaram este domingo que vão pedir ao Conselho de Segurança da ONU que reconheça o Estado da palestina Independente. Saeb Erekat afirmou à BBC que o pedido deve ser feito devido à falta de progressos nas negociações de paz com o governo israelita. A pretensão dos palestinianos é, no entanto, recusada por Israel; o governo israelita diz  que as negociações de paz são o único caminho e que acções deste tipo são um entrave às mesmas.

A Palestina tem outros problemas; um deles é o anuncio de Mahmoud Abbas que não concorreria à reeleição por causa da falta de progresso nas negociações de paz com os israelitas.  O Sr. Abbas que deve permanecer no cargo até a realização de eleições, deve agora decidir se aceita a recomendação de adiar estas mesmas eleições. Os motivos alegados são o anúncio feito pelo Hamas, grupo que controla a Faixa de Gaza, de que vai proibir a realização das eleições no território e a falta de resposta israelita sobre se colaboraria ou não com a votação.

chappatte_16112009_1
Chappatte, «International Herald Tribune»

Na The Economist escreve-se que com ou sem Mahmoud Abbas os palestinianos continuam sem líder e cada vez mais divididos:

[...] In his resignation speech, Mr Abbas castigated Israel’s government for its obduracy over the settlements, the Americans for letting him down, and the Palestinians’ Islamist movement, Hamas, for refusing to accept the terms of a Palestinian unity government proposed by Egypt. It has been trying for more than a year to bring the two bitterly opposed factions together.

Hamas won the last Palestinian general election, in 2006. A year later, it bloodily ousted Fatah from the Gaza Strip, the smaller chunk of a proposed Palestinian state. Many of Hamas’s West Bank members of parliament are in Israeli prisons. Even if an election took place on schedule, Hamas says it would refuse to take part in present circumstances. Fatah, for its part, would be unable to campaign in Gaza.

So the January timetable is likely, anyway, to slip. June has been mentioned as an alternative. In the meantime, Mr Abbas could stay in charge as a caretaker. Few seem certain of the constitutional laws governing Palestinian electoral and other procedures. In Fatah’s view, they are elastic. But Hamas says, with some cogency, that it has been illegal for Mr Abbas to retain his post as the PA’s president since January this year, when his four-year term should have run out. If no new leader of the PA has been elected within 60 days of the old one stepping down, the parliamentary speaker becomes president until an election is held. That would be awkward, for he is a Hamas man, Aziz Dweik.

So where does that leave the 74-year-old Mr Abbas? Though his opponents, both Israeli and Palestinian, should take much of the blame, the fact is that, as a leader, he has failed. He is a ditherer. He wobbled feebly over whether to endorse a recent controversial report by Richard Goldstone on the Gaza war. Perhaps worst of all, he fluffed a chance, near the end of Ehud Olmert’s Israeli prime ministership earlier this year, to grasp Israel’s best offer so far, albeit privately mooted when Mr Olmert was on his way out. Had Mr Abbas said yes, it might have been hard for a future Israeli government to back out.

peray_16112009_1
Peray, «The Nation»

“E-Cycling”

Posted in notas ao café by JN on Novembro 16, 2009

Spam é sempre muito e continua a aumentar. Um tipo que por vezes aparece é na forma de e-mail proveniente da Nigéria. Gbemisola Olujobi, na Truthdig explica uma das muitas razões porque muita gente recebe desse tipo de e-mail e a resposta até vem da Nigéria. Todos os anos milhões de computadores pessoais são enviados para reciclagem. Por muito que se formate um pc, quem se preocupar com isso antes de se ver livre dele, a informação estará sempre lá — formatar da forma convencional um pc não elimina os dados neste. Em Lagos, a Basel Action Network encontrou em muitos centros de “reciclagem” discos duros com informação confidencial

boligan_16112009_1
Angel Boligan, «El Universal»

O problema que Gbemisola Olujobi escreve não é o spam (embora seja uma consequência), mas sim um problema ambiental e a actuação da Basel Action Network — uma associação que monitoriza o lixo electrónico no planeta. Todos os anos milhões de computadores e outro equipamento electrónico são deitados fora. Muito deste equipamento é  enviado enviado para a China, Índia ou a Nigéria, por “distribuidores internacionais” de lixo electrónico. O fim será a reciclagem ou a doação, mas muito deste equipamento não tem qualquer valor e fica depositado sem qualquer tipo de protecção ao ar livre. Em África estas “lixeiras electrónicas” e a poluição que provocam são um problema crescente e o e-cycling é agora um problema de saúde pública em muitos países:

[...] Puckett, the BAN coordinator who led the organization’s field investigation to Nigeria, notes that “reuse is a good thing, bridging the digital divide is a good thing, but exporting loads of techno-trash in the name of these lofty ideals and seriously damaging the environment and health of poor communities in developing countries is criminal.”

There are more than 1,000 substances involved in e-waste pollution and many of them are highly toxic. Lead, cadmium, mercury, polyvinyl chloride, barium, beryllium and phosphor are among the most toxic.

Lead accumulates in plants, animals and microorganisms. It targets the human central nervous system. It can cause permanent damage to the brain and nervous system, causing retardation and behavioral changes. Infants and young children are particularly susceptible because of the impairment of cognitive and behavioral development it can cause.

Renal damage is the most common effect of cadmium toxicity. Cadmium enters the system through the gastrointestinal tract and resides in human kidneys.

Mercury transforms into methylmercury in water, where it can accumulate in living organisms, eventually concentrating in large fish and humans at the top of the food chain. Mercury is readily absorbed by the human body, ultimately inhibiting enzymatic activity and leading to cell damage. [...]

Água na Lua

Posted in notas ao café by JN on Novembro 16, 2009

manny_16112009_1
Manny Francisco, «The Manila Times»

Está finalmente confirmado: há água na Lua, no lado escuro da lua, nas crateras permanentemente obscuras do pólo sul, há água congelada e em grandes quantidades. O choque do motor de um foguetão Centauro contra a cratera Cabeus, a 9 de Outubro, observado de perto pela sonda LCROSS da NASA, permitiu confirmar o que outros aparelhos enviados tinham já sugerido com bastante certeza.

Desde que se foi à Lua pela última vez, em 1972, que existia o sonho de lá voltar e colonizar o satélite, com água qualquer tentativa de colonização ficaria facilitada. A água pode ser usada para consumo humano mas também para fazer combustível para foguetões. Só que o sonho de regressar à Lua e aí construir bases foi mais uma vez afastado, com a publicação, no fim do Verão, do relatório da comissão Augustine, sobre qual deve ser a estratégia da NASA; estratégia que não passa nas próximas décadas por qualquer tentativa de colonização da Lua.

cardow_16112009_1
Cardow, «The Ottawa Citizen»

Escreve Michael D. Lemonick na Time:

[...] Analysis of the water ice may give scientists an eons-long look at environmental history: any ice lurking in the shadows of lunar craters would have been there for a long, long time — billions of years, even. On Earth, for example, scientists get their best information about the planet’s climatic history from ancient air trapped in polar ice, says Greg Delory of the Space Sciences Laboratory at the University of California, Berkeley. Similarly, the lunar poles are record keepers of conditions over long periods. They are the dusty attic of the solar system, says Michael Wargo, chief lunar scientist at NASA headquarters.

The moon’s ice might have come from comet impacts, which would date it back to the earliest days of our solar system; that ice would hold a record of the cosmic chemistry of those formative times. But the ice could have also been formed by particles streaming from the sun, which gradually combined with lunar minerals to form water, then ice. Or it might have come from Earth, perhaps in the gigantic collision that created the moon in the first place. Whatever its origins, says Delory, the prospect of studying it is really exciting.

In addition to its historical significance, water on the moon holds prospects for the future. If humans are ever going to establish a long-term presence on the moon, they will need water to drink, and tapping a local supply would be a lot more convenient than lugging it from Earth. Beyond that, water can be split into hydrogen and oxygen — the former makes pretty good rocket fuel, and the latter is useful for breathing.

Fan_16112009_1
Jianping Fan (Guangzhou – China)

Tempos modernos (136)

Posted in tempos modernos by JN on Novembro 16, 2009

singer_16112009_2
Andy Singer, «No Exit»

Os “domesticados”

Posted in palavras ao café by JN on Novembro 16, 2009

“É preciso ler histórias de crimes e descrições de situações anárquicas para saber do que o homem é realmente capaz no que diz respeito à moral. Esses milhares de indivíduos que, diante dos nossos olhos, empurram-se desordenadamente uns aos outros no trânsito pacífico devem ser vistos como tigres e lobos, cujos dentes são protegidos por fortes focinheiras.”

Arthur Schopenhauer, in «A Arte de Insultar»

singer_16112009_1

A “fome” do petróleo

Posted in notas ao café by JN on Novembro 16, 2009

kountouris_15112009_3
Michael Kountouris, «Politicalcartoons.com»

Segundo o Tehran Times (que cita o Wall Street Journal), na previsão revista da Agência Internacional de Energia (AIE) para 2010, a procura de petróleo será maior do que se esperava. Segundo a AIE, a procura global de petróleo vai subir para 86,2 milhões de barris diários no próximo ano, o que representa um aumento de 140.000 barris por dia em relação ao seu relatório inicial de Outubro. Segundo esta agência, o consumo mundial de petróleo apresentava uma tendência para crescer no quarto trimestre, o que aconteceria pela primeira vez desde meados de 2008, devido principalmente ao maior consumo por parte dos países emergentes. A AIE adverte, ao mesmo tempo, que a subida do preço do crude pode provocar mais um colapso económico a nível mundial. Um dólar fraco e o aumento da actividade económica da China têm sido os principais impulsionadores do aumento dos preços do crude, que subiu quase 80 por cento este ano e está actualmente em torno dos 79 dólares por barril:

[...] Major production cuts by the Organization of Petroleum Exporting Countries the past year have been the biggest factor for higher prices, which have come despite a persistent overhang in oil inventory in industrialized nations since the start of the year.

But further gains in crude prices could bring trouble, the IEA said. “The recent price spike, if further extended, risks derailing the recovery. Not only that, but oil demand itself would rebound much more slowly were the price rally sustained into 2010,” it said in its report. The IEA serves as an energy advisor to industrialized nations such as the U.S. and Germany.

The agency kept its demand outlook on China, which accounts for much of the growth in world oil consumption, basically unchanged for 2009 and 2010 from its October report.

A procura mundial por petróleo em 2008 situa-se nos 84,7 milhões de barris por dia mas em 2030, a AIE estima que será de 105 milhões. Segundo a agência, 97 por cento deste aumento é provocado pelo sector automóvel e dos transportes, devido principalmente ao aumento do número de automóveis nos países em desenvolvimento. O consumo destes países, em 2030, será superior aos países industrializados da OCDE. Por essa altura, os EUA, Japão e a Europa irão consumir menos petróleo do que em 1980. Mas o primeiro grande pico no consumo será na Ásia, em particular na Índia e na China, onde o consumo se espera que aumente até 400 por cento em relação a 2008.

15112009_2

O “pico do petróleo” revisitado

Posted in notas ao café by JN on Novembro 14, 2009

gurel_14112009_1
Oguz Gurel

Terry Macalister, no The Guardian, escreve um artigo polémico, que volta a colocar a teoria do “Pico do Petróleo” (ou Pico de Hubber) novamente em discussão: o mundo está muito mais perto de ficar sem petróleo do que admitem as estimativas oficiais, e isto de acordo com uma denúncia da Agência Internacional de Energia (AIE). Esta agência alega que este facto tem sido deliberadamente ocultado para não provocar o “pânico da compra”. Segundo um alto-funcionário da AIE, os EUA têm tido um papel fundamental, exercendo pressão para que se subestime a taxa de declínio dos campos produtivos actuais e que se sobrestime as possibilidades de encontrar novas reservas.

arcadio_14112009_1
Arcadio, «La Prensa»

Esta denuncia coloca em xeque a exactidão dos dados publicados no “World Energy Outlook”, sobre a procura e a oferta de petróleo, que é publicado pela própria AIE, e utilizados pelos governos de vários países como guia de políticas energéticas, como escreve Macalister:

[...] In particular they question the prediction in the last World Economic Outlook, believed to be repeated again this year, that oil production can be raised from its current level of 83m barrels a day to 105m barrels. External critics have frequently argued that this cannot be substantiated by firm evidence and say the world has already passed its peak in oil production.

Now the “peak oil” theory is gaining support at the heart of the global energy establishment. “The IEA in 2005 was predicting oil supplies could rise as high as 120m barrels a day by 2030 although it was forced to reduce this gradually to 116m and then 105m last year,” said the IEA source, who was unwilling to be identified for fear of reprisals inside the industry. “The 120m figure always was nonsense but even today’s number is much higher than can be justified and the IEA knows this.

“Many inside the organisation believe that maintaining oil supplies at even 90m to 95m barrels a day would be impossible but there are fears that panic could spread on the financial markets if the figures were brought down further. And the Americans fear the end of oil supremacy because it would threaten their power over access to oil resources,” he added.

A second senior IEA source, who has now left but was also unwilling to give his name, said a key rule at the organisation was that it was “imperative not to anger the Americans” but the fact was that there was not as much oil in the world as had been admitted. “We have [already] entered the ‘peak oil’ zone. I think that the situation is really bad,” he added.

chappatte_14112009_1
Chappatte, «Globe Cartoon»

Os problemas do LHC

Posted in notas ao café by JN on Novembro 13, 2009

Por alturas de inicio de Novembro, o acelerador de partículas do CERN, Large Hadron Collider (LHC), começou a aquecer em algumas das sua zonas. Os cientistas vieram a descobrir que um pedaço de pão, que algum pássaro terá deixado cair, caiu sobre um transformador eléctrico o que provocou um curto-circuito no equipamento eléctrico que fica na superfície, ao contrário do acelerador em si que se situa num túnel circular de 27 quilómetros sob a fronteira entre a França e a Suíça.

A lista de problemas pelo do LHC são longas e continuam é longa e continua a aumentar, sendo a última o pedaço de pão. Vai desde pão, a terroristas e buracos negros que irão destruir o mundo. Os resultados que se pretendem do HCL ainda faltam atingir, mas a leitura do que se passa no CERN, como escreve a Der Spiegel, fornece leitura interessante.

lane_13112009_1
Mike Lane, «Cagle Cartoons»

Só ganha a História

Posted in palavras ao café by JN on Novembro 13, 2009

“(…) I have often said, and oftener think, that this world is a comedy to those that think, a tragedy to those that feel — a solution of why Democritus laughed and Heraclitus wept. The only gainer is History, which has constant opportunities of showing the various ways in which men can contrive to be fools and knaves. The record pretends to be written for instruction, though to this hour no mortal has been the better or wiser for it.”

Retirado da carta de Horace Walpole a Sir Horace Man (1770), in  «The letters of Horace Walpole»

peray_13112009_1
Peray, «The Nation»

Quotidianos (10)

Posted in quotidianos by JN on Novembro 13, 2009

13112009_8

8 de Novembro: Um homem enrola um charuto enquanto espera pelas senhas de alimentação num mercado estatal, em Sagua La Grande, na província de Villaclara, Cuba (foto: Desmond Boylan/Reuters). Incluída na série “Scenes from Havana”, do Boston Globe.

13112009_1

9 de Novembro: Jovens palestinianos trabalham numa fábrica de cimento, em Gaza. Muitas destas fábricas recolhem os restos de casas destruídas para a produção de blocos de cimento. Devido ao bloqueio israelita, o cimento é um produto escasso em Gaza e os carregamentos de cimento provenientes do Egipto, através de uma rede de túneis, são extremamente caros (foto: Ismael Mohamad/UPI).

13112009_2

9 de Novembro: Um homem numa bicicleta eléctrica atravessa uma nuvem de fumo, no centro de Pequim. O véu de smog que foi “suspenso” durante os Jogos Olímpicos de Pequim, voltou cerca de um ano depois e a qualidade do ar é considerada “perigosa” pela embaixada americana em Pequim (foto: Stephen Shaver/UPI).

13112009_4

10 de Novembro: Na Cidade do México, mulheres manifestam-se para alertar dos actos de violência para com as mulheres que ocorreram em Ciudad Juarez. Na última década mais de 300 mulheres foram assassinadas ou desapareceram nesta cidade no norte do México (foto: Alfredo Estrella/APF/Getty Images).

13112009_5

10 de Novembro: Um peru faz parar o trânsito durante a sua travessia matinal numa movimentada estrada, a Route 462, perto de Lancaster, na Pensilvânia. Um casal de perus, que vivem em estado selvagem, atravessam pelo menos duas vezes por dia esta estrada para irem buscar alimento que é deixado por muitos que habitam aquela área. Sempre que o fazem, o trânsito pára (foto: Marty Heisey/AP).

13112009_6

10 de Novembro: O Presidente Barack Obama presta homenagem às vitimas do ataque em Fort Hood, no Texas, onde treze militares foram mortos. Para Marc Ambinder e outros comentadores, mesmo da ala conservador americana, o discurso de Barack Obama é algo que ficará para a História (foto: Melina Mara/The Washington Post).

13112009_10

12 de Novembro: Num templo em Seul, capital da Coreia do Sul, pais rezam pelo sucesso dos seus filhos nos exames de acesso ao ensino superior, numa cerimónia religiosa especial e dedicada a esse fim (foto: Ahn Young-joon/AP):

De Gorbachev para Obama

Posted in notas ao café by JN on Novembro 12, 2009

matson_12112009_1
RJ Matson, «Roll Call»

Segundo a CNN, a administração Obama reduziu a nova estratégia a adoptar para o Afeganistão a quatro opções. Segundo o New York Times, uma das estratégias a adoptar seria o envio de mais 20 mil militares, uma outra que seguiria as recomendações do General McChrystal conduz ao envio de 40 mil militares. A que mais parece agradar ao Presidente e aos seus conselheiros, é uma que poderá agradar a todos, o envio de 30 mil. Uma quarta foi adicionada na semana passada; segundo o The Wall Street Journal seria uma que contemplaria entre 30 a 35 mil militares e 10 mil instrutores para o exército afegão. Espera-se que o presidente Obama revele a sua decisão depois de regressar da sua visita à Ásia, a 19 de Novembro.

keefe_12112009_1
Mike Keefe, «The Denver Post»

Robert Scheer, na Truthdig, escreve sobre o aviso de Mikhail Gorbachev a Barack Obama sobre o Afeganistão:

[...] Gorbachev drew on his experience in a CNN interview Sunday during which he again played the part of peacemaker, urging Obama to pull troops out of Afghanistan. “I think that our experience deserves attention,” the former Soviet president said. He recommended that the U.S., in the hope of bringing an end to “the long suffering of the [Afghan] people,” focus on “dialogue” and that “withdrawal from Afghanistan should be the goal.”

Unfortunately, it seems from media leaks that President Obama is moving in the opposite direction. The speculation now is that he will increase U.S. forces by a number slightly less than the 40,000 that Gen. Stanley McChrystal has requested, a decision that would make no sense at all. If the goal is, as McChrystal’s report defined it, to rebuild Afghan civil society from the ground up, something on the order of the half-million troops that were dispatched to Vietnam will be required. But that cannot be done without a draft, and we all know that outcome would not be politically acceptable to either the Democratic or Republican party.

Nor is such nation-building advisable, even if the American public and the treasury would support it. Our war in Afghanistan is no more warranted than the one the Soviets waged. Ironically, they were opposing Muslim fanatics we supplied with Stinger rockets and whose descendants we now blame for terrorism. In the name of fighting Soviet imperialism, our CIA recruited the worst of the worst and called them freedom fighters until we renamed them terrorists. We got it terribly wrong then, and yet we still insist that we know what we are doing in that country.

When Gorbachev came to power he, like Obama, inherited a war that was not in the interest of his nation. If the response of a Soviet dictator was to end it, might we not be justified in expecting the enlightened president of a democratic society to do the same?

lukova_12112009_1
Luba Lukova, «The New York Times»

A “polémica leve”

Posted in notas ao café by JN on Novembro 12, 2009

boligan_12112009_1
Angel Boligan, «El Universal»

No Reino Unido vive-se a polémica em torno das chamadas “drogas leves”. Apesar do consumo estar a diminuir no país, o governo britânico mudou a classificação da cannabis de “Classe C” para “Classe B” e agora a posse deste tipo de droga acarreta uma pena máxima de cinco anos e o tráfico pode levar a catorze anos de prisão. O Professor David Nutt, membro do Advisory Council on the Misuse of Drugs, foi despedido por publicamente denunciar esta decisão; outros cinco membros deste conselho pediram demissão em protesto pelo afastamento do Professor Nutt.

O despedimento de David Nutt e as consequentes demissões provocaram acesa discussão, com políticos e cientistas a acusarem o secretário Alan Johnson, que despediu o Professor Nutt, de distorcer evidências cientificas sobre a cannabis. Numa carta enviada ao jornal The Guradian, o Sr. Johnson acusou David Nutt de falta de lógica. Este, na NewScientist, responde e afirma que os políticos preferem ignorar as evidências e de falta de uma verdadeira política de combate ao consumo:

[...] No one doubts that heavy users of marijuana are risking trouble with their mental health. What I have simply pointed out is that we need a consistent policy, recognising that heavy users of alcohol and tobacco are more numerous and are causing themselves – and others – even more trouble through their indulgence.

Policies that ignore the realities of the world we live in are doomed to fail. This is true for just about all the biggest issues that we confront, from energy and climate to criminal justice, health and immigration. I’m not arguing that science dictate policy; considerations such as cost, practicality and morality also have a role. But scientific evidence should never be brushed aside from the political debate.

Segundo o relatório anual da EMCDDA, o organismo que monitoriza o consumo de drogas na UE, mais de um quinto dos Europeus já consumiram cannabis em alguma altura das suas vidas. O consumo desta droga ainda é elevado, segundo o relatório, mas está em declínio principalmente entre os jovens.

12112009_1

[Fonte: The Economist]

A procura do “Eleito”

Posted in notas ao café by JN on Novembro 12, 2009

Luojie_12112009_1
Luojie, «China Daily»

Ainda não há um nome para a Presidente da UE, mas a lista de nomes que, em princípio, não vão ocupar o cargo continua a aumentar: Tony Blair, Jean-Claude Juncker, David Miliband. Este último foi o próprio primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que o anunciou dizendo que o Sr. Miliband nunca foi um candidato a um alto cargo na UE. Para o Sr. Brown o Reino Unido no momento tem apenas um candidato, Tony Blair — o que parece ser desde já uma aposta perdida. O próprio Miliband diz estar comprometido com as próximas eleições e com a reeleição dos Trabalhistas. David Miliband até seria uma boa aposta; jovem, liberal, bem visto na Europa e em Washington, poderia ser uma mais valia.

Mas a procura de um nome continua e actualmente as apostas caiem em nomes que há partida ninguém considerava, como o italiano Massimo D’Alema ou o primeiro-ministro belga, Herman van Rompuy, como escreve a Der Spiegel:

[T]he list of names being bandied about remains unreliable. In filling posts in the past, the European Union has made a habit of pulling a surprise name out of the hat at the last possible moment. But it’s difficult to imagine a greater surprise than van Rompuy. Even in Belgium, the 62-year-old Christian Democrat is seen as being past his political prime. He was thrust back onto the governmental stage 10 months ago as a compromise candidate to put an end to the political chaos threatening to tear Belgium apart.

It wasn’t supposed to be this way. For months, many had assumed that former British Prime Minister Tony Blair had an inside track on the EU job. Many saw him as the kind of prominent elder statesman who could command instant respect and actively pursue EU interests abroad. Soon, however, it became apparent that EU heads of government were not interested in competing for attention with a political star like Blair. Furthermore, his support of former US President George W. Bush’s invasion of Iraq made him anathema to many EU leaders. At the EU summit at the end of October, consensus built that the first EU president should come from one of the smaller member states.

kountouris_12112009_1
Michael Kountouris, «Politicalcartoons.com»

Educação vs. conflitos

Posted in notas ao café by JN on Novembro 12, 2009

Um estudo do banco Mundial (pdf) conclui que os países com um taxa elevada de rapazes sem ou com pouco ensino secundário são mais propensos a conflitos internos. O estudo refere que uma das zonas do planeta onde este efeito mais se faz sentir é o continente africano, em especial a zona subsariana, o continente com o maior número de jovens e os mais baixos níveis de educação secundária masculina, com quase 30 pontos percentuais inferior à média mundial.

Este estudo pode ter várias implicações em programas e políticas educacionais. Programas que focam a educação primária, como o programa da UNESCO Educação Para Todos e o Millennium Development Goals, são importantes, mas terá que existir apoio para outros programas como o do Banco Mundial para a educação secundária em África.

fish_11112009_1
Mr. Fish, «LA Weekly»

Cassini & Saturno

Posted in fotografia ao café, notas ao café by JN on Novembro 10, 2009

10112009_1

Saturno, os seus anéis e algumas das suas luas são fotografadas pela sonda Cassini, a 12 de Agosto de 2009, a uma distância de cerca de 847 mil km do planeta. A foto foi tirada um dia e meio após o equinócio de Saturno, quando o Sol brilha directamente por cima do equador do planeta. (Foto: NASA/JPL/Space Science Institute).