Red List
Mais de um terço das 47,677 espécies de plantas e animais monitorizadas este ano pela International Union for Conservation of Nature foram consideradas em risco. A última edição da “Red List” da IUCN, contempla 17,291 espécies em algum de perigo. Este facto representa um aumento em relação a 2008, mas com mais espécies a serem monitorizadas a cada ano, mais se encontram em perigo. Cerca de 875 espécies estão consideradas extintas e 66 extintas em estado selvagem A perda de habitat ou alterações do mesmo são os principais responsáveis. Uma das seis espécies que este ano forma consideradas extintas no seu habitat natural é o sapo de Kihansi (Nectophrynoides asperginis); a última vez que um foi visto no seu habitat natural na Tanzânia, foi em 2004. O zoo de Toledo, no Ohio, é o único lugar do mundo onde ainda se pode ver esta espécie. Cerca de um terço de todos os anfíbios monitorizados pela IUCN estão ameaçados de extinção, embora este número seja muito pequeno em comparação com os três quartos de plantas ameaçadas de extinção.

[Fonte: The Economist]
Terras húmidas
As terras húmidas do mundo, segundo um estudo recente, são uma fonte de gases com efeito de estufa. Pântanos, prados turfosos e outras áreas sazonalmente inundadas emitem cerca de 1.3 mil milhões de toneladas de CO2 por ano, como resultado da actividade humana de drenagem que expões estas zonas ao efeito oxidante atmosfera. Este número não inclui o efeito do fogo utilizado na secagem destes pântanos, o que poderia duplicar este número. É esta pelo menos a conclusão de um relatório publicado pela Wetlands International esta semana. As zonas drenadas representam 0.3 por cento da superfície terrestre, mas são responsáveis por 6 por cento das emissões de CO2 originadas pela actividade humana. A Indonésia é o país que mais emite, mas os países mais ricos também têm a sua quota de responsabilidade. No entanto, o relatório entra em alguma contradição com as conclusões do estudo sobre desflorestação publicado, também esta semana, na Nature Geoscience. Neste último, o valor convencional para as emissões provocadas pela desflorestação representam 20 por cento das emissões provocadas pelo homem, mas no relatório da Wetlands International estas representam apenas 12 por cento. Em conjunto, os dois estudos sugerem uma visão mais alargada e que os esforços não sejam só dirigidos na protecção das florestas mas, também, das áreas pantanosas.

[Fonte: The Economist]
20 anos depois

Peray, «The Nation»
Passaram-se 20 anos desde a queda do Muro de Berlim; começou a ser derrubado na noite de 9 de Novembro de 1989, depois de 28 anos de existência. Foi o grande símbolo da “Guerra Fria” e da divisão do mundo em dois blocos. Figura central da época foi Mijaíl Gorbachov, que liderou a União Soviética entre 1985 e 1991. O Sr. Gorbachov assina um artigo no El país:
Hoy en día, mientras dejamos a las espaldas las ruinas del viejo orden, podemos pensar en nosotros mismos como activos participantes en el proceso de creación de un mundo nuevo. Muchas verdades y postulados considerados indiscutibles (tanto en el Este como en el Oeste) han dejado de serlo. Entre ellos estaban la fe ciega en el todopoderoso mercado y, sobre todo, en su naturaleza democrática. Había una arraigada creencia de que el modelo occidental de democracia puede ser difundido mecánicamente a otras sociedades cuyas experiencias históricas y tradiciones culturales son diferentes. En la situación presente, incluso un concepto como el del progreso social, que parece ser compartido por todos, necesita una información más precisa y una redefinición.
Wojciech Jaruzelski, o último dirigente comunista da Polónia, concede uma entrevista à Euronews onde fala da queda dos regimes no leste Europeu, principalmente na Polónia, e da queda do Muro. A introdução da Lei marcial no país, em 12 de Dezembro de 1981, foi a sua decisão mais difícil.
No openDemocracy, alguns comentadores reflectem sobre o legado de 1989; um ano em que o Muro caiu, dos acontecimentos em Tiananmen, a retirada da União Soviética do Afeganistão, o regresso da democracia ao Brasil.

Peray, «The Nation»
A líder da Europa

Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»
No Washington Post, Angela Merkel é merecedora dos elogios de Anne Applebaum. Esta escreve que a Chanceler alemão é mais do que isso: a Sra. Merkel, e sem ninguém reparar, tornou-se líder da Europa e a mulher mais poderosa do mundo:
[...] Under her watch, Germany has continued to grow more powerful, more influential, more dominant than ever before. Yet not only has no one noticed, they applaud and ask for more. If a bull-necked Helmut Kohl or a flashy Gerhard Schroeder were running Germany, there would be rising anxiety and mumbling about the Fourth Reich — just as there was 20 years ago, at the time of German reunification, when Kohl was still in charge. But Merkel provokes no jealousy or competitiveness among the alpha males who run large countries, and she inspires no fear among the citizens of smaller ones.
On the contrary, Germany even has good relations with most of its neighbors to the east, many of which are inclined to distrust Germans as a matter of principle. This is partly because she is so willing to show up when asked, and offer mild-mannered words of friendship and apologies for World War II. After which she returns home and works to make Germany stronger and more dominant in the region. And everyone smiles.
[...] If, in the coming months, she wants a bigger, louder role outside Germany, Merkel can probably have that, too. I’m not sure, though, that “big and loud” is quite her style. It’s equally possible that she will take over European foreign policy — but so quietly and so politely that no one will notice.
Dirk Kurbjuweit, na Der Spiegel, comenta que a silenciosa Angela Merkel, apesar de ter sido reeleita há poucos dias como Chanceler, já pensa na forma como será recordada pela História. Segundo Kurbjuweit, a Sra. Merkel sonha em imitar o seu modelo, Catarina II da Rússia, chamada a “Grande”, mas os seus contemporâneos preferem chamar a sua chanceler de “mãe” (mutti), algo que não parece agradar particularmente à Sra. Merkel:
[...] Both women had to establish themselves in an unfamiliar world, the German princess in Russia, which bore little resemblance to Europe, and Merkel, who grew up in the East German system, in unified Germany. Both women engaged in power struggles with the male establishment, and both prevailed.
Catherine deposed her husband and assumed the throne; he died in the process. Merkel pushed aside former Chancellor Helmut Kohl and others in her rise to the top, although they managed to escape with their lives. Both women were prepared to change their identities for the sake of power. Sophie changed her name to Catherine, which was more appropriate for Russia, and converted from Protestantism to the Russian Orthodox faith. Merkel, for her part, converted from neo-liberalism to social democracy.
[...] Merkel’s supporters reason that the nickname helps older male chauvinists like Michael Glos come to terms with her dominance. For them, it seems intolerable to be dominated by a woman, unless she is the type of woman who naturally assumes this role: the mother. Politicians of Glos’s sort find some consolation in the thought that even men like Julius Caesar and Winston Churchill were dominated by a mom, at least as children.
GM mantém a Opel

Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»
A decisão da General Motors em desistir da venda da Opel ao consórcio liderado pela Magna, provocou algum embaraço e irritação ao governo germânico e alarme nos operários da Opel. Depois de meses de negociação, e com um acordo pronto para ser assinado, a GM mudou de ideias no último momento e anunciou esta terça-feira que iria manter as suas operações na Europa, a Opel e a Vauxhall, excepto a Saab na Suécia.
O ministro da Economia alemão, Rainer Brüderle, considerou o o comportamento da GM “completamente inaceitável”. Os sindicatos do sector apelam à greve na Opel, com receio que a mudança de planos da GM, ao contrário dos da Magna, possa incluir despedimentos. A GM provavelmente irá pedir ajuda financeira para o seu plano de reestruturação; o governo da Sra. Merkel tendo assegurado, por escrito, que a ajuda que a UE ofereceu à Magna era extensível a qualquer um que se propusesse salvar a a Opel, não poderá deixar de aceitar este pedido.
Myanmar status quo

Peray, «The Nation»
Na Reuters escreve-se que eleições livres e consideradas legitimas União de Myanmar (antiga Birmânia), não serão possíveis sem a presença e a participação da líder da oposição, Aung San Suu Kyi:
[...] Deputy Assistant Secretary Scot Marciel, returning from a landmark two-day visit to the army-ruled country, said the release of the National League for Democracy (NLD) leader and other political detainees was critical for the polls to be considered fair and credible.
“I think an election without Aung San Suu Kyi and the NLD, it would be very hard to see that as credible,” Marciel told reporters in Bangkok.
The NLD, denied the chance to rule after a landslide win in the last elections in 1990, has yet to confirm whether it will participate in the polls.
“In the end, it’s up to Aung San Suu Kyi and the NLD to make that call,” Marciel said.
Suu Kyi, a Nobel Peace Prize winner held captive for 14 of the last 20 years, was offered a rare chance to meet NLD committee members on Wednesday, but declined because its detained vice-chairman, Tin Oo, was excluded, state television reported.
Itália condena era Bush

Bill Day, «The Commercial Appeal»
Em Itália, um tribunal condenou mais de vinte agentes da CIA, à revelia, e dois dos serviços secretos italianos pelo rapto de um clérigo egípcio em Milão, em 2003. Abu Omar foi levado para uma prisão no Egipto, onde ficou durante quatro anos tendo sido alvo de actos de tortura. A extradição dos antigos agentes americanos vai ser pedida a Washington.
Na Newsweek, Mark Hosenball e Michael Isikoff escrevem que esta condenação, além de ser um marco, tem vários aspectos a considerar. Em primeiro, representa o primeiro julgamento por um tribunal estrangeiro que considera que onde elementos ligados à administração Bush cometeram actos ilegais na luta contra o “terrorismo global”. Mesmo que nunca venham a cumprir a pena a que forma condenados, como será de esperar, estarão impedidos de viajar para a Europa no futuro. Em segundo, esta decisão coloca de novo em primeiro plano a controversa política de George W. Bush e Dick Cheney — a prática de rapto enevio para prisões fora de território americano — que o Presidente Obama não quer “condenar”, numa forma de não dividir ainda mais a América.

John Cole, «The Scranton Times-Tribune»
No GlobalPost, Michael Moran escreve que a “Guerra ao Terror” de George W. Bush pode ter caído em desuso com a actual administração, mas a actual condenação do tribunal italiano mostrou que não foi esquecida nem o será tão depressa como muitos americanos queriam e, como Hosenball e Isikoff, esta coloca um dilema ao novo Presidente:
[...] For President Obama, who may privately welcome the verdict, the case merely sharpens the dilemma facing his administration as he moves on several fronts to reverse what he has described as the overzealous policies of his predecessor. One of his first moves as president was to outlaw the transfer of detainees to countries where they might be tortured. But the executive order fell short of banning rendition, and a “special task force” created to recommend policy changes has yet to weigh in.

David Horsey, «Seattle Post-Intelligencer»
“Justiça Limpa”

4 de Novembro, Buenos Aires: O General Reynaldo Bignone, Presidente (de facto) da Argentina entre 1 de Julho de 1982 a 10 de Dezembro de 1983 e ex-comandante do exército, escuta seu advogado na sala do tribunal onde é acusado de crimes contra os Direitos Humanos durante a ditadura do regime militar, de 1976 a 1983. Bignone, de 81 anos, é acusado de sequestro e tortura de 56 pessoas detidas em centros de detenção secretos na base militar de Campo de Mayo, nos arredores de Buenos Aires, durante o período conhecido por “Guerra Suja” contra os membros da esquerda argentina. Além de ser acusado de sequestro e tortura, Bignone é também acusado de ter raptado os filhos a muitos destes prisioneiros. Outros cinco oficiais militares reformados também estão a ser julgados neste processo que se julga que irá decorrer até Março de 2010 (foto: Juan Mabromata/AFP/Getty Images).
Violência de novo em Teerão

Effat Mohamad (Egipto)
Durante uma manifestação oficial para comemoração do 30 anos da invasão da embaixada dos EUA no Irão, grupos de opositores ao regime invadiram as ruas de Teerão, entrando em conflito com a polícia e manifestantes pró-governamentais, entoado cânticos de “morte ao ditador”. Algo semelhante já tinha ocorrido em manifestações oficias pró-Palestina, em Setembro. David Montero escreve que esta nova manifestação mostra que o movimento de oposição ao regime está longe de ter desaparecido.
Para assinalar o mesmo aniversário, o Presidente Obama afirmou que o Irão tem escolher entre focar-se no passado ou abrir olhar par um novo futuro que trará mais oportunidades para o povo iraniano:
[...] Iran must choose. We have heard for thirty years what the Iranian government is against; the question, now, is what kind of future it is for. The American people have great respect for the people of Iran and their rich history. The world continues to bear witness to their powerful calls for justice, and their courageous pursuit of universal rights. It is time for the Iranian government to decide whether it wants to focus on the past, or whether it will make the choices that will open the door to greater opportunity, prosperity, and justice for its people

Stavro, «Al Balad» (Beirute)
Joshua Kucera, no True/Slant, escreve sobre esta manifestação e de todos os vídeos que foram parar à Internet publicados pelo Tehran Bureau. Num deles, os manifestantes parecem apelar ao Presidente americano.

Frederick Deligne
Maya Schenwar, na Truhout, escreve sobre um projecto de lei do Congresso americano que poderá forçar o Presidente Obama a a agravar as sanções contrao Irão, algo que o Presidente não está interessado no momento e que poderá prejudicar as negociações entre os dois países:
[...] Critics of the Foreign Affairs Committee legislation say it will allow Iran’s government to foment nationalist sentiments while eschewing the democratic fervor that emerged during the summer’s post-election protests. An op-ed by Rep. Keith Ellison, published in The Hill a week before the Committee vote, argues that sanctions will only unite the Iranian government and people against the United States.
“Increasing sanctions enables the Iranian president the opportunity to change the subject – from his failed policies to the nationalistic pride symbolized by nuclear energy,” Ellison writes.
Opposition to the sanctions is already mounting on all sides within Iran. Iranian Nobel Peace Prize winner Shirin Ebadi has noted that sanctions would persecute Iran’s poor and encourage solidarity with the government.
Também na Truthout, Cynthia Boaz entrevista Shirin Ebadi, uma advogada e activista pelos Direitos Humanos no Irão e Prémio Nobel da Paz de 2003, sobre a situação das mulheres no Irão e da sua luta pela democracia:
Václav rende-se
Václav Klaus, o Presidente da República Checa e o última das dores de cabeça de todos os líderes europeus pró-Tratado, assinou finalmente o Tratado de Lisboa, embora tenha mostrado que continua contra o principio do mesmo, como escreve o Irish Times:
[...] He finally capitulated after EU leaders gave Prague an exemption from a rights charter that he said would expose it to property claims from millions of Germans who were expelled from Czechoslovakia after the second World War. “I signed the Lisbon Treaty today,” Mr Klaus said after the constitutional court announced a decision he deplored as misguided and “political”.
“I had expected the court ruling and I respect it, although I fundamentally disagree with its content and justification . . . With the Lisbon Treaty taking effect, the Czech Republic will cease to be a sovereign state, despite the political opinion of the constitutional court.”
Fredrik Reinfeldt, o primeiro-ministro sueco (país que tem a presidência rotativa da UE), disse que o Tratado já pode entrar em vigor no próximo mês e que uma cimeira para eleger o primeiro Presidente da UE deve ser feita o mais cedo possível. Dá-se início à corrida para o Presidente — e já há um duelo, mas o Sr. Blair parte já a perder.

Brian Adcock, «The Scotland»
O prémio de uma acção correcta
“Devemos fazer tudo no sentido de sermos tão gratos quanto possível. A gratidão é um bem que nos pertence a nós, assim como a justiça (ao contrário do que vulgarmente se crê) tira o seu valor mais de si mesma do que da aplicação aos outros. Cada um de nós ao ser útil aos outros, é útil a si mesmo. Não digo isto no sentido de cada um pretender ajudar quando é ajudado, proteger quando é protegido, ou no sentido de que um bom exemplo acaba por redundar em benefício do seu autor (tal como os maus exemplos recaem nos seus autores – e por isso ninguém tem pena das vítimas de injúrias que as próprias vítimas, por também as fazerem, mostram ser possíveis); quero, sim, dizer é que a recompensa de todas as virtudes reside na sua prática! Não é com vista a obter uma recompensa que nós as praticamos: o prémio de uma acção correcta é essa mesma acção! Eu não me mostro grato para que um outro, levado pelo meu exemplo, me faça um favor de melhor vontade, mas porque a gratidão provoca um sentimento da mais pura e bela alegria. Não me mostro grato porque isso me possa ser útil, mas sim porque me dá prazer.”
Séneca, in «Cartas a Lucílio»

Ed Stein, «edsteinink.com»
Merecer ou não merecer…

Rob Rogers, «Pittsburgh Post-Gazette»
No Bill Moyers Jounal, Moyers começa a sua entrevista a James Galbraith, Professor de Economia na LBJ School of Public Affairs da Universidade do Texas, dizendo que os americanos estão irritados com os bancos, para tal bastaria escrever no Google “I hate banks” e verificar o resultado — acredito que não seja só na América.

Randy Bish, «Tribune-Review»
Na Time, Allan Sloan, que como Moyers aproveitou a reunião anual da Associação dos Banqueiros Americanos e os protestos em frente da mesma para pano de fundo, escreve sobre o que ainda está de errado com Wall Street; a banca recebeu milhões do dinheiro dos contribuintes e voltou aos vícios antigos, distribuindo bónus milionários enquanto muitos dos seus “salvadores” continuam em situação desesperada:
Are you furious? If not, you should be. The giant financial institutions that make up Wall Street have been bailed out, thanks to trillions of dollars of our money, and are on track to hand out record-breaking multibillion-dollar bonuses while millions of regular folks are hurting. [...]
Unemployment is marching toward 10%, and house foreclosures are still rising. If you’re a day late with your credit-card payment or overdrawn by a few bucks on your ATM card, the bank (which your tax money helped bail out) is still sticking you with obscene fees and charges. Hence the question that so many of us are asking: Where’s my bailout?
Welcome to Round 2 of Main Street vs. Wall Street. The divide is the worst I’ve seen in my 40 years of writing about finance. In a new TIME poll, 75% of the respondents say they believe Wall Street will revert to business as usual, 67% want the government to force pay cuts, and 59% want more government regulation.

Bob Englehart, «The Hartford Courant»
Justin Fox, também na Time, questiona-se se os gestores financeiros merecem o que ganham, e, se este valor será ou não uma necessidade económica como defendeu Brian Griffiths, do Goldman Sachs International. A conclusão a que Fox chega é (quase) nenhuma:
[...] So we’d probably be better off with a smaller, less-well-remunerated financial industry than the one we’ve had. Exactly how much smaller? “I’ve done what I could, but it’s not like I’ve found the right formula, that finance should be 6.65% of GDP,” jokes Philippon. As for Blankfein and Griffiths, they clearly need to come up with a better formula for defending their paychecks.

Clay Bennett, «Chattanooga Times Free Press»
O recado a Karzai

Cardow, «The Ottawa Citizen»
O Presidente Obama e os seus aliados não deixaram qualquer dúvida do que pretendem de Hamid Karzai, depois deste ter sido declarado vencedor por desistência do adversário. E na sua conferência de imprensa, o Sr. Karzai parece ter entendido o recado: afirmou que irá erradicar a corrupção que alastra no seu governo e que iria formar um governo para todos os afegão, numa tentativa de acabar com as divisões étnicas no país. Apelou inclusive ao que ele chamou os “seus irmão Taliban” para se juntarem a esta causa. Quanto ao seu opositor, Abdullah Abdullah, o Presidente lamenta que este tenha desistido das eleições, afirmando que teria sido melhor para o país e para o processo democrático se o Sr. Abdullah tivesse participado.

Jim Morin, «The Miami Herald»
Mas o ocidente, ao mesmo tempo, mostrou que ele será julgado nao pelas suas palavras mas sim pelas suas acções e que, em especial, o grau de compromisso do ocidente e o número de militares presentes no país irão agora depender dele.
Entretanto, os Taliban reclamam vitória pelo cancelamento das eleições já que este facto mostra que tiveram sucesso em perturbar e desacreditar internacionalmente o processo eleitoral, um símbolo e uma arma do poder estrangeiro no país, segundo eles.

Dick Locher, «Chicago Tribune»
Para Michael Boyle, no The Guardian – em sintonia com Matthias Gebauer na Der Spiegel -, a declaração de vitória de Hamid Karzai é um desastre para o esforço dos americanos e britânicos em encontrar um meio para terminar a sua quase eterna missão no Afeganistão; mais uma vez a comparação com o Vietname do Presidente Lyndon Baines Johnson surge:
The belated declaration of Hamid Karzai as the winner of Afghanistan’s election is a disaster for American and British efforts to find a way out of their never-ending mission there. An election that had been designed to bolster the legitimacy of the Afghan government has had precisely the opposite effect, producing a president elected only through widespread and systematic fraud. Worse still, a counter-insurgency strategy dependent on improving the legitimacy of the Afghan government has foundered as the US finds itself in a similar position to the one it faced in South Vietnam: supporting an illegitimate government with a diminishing ability to control its own territory, all the while trying to find a way not to lose the war. [...]
To avoid the Saigon trap, the US needs to seek ways to restore its leverage over the Karzai government. At present, the US is punching beneath its weight in Afghanistan – precisely because the mission is so important. Obama has called Afghanistan the “necessary war” and promised to redouble efforts to repair its governance and beat back the Taliban insurgency. But the perverse consequence of throwing his full support behind Nato efforts was to signal to the Afghan government that the US could not afford to lose, thus undercutting American leverage in the region where it is needed most. [...]

Steve Benson, «Arizona Republic»
Quotidianos (9)

30 de Outubro: Silvia Bakalova, uma muçulmana búlgara, é alvo dos cuidados por parte de outras mulheres durante a cerimónia do seu casamento, em Draginovo, Bulgária (foto: Nicolay Doychinov/APF/Getty Images)

31 de Outubro: Milhares de chineses reúnem-se para uma feira de hot pot, o fondue chinês — na China denomina-se huoguo — na cidade de Chongqing, província Sichuan no sudoeste da China. O hot pot de Sichuan é extremamente apreciado, especialmente nos meses de Inverno, e tem uma História gastronómica de cerca de 1700 anos, desde a Dinastia Jin (foto: APF/Getty Images).

1 de Novembro: Uma mulher cospe álcool a um cavalo enquanto este é preparado para a tradicional corrida do Dia de Todos os Santos em Todos Santos, Guatemala (foto: Daniel LeClair/Reuters).

1 de Novembro: Com o fim de uma noite de festejos com alguma bebida e dança, um grupo de cavaleiros prepara-se para a tradicional corrida do Dia de Todos os Santos em Todos Santos, Guatemala (foto: Daniel LeClair/Reuters).

1 de Novembro: Um vendedor de rua percorre um cemitério no Dia de Todos os Santos nos arredores da cidade de Lima, no Peru (foto: Mariana Bazo/Reuters).

2 de Novembro: Uma vendedora cose num bazaar em Herat, Afeganistão (foto: Morteza Nikoubazl/Reuters).

2 de Novembro: Um rapaz vende balões no mercado principal de Cabul, Afeganistão (foto: Oleg Popov/Reuters).

2 de Novembro: No centro de Bagdad, um polícia iraquiano guarda o que resta de um infantário para os filhos das mulheres que trabalham no Ministério da Justiça que foi destruído por um ataque suicida na semana passada (foto: Ahmad al-Rubaye/APF/Getty Images).

2 de Novembro: Ajmal senta-se no chão de uma morgue nos arredores de Islamabad junto do corpo do seu irmão, morto num ataque bombista em Rawalpindi. Segundo fontes oficiais, este ataque matou cerca de 24 pessoas (foto: Faisal Mahmood/Reuters).
40 anos depois

Joe Heller, «Green Bay Press-Gazette»
Leonard Kleinrock foi um dos homens que pôs os computadores a comunicar entre si. Em 1969 enviou o primeiro e-mail da História para o Instituto de Pesquisa de Stanford, na Califórnia. Nascia aquilo a que chamamos Internet e Kleinrock é considerado um dos pais da mesma. A AlterNet transcreve um artigo da Agence France Presse sobre a celebração dos 40 anos, onde Leonard Kleinrock esteve presente, deste “elemento democratizante”:
[...] “There is going to be an ongoing controversy about where we have been and where we are going,” said Arianna Huffington, co-founder of the popular news and blog website that bears her name.
“It is not just about the Internet; it is about our times. We are going to need desperately to tap into the better angels of our nature and make our lives not just about ourselves but about our communities and our world.”
Huffington was on hand to discuss the power the Internet gives to grass roots organizers on a panel with Kleinrock and Social Brain Foundation director Isaac Mao.
“The Internet is a democratizing element; everyone has an equivalent voice,” Kleinrock said. “There is no way back at this point. We can’t turn it off. The Internet Age is here.”
Kleinrock never imagined Facebook, Twitter, or YouTube that day four decades ago when his team gave birth to what is now taken for granted as the Internet.
[...] Kleinrock, who is now 75, sees the Internet spreading into everything.
“The next step is to move it into the real world,” Kleinrock said. “The Internet will be present everywhere. I will walk into a room and it will know I am there. It will talk back to me.”
News Corp. e o mundo novo

RJ Matson, «St. Louis Post-Dispatch»
A News Corporation de Rupert Murdoch é um dos maiores grupos de media do mundo com 200 jornais; ao grupo pertencem entre outros o Sun e o Wall Street Journal,que será um dos poucos jornais do mundo que cobre pela maior parte dos seus produtos e serviços online. Devido aos problemas financeiros em que a maior parte da imprensa se enconta nos dias de hoje, Rupert Murdoch já afirmou que possivelmente o método do WSJ será alargado ao restante grupo. O grupo é também um dos mais controversos. James Murdoch, filho de Rupert Murdoch e o possível herdeiro do grupo, concede uma entrevista à Der Spiegel onde a relação dos media com a Internet não faltou. Para James Murdoch a transformação digital não é o futuro, é a realidade:
[...] SPIEGEL: On the Internet, you have, for the most part, been giving your content away so far. Your father recently announced that News Corp. would soon be demanding money for the Web sites of its newspapers. Why do you believe that you will be able to re-educate readers after all these years of free content?
Murdoch: No one has claimed that it will be easy. But we have a good chance for success because we believe our content is genuinely distinctive. However, digital journalism is more than just a Web site: there are app stores for the iPhone and the Blackberry; there are digital reading devices, whose displays have been getting better and better. Perhaps the Kindle might still not be quite ready yet, but the technology is progressing quickly. Apple will be bringing out a reader. These all provide a unique opportunity to change our business model.
SPIEGEL: You yourself once said, though, that you don’t draw a distinction between bloggers and journalists. If that is the case, why should people be asked to pay for professional journalism?
Murdoch: It is not my place to distinguish between a card-carrying member of the Foreign Correspondents Club and someone who writes from home. Each customer decides what he or she would rather read. As an executive and investor, I attempt to obtain the best content and then to bundle it in a package — and that costs money. However, I would feel very uncomfortable if the journalism profession were left to hobby writers — that would mean it would be practiced only by the idle or the rich. The democratization of journalism via the Internet is a really good thing, but it should not lead to a situation where people are no longer paid for their creative achievements — regardless of whether they are a blogger or a journalist.

Milt Priggee
NY Times vs. Huffington Post

Chappatte, «Courrier International»
Um problema que se espalha um pouco por todo o mundo: a venda de jornais está em queda — Portugal não está em situação diferente, como se pode ler no Jornal de Negócios e no Público. Esta queda trás consigo menos publicidade e os problemas financeiros de muitos gigantes não foram de esperar, como foi o caso do New York Times. O mundo online terá a sua quota parte de responsabilidade; sejam da responsabilidade de jornais ou independentes, os sites dedicados às notícias atraem muitos leitores que assim dispensarão as edições em papel. Além dos sites de jornais, estes são ainda obrigados a enfrentar a concorrência de publicações online como o The Huffington Post, sites dedicados a notícias como o Google News (em várias línguas) ou o Yahoo! News que são basicamente agregadores de notícias.

Jeff Stahler, «The Columbus Dispatch»
É neste contexto, e num quase vazio legal, que uma guerra foi declarada ao The Huffington Post pelo NY Times, por concorrência desleal e uso ilegal dos conteúdos deste jornal, como escreve Douglas A. McIntyre no 24/7 Wall St.:
[...] The print publishers have begun to mumble more often that Google News, The Huffington Post, and The Daily Beast are taking unfair and illegal advantage of them by using the print media’s carefully reported stories as content to build their aggregation sites. The legal issues are engulfed in a fog. Fair Use laws slightly favor the aggregators, but that is only based on the very small amount of aggregation done in the press a decade ago. Wholesale aggregation of content that is expensive to produce and requires extraordinary skill and experience to report has never been seen on the current scale because it only began two or three years ago.
[...] The copyright and fair use laws may be too ill-defined for old media to make a strong case. Worse, the laws may protect and further the cause of the aggregators. There is clearly no substantial precedent to help old media companies or they would have taken advantage of it long ago.
The point at which old media may be forced to take legal action is coming soon, even if it does not have a strong case. The Huffington Post recently passed The Washington Post and LA Times in terms of the visitors each has to its website each month. Huffington’s revenue is rumored to be small, perhaps as little as $8 million this year. As that number grows, it will take more advertising share from its old media rivals.
Um novo começo

“The World Is Ruled and Governed by Opinion” é a visão, cínica, de Henry Peacham sobre o negócio do jornalismo (1641).
Escreve Daniel Oliveira sobre a nova era do jornal Público:
[...] Quando o “Público” nasceu foi uma excelente notícia: era um jornal que nascia da cabeça e de um projecto de jornalistas que só depois foram bater à porta de empresários para procurar financiamento. Dava centralidade ao internacional, contrariando a lógica provinciana da nossa imprensa. [...] Era rigoroso e eticamente exigente. Tudo isso, ao longo dos anos, se foi perdendo. Mas foi com José Manuel Fernandes que a degradação atingiu níveis insuportáveis.
[A] degradação do jornalismo em Portugal levou a uma degradação dos próprios leitores e da forma como olham para o papel da comunicação social. Se se ataca o governo é porque se está ao serviço do patrão. Se não se ataca é porque se está domesticado pelo poder. E não há mais possibilidades. Mesmo sabendo-se claramente de que família política era Vicente Jorge Silva (até veio a ser deputado), alguém se atreveria a dizer que ele, enquanto director, estava ao serviço de um partido? Foram homens como José Manuel Fernandes e João Marcelino que ajudaram a que muitos leitores fossem incapazes de olhar para os jornalistas com pessoas que, tendo as suas posições políticas, fossem autónomas de outros poderes. Por uma razão simples: nem um nem outro o são. Mas isso não é extensível a todos os jornalistas. Por isso nunca alinhei nas teorias da conspiração em relação ao “Público”. Porque sei que há muitos jornalistas que não aceitam encomendas. Outros, infelizmente, sim. E que, com todos os seus defeitos, desde o seu nascimento até hoje, independentemente dos directores (e até da sua vontade), a redacção do “Público” foi sempre aquela onde, entre os jornais diários, se respirou mais liberdade e autonomia dos jornalistas.
A lei do universo
«A lei do universo baseia-se sobre o concurso destes dois grandes agentes: a luta pela vida e a selecção natural. A luta pela vida é o estado permanente de todos os seres, para os quais a criação é uma eterna batalha. A sorte do conflito decide-a a selecção natural. Como? Fixando na espécie, pela adaptação ao meio, os seres mais fortes, e expulsando os seres inferiores. Por isso o professor Haeckel affirma: “A teoria de Darwin estabelece que nas sociedades humanas, como nas sociedades animais, nem os direitos, nem os deveres, nem os bens, nem os gostos dos membros associados podem ser iguais.” Ora o que é que estabelece o Direito? O Direito estabelece precisamente o contrario disso: a igualdade dos deveres recíprocos para a mais equitativa distribuição dos bens.
O Direito portanto não só não é uma emanação da lei natural, mas é uma reacção contra essa lei. A natureza é o triunfo brutal decretado ao forte. A sociedade é a protecção consciente assegurada ao fraco. A criação funda a luta pela vida. A sociedade organiza o auxílio pela existência.
Uma civilização é tanto mais adiantada quanto mais ela submete ao seu domínio as fatalidades naturais. E é assim que o homem, de conquista em conquista, chegará um dia, como diz Büchner, ao paraíso futuro, ao paraíso terreal, de onde não veio mas para onde vai, e que não é um dom divino primitivo mas o fruto derradeiro do trabalho humano.»
Ramalho Ortigão, in «As Farpas»

Justice
Michael Kountouris, «Politicalcartoons.com»
Cenas de Outono

Um grupo de grous-comuns reúne-se à primeira luz do dia num lago do estado alemão de Brandeburgo, perto de Berlim. Entre Setembro e Novembro de dezenas de milhares destas aves irão utilizar esta área rural como ponto de paragem, durante a sua migração desde a Escandinávia e a Europa Oriental até os seus refúgios de Inverno em Espanha (Foto: Thomas Krumenacker/Reuters).

No Parque de Aurach, perto de Kitzbuehel na província austríaca de Tirol, um veado faz-se ouvir (Foto: Kerstin Joensson/AP Photo)

Um bando de gansos-de-bico-curto voa no luar preparando-se para aterrar na reserva natural Vane Farm, perto de Loch Leven, Escócia. Cerca de 20 mil gansos-de-bico-curto param nesta reserva todos os anos, na sua migração para o sul desde a Islândia (foto:David Moir/Reuters).

O nevoeiro levanta-se sobre um lago numa manhã em Highlands, Nova Iorque (Foto: Mike Groll).

Folhas e cores de Outono encontram-se com a primeira neve, em Franconia, New Hampshire (Foto: Jim Cole/AP Photo).
Pontos de observação
“Quando já se viveu por muito tempo numa civilização específica e com frequência se tentou descobrir quais foram as suas origens e ao longo de que caminho ela se desenvolveu, fica-se às vezes tentado a voltar o olhar para outra direcção e indagar qual o destino que a espera e quais as transformações que está fadada a experimentar. Logo, porém, se descobre que, desde o início, o valor de uma indagação desse tipo é diminuído por diversos factores, sobretudo pelo facto de apenas poucas pessoas poderem abranger a actividade humana em toda a sua amplitude. A maioria das pessoas foi obrigada a restringir-se a somente um ou a alguns dos seus campos. Entretanto, quanto menos um homem conhece a respeito do passado e do presente, mais inseguro terá de mostrar-se o seu juízo sobre o futuro. E há ainda uma outra dificuldade: a de que precisamente num juízo desse tipo as expectativas subjectivas do indivíduo desempenham um papel difícil de avaliar, mostrando ser dependentes de factores puramente pessoais de sua própria experiência, do maior ou menor optimismo da sua atitude para com a vida, tal como lhe foi ditada pelo seu temperamento ou pelo seu sucesso ou fracasso. Finalmente, faz-se sentir o facto curioso de que, em geral, as pessoas experimentam o seu presente de forma ingénua, por assim dizer, sem serem capazes de fazer uma estimativa sobre o seu conteúdo; têm primeiro de se colocar a uma certa distância dele: isto é, o presente tem de se tornar o passado para que possa produzir pontos de observação a partir dos quais elas julguem o futuro.”
Sigmund Freud, in «O Futuro de uma Ilusão»

Angel Boligan
Abdullah desiste

Jim Morin, «The Miami Herald»
O candidato à presidência do Afeganistão Abdullah Abdullah desistiu da segunda volta, este domingo, acusando o governo do Presidente Hamid Karzai de não ter assegurado as condições para umas eleições justas. A retirada do Sr. Abdullah deixa no ar a dúvida sobre a legitimidade das próximas eleições e o futuro das mesmas. Ao mesmo tempo, um governo enfraquecido do Presidente Karzai é também um revez para a administração Obama, numa altura em que o presidente tem que decidir se envia ou não mais 40 mil militares para o país.
Segundo as autoridades encarregues de organizar a supervisionar as próximas eleições, esta irão realizar-se na data prevista, com os dois candidatos a aparecerem nos boletins de voto, mas com Hamid Karzai como único candidato. Desta forma, o actual Presidente afegão assegura um novo mandato.

John Sherffius, «Boulder Daily Camera»
No Informed Comment, Juan Cole escreve:
[...] Secretary of State Hillary Clinton implausibly maintained that Abdullah’s withdrawal will not affect the legitimacy of the Afghanistan presidential election.
Since President Obama had put off making a decision on his Afghanistan policy until he saw the results of the planned November 7 runoff, Abdullah’s decision puts Washington in an awkward position. Abdullah is said to be seeking to postpone the runoff until spring, 2010, which would much extend the period of instability. In contrast, Clinton seems to be crowning Karzai the winner by virtue of Abdullah’s withdrawal. But the Karzai presidency has been badly if not unalterably wounded by the ballot fraud practiced in August, and of which the retention of the same electoral commission would guarantee a repetition.
And here is what I take away from all this. The debate in Washington has been over a counter-insurgency campaign versus a limited counter-terrorism campaign. Counter-insurgency implies a certain amount of state-building. Counter-terrorism implies that state-building is impossible or very, very difficult. Clinton backs counter-insurgency, while Vice President Joe Biden supports counter-terrorism.
The reason Clinton is so eager to insist that Karzai’s election is legitimate despite its obvious illegitimacy is that Abdullah’s withdrawal puts paid to the idea that there is a plausible Afghan government partner for US counter-insurgency. There is not.

Robert Ariail, «The State»
It’s not our war. It is your war…

“Aid to Pakistan”
Stephane Peray, «The Nation» (Tailândia)
De visita ao Paquistão, a Secretária de Estado Hillary Clinton, encontra dificuldades na sua missão e em convencer boa parte dos paquistaneses que os EUA e o Paquistão têm um inimigo comum. Acima de tudo, a Sra. Clinton foi confrontada com um enorme sentimento anti-americano a que as mortes civis provocadas pelos militares ocidentais não será completamente alheio:
[...] Prominent women and tribesmen from the North West Frontier Province delivered the same hostile message that she’d heard the two preceding days from students and journalists: Pakistanis aren’t ready to endorse American friendship despite an eight-year-old anti-terrorism alliance between the countries and a multi-billion-dollar new U.S. aid package.
Clinton put her case directly to the public Friday in televised appearances in Islamabad, the Pakistani capital, fielding angry questions about the alleged activities of U.S. contractor Blackwater in Pakistan, the tough conditions that came with a $1.5 billion-a-year American aid package and alleged U.S. favoritism toward Pakistan’s archenemy, India.
One tribesman bluntly told her: “Your presence in the region is not good for peace.”
“We are fighting a war that is imposed on us. It’s not our war. It is your war,” journalist Asma Shirazi told Clinton during the women’s meeting. “You had one 9-11. We are having daily 9-11s in Pakistan.”
[...] Questions about U.S. drone attacks in Pakistan — conducted by the CIA — dogged Clinton’s visit, and it was the one issue on which she had no answer in her otherwise forthright response to criticism.
One furious woman in the audience equated those killed in the drone strikes with victims of terrorist bombings.
“There is a war going on” was the justification Clinton offered for the missile strikes on suspected militants, saying she couldn’t comment further as it was a military-to-military issue. [...]

Stephane Peray, «The Nation»
Alarmismo nuclear

John Sherffius,«Boulder Daily Camera»
John Mueller, na Foreign Policy, escreve “The Rise of Nuclear Alarmism”, como aprendemos o medo das armas nucleares, porque não as devemos temer e sobre o pequeno impacto que estas tiveram no curso da História. Se Albert Einstein disse que as armas nucleares mudaram tudo menos a nossa forma de pensar, Mueller diz que essas mesmas armas pouco mudaram o mundo, menos a nossa forma de pensar, além de terem sido uma ridícula forma de gastar preciosos recursos. Muller escreve a desnuclearização do mundo é algo inevitável:
[...] Nuclear weapons are, of course, routinely given credit for preventing or deterring a major war, especially during the Cold War. However, it is increasingly clear that the Soviet Union never had the slightest interest in engaging in any kind of conflict that would remotely resemble World War II, whether nuclear or not. Its agenda mainly stressed revolution, class rebellion, and civil war, conflict areas in which nuclear weapons are irrelevant.
Nor have possessors of the weapons ever really been able to find much military use for them in actual armed conflicts. [...]
In fact, a major reason so few technologically capable countries have actually sought to build the weapons, contrary to decades of hand-wringing prognostication, is that most have found them, on examination, to be a substantial and even ridiculous misdirection of funds, effort, and scientific talent.
[...] The result was a colossal and absurd waste of funds. During the Cold War alone, it has been calculated, the United States spent enough money on these useless weapons and their increasingly fancy delivery systems to have purchased somewhere between 55 and 100 percent of everything in the country except the land.
[...] Today, alarm is focused on the even more pathetic regime in North Korea, which has now tested devices that if detonated in the middle of New York’s Central Park would be unable to destroy buildings on its periphery. There is even more hysteria about Iran, which has repeatedly insisted that it has no intention of developing the weapons. If that regime changes its mind or is lying, it is likely to find that, except for stoking the national ego for a while, the bombs are substantially valueless, a very considerable waste of money and effort, and “absolute” primarily in their irrelevance.
As for the rest of the world, the nuclear age is clearly on the wane. [T]he former contestants in the Cold War have reduced their nuclear warheads by more than 50,000 to around 18,000. Other countries, like France, have also substantially cut their nuclear arsenals, while China and others have maintained them in far lower numbers than expected.
Iraque nuclear
Há 28 anos Israel lançou um ataque aéreo contra o reactor nuclear de Osirak, perto de Bagdad, com receio da possibilidade de um Iraque nuclear. Cerca de 19 anos atrás, a ONU impôs uma série de sanções económicas contra o Iraque, afirmando que o programa nuclear deste país precisava de supervisão. E sete anos atrás o então Presidente americano, George W. Bush, afirmava que um Iraque com acesso a armas de destruição massiva, incluindo tecnologia nuclear, poderia desencadear uma intervenção militar americana, algo que viria de facto a acontecer, embora o Iraque não tivesse nenhuma das tecnologias.
Agora, e seis anos depois da invasão no Iraque, este país através da ONU e da Agência Internacional de Energia Atómica, tenta obter apoio e permissão para a construção de reactores nucleares.
A 20 de Outubro deste ano, a Foreign Policy publicava uma lista com os países que pretendem aderir ao clube nuclear e que, segundo a FP, as consequências de tal é algo que o mundo deveria temer. Dado o actual panorama político do Iraque, provavelmente terão que adicionar mais um a essa lista.

Andy Singer, «No Exit»
A resposta do Irão

Hasan Bleibel, «Al-Mustakbal»
Representantes do governo americano e da UE afirmaram ao New York Times que o Irão rejeitou o acordo internacional negociado na semana passada, que envolvia o envio do urânio iraniano para ser enriquecido em outros países, como a Rússia e a França. Este facto acontece depois do Presidente Mahmoud Ahmadinejad ter elogiado o espírito de cooperação da comunidade internacional sobre o tema nuclear iraniano. Agora os negociadores dizem que o Irão rejeita o ponto principal do acordo, o envio do urânio para o estrangeiro. Ponto que não será apenas o principal mas sim o próprio acordo.

Bob Gorrell, «Creators Syndicate Inc.»
Na Time, Andrew Lee Butters escreve que a resposta do Irão — que seria esperada — cria um impasse difícil de ultrapassar e que o grande vencedor do acordo de Viena poderá ser Israel, que sempre se mostrou céptico sobre este acordo ou sobre as intenções do Irão:
[...] The Obama Administration had hoped the deal would buy more time for its engagement strategy, particularly with Israel threatening to launch a military attack if diplomatic measures failed to stop Iran’s enrichment program in the near future. Iran’s reported response could be a significant setback, forcing the Administration to either seek new sanctions or to redouble its diplomatic efforts to forge cooperation on the nuclear question and other regional issues.
The biggest winner if the Vienna agreement collapses could be Israel, whose leaders had been publicly skeptical of the deal for its failure to address the question of ongoing Iranian enrichment. Israeli leaders also feared that a deal offering cooperation and further safeguards but not removing from Iran the capability to build a bomb would leave Israel’s more hardline position internationally isolated. Israeli military officials heaped scorn on Iran’s counter-proposal. “We hope Obama won’t play the village idiot and accept,” a senior Israeli military source told TIME. “This is bazaar bargaining at its best. It takes the essence out of the ability to control and supervise Iranian enriched uranium.” But Iran’s negative response may have reassured the Israelis. After a week in which his Defense Minister had questioned the deal, Prime Minister Benjamin Netanyahu on Friday called it a “positive first step” — which, of course, Iran appears unwilling to take.
Danny Macaskill em Lisboa.
Danny Macaskill num pequeno filme comercial para a Volkswagen, na cidade de Lisboa.
As “piadas” de Krauthammer

Bill Day, «The Commercial Appeal»
No Washington Post, Charles Krauthammer — que não é desprovido de sentido de humor, devo confessar — escreve:
Old Soviet joke:
Moscow, 1953. Stalin calls in Khrushchev.
“Niki, I’m dying. Don’t have much to leave you. Just three envelopes. Open them, one at a time, when you get into big trouble.”
A few years later, first crisis. Khrushchev opens envelope 1: “Blame everything on me. Uncle Joe.”
A few years later, a really big crisis. Opens envelope 2: “Blame everything on me. Again. Good luck, Uncle Joe.”
Third crisis. Opens envelope 3: “Prepare three envelopes.”
In the Barack Obama version, there are 50 or so such blame-Bush free passes before the gig is up. By my calculation, Obama has already burned through a good 49. Is there anything he hasn’t blamed George W. Bush for? The economy, global warming, the credit crisis, Middle East stalemate, the deficit, anti-Americanism abroad — everything but swine flu.

Mike Lester, «Rome News Tribune»
Charles Krauthammer é um dos mais influente comentadores políticos da ala conservadora americana. Escreve regularmente no Washington Post e as suas colunas são publicadas em cerca de 200 jornais. Krauthammer concedeu uma entrevista à Der Spiegel onde os comentários negativos ao Presidente Obama não são de estranhar. No entanto, há dois que são curiosos e mostram que o Sr. Krauthammer nem sempre é um homem atento ao mundo — ou em certos assuntos não o quer ser. Num deles ele afirma que os Europeus admiram Barack Obama porque ele, de certa forma, representa o declínio americano; talvez seja o contrário, talvez os Europeus vejam em Obama o fim desse mesmo declínio. O segundo também não deixa de ser curioso; recorrendo a uma piada antiga — Charles Krauthammer parece gostar delas — compara o Presidente americano ao Brasil; o país do futuro e que será sempre apenas isso:
[...] He is a man of perpetual promise. There used to be a cruel joke that said Brazil is the country of the future, and always will be; Obama is the Brazil of today’s politicians. He has obviously achieved nothing. And in the American context, to be the hero of five Norwegian leftists, is not exactly politically positive.
Portanto o Brasil não conseguiu nada, apenas um dos maiores milagres económicos dos últimos anos. A importância do Brasil nos dias de hoje faz com o Presidente Lula da Silva e o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Celso Amorim, sejam uma presença obrigatória e influente em qualquer cimeira mundial — David J. Rothkopf chama a Celso Amorim o melhor ministro dos Negócios Estrangeiros do mundo. Se Barack Obama for como o Brasil, os EUA só têm a ganhar.

John Darkow, «Columbia Daily Tribune»
Acordo nas Honduras
Nas Honduras foi conseguido um acordo que poderá reconduzir o deposto Presidente, Manuel Zelaya, novamente no poder. O governo interino de Roberto Micheletti assinou um acordo com o Sr. Zelaya que colocará o destino político deste nas mãos do Congresso hondurenho, composto maioritariamente por fieis a Roberto Micheletti. Caso o Congresso vote favoravelmente a Manuel Zelaya, este terá de novo a presidência do país até às eleições de 29 de Novembro.

Arcadio, «La Prensa»
Todos estão optimistas, a começar pelo próprio Manuel Zelaya que afirma que não tem planos para se candidatar, algo que segundo a actual constituição do país o proíbe – proibição que foi o início de toda esta crise nas Honduras -, mas está confiante que irá retornar ao cargo do qual foi deposto, condição quase essencial para muitos países reconhecerem as eleições, como escreve Sara Miller Llana no The Christian Science Monitor:
[...] The deal would include the creation of a powersharing government and the promise on both sides that presidential elections slated for Nov. 29 will be respected. It also would establish a truth commission and signal an end to international sanctions – slapped on Honduras by countries, including the US –in protest of Zelaya’s removal from office.
[...] The difference now is that Micheletti is signaling that Zelaya could return to the helm of Honduras, pending a decision by Congress. That is a plan that Zelaya had supported.
But Micheletti also says the Supreme Court must first weigh in. The court had ordered the original arrest warrant for Zelaya, for disobeying a court order to scrap a vote to consider a constituent assembly. And Congress voted to remove Zelaya from office. Even members of Zelaya’s political party feared that he was ultimately seeking to modify presidential term limits for presidents. Zelaya denies that was his motive.
Zelaya’s team has not commented on the deal, but the leader said on Radio Globo Thursday night that “tomorrow will be the day that the plan will be signed to restore democracy to the country.”
Many nations have threatened not to recognize the Nov. 29 race if Zelaya is not first returned to office.


