Notas ao café…

Controlar os bancos

Publicado em notas ao café por JN, em Dezembro 29, 2009


Olle Johansson

Londres lidera a batalha contra os exagerados bónus atribuídos pelos bancos aos seus gestores e líderes de todo o mundo discutem, agora, formas de acabar com as práticas dos bancos que provocaram a actual crise financeira. Como escreve a Der Spiegel, consideram ao mesmo tempo formas dos bancos compensarem os danos que provocaram:

[...] In the CBS interview, Obama angrily addressed the bankers, saying: “You guys are drawing down $10 (million), $20 million bonuses after America went through the worst economic year that it’s gone through in decades, and you guys caused the problem.”

It is the high salaries, in particular, that draw the rage of politicians and citizens alike. And they have precipitated a global debate about how a stop can be put to the way bankers operate. How can they be forced to assume fewer risks? And how the people that caused the crisis be forced to bear more of its costs?

Still, all of the efforts that politicians have made to regulate the financial markets at the international level haven’t borne much fruit. Now, Great Britain, of all places, is surging ahead with a special tax of 50 percent. And there’s no doubt that it has something to do with the fact that Prime Minister Gordon Brown might be ushered out of office by elections scheduled for early next year. Soon after Brown’s announcement, French President Nicolas Sarkozy got on the bandwagon and annnounced that his country would follow the British example.

This push for reform is just as contested as all the other proposals. These include a tax on transactions (which Merkel favors) and a kind of obligatory insurance on risky deals. If they ever really got past the drawing board, these kinds of instruments could transform the entire financial industry. [...]


Rob Rogers, «Pittsburgh Post-Gazette»

Liu Xiaobo

Publicado em notas ao café por JN, em Dezembro 29, 2009


Signe Wilkinson, «Philadelphia Daily News»

Há cerca de um ano, o intelectual chinês Liu Xiaobo ajudou a organizar uma petição conhecida por “Carta 08″, que pedia mais abertura e liberdade de expressão na China. A “Carta 08″ conseguiu atrair a atenção do mundo.

A 25 Dezembro de 2009, Liu Xiaobo foi condenado a onze anos de prisão por “subversão”. A sentença foi proferida dois dias depois do julgamento de Liu, que durou três horas. Liu passou o ultimo ano detido e o seu advogado, apesar de planear recorrer da decisão, tem pouca esperança que a sentença seja revogada. Liu Xiaobo teve muita atenção internacional — em Março de 2008 recebeu o prémio Homo Homini de 2007– e o julgamento deste bastante criticado por todos, principalmente por organizações que defendem os direitos Humanos, como a Human Rights Watch.

De uma forma geral, activistas e críticos do regime chinês têm recebido penas bastante mais leves e menos visíveis do que a de Liu Xiaobo. A maior parte destas forma detenções por alguns dias ou apenas ficarem sem passaporte, como foi o caso do ambientalista Yu Xiaogang que recebeu o Goldman Environmental Prize em 2008.


Manny Francisco, «The Manila Times»

John Kamm, fundador da Fundação Dui Hua que defende os direitos Humanos e a libertação dos prisioneiros políticos chineses, disse ao New York Times que o julgamento de Liu Xiaobo é um sinal que o governo chinês quer dar um exemplo e está mais confiante na sua capacidade em desafiar as pressões internacionais e vencer:

[...] “Many people see this trial as a tipping point,” said John Kamm, the founder of the Dui Hua Foundation, a group that advocates for human rights and works behind the scenes to free Chinese political prisoners. “The government seems to be getting tougher and more unyielding.”

During the past year, the government has tightened restrictions on access to the Internet, suppressed the country’s small band of public advocacy lawyers and jailed activists who blamed poor school construction for the deaths of thousands of children during the 2008 Sichuan earthquake.

Legal scholars say they worry that top party leaders seem less amenable to building an impartial legal system and allowing people to exercise the political rights in China’s Constitution, which could mean that intellectuals and civic groups have less room to operate.

Nas ruas de Teerão

Publicado em notas ao café por JN, em Dezembro 29, 2009

Depois da morte de Hoseyn Ali Montazeri os conflitos entre a oposição e o regime do Irão intensificaram-se e alguns membros de relevo da oposição já foram detidos, entre os quais o principal líder da oposição e antigo candidato presidencial, Mir Hossein Mousavi. Cerca de oito pessoas terão morrido, entre os quais o sobrinho de Mousavi, nos mais violentos confrontos desde há meses. A comunidade internacional já condenou a violência das forças policiais iranianas e Angela Merkel classificou-a de “inaceitável” e exige que o Irão cumpra com os seus deveres internacionais de respeito pelos direitos cívicos e políticos, em especial a liberdade de expressão.


Rainer Hachfeld, «Neues Deutschland»

O Tehran Bureau afirma que a imprensa iraniana é um espelho da retórica radical do regime e que os manifestantes nas rua respondem com tudo que têm à mão. Comentadores dizem que o governo também mostra sinais que tudo fará tudo para impedir qualquer tipo de manifestação, mesmo matar pessoas no feriado religioso xiita da Ashura, algo que nenhum Xá tinha ousado fazer. O antigo Presidente Mohamed Khatami foi atacado no interior de uma mesquita frequentada pelo Ayatollah Khomeini e há dezenas de imagens e vídeos na Internet que mostram a violência policial contra os manifestantes, inclusive mulheres. Neste contexto não serão de admirar os rumores que circulam de elementos das forças policiais que se recusem a cooperar com o regime, como escreve o New York Times:

[...] There were scattered reports of police officers surrendering, or refusing to fight. Several videos posted on the Internet show officers holding up their helmets and walking away from the melee, as protesters pat them on the back in appreciation. In one photograph, a police officer can be seen holding his arms up and wearing a bright green headband, the signature color of the opposition movement.

The Tehran police denied firing on protesters and in an official statement late Sunday said five people had been killed “in suspicious ways.”


Yaakov Kirschen, «The Jerusalem Post» & «Dry Bones»

O “Holandês Voador”

Publicado em notas ao café por JN, em Dezembro 29, 2009


John Darkow, «Columbia Daily Tribune»

Umar Farouk Abdulmutallab, é o nigeriano de 23 anos que tentou derrubar o voo 253 da Northwest Airlines, que partiu de Amesterdão com destino a Detroit, com tetranitrato de pentaeritritol (PETN) — segundo especialistas um explosivo que pode provocar grandes danos — que transportava na sua roupa interior. Embora tenha colocado mais uma vez os aeroportos em “estado de sítio”, colocado em causa todos os sistemas de segurança e obrigando a novas medidas de segurança não é ele, actualmente, de quem se fala nos media dos EUA sobre o voo 253. Este papel pertence a Jasper Schuringa, um cineasta holandês de 32 anos, a quem já chamam “Flying Dutchman” (“Holandês Voador”) e que foi o responsável por impedir Umar Farouk Abdulmutallab de cumprir o seu destino. Como seria de esperar, os tablóides estão “apaixonados” por Schuringa.

Enquanto o Presidente Barack Obama promete encontrar os responsáveis pelo atentado frustrado, Bruce Schneier, um especialista em segurança, resume bem o que se passou no voo 253:

Only two things have made flying safer [since 9/11]: the reinforcement of cockpit doors, and the fact that passengers know now to resist hijackers.


Mike Keefe, «USA Today»

Na Índia é o assunto…

Publicado em notas ao café por JN, em Dezembro 29, 2009

Narain Dutt Tiwari (à esquerda na foto), de 86 anos, governador de um estado do sul da Índia e membro do Congresso Nacional Indiano, demitiu-se das suas funções após  um canal de televisão ter divulgado um vídeo onde alegadamente o Sr. Tiwari aparece na cama com três mulheres.

Embora aqui na Europa possa parecer um caso de pouca importância e que passe despercebido, o assunto teve repercussões graves na Índia, um país onde o equilíbrio político é sempre complicado. Após a sua demissão o Sr. Tiwari acusou a existência de um “conspiração” contra ele e afirmou que as acusações são falsas. Entretanto grupos de activistas dos direitos das mulheres queimaram a sua imagem em público e foram um dos grupos que mais exigiu a demissão de Narain Dutt Tiwari.

No comments (94)

Publicado em no comments por JN, em Dezembro 29, 2009


Chan Lowe, «Sun-Sentinel»

E-books pelo Natal

Publicado em notas ao café por JN, em Dezembro 29, 2009


Cristobal Reinoso (Argentina)

Livros são sempre uma boa escolha para um presente de Natal, ou em qualquer altura. Mas como sinal desta nova era digital, pela primeira vez este ano, a Amazon vendeu mais e-books para o Kindle do que livros em papel. O comunicado da Amazon refere que o Kindle foi o presente de natal mais oferecido através desta empresa online, e não os e-books, mas como escreve Charlie Sorrel na Wired, quem recebe um Kindle naturalmente comprará (ou faz parte do presente) livros; ou seja, os e-books neste Natal estiveram na moda, pelo menos nos EUA, e definitivamente são um produto que veio para ficar.

As mulheres e a guerra

Publicado em notas ao café por JN, em Dezembro 24, 2009


Mohsen Nouri Najafi

A fotografa Marissa Roth, no Los Angeles Times, escreve sobre a vida de mulheres que sobreviveram a conflitos armados, desde a Segunda Guerra Mundial ao Afeganistão e aos Balcãs. O resultado do seu trabalho em dez países será reunido no livro “One Person Crying: Women and War”:

[...] My experiences in Pakistan inspired me to continue photographing other women affected by other wars, a photo essay that has turned into a 20-year personal project dedicated to documenting the lives of women who have been directly affected by armed conflicts.

Men traditionally fight the wars. But it is the women who are left behind to pick up the pieces.

Ciberguerra

Publicado em notas ao café por JN, em Dezembro 24, 2009


Frederick Deligne

Activistas de todos os quadrantes políticos encaram cada vez mais, e usam de uma forma mais agressiva, as potencialidades oferecidas pela Internet e, em especial, as redes sociais. O segundo ataque que o Twitter sofreu esta terça-feira por um grupo que se auto-intitula Iranian Cyber Army mostra bem este facto. Este grupo conseguiu com sucesso redireccionar o tráfico deste site para um um outro que continha propaganda anti-americana. O grupo também reivindicou os ataques que ocorreram em vários sites de grupos de oposição iraniana.

Especialistas em segurança militar afirmam que os ciber-ataques no Twitter e outras redes sociais representam um novo tipo de guerra na qual instituições financeiras, companhias eléctricas e redes de computadores podem ser um alvo, como escreve Michael B. Farrell no The Christian Science Monitor:

[...] “By selecting Twitter as a target and taking out high-profile anti-government sites at the same time, the Iranian government is being as clear as it possibly can that this war will also be fought on the web,” Cubrilovic wrote. “In a web war, Iran has demonstrated that almost nobody is immune, the battlefield is level and it is not afraid to fire the first big shots in full view of the entire world.” [...]

Um novo símbolo no Irão

Publicado em notas ao café por JN, em Dezembro 24, 2009


Robert Ariail, «The State»

O Ayatollah Hossein Ali Montazeri era um acólito – um líder da revolução de 1979 que uma vez foi designado sucessor do Ayatollah Ruhollah Khomeini — e ajudou a elaborar constituição islâmica do Irão. Mas era ao mesmo um dos maiores críticos do regime pela sua forma de consolidação de poder e da supressão das liberdades civis e dos direitos das mulheres. Nos meses seguintes às eleições naquele país, o Ayatollah Montazeriar afirmava que o actual governo tinha perdido a legitimidade e acusou a milícia Basij de seguir o “caminho de Satanás”. Considerado o mais sábio estudioso do Islão entre todos os clérigos do Irão, Montazeri foi sempre protegido de represálias por parte do regime.

O seu funeral foi mais um pretexto para a oposição manifestar-se contra o regime do Presidente de Mahmud Ahmadinejad e violentos confrontos com a polícia verificaram-se na cidade sagrada de Qum e em Najafabad, cidade natal de Hossein Ali Montazeri. Como escreve Juan Cole, no Informed Comment, o clima de contestação ao regime iraniano continuou durante esta semana tendo ocorrido vários confrontos com a polícia.


Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»

Robin Wright, na Time, escreve que a oposição do Irão perdeu um mentor, mas ganhou um “mártir”:

[...] With his passing, the Green movement loses a spiritual mentor. “His death is certainly a blow to the opposition, but it shouldn’t dramatically affect their fortunes,” said Sadjadpour. “It could also prove a catalyst for more protests, especially given the fact that he died during Muharram [a Shi'ite holy month that celebrates martyrdom].” Montazeri is to be buried Monday, and mourned a week later in a ritual that coincides with Ashura — the holiest Shi’ite day of mourning marking the martyrdom of Hossein, grandson of the prophet Mohammed’s grandson, in the fight against injustice. Montazeri’s passing will also be commemorated on eleventh and fortieth days after his death, each day of mourning marking an emotional opportunity for his opposition supporters to rally.

“What made Montazeri unique was his integrity,” said Sadjadpour. “Despite the power and wealth that many of Iran’s political clerics have amassed, very few of them will die like Montazeri, revered by the public and with their integrity intact.”

Na The New Republic, Abbas Milani escreve sobre a vida e o percurso de Hossein Ali Montazeri.

Em busca do tempo perdido

Publicado em notas ao café por JN, em Dezembro 22, 2009


Aislin, «The Montreal Gazette»

Bryan Walsh na Time escreve que apesar de Copenhaga sido um desastre foi também um hino à discórdia. Fora da cimeira foram os motins onde a polícia dinamarquesa teve de entrar em choque com milhares de manifestantes que exigem uma acção imediata por parte dos governos do mundo. No interior, os governos do mundo dividiam-se entre ricos e pobres enquanto as duas grandes economias, os EUA e a China trocavam “diferendos”. No fim, tudo o que era produzido era um acordo provisório que mal vale esse nome e o próprio arquitecto do mesmo, o Presidente Barack Obama, foi obrigado a admitir que não era suficiente e que ainda há um longo caminho a percorrer. Nas cinco conclusões que Walsh escreve, refere que a China é factor decisivo em qualquer futuro acordo, que o mundo, ao menos, consegue acordos para salvar as florestas e que, mesmo falhando, Copenhaga será um marco na política internacional e que a era da diplomacia entra na sua “idade adulta”.


Paresh Nath, «The Khaleej Times»

Era da diplomacia ou não, o facto é que quando 192 países se reúnem e nada (ou quase) acontece, alguém terá que ter a culpa — algué tem que responder pelo “clube de perdedores”, como escreve Christoph Seidler. Gordon Brown e o governo britânico já têm um, a China, e o ministro da Energia, Ed Miliband, escreve-o no The Guardian, onde também acusa o Sudão, a Bolívia, Cuba, Nicarágua e a Venezuela de terem bloqueado um acordo. Das acusações britânicas, os EUA saem ilibados.

Markus Becker, na Der Spiegel, chama “desastre” à cimeira e aponta a politica negocial da China e dos EUA como principais responsáveis deste “desastre”. Também na Spiegel, Christian Schwägerl, escreve que os EUA, a China, a UE, o G8 são todos igualmente responsáveis por Copenhaga ter falhado e, acima de tudo, de terem destruído um recurso vital do mundo: a confiança.


Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»

Em jeito de resumo de uma “cimeira perdida”, escreve George Monbiot no The Guardian:

First they put the planet in square brackets, now they have deleted it from the text. At the end it was no longer about saving the biosphere: it was just a matter of saving face. As the talks melted down, everything that might have made a new treaty worthwhile was scratched out. Any deal would do, as long as the negotiators could pretend they have achieved something. A clearer and less destructive treaty than the text that emerged would be a sheaf of blank paper, which every negotiating party solemnly sits down to sign.

[I]mmediate self-interest has trumped the long-term welfare of humankind. Corporate profits and political expediency have proved more urgent considerations than either the natural world or human civilisation. Our political systems are incapable of discharging the main function of government: to protect us from each other.

Goodbye Africa, goodbye south Asia; goodbye glaciers and sea ice, coral reefs and rainforest. It was nice knowing you. Not that we really cared. The governments which moved so swiftly to save the banks have bickered and filibustered while the biosphere burns.


Chappatte, «The International Herald Tribune»

“Doutrina” Obama

Publicado em notas ao café por JN, em Dezembro 22, 2009


Paresh Nath, «The Khaleej Times»

Barack Obama admitiu ao receber o prémio Nobel da Paz em suas realizações ainda eram “poucas”. Mas ao mesmo tempo o Presidente americano tem grandes planos, que incluem a assinatura de um novo tratado de redução de armas nucleares com a Rússia e, finalmente, livrar o mundo por completo de todas as armas atómicas. Senhor de uma capacidade de retórica admirável, em Oslo Barack Obama proferiu um discurso profundo e, ao mesmo tempo, provocante; um discurso de guerra e paz. O historiador Simon Schama, no Financial Times, escreveu que o Presidente esteve ao nível de Cícero; para outros. Tom Heneghan no FaithWorld, escreveu que o discurso de Oslo foi um eco de Reinhold Niebuhr, um teólogo com uma visão sombria da natureza humana. David Brooks no New York Times já teria escrito algo semelhante.


Ed Stein

A The Economist escreve que a actual “obsessão” de todos os comentadores é descobrir se o discurso de Oslo reflecte a “doutrina Obama” em política internacional e, nesse caso, qual é essa “doutrina”?

[...] Mr Obama has never claimed to be a pacifist. Yet his critics on the right seemed surprised, pleasantly, when he said in Oslo that “there will be times when nations—acting individually or in concert—will find the use of force not only necessary but morally justified.” [...]

A presidential “doctrine”, however, needs to say more than that America will sometimes have to fight, and sometimes alone. The question is: when? If Mr Bush had a doctrine it was his belief in pre-emptive war, enunciated in the National Security Strategy of 2002 and enacted in Iraq the next year. Does Mr Obama, who opposed that war, accept the idea of pre-emption in any circumstances? Here the Oslo speech was vague. [...]

Sometimes Mr Obama is accused of soft-headed idealism (eg, for extending a tentative hand to Iran and North Korea’s Kim Jong Il, to whom he passed a letter last week), and sometimes of a hard-hearted realism that pays too little heed to human rights. When Iran cracked down on pro-democracy protesters in June, he muted his criticism for fear of disrupting the nuclear talks. His administration has made less fuss than some about human rights in China. [...]

So is this a distinctive Obama doctrine? Mr Bush’s officials also talked to North Korea and Iran, and got along well enough with China and Russia. What makes Mr Obama most different so far, argues Peter Beinart of the New America Foundation, a think-tank, is his conviction that an economically stricken America needs to pare down its foreign commitments.

When Mr Obama said at West Point at the beginning of December that he was sending 30,000 more troops to Afghanistan, he also said that he refused to set goals “that go beyond our responsibility, our means, or our interests”. By definition, a superpower has to sally forth into the world. Arguably, Mr Obama’s main new idea, much easier to say than to achieve, is that it should also live within its means.


RJ Matson, «Roll Call»

A pretensão da verdade

Publicado em notas ao café, palavras ao café por JN, em Dezembro 22, 2009


Clay Bennett, «Chattanooga Times Free Press»

“Tendo estudado a sabedoria em livros traduzidos do grego, do chinês ou do sânscrito, tenho uma certa desvantagem em relação aos ignorantes que só aprenderam em jornais desportivos ou revistas de moda. Quando enfrento um assunto difícil cuja elucidação requer anos de reflexão, sinto-me intimidado com a consciência da minha insuficiência, que me trava os impulsos no momento em que eles, impelidos pelo propulsor da sua ignorância, estão seguros de ter encontrado, ainda antes de ter procurado. Como posso fazê-los compreender que tenho razão em não proclamar que a tenho, antes de dedicar tempo a demonstrar-lhes que estão errados? Não, eles não desistem. De resto, as minhas hesitações atraiçoam-me. A verdade é uma flecha que vai direita ao alvo. Os escrúpulos intelectuais são tremuras do espírito. Se visar mal, como posso atingir o alvo?
Apercebemo-nos de que a ignorância não exclui a firmeza de opinião. Existe até uma cumplicidade objectiva entre elas. Quanto menos sabem, mais ostentam, diz o profeta. A indigência intelectual tira partido do seu pretenso parentesco com a Verdade. Contudo, é preciso ser ingénuo para pensar que o saber liberta o espírito dessa lei de gravitação que faz com que todo o pensamento orbite em torno da Verdade. Quanto mais sabem, mais ostentam, diz também o profeta, desta vez nos dias ímpares. Ter razão é a pretensão mais universal e, provavelmente, a mais antiga.”

Georges Picard, in «Pequeno Tratado para Uso Daqueles que Querem Ter Sempre Razão»

Chase Whiteside e Erick Stoll, do New Left Media, numa entrevista de rua durante uma apresentação pública do livro de Sarah Palin, a actual rock star do movimento conservador americano, segundo um dos entrevistados.

Polémicas vazias

Publicado em notas ao café por JN, em Dezembro 20, 2009

Pelo facto do Presidente da República não ter comentado o diploma que vai permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo e ter dito que o está realmente a preocupar é a situação económica do país e, em especial, o desemprego, está a ser acusado de contribuir para a dramatização da vida nacional e de pôr em causa as condições de estabilidade política.  Não sei em quê, ninguém precisa do Sr. Presidente para perceber que a situação é dramática. O problema do casamento entre pessoas do mesmo sexo, e muito bem, foi (quase) resolvido; a situação económica, a falta de emprego e a constante diminuição do mesmo é que ninguém parece saber como vão ser resolvidos.


“Controversy”
Michael Kountouris, «Politicalcartoons.com»

O “acordo” de Copenhaga

Publicado em notas ao café por JN, em Dezembro 19, 2009


Hajo de Reijger

Era uma das intervenções mais aguardadas de ontem em Copenhaga, e o hábil orador Barack Obama mostrou os seus créditos:

[...] The question is whether we will move forward together, or split apart. This is not a perfect agreement, and no country would get everything that it wants. There are those developing countries that want aid with no strings attached, and who think that the most advanced nations should pay a higher price. And there are those advanced nations who think that developing countries cannot absorb this assistance, or that the world’s fastest-growing emitters should bear a greater share of the burden.

We know the fault lines because we’ve been imprisoned by them for years. But here is the bottom line: we can embrace this accord, take a substantial step forward, and continue to refine it and build upon its foundation. We can do that, and everyone who is in this room will be a part of an historic endeavor – one that makes life better for our children and grandchildren.

[...] There is no time to waste. America has made our choice. We have charted our course, we have made our commitments, and we will do what we say. Now, I believe that it’s time for the nations and people of the world to come together behind a common purpose.

Mas foi um frustrado Barack Obama que se dirigiu aos delegados presentes na cimeira de Copenhaga e que apelou a que se chegasse a um acordo, mesmo que fosse “imperfeito”, embora não tenha feito novas promessas sobre cortes de emissões; “Nenhum país vai conseguir tudo que quer”, afirmaria o Presidente americano.


Paresh Nath, «The Khaleej Times»

A frase do dia pertencerá ao Presidente Lula da Silva: “…não sei se algum anjo ou algum sábio descerá neste plenário e irá colocar na nossa cabeça a inteligência que nos faltou até a hora de agora. Não sei”. E como o Presidente brasileiro é um homem que acredita em milagres, Copenhaga deu-lhe um, embora pequeno. Depois de alguns encontros, principalmente o do Presidente Obama com o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, foi anunciado pelo Presidente Obama que um acordo entre os EUA, Brasil, China, Índia e a África do Sul tinha sido conseguido.

Depois de muitos acordos provisórios que foram discutido, o acordo entre os “cinco” fixa em 2ºC o limite de aumento da temperatura até 2050, o que implicará fortes reduções nas emissões; mas não estabelece qualquer prazo para a adopção de um novo tratado climático legalmente vinculativo e deixa em aberto o esforço de redução do mundo desenvolvido para o médio prazo. Os EUA comprometem-se com 3,6 mil milhões de dólares (2,4 mil milhões de euros) em ajudas aos países mais vulneráveis até 2012. O  “acordo possível” não agrada a ninguém, ou pelo menos, à maior parte dos países e, como escreve Richard Black, o Presidente Obama pode ter um acordo com o Brasil, China, Índia e a África do Sul, mas isso não implica que terá com o resto do mundo.

Os países em desenvolvimento não tiveram os cortes nas emissões ou a ajuda que estavam à espera. Nem se comprometeram a um acordo vinculativo ou a verificação externa que os países desenvolvidos queriam; este ponto inclui a China, que é de uma forma absurda, colocada na mesma categoria de países da Polinésia, no acordo final. E, talvez o ponto mais desfavorável, não há grande esperança para um acordo vinculativo em 2010.


Chappatte, «The International Herald Tribune»

O editorial do The Guardian resume bem o que foi Copenhaga:

Like businessmen who insist a deal is legit, politicians protesting they have done something “meaningful” arouse suspicions that the opposite is in fact true. And “meaningful” was about the best word the spin doctors could muster in respect of the agreement of sorts that was brokered in Copenhagen late last night.

The climate change summit had three big tickets on its agenda: emissions, financial assistance and the process going ahead. And on each of these counts the accord – which was effectively hammered out not by the whole conference, but rather by the US, India, China and South Africa – fell woefully short. There was no serious cementing of the positive noises on aid that had emerged earlier on in the week. On emissions, a clear-eyed vision for the distant future was rendered a pipe dream by outright fuzziness about the near term. And most alarmingly of all, there was no clear procedural roadmap to deliver the world from the impasse that this summit has landed it in. Outright failure to agree anything at all would have been very much worse, but that is about the best thing that can be said. [...]


David Horsey, «Seattle Post-Intelligencer»

Último dia…

Publicado em notas ao café por JN, em Dezembro 18, 2009


Bado, «Le Droit»

Copenhaga é como Genebra e Pittsburgh. Nestas três cidades existiu e existe uma tentativa de responder aos desafios do mundo. Em Copenhaga, são as alterações climáticas. Em Genebra, foi o comércio global. Em Pittsburgh, há pouco mais de dois meses atrás, foi a economia global.

Esta série de negociações internacionais não deve nada ao acaso. Cada vez mais, o mundo é uma “aldeia”. O que acontece numa parte do mundo pode influenciar directamente os acontecimentos que ocorrem numa outra. A técnica transformou o mundo, dando ao homem um poder sobre a natureza cujos efeitos começam a ser vistos em todo o mundo, tornando incrivelmente fácil circulação de pessoas, mercadorias, informação e capital. Mas esta aldeia não tem um “Executivo”, apenas “comités de bairro”, fazendo com que as negociações a longo prazo sejam difíceis de atingir.


Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»

Copenhaga, Genebra e Pittsburgh mostraram a profunda divisão entre ricos e pobres desta “aldeia global”, uma verdadeira “luta de classes” a nível global; os primeiros não querem perder o estatuto, os segundos querem-no. Os primeiros querem ajudar os segundos, mas ninguém se entende na forma, como escreve Naomi Klein na The Nation. E pelo meio é quase impossível decidirem a atingirem objectivos comuns. No penúltimo dia, e com o receio de a cimeira ser um total fracasso – não será total porque se pode atingir um acordo sobre a preservação das florestas -, os esforços diplomáticos aumentaram, como o do Presidente Sarkozy a pedir um acordo, mesmo que seja a manutenção do Protocolo de Kyoto, e Hillary Clinton a propor que os países mais ricos, incluindo os EUA, ajudem os mais pobres com 100 mil milhões de dólares por ano na próxima década, o que é uma alteração da estratégia da administração Obama.

Se vários países, muitos deles africanos, receberam com agrado a proposta apresentada pela Sra. Clinton, os responsáveis chineses parecem pouco entusiasmados com a proposta, dizendo que a proposta americana é pouco clara. Como escreve Christian Schwägerl na Der Spiegel, a falta de acordo entre a China e os EUA foi um dos principais entraves às negociações em Copenhaga. No entanto, a proposta americana e o facto da China ter aceite reformar o sistema de controle de emissões do país e em ajudar financeiramente os países mais pobres, segundo a BBC, faz com que um acordo, “pouco ambicioso”, ainda possa ser conseguido na reunião de líderes em Copenhaga.


Riber Hansson, «Svenska Dagbladet»

“Go Slowly”

Publicado em música ao café, notas ao café por JN, em Dezembro 18, 2009

Pelas ruas de Vancouver ao som de “Go Slowly” dos Radiohead…

Vancouver – Testing the Canon 7D, um filme de brandon moza no Vimeo.

Redefinir a Humanidade

Publicado em notas ao café por JN, em Dezembro 17, 2009


Ares, «Cagle Cartoons»

George Monbiot, no The Guardian, escreve que o Homem é uma espécie habituada a expandir as suas fronteiras e a viver sem limites, mas que tem que aprender que a sua sobrevivência depende de aceitar que temos que viver com limites. Para Monbiot a cimeira de Copenhaga é mais do que a discussão sobre o clima; é uma batalha para redefinir a Humanidade na qual temos decidir o que somos e o que queremos ser:

This is the moment at which we turn and face ourselves. Here, in the plastic corridors and crowded stalls, among impenetrable texts and withering procedures, humankind decides what it is and what it will become. It chooses whether to continue living as it has done, until it must make a wasteland of its home, or to stop and redefine itself. This is about much more than climate change. This is about us.

The meeting at Copenhagen confronts us with our primal tragedy. We are the universal ape, equipped with the ingenuity and aggression to bring down prey much larger than itself, break into new lands, roar its defiance of natural constraints. Now we find ourselves hedged in by the consequences of our nature, living meekly on this crowded planet for fear of provoking or damaging others. We have the hearts of lions and live the lives of clerks.

[...] Humanity is no longer split between conservatives and liberals, reactionaries and progressives, though both sides are informed by the older politics. Today the battle lines are drawn between expanders and restrainers; those who believe that there should be no impediments and those who believe that we must live within limits. The vicious battles we have seen so far between greens and climate change deniers, road safety campaigners and speed freaks, real grassroots groups and corporate-sponsored astroturfers are just the beginning. This war will become much uglier as people kick against the limits that decency demands.

[...] But somehow this first great global battle between expanders and restrainers must be won and then the battles that lie beyond it – rising consumption, corporate power, economic growth – must begin. If governments don’t show some resolve on climate change, the expanders will seize on the restrainers’ weakness. They will attack – using the same tactics of denial, obfuscation and appeals to self-interest – the other measures that protect people from each other, or which prevent the world’s ecosystems from being destroyed. There is no end to this fight, no line these people will not cross. They too are aware that this a battle to redefine humanity, and they wish to redefine it as a species even more rapacious than it is today.

No comments (93)

Publicado em no comments por JN, em Dezembro 17, 2009


Deng Coy Miel

Na recta final…

Publicado em notas ao café por JN, em Dezembro 17, 2009

Segundo o New York Times, em Copenhaga pode-se chegar a um acordo que compensará os países que preservem as suas florestas e outras paisagens naturais, como as zonas pantanosas, que desempenham um papel importante na regulação ambiental. Um dos alvos principais é a preservação das florestas tropicais e este acordo pode muito bem ser o que de mais significativo irá resultar de Copenhaga.


Paresh Nath, «The Khaleej Times»

Copenhaga parece ser uma cimeira destinada a falhar, ou pelo menos ficar muito aquém dos seus objectivos iniciais, como escreve a The Economist. Markus Becker e Christoph Seidler, da Der Spiegel, escrevem que a dois dias do fim da cimeira o medo de que esta irá acabar sem nada ter sido conseguido aumenta; os EUA e a China continuam a nada decidir e o fosso que separa os “ricos” dos “pobres” aumenta e pode provocar um impasse total nas negociações

[...] On Wednesday afternoon, according to delegates at the conference, the Danish conference chair is to present the first official draft of the closing statement. But on Tuesday, it was more unclear than ever just how binding the statement might be. The US delegation dashed the hopes of any remaining optimists with its announcement that President Barack Obama would not be improving the American pledge to cut greenhouse gas emissions by 17 percent by 2020 relative to 2005. “I am not anticipating any change in the mitigation commitment,” said chief US delegate Todd Stern on Tuesday afternoon.

The Chinese too are likewise digging in. Referring to his country’s stated emissions reduction targets, China’s climate ambassador Yu Qingtai said “we announced those targets, we don’t intend to put them up for discussion.”

The positions of the US and China could end up being a major problem for the negotiations. Developing and newly developed countries are demanding ever more vehemently that nations in the industrialized world increase the emissions cut targets they have thus far announced. China accused the US and other rich countries of having offered less at the conference this week rather than more. Some representatives, particularly those from island nations threatened directly by climate change, said they would not sign a “suicide pact.” [...]


Rob Rogers, «Pittsburgh Post-Gazette»

E com as negociações paradas ou num impasse, nas ruas de Copenhaga outros “participantes” decidiram dar a sua opinião. Mais de 200 pessoas foram detidas ontem, durante uma manifestação às portas do Bella Center, em Copenhaga, onde decorre a cimeira. A polícia dispersou os activistas com gás pimenta e bastões. Outras dezenas foram detidas em vários pontos do centro da cidade.


“The Right to Self-Defense”
Peray, «The Nation»

O teste iraniano

Publicado em notas ao café por JN, em Dezembro 17, 2009


Fares Garabet (Síria)

Com as tensões entre Washington e Teerão a aumentarem, segundo a Reuters, os EUA irão realizar exercícios militares que irão analisar a capacidade de resposta do seu sistema de defesa contra um ataque de mísseis iranianos de longo alcance, como antes tinha acontecido com a Coreia do Norte.

O actual míssil de longo alcance iraniano é o Shahab-3, que pode alcançar 1280 km — pode atingir Israel, mas não os EUA. Mas Teerão parece querer resolver esse problema e testou com sucesso um novo tipo de míssil de longo alcance, o Sajjil-2, que é mais versátil que o Shahab-3 e pode atingir alvos na Europa e bases americanas no Golfo. Como seria de esperar, os líderes ocidentais protestaram e querem endurecer as sanções contra o Irão.

O Congresso dos EUA aprovou, e antes dos testes iranianos, uma nova sanção contra Irão para forçar este país a cumprir com os acordos nucleares internacionais. A nova sanção é dirigida às importações de combustível por parte do Irão; companhias que forneçam combustíveis ao Irão, como gasolina, podem sofrer sanções por parte dos EUA e, possivelmente, os seus aliados, algo que não parece ter incomodado o regime de Teerão que afirma ter múltiplos fornecedores de gasolina.


Steve Greenberg, «Ventura County Star»

As sanções às importações de combustíveisl ao Irão originaram um “duelo” na Foreign Policy. Alireza Nader escreve que só uma solução diplomática pode resolver o diferendo ente os EUA e o Irão; cabe ao Presidente Obama e a todo o seu potencial diplomático encontrar formas de persuadir Teerão a abandonar o seu programa nuclear sem punir o povo iraniano ou reforçar o poder daqueles que o governam, principalmente o Corpo de Guarda Revolucionária Islâmica. Para Nader, este plano e outros semelhantes são os principais responsáveis que dão o impulso às ambições nucleares do Irão e ajudam a oprimir ainda mais o povo iraniano.

Mark Dubowitz e Reuel Marc Gerecht por seu lado, embora reconheçam que o povo iraniano será prejudicado pelas mesmas, nem estas sejam a cura para todos os problemas, escrevem que as sanções são a única resposta possível e que há precedentes anteriores que mostram que até podem ser eficazes; e citam o exemplo da África do Sul, durante o regime do apartheid.

Deixar o “ninho”

Publicado em notas ao café por JN, em Dezembro 17, 2009

Em média, os jovens do norte e do oeste da Europa são os que deixam a casa paternal mais cedo. Muitos factores podem contribuir para este fenómeno. Sociedades mais conservadoras e onde o factor religioso é forte, a média para deixar o lar por parte dos jovens é mais alta. Mas um dos factores que mais contribui para o poder deixar a casa dos pais é o mercado imobiliário: países onde o número de habitação para aluguer é elevado, como é o caso da Alemanha e dos países nórdicos, têm uma média mais baixa para o deixar a casa paternal — algo que explicaria em muito o caso português.

[Fonte: The Economist]

Tragédia grega

Publicado em notas ao café por JN, em Dezembro 16, 2009


Angel Boligan, «El Universal»

Em Bruxelas aumentam as dúvidas sobre a capacidade da Grécia conseguir resolver os seus problemas financeiros em ajuda externa. Wolfgang Reuter na Der Spiegel escreve que se nada for feito, o país arrisca-se a cair numa bancarrota, com consequências imprevisíveis para o euro:

[...] Europe might perhaps be able to afford to let a country go bankrupt, just as the US was able to cope when California went broke. But what if this happens to a number of EU countries? That would trigger what euro skeptics have warned about right from the start: The European common currency would collapse.

But the trouble wouldn’t stop there. When government bonds that have been regarded as a safe investment suddenly become worthless, then the banks start to wobble again, except in this case there would be no more governments strong enough to support them.

Nonetheless, even an isolated Greek bankruptcy would be bad enough, both economically and politically. Greece is already shaken by violent demonstrations, and political unrest could not be ruled out if the country descended into financial chaos.

What should be done to head off this Greek tragedy? The members of the board of the Bundesbank have a clear opinion on this subject. They say that if the country went bankrupt, Europe should under no circumstances come to its aid. Otherwise the Stability and Growth Pact would become nothing more than a historic document, with no relevance for the present or even the future. If help is required from other countries or international institutions, then the IMF should step in, say the bankers. After all, one of the key missions of the fund is to provide this type of aid. [...]


“Bankrupt”
Michael Kountouris, «Politicalcartoons.cpm»

O factor Livni

Publicado em notas ao café por JN, em Dezembro 16, 2009


Chappatte, «The International Herald Tribune»

As relações entre o Reino Unido e Israel têm vindo a deteriorarem-se. Primeiro foi a iniciativa do governo britânico de colocar etiquetas para distinguir os produtos agrícolas produzidos pelos palestinianos em territórios ocupados e os produzidos nos colonatos israelitas, já que pela Lei Internacional os colonatos na Faixa de Gaza são ilegais. Uma medida que pouco agradou ao governo de Israel.

Agora um juiz britânico emitiu um mandado de captura contra a ex-ministra israelita dos Negócios Estrangeiros, Tzipi Livni, por crimes relacionados com a ofensiva em Gaza de há cerca de um ano, numa acção inédita na justiça do Reino Unido. O mandado de captura surgiu após uma queixa de um grupo pró-palestiniano, que acusou a Sra. Livni de ter orquestrado a ofensiva militar que ocorreu no território. Tzipi Livni continua a defender essa operação que considera ter sido “essencial” e ter atingido o “objectivo de mostrar a força e capacidade militar” de Israel.

O governo de Israel ameaçou cortar relações com o Reino Unido e colocar em causa a capacidade britânica de desempenhar um papel activo no processo de paz no Médio Oriente. A ordem de detenção já foi suspensa, depois da Sra. Livni ter cancelado uma viagem à capital britânica e o governo britânico pondera alterar a lei que permitiu o mandato de captura contra Tzipi Livni.

O editorial do The Jerusalem Post, mostra-se bem o desagrado que a situação gerou em Israel e escreve que “Somos todos Tzipi Livni”.

Gazprom vs. Mundo

Publicado em notas ao café por JN, em Dezembro 16, 2009


John Deering, «The Arkansas Democrat-Gazette»

Christian Caryl, na Foreign Policy, escreve sobre a gigante Gazprom, a maior empresa da Rússia e a maior exportadora de gás natural do mundo. Fundada em 1989 e é actualmente controlada pelo estado russo. Caryl escreve que Gazprom inspira algum receio em todos aqueles que suspeitam que a empresa é utilizada pelo Kremlin para fazer o seu “trabalho sujo” na política externa russa, mas as alterações que a economia mundial sofreu nos últimos meses ameaçam retirar a esta compamhia parte do seu protagonismo geopolítico:

[...] One might reasonably object that Gazprom’s fortunes will revive once a global economic recovery spurs renewed demand for energy. Yet some experts argue that something fundamental has changed. “[T]he global gas market has steadily moved from a seller’s to a buyer’s market,” writes analyst Roderick Kefferpütz in a recent report for the Centre for European Studies. The pre-crisis era of high energy prices spurred a worldwide investment boom in expensive liquefied natural gas infrastructure, and in 2009, some experts say, those investments helped create something that didn’t really exist before: a truly global market for natural gas, independent of pipelines.

“Ten years ago no one could suggest that Australia could sell gas to Europe or the United States,” says one analyst at a Western investment bank whose company didn’t authorize him to speak on the record. “Back in 2000, gas was not a globally traded commodity. This is the year that changed.” The trend has also been driven, he says, by an enormous boom in the extraction of natural gas from shale in the United States and Canada. “Gazprom executives call shale gas production a ‘myth,’” the analyst says. “I don’t think they realize how dramatically the gas market has been transformed.” [...]

Tony “Money Machine” Blair

Publicado em notas ao café por JN, em Dezembro 16, 2009


Brian Adcock, «The Scotland»

Tony Blair admitiu esta semana que mesmo sem provas que Saddam Hussein estaria a desenvolver armas de destruição massiva, continuaria a apoiar a invasão do Iraque para remover o regime de Saddam Hussein do poder. Afirmações que lhe valeram muitas críticas que o acusam de usar argumentos falsos para arrastar o Reino Unido para uma guerra impopular que custou a vida a milhares de soldados das forças aliadas e de civis iraquianos.

Apesar do “desprezo” do Sr. Blair por ditadores, isso não o impediu de receber cerca de 100 mil euros, no ínicio deste mês, por ter discursado na inauguração de uma fábrica de produtos químicos no Azerbaijão e ter tido um encontro particular com o autocrático líder deste país, Ilham Aliyev; quando confrontado com as perseguições documentadas a jornalistas neste país, recusou-se a fazer qualquer comentário.

No Daily Mail, Peter Hitchens escreve:

Is there any way this country can officially disown Anthony Blair? Those of us who were never fooled by him now have to watch as he cashes in on his time as Prime Minister in ways which are actually shaming. His dishonesty, his lack of embarrassment and his greed are all so great that it is now possible to imagine him ending up munching gonads on I’m A Celebrity, perhaps trying to restore his fortunes after yet another failed property speculation…

[...] I had to watch the ludicrous transformation of this man, who to my personal knowledge did not know in 1997 that they spoke Portuguese in Brazil, into a supposed World Statesman, the victor of Kosovo and the scourge of Saddam. These two wars, one dubious, the other indefensible, were conducted on the basis that Mr Blair is a dedicated foe of tyranny. Quite a lot of people still believe this piffle. But how can they now, after Mr Blair’s trip to Azerbaijan, there to open a formaldehyde factory?

Quotidianos (11)

Publicado em quotidianos por JN, em Dezembro 16, 2009

1 de Abril: Uma mulher muçulmana da etnia Uigure e o seu filho, vendem pão num mercado da cidade de Kashgar, na província de Xinjiang, China (foto: Mark Ralston/AFP/Getty Images).

9 de Dezembro: Daniela, filha de um pescador, observa um pelicano num mercado de peixe na praia de Chorrillos, em Lima, capital do Peru (foto: Mariana Bazo/Reuters).

9 de Dezembro: Eliame Pereira, de 43 anos, faz uma pausa para comer algo no aterro sanitário de Jardim Gramacho, um bairro do município de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, onde está localizado o maior aterro sanitário da América Latina. Eliame, seguindo os passos da sua mãe, trabalha no aterro desde os dez anos a recolher lixo, sete dias por semana; por aquilo que recolhe ganha cerca de 12 euros por dia. Eliame à noite aprende a ler e a escrever na esperança de conseguir um emprego (foto: Spencer Platt/Getty Images).

9 de Dezembro: O lutador de Kushti, Bashir Bohla Balha (à direita), treina durante o campeonato do clube de luta Khalu Behalwan, na parte antiga da cidade de Lahore, Paquistão (foto: Vincent Thian/AP).

10 de Dezembro: O Cabo Jay McLellan do Corpo de Marines, mostra a sua arma a um jovem afegão durante uma patrulha em Khan Neshin, Afeganistão (foto: Kevin Frayer7AP).

10 de Dezembro: Um homem olha para a perna artificial do seu filho no Centro de Reabilitação Ortopédica da Cruz Vermelha, em Herat, no Afeganistão. O objectivo deste centro é de reabilitar e ajudar vitimas de minas terrestres, e outros, a reingressar na sociedade. De acordo com dados da ONU, cerca de 62 pessoas por mês são mortas ou feridas por minas terrestres no Afeganistão (foto: Hossein Fatemi/UPI).

13 de Dezembro: Crianças brincam na água do mar que cerca as sua casas em Una Una, em Sulawesi, na Indonésia. A subida do nível do mar nos últimos anos nesta zona, obrigou os habitantes a mudarem as suas casas para mais perto da costa (foto: Yusuf Ahmad/Reuters).

15 de Dezembro: Uma família de judeus ultra-ortodoxos acende velas para o Hunukkah, no bairro de Mea Shearim, em Jerusalém (foto: Gil Cohen Magen/Reuters).

Um “ícone” da República italiana

Publicado em notas ao café por JN, em Dezembro 15, 2009


Antonio Neri Licón, «Milenio»

Num artigo de opinião do jornal La Stampa – um que não pertence a Silvio Berlusconi -, Lucia Annunziata escrevia que “O rosto ensanguentado, surpreso e assustado do primeiro-ministro Silvio Berlusconi ficará como um ícone na história da República.”

Mesmo hospitalizado e, suponho, em dor, o primeiro-ministro italiano continua a polarizar os italianos. A imagem ensanguentada do Sr. Berlusconi e cambaleante depois de ser atacado quando assinava autógrafos, originou simpatia e solidariedade por um lado, enquanto ao mesmo tempo uma outra geração elogia o atacante, Massimo Tartaglia, no Facebook e no YouTube. As reacções são as mesmas que sempre ocorreram ao longo dos seus 15 anos de vida política. Acima de tudo, Silvio Berlusconi, continua a dividir os italianos, como escreve a The Economist:

[...] A 42-year-old man, Massimo Tartaglia, was arrested on suspicion of a premeditated assault. Police said they had found in his pockets another souvenir and a chilli-pepper spray. An inventor and electronic engineer from a town just outside Milan, Mr Tartaglia had been undergoing psychiatric treatment for ten years. Neighbours said he was subject to fits of rage. His father said that the family supported the opposition party, but added: “I am not aware that my son hates the prime minister.”

What the incident has made clear, however, is that plenty of other Italians do. Within hours, some 20,000 people had signed up to Facebook groups lauding Mr Tartaglia as a hero. This is not the first time Mr Berlusconi has been assaulted. Five years ago, during his last government, a man who admitted afterwards that he detested the prime minister, hurled a camera tripod at him in Rome.

Most Italian politicians condemned outright the latest attack. But Antonio Di Pietro, a former prosecutor who leads a small anti-corruption party, said Mr Berlusconi “instigates violence”. His remark was widely criticised. But several commentators of right and left alike remarked that, while the attack may have been the work of a mentally disturbed individual, it emerged from a background of growing political tension, much of it revolving around the prime minister. [...]

Pobres vs. Ricos

Publicado em notas ao café por JN, em Dezembro 15, 2009


Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»

A Cimeira de Copenhaga entrou na segunda semana de trabalhos com quase toda a actividade quase suspensa depois dos países em desenvolvimento — um grupo com cerca de 135 países — terem dito que não participariam em qualquer grupo de trabalho até que o assunto sobre os cortes das emissões dos países mais industrializados fosse resolvida. Insatisfeitos, representantes (53 países africanos, liderados pela Argélia) do grupo G77/China suspenderam a reunião durante horas. Estes países queriam uma extensão do Protocolo de Kyoto, o único tratado vinculativo para o ambiente; alguns países em desenvolvimento temem que ao abandonar Kyoto, os países industrializados não cumpram compromissos já assumidos – como a redução de emissões de gases que provocam o efeito estufa em 5,2 por cento em relação a 1990 até 2012 – e ao mesmo tempo queiram cobrar mais dos países emergentes.

Entretanto, e depois de esforços diplomáticos, o grupo dos países africanos que abandonou os grupos de trabalho regressou às negociações ao início da tarde de ontem, depois de os delegados africanos terem recebido garantias da presidente da conferência, Connie Hedegaard, que parte dos trabalhos serão dedicados, exclusivamente, ao Protocolo de Kyoto. No final da cimeira, e no acordo final, haverá duas decisões, uma sobre o Protocolo de Kyoto e a outra sobre a convenção da ONU sobre o clima, disse Etienne Massard Makaga, delegado do Gabão.


Luojie, «China Daily»

Leigh Phillips, no EUobserver, escreve que o que se passa (e passou) em Copenhaga é o espelho da desconfiança que existe entre países mais ricos e mais pobres com estes últimos a acusar os mais ricos de tentar “matar” o Protocolo de Kyoto:

[...] The Kyoto Protocol track is the only one with a mechanism for legally binding emissions reductions by the global north and for channeling funds to the south.

The north wants to kill off Kyoto in order to avoid all discussion at the moment of a legally binding agreement, according to its critics. Its poorer counterparts want to keep it alive because a legally binding agreement is in their interest.

[...] Adding fuel to the fire, the Danish chair of the UN meeting and future EU climate commissioner Connie Hedegaard on Sunday held a meeting outside the confines of the UN process with a select group of 48 environment ministers to discuss mitigation targets and fast-track funding.

[...] Some poorer states fear that the global north’s talk of some €10 billion in annual “fast-track” funding is an attempt to avoid much more expensive long-term financing.

They accuse the EU and other rich countries of divide-and-rule tactics, offering cash now to needy countries in return for lower emissions cut obligations and vague language on future climate financing.


Steve Nease

Tentação

Publicado em notas ao café, palavras ao café por JN, em Dezembro 12, 2009

“[O] mais corajoso homem entre nós tem medo de si próprio. A mutilação do selvagem sobrevive tragicamente na autonegação que nos corrompe a vida. Somos castigados pelas nossas renúncias. Cada impulso que tentamos estrangular germina no cérebro e envenena-nos. O corpo peca uma vez, e acaba com o pecado, porque a acção é um modo de expurgação. Nada mais permanece do que a lembrança de um prazer, ou o luxo de um remorso. A única maneira de nos livrarmos de uma tentação é cedermos-lhe. Se lhe resistirmos, a nossa alma adoece com o anseio das coisas que se proibiu, com o desejo daquilo que as suas monstruosas leis tornaram monstruoso e ilegal. Já se disse que os grandes acontecimentos do mundo ocorrem no cérebro. É também no cérebro, e apenas neste, que ocorrem os grandes pecados do mundo.”

Oscar Wilde, in «O Retrato de Dorian Gray»

A cada criança é proposto o seguinte: “Aqui tens esta guloseima. Podes comê-la já ou esperar que eu volte. Como recompensa pela tua paciência, caso não comas o doce, ofereço-te outro”. O resultado é deveras interessante.

Oh, The Temptation de Steve V no Vimeo.

No TED, Joachim de Posada fala de um teste semelhante e no processo da “gratificação adiada” e como ela pode prever o sucesso que se poderá vir a ter no futuro.